Disco 'Ronda Noturna' • Guilherme Arantes • Três Selos/Rocinante • 1977/2025
Apesar da famosa “síndrome do segundo disco” — onde pressão, dificuldades e expectativas são enfrentadas especialmente quando o músico teve um primeiro trabalho que foi um sucesso comercial — costuma ser nesse tipo de álbum que o artista amadurece. Ronda Noturna, o segundo LP lançado por Guilherme Arantes, mostrou exatamente isso, um artista maduro, apesar de seus tenros 24 anos de idade.
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Lançado em 1977, enquanto ocorria um dos períodos mais revolucionários para a música jovem, Ronda Noturna ainda navegava em oceanos progressivos, mas também apontava para a futura carreira de hitmaker de Guilherme Arantes na década seguinte. No inverno daquele ano, Guilherme e sua nova banda, a Companhia Limitada, entraram confiantes no estúdio de 16 canais da Sigla/Som Livre. José Carlos Prandini (guitarra, viola e flauta), Paulo Rosas Soveral (baixo) e Luiz Guido Carli (bateria e percussão) estavam entrosados dos shows e dos ensaios, completamente em sintonia com as estripulias harmônicas e melódicas do líder, pilotando seu piano e seu moog.
A progressiva “Baile de Máscaras” foi a faixa escolhida para ser lançada em compacto, entrando na trilha da novela global Espelho Mágico. A principal música de trabalho do elepê, no entanto, acabou sendo a também épica “Amanhã”, uma canção que Guilherme escreveu num ônibus, inspirado no poeta russo Maiakóvski e na música “Basta um Dia”, de Chico Buarque. “Amanhã”, segundo seu autor naquela altura “um hino por um astral mais alto que o atual”, entrou numa das principais trilhas de novela dos anos 70: Dancin’ Days. O disco também traz balanços irreverentes como em “Fuzarca na Discothèque” e “Made in U.S.A.”, um tema jazzístico entre Zappa e Steely Dan (a faixa-título), um fusion-baião em “A Cor da Aflição” e até uma balada influenciada pelos mineiros do Clube da Esquina: “Vento da Manhã”. Na faixa de abertura, “Oh! Meu Amor”, Guilherme pergunta: “O que estaremos fazendo daqui há alguns anos?”.
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Maldito, esquecido, obscuro, confuso, turbulento… chame como quiser, mas Ronda Noturna é um retrato sonoro de um artista mestre em equilibrar qualidade e popularidade, imposições da indústria e aprimoramento artístico. É também um daqueles grandes álbuns “perdidos” da música brasileira que agora, finalmente, ganha uma nova chance com esse relançamento.
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Esta edição Três Selos-Rocinante é em vinil Azul 180g, inclui letras e encarte impresso com texto do jornalista e escritor Bento Araujo, autor da série de livros Lindo Sonho Delirante.
Guilherme Arantes – Ronda Noturna
— por Bento Araujo —
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Apesar da famosa “síndrome do segundo disco” — onde pressão, dificuldades e expectativas são enfrentadas especialmente quando o músico teve um primeiro trabalho que foi um sucesso comercial — costuma ser nesse tipo de álbum que o artista amadurece. Ronda Noturna, o segundo LP lançado por Guilherme Arantes, mostrou exatamente isso, um artista maduro, apesar de seus tenros 24 anos de idade.
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Geralmente, o primeiro disco reúne composições feitas ao longo de anos. Já o segundo precisa ser feito rápido, sob prazos e com o peso das expectativas comerciais. Além disso, a identidade do artista ainda se encontra em construção, quando este ainda está buscando entender sua sonoridade, estética e propósito. O segundo álbum pode tanto refletir uma tentativa de reinvenção apressada, como uma fidelidade excessiva à fórmula anterior, resultando em obras sem espontaneidade. Felizmente, esse não foi o caso em Ronda Noturna, que por pouco não se chamou Tiro ao Alvo.
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Lançado em 1977, enquanto ocorria um dos períodos mais revolucionários para a música jovem, Ronda Noturna ainda navegava em oceanos progressivos, mas também apontava para a futura carreira de hitmaker de Guilherme Arantes na década seguinte. “O rock brasileiro, ou seja, Som Nosso, O Terço, Rita Lee, Mutantes, se perdeu. Pra mim, o rock nada mais é que um monte imprestável de amplificadores, sintetizadores e spots — tudo isso regido por uma meia dúzia de inconsequentes que vivem desbundados pelo aparato
técnico. E se você quer saber uma coisa, eu também estou no meio desse bando de visionários”. A sintomática declaração do jovem astro à revista Pop, em 1977, resumia sua trajetória até então.
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A banda que revelou Guilherme Arantes foi o Moto Perpétuo, quinteto paulistano apadrinhado pelo poderoso empresário Moracy do Val, que apostava no grupo como um sucessor dos Secos & Molhados. Após um LP lançado em 1974, pela Continental, Guilherme se sentiu frustrado em não conseguir alcançar as massas: “O Moto Perpétuo era o meu conjunto, o modo pelo qual eu expressava minhas ideias musicais. Eu fazia tudo no grupo, desde as composições até os arranjos.
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Mas quando chegava a hora das apresentações, eu dizia aos outros: ‘vamos tocar no programa do Raul Gil, do Chacrinha, Silvio Santos e demais programas populares. É esse o público que temos que atingir, para depois chegar ao público mais sofisticado. E eles não queriam de jeito nenhum. Em nome de uma pretensa e ingênua dignidade artística, que não mais pode existir na atual conjuntura do show business brasileiro, eles afundaram com o Moto Perpétuo. Aliás, acho que o caso do Moto Perpétuo pode servir de exemplo e advertência para muitos dos nossos grupos jovens, que vivem fora da realidade brasileira” (Pop, fevereiro de 1977).
Em 1975, um segundo álbum do grupo chegou a ser considerado, dessa vez pela Philips de André Midani, mas o que era promessa virou frustração. Em agosto daquele ano, o vocalista, pianista e compositor do Moto Perpétuo anunciou a sua saída do conjunto. Desorientado, foi trabalhar com jingles publicitários, mas não deixava de gravar algumas demos com canções autorais, que logo estavam passando pelas mesas dos executivos das principais gravadoras do país.
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Um belo dia Guilherme decidiu visitar a sede paulistana da Som Livre com sua fita embaixo do braço. Foi recebido pelo produtor Otávio Augusto Cardoso, que também era cantor e gravava em inglês com o pseudônimo Pete Dunaway. Ele escutou a balada adolescente / confessional que aquele jovem visitante havia criado quando tinha apenas 16 anos: “Meu Mundo e Nada Mais”. Otávio imediatamente ligou para o Rio de Janeiro para avisar a alta cúpula da gravadora (João Araújo e Guto Graça Mello) que havia encontrado ouro. Guilherme foi então contratado tanto pela Som Livre como pela TV Globo, e teve seu compacto lançado com “Meu Mundo e Nada Mais”, que entrou na trilha sonora da novela Anjo Mau e foi tema do personagem Rodrigo, interpretado por José Wilker.
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Na esteira do estrondoso sucesso da canção em todo país veio o primeiro LP, homônimo, em 1976. No jornal Hitpop o novo ídolo declarou: “‘Meu Mundo e Nada Mais’ é uma das primeiras músicas que fiz na minha vida. Ela, apenas, foi atualizada para entrar na trilha do Anjo Mau, com alguns toques mais modernos, uns jogos de palavras e tal. Estou contente com o que faço. Só pretendo evoluir, musicalmente, mais um pouquinho. Subir um degrauzinho a mais, na escada do som. Daí, acho que chego exatamente onde quero”. Na imprensa começava uma comparação desagradável, de que estávamos diante do “Elton John brasileiro”, o que Guilherme se defendeu: “Tudo cascata. A verdade é que, quando comecei a ouvir qualquer coisa do Elton John — e isso faz uns três anos — a maioria de minhas músicas já estava pronta. Inclusive ‘Meu Mundo e Nada Mais’”.
Na Revista Música, em dezembro de 1976, o artista voltou a defender seu ponto de vista em relação ao seu primeiro sucesso: “O disco já conseguiu vender 30.000 cópias desde seu lançamento. A linha que sigo é a mesma que sempre procurei adotar: fácil propositalmente para que todos cantem. O esquema da novela não está presente nesse disco e mesmo que estivesse eu não me importaria, pois não vejo razão para preconceitos com relação a esse tipo de trabalho. Inclusive, não me preocupo com essas coisas, pois a música não foi feita especialmente para a novela, mas foi escolhida para fazer parte da trilha sonora de uma novela. Quer dizer, não houve qualquer concessão de minha parte. Inclusive, talvez eu não obtenha a mesma repercussão, mas tenho uma política de abordagem de carreira muito bem definida, pois essa castração espontânea e consciente que assumo em relação ao caráter de minha música visa a implantação definitiva de meu nome no cenário artístico e, ao mesmo tempo, para obter uma resposta do público. Não faço concessão, mas ao mesmo tempo tenho a concessão dentro de mim”. Apesar das críticas, jornalistas como Okky de Souza estavam antenados com o surgimento do novo astro do pop nacional: “Guilherme Arantes é uma das melhores coisas que aconteceram na música popular brasileira nos últimos tempos. Desde o tempo do obscuro grupo Moto Perpétuo ele vem provando seu talento como baladista e letrista cheio de surpresas. A música jovem brasileira, que alguns insistem em rotular de rock, começa a esboçar sua personalidade própria. E Guilherme Arantes, certamente, é um dos responsáveis por isso”.
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Na época do Moto Perpétuo, seu maior sonho era se tornar um ídolo pop e poder ouvir as garotas gritando o seu nome. Após o primeiro LP e a chegada de 1977, o cenário foi mudando. Não que o sucesso o incomodasse, ele apenas desejava mostrar um lado mais maduro e, para isso, foi até contra a orientação da Som Livre: “No primeiro LP, fiz um trabalho mais geral, com a intenção de atingir o maior público possível. Por isso, escolhi melodias leves, adocicadas, que eu compus quando tinha 16, 17 anos. Agora que o meu caminho já está aberto, posso virar a mesa e tentar definir o sentido do meu trabalho. Não quero mais depender da minha aparência física. O que vale são minhas músicas. Nada mais.” (Pop, outubro de 1977).
Após seu primeiro disco, constatou que uma única canção deu mais grana que dois anos inteiros de atividades do Moto Perpétuo. Represálias vinham de todos os lados — dos antigos amigos de faculdade e dos músicos “sérios” — para esse pessoal, Guilherme havia sido cooptado pelo sistema. Para ele, no entanto, a visão de seu futuro profissional era totalmente cristalina, a principal preocupação era preparar o seu recém-formado público para o próximo passo, seu segundo álbum solo: “Fundamentalmente, meu público são os colegiais, que tem necessidade de um escape para o estudo massificado e improvisado. É para eles que eu canto. Atualmente, meu trabalho é mais sofisticado e complexo, e estou preparando meu público, pouco a pouco, para o próximo LP, que vai ser bem diferente. Afinal, tenho cerca de 140 músicas prontas, que estou ansioso para gravar. Quero mostrar outros caminhos musicais ao meu público. Sei que ele está preparado para muito mais. Quero ver o povão cantando em compassos estranhos, como 7/8 e 5/4” (Hitpop, fevereiro de 1977).
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No inverno de 1977, Guilherme Arantes e sua nova banda, a Companhia Limitada, entraram confiantes no estúdio de 16 canais da Sigla/Som Livre. José Carlos Prandini (guitarra, viola e flauta), Paulo Rosas Soveral (baixo) e Luiz Guido Carli (bateria e percussão) estavam entrosados dos shows e dos ensaios, completamente em sintonia com as estripulias harmônicas e melódicas do líder, pilotando seu piano e seu moog.
A progressiva “Baile de Máscaras” foi a faixa escolhida para ser lançada em compacto, entrando na trilha da novela global Espelho Mágico. A principal música de trabalho do elepê, no entanto, acabou sendo a também épica “Amanhã”, uma canção que Guilherme escreveu num ônibus, inspirado no poeta russo Maiakóvski e na música “Basta um Dia”, de Chico Buarque. “Amanhã”, segundo seu autor naquela altura “um hino por um astral mais alto que o atual”, entrou numa das principais trilhas de novela dos anos 70, Dancin’ Days, sendo o tema da personagem Júlia, que vivia um drama após passar 11 anos em uma penitenciária. Uma versão editada do tema ganhou um clipe no Fantástico, gravado no Carandiru, a Casa de Detenção de São Paulo. No disco, “Amanhã” abre o lado B com seus quase oito minutos de duração, uma jornada progressiva com influência de uma banda que Guilherme adorava, o Genesis. Naquele ano eles se apresentaram com muito sucesso pelo Brasil e o pianista costuma dizer que desistiu de fazer rock progressivo após ter assistido uma apresentação impecável da banda britânica — seria impossível alcançar aquele nível estando no Brasil. As canções essencialmente progressivas de Ronda Noturna contam também com “Cinza Industrial” e “Feliz Aniversário”. Em todos esses temas a atuação de José Carlos Prandini, na guitarra e na flauta, é excepcional.
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O disco também traz balanços irreverentes como em “Fuzarca na Discothèque” e “Made in U.S.A.”, um tema jazzístico entre Zappa e Steely Dan (a faixa-título), um fusion-baião em “A Cor da Aflição” e até uma balada influenciada pelos mineiros do Clube da Esquina: “Vento da Manhã”. Na faixa de abertura, “Oh! Meu Amor”, Guilherme pergunta: “O que estaremos fazendo daqui há alguns anos?”. A resposta ele deu em depoimento à revista Música: “Estou plantando para o futuro com essa garotada. Acho que a gente não deve acompanhar a situação lá de fora. Estou a fim de fazer o que eu quero e vender muito disco, mas sem entrar em clichês, nas fórmulas feitas, cada um deve procurar sua própria fórmula. Acho que a gente deve mesmo é procurar andar no fio da navalha, onde de um lado está a barra ruim e de outro a barra cultural e se equilibrar nesse fio de navalha não é fácil, mas é o que eu quero fazer realmente”.
Hoje, Ronda Noturna soa perfeito, mas não foi bem assim em 1977. Considerado um álbum “confuso” pelo seu próprio criador, foi relançado somente 43 anos após seu lançamento original, quando sua versão em CD foi incluída no box retrospectivo Guilherme Arantes 1976 – 2016, lançado pela Sony. Além de problemas com a banda em estúdio, Guilherme lidou com pressões e desentendimentos burocráticos com diversos empresários e também com a gravadora. Primeiro dispensou Moracy do Val, que depois do fim do Moto Perpétuo seguiu cuidando dos negócios do artista. Contratou Mônica Lisboa, ex-empresária de Rita Lee, que logo abandonou o posto em meio a muito bateboca na imprensa.
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O pior aconteceu com a Som Livre — antes mesmo de finalizar Ronda Noturna e renovar o contrato com a gravadora, Guilherme assinou um tentador contrato com André Midani para integrar o concorrido elenco da Warner/ WEA, recém instalada no país. Com o desentendimento, a Som Livre atrasou o lançamento e soltou Ronda Noturna quase que simultaneamente com A Cara e a Coragem, seu então novo LP pela Warner. Guilherme comentou a confusão com a Som Livre na revista Pop: “O esquema deles é terrível, até censuravam minhas músicas. Mas a barra pesou mesmo na hora de gravar meu segundo LP. Primeiro me acusaram de fazer corpo mole. Deixei pra lá, fui pro estúdio. Depois, com a fita pronta, me disseram que o disco só sairia se eu renovasse o contrato por mais dois anos. Pura chantagem!
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Logicamente, me neguei a assinar, saí da gravadora, fui pra Warner. Os caras da Som Livre querem acabar comigo, mas ainda sou mais eu. Não dá nem pra comparar: o disco da Warner está muito melhor. Aliás, considero realmente tudo que fiz na Som Livre uma fase experimental da minha carreira. Agora, é outro papo. Minhas músicas não são mais doces e sim salgadas, ardidas. Uma coisa mais direta, mais concisa. Uma coisa que diz respeito, basicamente, ao jovem, aos seus problemas, à sua inconstância — como roqueiro, como seguidor de moda. O jovem brasileiro é potencialmente rico, mas paupérrimo em realizações. E um conformista frente aos seus problemas. Um individualista, mas com pouca individualidade”.
Como dizia o texto de Gerson Faria na Pop, “certamente poucas pessoas comemoraram o fim de 1977 com tanta alegria como Guilherme Arantes”. Depois de um ano de brigas e confusões ele afirmou: “Quero sempre dar tudo de mim e espero que o público fique sempre do meu lado. Caso contrário, abandono a música. Aliás, essa opção é bem típica da minha personalidade. Vivo procurando o insólito dentro da lógica”. Mesmo com esses rompantes, ele seguiu firme e forte, batizando seu novo espetáculo com o apropriado título Apesar de Tudo.
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Nos anos 80 ele voltaria para a Som Livre, lançando Ligação (1983) e criando diversas trilhas para especiais infantis da TV Globo, além de emplacar mega sucessos como “Lindo Balão Azul”. No livro Som Livre: Uma biografia do ouvido brasileiro, de Hugo Sukman, o artista declarou: “Deixei a Som Livre para justíssimo desespero e raiva do João Araújo e daquele pessoal que havia me revelado ao público com tanto empenho e esperança. Nunca vou me esquecer daquilo tudo, me transformar num artista de verdade, foi a varinha de condão mais certeira e ninguém trouxe alegria maior na minha vida. Na verdade, hoje posso avaliar o carinho que tinham por mim. Penso que, se eu soubesse negociar, se fosse mais maduro na época, poderia ter sido mais feliz nas minhas escolhas. Depois voltei para a Som Livre, um pouco para corrigir as minhas pendências com João Araújo, de quem sempre gostei muito”.
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Maldito, esquecido, obscuro, confuso, turbulento… chame como quiser, mas Ronda Noturna é um retrato sonoro de um artista mestre em equilibrar qualidade e popularidade, imposições da indústria e aprimoramento artístico. É também um daqueles grandes álbuns “perdidos” da música brasileira, que finalmente ganha uma nova chance com esse relançamento.
Disco ‘Ronda Noturna’ • Guilherme Arantes • Três Selos/Rocinante • 1977/2025
Canções / compositores
Lado A
1. Oh! meu amor (Guilherme Arantes)
2. Feliz aniversário (Guilherme Arantes)
3. Fuzarca na discothèque (Guilherme Arantes)
4. Baile de máscaras (Guilherme Arantes)
5. Cinza industrial (Guilherme Arantes)
Lado B
1. Amanhã (Guilherme Arantes)
2. Made in U.S.A. (Guilherme Arantes)
3. Vento da manhã (Guilherme Arantes)
4. Ronda noturna (Guilherme Arantes)
5. A cor da aflição (Guilherme Arantes)
– ficha técnica original –
Guilherme Arantes – voz, piano, moog e strings | José Carlos Prandini – guitarra, viola e flauta | Paulo Rosas Soveral – baixo | Luiz Guido Carli – bateria e percussão | Participações: Violoncelos – Marcio Malard, Iberê Gomes Grosso, Eduardo Alberto Rodriguez e Atelisa de Salles Palhano de Jesus | Direção de produção: Guto Graça Mello | Produção executiva: Marcio A. Antonucci | Arregimentação: João Pinheiro | Arranjos, regência e vocais: Guilherme Arantes e Cia | Técnicos de gravação: Celio Martins, Andy Mills, Marcio A. Antonucci | Assistentes de estúdio: José Guilherme, João Maria, Antonio Carlos e Claudio Farias | Técnico de mixagem: Márcio A. Antonucci | Coordenação da capa: Vera Cristina Roesler | Arte e foto: Lula Lindenberg | Gravado em 16 canais nos estúdios Sigla A e B no inverno de 1977 || Edição Três Selos/Rocinante 2025 – Coordenação geral: Bruno Vieira, João Noronha, Sylvio Fraga e Wladymir Jasinski | A&R: Márcio Rocha e Rafael Cortes | Coordenação gráfica: Mateus Mondini | Coordenação técnica: Pepê Monnerat | Coordenação de prensagem: Vinicius Crivellaro | Licenciamento: Daniel Moura e Joe Lima | Texto e edição de conteúdo: Bento Araujo | Comunicação e marketing digital: Dayw Vilar e Tathianna Nunes (Pantim) | Direção de arte: Bloco Gráfico | Design: Pedro Caldara | Masterização: Pepê Monnerat | Agradecimento: Thiago Marques Luiz | Selo: Três Selos/Rocinante | Cat.: R3-082 | Formato: LP Vinil | Ano: 2025 | Relançamento: setembro | ♪Ouça o álbum: clique aqui | ♩Comprar o LP Vinil: clique aqui.
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Mais sobre o projeto Rocinante Três Selos
A paixão pelo vinil uniu, em novembro de 2023, três grandes nomes do mercado nacional em uma colaboração inédita: a fábrica Rocinante, localizada em Petrópolis, a Três Selos, renomada por sua seleção especial de lançamentos em vinil, e a Tropicália Discos, uma loja icônica do Rio de Janeiro com mais de 20 anos de expertise na divulgação da música brasileira. Desde julho de 2025, a parceria alcança novo patamar com o lançamento do Clube Três Selos Rocinante, serviço de assinatura que oferece uma experiência imersiva na música brasileira através de vinis de alta qualidade.
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Essas referências do mercado se unem para apresentar com excelência algumas das obras mais marcantes da música brasileira, incluindo nomes consagrados como Chico César, Gilberto Gil, Hermeto Pascoal, Novelli, Tulipa Ruiz, Céu, Baiana System, Barão Vermelho, Anelis Assumpção, Dona Onete, Alceu Valença, Os Orixás, Chico Buarque, Djavan, Cólera, Tim Bernardes, Moacir Santos, Orlandivo, Alceu Valença, Cazuza. Com um projeto gráfico inovador e utilizando as melhores prensas de vinil do país, essa parceria promete elevar ainda mais a música brasileira, celebrando sua riqueza e diversidade em cada lançamento.
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Série: Discografia da Música Brasileira / Canção / álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske
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