Canção

Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto apresentam álbum ‘Vice-Versa’

O cuidado primoroso no trato com as palavras foi algo que sempre aproximou Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto. Ao longo dos últimos 30 anos, inclusive, as carreiras de ambos se cruzaram diversas vezes, mas, somente agora, eles fazem dessa conexão algo maior. Vice-Versa (2026, Universal Music Brasil) é a materialização do encontro dos seus universos artísticos em um novo disco de parcerias inéditas. O trabalho chegou nas plataformas de streaming de música no dia 22 de setembro.
.
Após mais de 30 anos de diálogo artístico, os dois autores transformam afinidades e contrastes em novas canções — sofisticadamente simples, inquietas e complementares
Por Noemi Jaffe
.
Os nomes de Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes são tão afinados um ao outro, que fica difícil acreditar que, até agora, eles nunca tivessem gravado um disco juntos. São mais de trinta anos de parcerias que, mesmo esporádicas, revelam uma simpatia profunda – no sentido de partilha de uma linguagem, uma estética e uma ética semelhantes. Inúmeras participações de ambos em shows, festivais, livros e conferências um do outro e o espanto de constatar uma única canção conjunta: “Pra Lá”, de 2006, indicada ao Latin GRAMMY® de Melhor Canção em Língua Portuguesa.
.
Esse “lá” do título, aliás, reaparece no disco “Vice-Versa”, sua produção mais recente, quase inteiramente composta pelos dois artistas. Na canção “Por ti, por mim, por nós”, Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes cantam em uníssono: “todos os campos, prados, jardins/ trouxe pra ti de lá/(…)/ de lá do fim do mundo eu vim/ só pra te ver sorrir”.
.
Pode-se mesmo dizer que, desde aquele “lá”, em “a montanha insiste em ficar lá, parada”, de 2006, até esse último, em “Vice-Versa“, a estrela que guia os dois artistas é uma espécie de utopia. Uma utopia da canção – seja balada, rock, MPB, samba, o que for – como força transformadora. Pela alegria, revolta, consciência e simpatia. Canções sofisticadamente simples, tornando pop a elegância, a precisão e a generosidade.
.
Em 2024, finalmente, os dois apresentaram seu primeiro show conjunto, no Coala Festival, em São Paulo. Veio então a vontade de prolongar aquele encontro em uma turnê. Mas não apenas com os sucessos que cada um já trazia consigo: quiseram também novas canções, compostas em parceria. E foi desse desejo que nasceu Vice-Versa.
.
Vice-versa: duas palavras sonoras, quase rimadas, sintéticas, com sentido oposto e complementar. Vice-versa, segundo o dicionário, são inversos mútuos, numa contradição apenas aparente. Isso se traduz perfeitamente, aliás, na única canção do disco não cantada em uníssono, “Agora Juntos”: “ lento e rápido”, “cais e caos”, “lixas e veludos”, “graves e agudos”, “claro e escuro”. Como pensar em um sem o outro?

Em canções que, reunidas, manifestam um ethos de insubmissão, ouvem-se, mesmo que em uníssono, a lixa e o veludo se raspando, assim criando uma sonoridade simultaneamente tranquila e inquieta. “Todo mundo tá falando o que é melhor pra mim/ (…) /palpitando e dando ideia do que vai rolar/ (…) só eu sei o que eu tô pensando/ quer estar no meu lugar/ vem entrar aqui na minha carne viva/ pra saber o que é melhor pra minha vida”. De certa forma, é como se essa afirmação de autonomia se repetisse no apelo à introspecção em “Também Capaz”; na queixa contra a violência em “As Bancas de Jornais”; no desejo de transbordamento de “Contemplando a Folia” ou nas reivindicações de “Não Me Dão”. Como se, cantando juntos, Adriana e Arnaldo dessem voz a um sujeito que perpassa o disco inteiro e que aparece também nos arranjos equilibrados, variando do samba ao rock e à timbalada. Um sujeito que, mesmo se insatisfeito com o estado geral das coisas, não deixa de amar, de se encantar e de provocar encanto: “toda a água quer desaguar/ toda onda quer requebrar/ todo corpo quer transbordar” ou “para o cais/ deixando a maré nos levar/ para o caos/ sem medo de não mais voltar”.
.
Em canções como “Na Minha Carne Viva”, “Também Capaz”, “As Bancas de Jornais”, “Não Me Dão” e “Não Me Deu”, as muitas enumerações e repetições expressam o choque do excesso: de informações, de opiniões, de violência e de coisas. Como se os artistas afirmassem e mesmo nos invocassem para um tempo de mais introspecção, como em “Também Capaz”, em que se convida um “você” a “olhar pra dentro/ por um momento só/ estar consigo a sós/ fechar os olhos/ e respirar / experimentar a paz”. Uma paz que, não por ser solitária e introspectiva, remete ao isolamento. Ao contrário, uma paz que vem da consciência de ser um sujeito ativo e autônomo. Um sujeito capaz.
–♪–

Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes – foto: Leo Aversa

“Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes construíram trajetórias únicas na música brasileira, sempre colocando a palavra, a canção e a experimentação no centro de suas obras. São mais de três décadas de encontros, admiração e diálogo artístico. ‘Vice-Versa’ nasce dessa história compartilhada, mas com os olhos voltados para o futuro, a partir da decisão de criar, juntos, um repertório inteiramente novo, do zero. Para a Universal Music Brasil, é um privilégio lançar um álbum dessa dimensão artística e colocar a força e a estrutura da maior companhia de música do mundo a serviço de um projeto tão brasileiro, autoral e relevante. ‘Vice-Versa’ traduz muito do que acreditamos: grandes artistas nunca deixam de criar, de se desafiar e de abrir novos caminhos. É assim que a música segue em frente.”Paulo Lima, presidente da Universal Music Brasil

Capa do Disco ‘Vice-Versa’ • Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto • Selo Universal Music • 2026

Disco ‘Vice-Versa’ • Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto • Selo Universal Music • 2026
Canções / compositores
1. Também Capaz (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
2. Se For Pra Ser Agora (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes / Pupillo)
3. Você Não Vai Me Achar (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
4. Na Minha Carne Viva (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes / Marisa Monte)
5. Por Ti, Por Mim, Por Nós (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
6. As Bancas De Jornais (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
7. Contemplando A Folia (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes / Pupillo)
8. Sorriso Livro (Denny / Carlinhos Brown / Edmundo Carôso)
9. Não Me Dão (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
10. Agora Juntos (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
11. Não Me Deu (Adriana Calcanhotto / Arnaldo Antunes)
– ficha técnica –
Faixa 1 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Sthe Araújo: coro; Luiza Lian: coro; Pupillo: Bateria, caxixi, pandeiro, paddle drums, tamborim, bombo; Lucas Martins: Baixo elétrico; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Vitor Araújo: Sintetizador | Faixa 2 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Pupillo: Bateria, pandeiro; Lucas Martins: Baixo elétrico; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Tomé Antunes: Guitarra elétrica; Vitor Araújo: Piano, rhodes, sintetizador | Faixa 3 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz | Faixa 4 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Pupillo: Bateria, chocalho, pandeiro, cowbell, congas; Lucas Martins: Baixo elétrico; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Tomé Antunes: Guitarra elétrica; Vitor Araújo: Clavinet, mellotron, sintetizador; Marisa Monte: Guitarra | Faixa 5 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Pupillo: Caxixi; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Vitor Araújo: Piano, rhodes | Faixa 6 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Sthe Araújo: coro; Luiza Lian: coro; Pupillo: Bateria, cowbell, triângulo; Lucas Martins: Baixo elétrico; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Vitor Araújo: Piano | Faixa 7 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz | Faixa 8 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Sthe Araújo: coro; Luiza Lian: coro; Pupillo: Bateria; Lucas Martins: Baixo elétrico; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Vitor Araújo: Piano | Faixa 9 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Sthe Araújo: coro; Luiza Lian: coro; Pupillo: Bateria, chocalho; Lucas Martins: Baixo elétrico; Pedro Sá: Guitarra elétrica; Tomé Antunes: Guitarra; Vitor Araújo: Piano | Faixa 10 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz | Faixa 11 – Adriana Calcanhotto: Voz; Arnaldo Antunes: Voz; Pedro Sá: Guitarra; Tomé Antunes: Guitarra elétrica || Produção musical: Pupillo | Engenharia de mixagem: Guigo Berger | Engenharia de masterização: Fili Filizzola | Fotos: Leo Aversa | Selo: Universal Music | Formato: CD digital | Ano: 2026 | Lançamento: 22 de setembro | ♪Ouça o álbum: clique aqui

@adrianacalcanhotto / @arnaldo_antunes / @leoaversa

Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes – foto: Leo Aversa

TURNÊ VICE-VERSA
A turnê, que estreia em março de 2027, passará por seis cidades brasileiras, em uma realização da 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo, e com apresentação do Itaú Live, plataforma proprietária de música do Itaú Unibanco. A pré-venda de ingressos para clientes do banco inicia no dia 23 de setembro, às 10h, enquanto a venda geral começa em 25 de setembro, ao meio-dia, no site oficial do projeto (acesse aqui). Confira abaixo as datas da turnê.
.
Como apresentador da turnê, o Itaú Live também reforça a força desse encontro e a oportunidade de ampliar a conexão dos artistas com o público. “A amizade e a parceria artística de três décadas entre Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes deram origem a uma trajetória que marcou a música brasileira e segue inspirando novos projetos. Para o Itaú Live, é muito significativo apoiar um encontro como esse, aproximando os fãs de artistas que fazem parte da trilha sonora de suas vidas, com benefícios e experiências que tornam essa conexão ainda mais especial”, afirma Rodrigo Montesano, superintendente de Experiências e Conexões de Marca do Itaú Unibanco.
.
No palco, faixas de Vice-Versa se encontram com canções das trajetórias de Arnaldo e Adriana, agora revisitadas pelos dois. O novo repertório ocupa o centro do espetáculo, enquanto músicas que marcaram suas carreiras ganham outras possibilidades nessa formação. A direção de arte é assinada por Daniela Thomas, responsável por dar forma visual a esse universo. Um dos principais nomes das artes visuais brasileiras, ela assinou a cenografia de TEMPO REI, última turnê de Gilberto Gil, também realizada pela 30e, e traz no currículo trabalhos no cinema, no teatro e em grandes projetos culturais, entre eles Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, e a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
.
Em 2027, Vice-Versa deixa o disco e ocupa os palcos de seis cidades brasileiras. A turnê será a primeira oportunidade de ver as novas faixas dividindo espaço com músicas que o público já conhece nas vozes de Arnaldo e Adriana, revisitadas especialmente para essa formação. Depois da experiência de compor e gravar lado a lado, a série de shows abre outras possibilidades para a parceria e para tudo o que Vice-Versa ainda pode se tornar.

Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes – foto: Leo Aversa

SERVIÇO – TURNÊ VICE-VERSA
6 de março de 2027 – São Paulo – Espaço Unimed
20 de março de 2027 – Rio de Janeiro – Qualistage
3 de abril de 2027 – Belo Horizonte – Minascentro
10 de abril de 2027 – Recife – Teatro Guararapes
23 de abril de 2027 – Porto Alegre – Auditório Araújo Vianna
24 de abril de 2027 – Curitiba – Teatro Positivo
Ingressos: Já valendo pré-venda para clientes Itaú iniciada. A venda geral começa em 25 de setembro, às 12h, pela Eventim.

SOBRE A 30e
A 30e é a maior e a mais relevante companhia brasileira de entretenimento ao vivo. Com a missão de entregar felicidade e criar memórias inesquecíveis, a empresa tem a inovação, a excelência e as pessoas no centro de tudo o que faz. E, desta forma, a 30e ganhou reconhecimento global como a nova geração do setor. A companhia construiu credibilidade junto ao mercado e ganhou a confiança dos artistas internacionais e nacionais, além dos fãs de música. Já realizou shows de Paul McCartney, System of a Down, Lana Del Rey, Twenty One Pilots, Florence and the Machine, Kendrick Lamar, Slipknot, Gorillaz, The Killers, Roger Waters e Bring Me The Horizon no país. Como uma empresa 100% brasileira, a 30e tem as credenciais necessárias para dimensionar os artistas nacionais e idealizou tours que transformaram a perspectiva do showbiz no Brasil. A turnê Titãs Encontro, a SUPERTURNÊ do Jão, a despedida do Natiruts dos palcos e, agora, a última turnê de Gilberto Gil, TEMPO REI, são exemplos disso. A companhia realiza mais de 200 eventos por ano e tem a projeção de impactar 4 milhões de pessoas em 2025 — sempre desenvolvendo o seu posicionamento de “Delivering Happiness”.

Sobre o Itaú Live
Itaú Live é a plataforma proprietária de música do Itaú Unibanco, criada para conectar fãs, artistas e experiências ao vivo em uma estratégia de relacionamento de longo prazo. A iniciativa potencializa toda a atuação do banco nesse território, reunindo shows, festivais e conteúdo.
.
Entre os pilares da plataforma está a parceria estratégica de cinco anos com a 30e, maior companhia brasileira de entretenimento ao vivo, que garante escala e recorrência de shows e turnês em todo o país. Ao colocar o fã no centro da jornada, o Itaú Live transforma a música em um ecossistema de conexão, oferecendo condições especiais de compra, descontos, parcelamento sem juros e experiências exclusivas que ampliam o acesso e qualificam a vivência nos eventos. Site: https://www.itau.com.br/itau-live

Sobre a Universal Music Group
A Universal Music Group existe para moldar a cultura por meio do poder da arte. A UMG é líder mundial em entretenimento baseado em música, com uma ampla gama de negócios envolvidos em gravação musical, publicação de música, merchandising e conteúdo audiovisual. Com o mais abrangente catálogo de gravações e canções em todos os gêneros musicais, a UMG identifica e desenvolve artistas e produz e distribui as músicas mais aclamadas pela crítica e comercialmente bem-sucedidas do mundo. Comprometida com a arte, a inovação e o empreendedorismo, a UMG promove o desenvolvimento de serviços, plataformas e modelos de negócios para ampliar as oportunidades artísticas e comerciais para seus artistas e criar novas e inesquecíveis experiências para os fãs.

.
.
Série: Discografia Brasileira / Canção / Álbum
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske / Templo Cultural Delfos

Revista Prosa Verso e Arte

Música - Literatura - Artes - Agenda cultural - Livros - Colunistas - Sociedade - Educação - Entrevistas

Recent Posts

Edição remasterizada de Rhythm Traveller, álbum histórico de Dom Um Romão, chega às plataformas digitais

Clássico que funde o mambo, o samba-jazz e a cena eletrônica ganha nova vida em…

2 horas ago

Cine concerto Titanic estreia no Brasil e transforma clássico do cinema em experiência musical ao vivo

Pela primeira vez, espetáculo reúne a exibição de Titanic à execução ao vivo de sua…

5 horas ago

Acaso Cultural | Francis Hime e Olivia Hime recriam clássicos feitos com Chico Buarque

Clássicos absolutos da música brasileira ganham novas leituras instrumentais e vocais em apresentação única que…

5 horas ago

Nilze Carvalho leva a Teresópolis o show “Nos Combates da Vida” pelo Sesc Pulsar

Após apresentações em Valença , Ramos , Niterói e Nova Iguaçu, a artista chega ao…

5 horas ago

Queremos! Anuncia primeiro show da temporada 2027

Fenômeno da música contemporânea, o jovem pianista mexicano Gibran Alcocer se apresenta no BTG Pactual…

6 horas ago

Alaíde Costa homenageia Dalva de Oliveira em show no Instituto Çarê

Em duo com o pianista Anderson Viana, cantora apresenta Uma Estrela para Dalva, espetáculo baseado…

6 horas ago