sábado, janeiro 24, 2026

Álbum ‘Samba do Preto Velho’ | Sérgio Pererê

Um dos principais representantes da música afro-mineira, o cantor, compositor e multi instrumentista Sérgio Pererê transita por universos infinitos quando o assunto é música: do dos tambores de matriz africana às flautas; do Carnaval ao cancioneiro apaixonado. Com quase 30 anos de carreira, e uma bagagem fonográfica invejável, Pererê se dedicou pela primeira vez ao gênero musical que reflete a alma do brasileiro, como ele mesmo define o disco “Samba de Preto Velho”.
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Mantendo uma produção de alto nível, este é o quarto disco de Sérgio Pererê lançado apenas em 2024, sucessor de “Canções de Outono” (Natura Musical), primeiro álbum do mineiro dedicado às modas de sofrência e gravado junto a 14 cantoras, incluindo Mônica Salmaso, Fernanda Takai e Letrux; “Sérgio Pererê e Bloco Oficina Tambolelê”, que celebra os 25 anos do Tambolelê, um dos precursores dos blocos afro em Minas Gerais, conhecido por desenvolver ritmos próprios; e “Bentu”, gravado com a cantora e violonista paulista Badi Assad — um dos principais nomes do violão brasileiro contemporâneo.

Samba afro-mineiro
Em “Samba de Preto Velho”, Pererê apresenta composições próprias, algumas escritas há mais de dez anos, mas todas baseadas em ramificações do samba. As músicas seguem as toadas do ijexá, do samba de gafieira e do partido alto, por exemplo, mas carregam também raízes da música afro-brasileira, essência primária de Pererê, como as células rítmicas do candomblé, da umbanda, do maracatu, do jongo e do calango.
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A direção musical é do multi-artista Acauã Rane que, além de produtor, compositor e arranjador, levou para o disco sua vivência como alabê — sacerdote responsável pela música nos rituais de candomblé. “O Acauã foi mais do que um produtor musical. Ele convocou o grupo de músicos, dirigiu as gravações, criou os arranjos. Fiz uma gravação de todas as músicas com o cavaquinho para ele conhecer e, a partir daí, o Acauã criou os belos arranjos do disco”, conta Pererê.

De fato, os arranjos de “Samba de Preto Velho” brilham com força, fazendo jus às gravações clássicas de bambas do gênero. Não por acaso, “Brilho Perfeito”, segunda faixa do disco, é um samba de gafieira arranjado com belas flautas, e influenciado pela escola clássica de Zeca Pagodinho. Já “Estrela Guia”, que abre o álbum, traz um ijexá que remete à atmosfera dos sambas de Gilberto Gil.
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Por outro lado, “Canto do Teimoso” insere no samba uma das características mais marcantes de Pererê: os cânticos declamados à capela, quase como orações (“a minha fé vem lá do fundo do mar / foi de pedra em pedra que fiz meu caminho do lado de cá”). Já a canção “Xapanã” estreita ainda mais os laços simbólicos do trabalho junto ao universo do candomblé, prestando homenagem a Omolu, orixá da doença e da curas, da terra e do sol.
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A sonoridade do disco ganha corpo com a presença de craques do samba, como Daniel Guedes (pandeiro e efeitos); Rodrigo Martins (surdo, tantan, efeitos e coro); Rudney Carvalho (cavaco e bandolim) / in memorian; Rafael Di Souza (violão, guitarra e coro); Acauã Rane (baixo e coro) e Ney Corrêa (bateria e efeitos).

Um dos pontos altos do álbum são as participações de Fran Januário e Vivi Amaral, duas das principais intérpretes das rodas de samba de Belo Horizonte, idealizadoras do projeto “Samba de Origem”, que valoriza o protagonismo da mulher negra no samba. Elas dividem a faixa “Mais Samba e Menos Lágrimas” com Pererê, em um refrão contagiante: “de tanto jogar flores no mar / acho que mereço amor / com as bênçãos de Iemanjá”.
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Samba de Preto Velho” foi gravado ao vivo, em maio de 2021, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, durante a pandemia, sem a presença do público. A mixagem e a masterização ficaram por conta de André Cabelo, do Estúdio Engenho.

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Capa Disco ‘Samba de Preto Velho’ • Sérgio Pererê • Selo Independente/dist. Tratore • 2024

Disco ‘Samba de Preto Velho’ • Sérgio Pererê • Selo Independente/dist. Tratore • 2024
Canções / compositores
1. Estrela guia (Sérgio Pererê)
2. Brilho perfeito (Sérgio Pererê)
3. Vendaval (Sérgio Pererê)
4. Xapanã (Sérgio Pererê)
5. Canto de teimoso (Sérgio Pererê)
6. Alacorô (Sérgio Pererê)
7. Ponto riscado (Sérgio Pererê)
8. Mais samba e menos lágrimas (Sérgio Pererê) | Participação Fran Januário e Vivi Amaral
9. Pomba branca (Sérgio Pererê)
10. Mãe preta (Sérgio Pererê)
11. Milharal de vovô (Sérgio Pererê)
12. Glória ao pai (Sérgio Pererê)
– ficha técnica –
Sérgio Pererê (voz) | Daniel Guedes (pandeiro e efeitos) | Rodrigo Martins (surdo, tantan, efeitos e coro) | Rudney Carvalho (cavaco) | Rafael Di Souza (violão, guitarra e coro) | André Siqueira (flautas e pife) | Marcos Frederico (bandolim) | Acauã Rane, (baixo e coro) | Ney Corrêa (bateria e efeitos) | Participação especial: Fran Januário e Vivi Amaral (vozes – fx. 8) | Direção musical e arranjos: Acauã Rane | Gravado ao vivo no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte/MG, em maio de 2021 | Mixagem e a masterização: André Cabelo, do Estúdio Engenho | Produção executiva: Elias Gibran e Karú Torres / Napele Produções Artísticas  | Foto de capa: Patrick Arley – Fotografia | Design/capa: Mariana Misk / Oeste | Foto divulgação: Támes Bodolay | Assessoria de imprensa: Lucas Buzatti Faria / Floriano Comunicação | Selo: Independente | Distribuição digital: Tratore | Formato: CD físico e digital | Ano: 2024 | Lançamento: 20 de dezembro | ♪Ouça o álbum: clique aqui.

> Siga: @sergio_perere | @badiassad | @napeleproducoes
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Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Álbum.
Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


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