Sérgio Pererê e Badi Assad lançaram nas plataformas digitais ‘Bentu’, álbum que celebra de maneira minimalista e profunda a riqueza da cultura afro-mineira. Bentu, que significa “vento” em crioulo da Guiné-Bissau, reflete a leveza e a potência da colaboração entre esses dois artistas notáveis. Esse trabalho surge de uma criação intuitiva e espontânea em estúdio, todo composto e gravado em cinco dias. A inspiração veio dos reinados de Minas Gerais e pelas ricas tradições culturais e religiosas da região.
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O disco é composto por nove faixas autorais que mergulham nas tradições das Guardas de Moçambique e Congo. As letras e os ritmos trazem à tona, de forma intimista, a essência dessa tradição, que é profundamente familiar para Sérgio Pererê, um artista de Belo Horizonte e membro da Irmandade Dos Ciriacos. O processo criativo do disco teve início em uma festa da Irmandade, onde Badi Assad, filha de mineira, foi convidada a explorar e resgatar esse universo cultural, dando início a uma troca criativa que culminou no projeto.
Reinados de Minas – O disco “Bentu” nasce em um dos principais berços da cultura popular afro-mineira, na Irmandade Os Ciriacos, com mais de 70 anos de história, fundada em 1953, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, e na qual Pererê é coroado. Ali, Badi Assad foi apresentada a um modo diferente de fazer música, a partir da harmonia natural entre pessoas unidas em uma mesma oração, sem precisar de muito ensaio.
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“É uma experiência linda, que mexe com o corpo e a cabeça da gente. Cheguei, conheci o capitão, entrei na capela, e aí os tambores começaram. Depois, entra o canto, aí aparecem instrumentos com outras frequências. É impressionante porque os tambores são muito altos e ninguém escuta o que o capitão está cantando, mas todos conseguem acompanhar. Não dá para ouvir com os ouvidos, literalmente é preciso ouvir com o corpo. Há uma sintonia absurda nesse tipo de expressão cultural. E isso diz muitos de uma cultura que entende a música de forma muito maior”, relata Assad.
Depois dessa experiência, as nove faixas de “Bentu” foram nascendo a partir de insights valiosos, entre sonhos, conversas por telefone e encontros intensos no estúdio. “Muitas letras surgiram em sonhos, eu acordava no meio da noite, tinha a ideia, escrevia, ligava para a Badi e dividia com ela. No estúdio, um começava a recitar alguma coisa, outro cantarolava um ritmo. Foi uma forma de compor genuína”, avalia Pererê.
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Gravações – Com essa sintonia, o disco foi gravado em apenas cinco dias, no Estúdio Engenho, em Belo Horizonte, com captação, mixagem e masterização a cargo do engenheiro de som André Cabelo. Além das vozes, Pererê comandou as percussões, embaladas por muitos tambores, como calabace, bara dunun e tama, e também a mbira e as palmas. Já Assad, conhecida por usar o corpo como percussão, levou essa característica para o disco, além de soltar a voz aveludada e conduzir harmonias inspiradoras com seu violão inconfundível.
Badi Assad, com seus talentos como compositora, cantora, violonista e percussionista, trouxe uma contribuição inestimável para o álbum, enriquecendo as canções com sua sensibilidade e versatilidade. O resultado é um conjunto de músicas que variam de solenidades e orações a momentos de introspecção sobre a existência humana. Bentu reflete a espontaneidade e a profunda afinidade artística entre Pererê e Assad, capturando a força que emana do sagrado e da cultura popular brasileira.
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Sérgio Pererê é um cantor, compositor e multiartista de Belo Horizonte, amplamente reconhecido por sua profunda conexão com as tradições culturais afro-mineiras. Sua carreira é marcada pela imersão nas práticas culturais e religiosas dos reinados de Minas Gerais, especialmente nas Guardas de Moçambique e Congo. Membro da Irmandade Os Ciriacos, Pererê é um dos principais responsáveis por reinterpretar essas tradições na música contemporânea. Com uma trajetória rica em criações autênticas, se destaca por sua habilidade em mesclar elementos tradicionais com influências modernas, resultando em uma sonoridade única e inovadora. Seu trabalho é uma celebração da cultura popular e do sagrado, refletindo uma profunda admiração e respeito pela riqueza das tradições afro-brasileiras.
Badi Assad conquistou o público ao redor do mundo com sua habilidade única de misturar estilos e criar uma sonoridade singular. Em 1989, lançou seu primeiro álbum “Dança dos Tons” e logo chamou atenção pela sua originalidade, misturando voz, violão e percussão. Sua carreira internacional decolou com a gravadora Chesky Records, sendo reconhecida como uma das melhores artistas brasileiras. Após mudar-se para os Estados Unidos em 1998, lançou o aclamado álbum “Chameleon”, ampliando ainda mais seu reconhecimento global. Ao longo dos anos, colaborou com diversos artistas, recebeu prêmios e participou de iniciativas sociais e culturais. Seu legado continua em constante evolução, com lançamentos recentes como o CD “ILHA” (2022) e projetos como “Mulheres do Mundo” (2024), evidenciando sua inabalável criatividade e compromisso com a música e a arte. Também em 2024, lançou ao lado da Orquestra Mundana Refugi, “Olho de Peixe”, releitura do disco homônimo de Lenine em parceria com o percussionista Marcos Suzano.
Disco ‘Bentu’ • Sérgio Pererê e Badi Assad • Selo Independente / distribuição Tratore • 2024
Canções / compositores
1. Terra de cateretê (Badi Assad e Sérgio Pererê)
2. Compasso do amor (Badi Assad e Sérgio Pererê)
3. Arvoredo (Badi Assad e Sérgio Pererê)
4. Sobre o tempo (Badi Assad e Sérgio Pererê)
5. Na gira, giro (Badi Assad e Sérgio Pererê)
6. Respingando ouro (Badi Assad e Sérgio Pererê)
7. Bentu (Badi Assad e Sérgio Pererê)
8. Razões pra se cantar (Badi Assad e Sérgio Pererê)
9. Maria (Badi Assad e Sérgio Pererê)
– ficha técnica –
Badi Assad (vozes, violão e palmas) | Sérgio Pererê (vozes, calabace, bara dunun, tama, mbira e palmas) | Produção musical: Badi Assad e Sérgio Pererê | Captação, mixagem e masterização: André Cabelo, no Estúdio Engenho | Foto: Pablo Bernardo | Design: Ronei Sampaio (AMÍ) | Produção executiva: Elias Gibran / Napele Produções Artísticas | Assessoria de imprensa: Débora Venturini | Selo: Independente | Distribuição digital: Tratore | Formato: CD digital | Ano: 2024 | Lançamento: 4 de outubro | ♪Ouça o álbum: clique aqui.
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* Disco fomentado pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Música – @funarte
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SERVIÇO
SÉRGIO PERERÊ E BADI ASSAD LANÇAM BENTU NO BONA CASA DE MÚSICA
Data e horário: dia 19 de outubro, às 21 horas
Local: Bona Casa de Música – Rua Dr. Paulo Vieira, 101 – Sumaré – São Paulo – SP
Preços: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia, ingresso social)
Ingressos: clique no link..
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>> Siga: @sergio_perere | @badiassad | @napeleproducoes
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Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Álbum.
Publicado por ©Elfi Kürten Fenske
