Conhecido por um elogiado trabalho na música instrumental no Brasil e no exterior, incluindo o de construtor de instrumentos, produtor, arranjador e discípulo do lendário Grupo Uakti, Leandro César também é um compositor de faro fino. Com quase 20 anos de carreira, e cercado de convidados especiais, ele apresenta o inédito álbum “Sentido”, inteiramente dedicado à canção. O trabalho já está disponível nas principais plataformas digitais.
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O título do disco, “Sentido”, é uma referência a uma expressão comumente usada pelos capitães dos Reinados para chamar a atenção e marcar a intenção de alguém. A cultura secular afro-brasileira é uma das muitas influências de Leandro César, que tem um portfólio cultural diversificado. Já trabalhou com Elomar, Tom Zé, Ná Ozzetti, Titane, Nuno Ramos e Marco Antônio Guimarães, além de ter uma presença intensa na produção e criação de projetos de música popular e música instrumental com os grupos Urucum, Ilumiara e Diapasão.
“Entre as minhas escolas de música estão os mestres e as mestras das culturas populares brasileiras. E a canção sempre foi o meu maior referencial artístico. Eu aprendi música com a canção, seja a música sertaneja, ou caipira, os clássicos da MPB. E sempre estive trabalhando com artistas do ramo da canção, produzindo, dirigindo, compondo”, diz o artista.
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Há mais de 15 anos dedicado à luthieria e à invenção de esculturas sonoras e de instrumentos musicais, principalmente as marimbas, Leandro César se concentra agora em uma retomada à canção e ao violão, seu instrumento primário. Por isso, o fio condutor do disco é o violão e sua própria voz, influenciado por uma escola de ouro da música brasileira, de Tom Jobim a Baden Powell; de Milton Nascimento a Elis Regina.
Em dez canções inéditas, “Sentido” bebe na fonte acústica, ancorado na tríade de violão, contrabaixo e percussão, sem utilizar instrumentos elétricos ou eletrônicos. E renova as direções para as quais a MPB experimenta caminhar, em um álbum alicerçado por arranjos camerísticos volumosos, mas sobretudo envolto em uma linguagem popular que dialoga com as cosmovisões do chamado Brasil profundo.
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“As músicas têm uma roupagem da MPB mais clássica, mas temos canções que dialogam com a música caipira e a música de câmara. É um disco de MPB transitando pelo território acústico. E, em termos de discurso, é um disco muito íntimo. Eu tenho uma ligação com o interior e com a natureza muito forte, morei na roça sem energia elétrica quando criança. E muitas das letras remetem ao lugar de onde eu vim, de quem eu sou”, justifica o artista.
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As canções foram gravadas no estúdio de Leandro César, um refúgio de Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte, cidade onde o artista passou parte da infância. Toda a direção, produção e criação dos arranjos são assinados pelo artista mineiro.
Parcerias, orquestrações e reflexões
O repertório invoca um discurso de reflexões existenciais sobre a condição humana, em letras autorais e assinadas com parceiros, que esboçam afinidades genuínas com filosofias e princípios da natureza. Tudo bem azeitado por um conjunto orquestrado, mas com alma caipira. Logo na abertura do disco, “Sonhos de Igarapé”, parceria com Gustavito, relembra a infância do artista na roça, ao mencionar memórias na casa da avó, quando “tudo era de pau, canivete, fumo e paia” — em um arranjo que valoriza o encontro de fagote, sanfona, violino e percussão.
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Na mesma direção, “Mar Antigo”, parceria com Thiago Thiago de Mello que ganhou um convidativo solo de violão de Paulim Sartori, apresenta uma narrativa declamatória em versos métricos, sob uma influência rítmica característica da oratória dos cordelistas (“fui a pedra dos corais / feito de sal eu persigo / vasto oceano sem cais”). Essa poética vem coroada por um arranjo sinfônico que, em certos momentos, parece reverenciar de forma assertiva a fonte das ambientações mais tropicais do mestre Villa-Lobos.
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Entre as participações do disco, destaque para as cantoras. Ceumar interpreta a belíssima canção “Tudo Parou”, composição dela em parceria com Leandro César — e que enche os ouvidos de primeira, ao condensar fagote, sanfona, oboé e as marimbas tão presentes nos trabalhos de Leandro César. Outro diamante do álbum é a dobradinha de Nath Rodrigues e Jasmin Godoy nas vocalizações de “Fé na Estrada”, parceria com Sérgio Pererê que aborda a fé a partir das relações da humanidade com o mistério.
Em mais um ponto alto das gravações está a voz grave de Sérgio Santos em “Ouro Sagrado”, parceria com Luiz Henrique Garcia, que fecha o disco ambientada pela cadência do ijexá e por uma letra que denuncia as marcas da escravidão: “no dente, na tranca, num punhal / na carne, no ventre, na oração / resistir, na mina, na sina, no misau”.
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No disco, Leandro César assume violões, percussões e marimbas, além de dar vazão à sua persona de intérprete das canções. E a banda que o acompanha reluz um brilho à parte, como nos duetos de violino e violoncelo de Ayran Nicodemo e Jayaram Márcio em “A Voz Que Canta”, ou nos solos de oboé de Rosana Guedes, da sanfona de Matheus Ribeiro e do fagote de Catherine Carignan, em evidência nas bem talhadas harmonias de “Livre Amor”, parceria com Brisa Marques, e “Ofá de Odé” — única faixa instrumental do disco. Também participam das gravações João Paulo Drumond (percussão e marimbas) e Tiago Buiu (contrabaixo acústico).

Disco ‘Sentido’ • Leandro César • Selo Independente/dist. Tratore • 2025
Canções / compositores
1. Sonhos de Igarapé (Leandro César e Gustavito)
2. Mar antigo (Leandro César e Thiago Thiago de Mello) | Participação Paulim Sartori
3. Tudo parou (Leandro César e Ceumar) | Participação Ceumar
4. A voz canta o que há (Leandro César e Clara Delgado)
5. Livre amor (Leandro César e Brisa Marques)
6. Fé na estrada (Leandro César e Sérgio Pererê) | Participação Jasmin Godoy e Nath Rodrigues
7. Canto da ribanceira (Leandro César e Thiago Thiago de Mello)
8. Pra não virar pó (Leandro César e Clara Delgado)
9. Solavento “Ofá de Odé” (Leandro César)
10. Ouro sangrado (Leandro César e Luiz Henrique Garcia) | Participação Sérgio Santos
– ficha técnica –
Faixa 1: Leandro César – Voz, violão, marimba com arco e arranjo; João Paulo Drumond – Percussão; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Catherine Carignan – Fagote; Matheus Ribeiro – Sanfona; Ayran Nicodemo – Violino | Faixa 2: Leandro César – Voz, violões e arranjo; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Ayran Nicodemo – Violino; Jayaram Márcio – Violoncelo; Paulim Sartori – Violão de aço | Faixa 3: Leandro César – Voz, violão, marimba e arranjo; Ceumar – Voz; João Paulo Drumond – Marimba D’angelim – Percussão; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Catherine Carignan – Fagote; Matheus Ribeiro – Sanfona; Rosana Guedes – Oboé | Faixa 4: Leandro César – Voz, violão e arranjo; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Ayran Nicodemo – Violinos; Jayaram Márcio – Violoncelos | Faixa 5: Leandro César – Voz, violões e arranjo; João Paulo Drumond – Percussão; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Catherine Carignan – Fagote; Matheus Ribeiro – Sanfona; Rosana Guedes – Oboé | Faixa 6: Leandro César – Voz, violões e arranjo; Nath Rodrigues – Voz; Jasmim Godoy – Voz; João Paulo Drumond – Percussão; Tiago Buiú – Contrabaixo acústico; Matheus Ribeiro – Sanfona | Faixa 7: Leandro César – Voz, violão e arranjo; Matheus Ribeiro – Sanfona | Faixa 8: Leandro César – Voz, violões e arranjo; João Paulo Drumond – Percussão; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Catherine Carignan – Fagote; Matheus Ribeiro – Sanfona | Faixa 9: Leandro César – Voz, violões e arranjo; João Paulo Drumond – Percussão e marimbas; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Catherine Carignan – Fagote; Matheus Ribeiro – Sanfona; Rosana Guedes – Oboé | Faixa 10: Leandro César – Voz, violão e arranjo; João Paulo Drumond – Percussão; Tiago Buiu – Contrabaixo acústico; Catherine Carignan – Fagote; Matheus Ribeiro – Sanfona; Rosana Guedes – Oboé | Participações especiais: Paulim Sartori (violão de aço solo – fx. 2) | Ceumar (voz – fx. 3) | Nath Rodrigues e Jasmim Godoy (vocalizes – fx. 6) | Sérgio Santos (voz – fx. 10) || Direção musical e arranjos: Leandro César | Produção e direção artística: Leandro César | Gravado no estúdio Sonhos de Igarapé | Mixagem e masterização: Bruno Corrêa | Foto de capa: @raw.bene | Fotos: André Fernandes Xavier | Projeto gráfico e capa: Felipe Chimicatti | Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte | Assessoria de imprensa: Lucas Buzatti Faria / Floriano Comunicação | Selo: Independente | Distribuição digital: Tratore | Formato: CD digital | Ano: 2025 | Lançamento: 29 de agosto | ♪Ouça o álbum: clique aqui.

Perfil — Leandro César
Leandro César é artista, compositor, produtor, arranjador, construtor de instrumentos e esculturas sonoras e etnomusicólogo. Seu trabalho percorre o desenvolvimento de instalações sonoras, a criação musical contemporânea e experimental, passando pela música instrumental brasileira, a MPB e a pesquisa relacionada à cultura e à musicalidade popular e tradicional, como as expressões do Congado e dos Reinados de Minas.
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Ao longo de quase duas décadas de carreira, tocou em todos os estados brasileiros e em diversos países. Trabalhou ao lado de Tom Zé, Marco Antônio Guimarães (ex-Uakti), Elomar, Benjamim Taubkin e Máximo Soalheiro. Como compositor e arranjador tem suas produções e composições registradas em shows e discos de artistas como Thiago Amud, Ilessi, Raphael Sales, Rafael Macedo, Irene Bertachini, Urucum, Diapasão, Coletivo ANA, Rafael Dutra, Makely Ka, Ilumiara e outros. Também colaborou em diversas trilhas sonoras para dança e cinema, como os trabalhos realizados para a Fox Films e a Amazon Prime.
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É membro fundador do bloco Então, Brilha! desde 2010, um dos principais símbolos do Carnaval de Belo Horizonte. E, desde 2015, integra o grupo Ilumiara, especializado em pesquisas de músicas das culturas tradicionais brasileiras. Além disso, é um dos idealizadores do grupo Diapasão, de música instrumental com tendências jazzísticas e eruditas, e do projeto Urucum, voltado às pesquisas com a música afro de comunidades tradicionais mineiras.
Foi duas vezes finalista do Prêmio BDMG Instrumental (2012 e 2017) e trabalhou por seis anos com o grupo Uakti (2010-2016), na manutenção e construção de instrumentos, acompanhando a banda em oficinas e turnês nos EUA e na Europa. Essa experiência com um dos mais importantes grupos instrumentais do mundo deu a Leandro César uma possibilidade de aprendizado única com o seu mentor e maior referência, Marco Antônio Guimarães.
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Desde 2018, o artista mineiro também se dedica a um trabalho histórico, musical e cultural junto à comunidade quilombola Mato do Tição, em Jaboticatubas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em sua pesquisa, lançou o documentário “TAMBU” (2022), sobre a construção de tambores sagrados do candomblé, e o livro “Mato do Tição – Matição é muita gente” (2023), elaborado junto com a comunidade sobre a história do quilombo.
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Além de “Sentido” (2025), Leandro César possui outros seis discos: “Arquitetura dos Sons” (2019), “Revoada” (2017), em parceria com Irene Bertachini, “Marimbaia” (2017), “Ilumiara” (2015), “Urucum na Cara – À Beira do Dia” (2012) e “Diapasão” (2011).
> Siga: @leandrocesar__
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Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Álbum.
Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


