Marcelo Caldi e Silvério Pontes - foto Cyntia C. Santos
Biscoito Fino | Chega às plataformas de música “Inventos”, segundo álbum de composições inéditas de Silvério Pontes e Marcelo Caldi. Formado por dez novos temas, o projeto consolida a parceria entre os músicos, iniciada há mais de cinco anos. Um raro encontro entre um trompetista e um sanfoneiro.
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Um dos diferenciais do novo trabalho está tanto na diversidade de estilos, passeando entre choro, maxixe, samba, bolero, forró, choro-tango, marcha-rancho, entre outros, quanto na instrumentação, que dialoga com os regionais típicos de choro e a música de gafieira.
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A grandiosidade de “Inventos” se reflete ainda nas participações especiais de alguns dos nomes mais importantes da música instrumental, como Alexandre Caldi (sax), Antônio Guerra (piano), Aquiles Moraes (trompete), Carlos Malta (flauta), Dani Spielman (sax), Dirceu Leite (flauta e clarineta), Guto Wirtti (contrabaixo), Luís Barcelos (cavaco e bandolim), Marcos Suzano (percussão), Priscila Rato (violino), Rogério Caetano (violão de 7 cordas aço) e Vinícius Magalhães (violão de 6).
“Em nosso primeiro trabalho, estabelecemos uma parceria. Agora, nós viemos fortalecê-la. A cada nova música, afirmamos a nossa identidade cultural brasileira, a nossa tradição. E eu percebo que nossa ‘pontaria’ está mais afiada, as melodias estão mais cantáveis, mais assimiláveis”, pontua Marcelo Caldi.
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Como trompetista, Silvério Pontes caminhou pela soul music nos anos 1980, sendo integrante da antológica Banda Vitória Régia, de Tim Maia, e até hoje participa de formações da música pop, como Cidade Negra. Com a sanfona no peito, Marcelo Caldi, por sua vez, circulou pelas rodas de forró até chegar nas mais importantes orquestras sinfônicas do Brasil, atuando como solista, arranjador e cantor.
A particularidade do encontro entre Silvério Pontes e Marcelo Caldi possui outros matizes, a começar pela diferença de gerações: Silvério, que completou 65 anos de idade em 2025, é exatamente 20 anos mais velho do que Marcelo.
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A peça de abertura do álbum, “O nosso choro tá na rua”, faz referência ao Projeto “Choro na Rua”, idealizado por Silvério, cujo objetivo é levar a boa música para as praças. Inspirada na “Bossa no 1”, de Zé Menezes, possui uma melodia solar, que costuma gerar uma resposta rápida da plateia. Outro destaque é a onírica “Piazzolla no choro”. Silvério conta que sonhou que o mestre argentino tinha vindo ao Rio de Janeiro conhecer a Lapa e tocar numa roda de choro. “Acordei com a melodia pronta”, lembra. Marcelo completou com a segunda parte, incluindo citações de “Adiós, nonino” e “Libertango”, de autoria do compositor que influenciou sua formação desde a infância, por ser filho de mãe argentina.
Em “Inventos” a dupla celebra um dos maiores nomes da sanfona no choro, Orlando Silveira, em “Enrolando Orlando”, um diálogo com “Perigoso”, de autoria de Orlando, clássico nas rodas de choro. As influências nordestinas da sanfona estão presentes em “Forró do Hey”, um forró com cara de choro, ou um choro com cara de forró, que lembra os primeiros choros gravados por Luiz Gonzaga nos anos 1940, antes de ser reconhecido como rei do baião.
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As homenagens seguem com “Seu Nazareth”, que busca trazer Ernesto Nazareth para uma conversa íntima musical no século XXI; “K-ximbiniana”, referência a K-Ximbinho e seu estilo único de unir o jazz ao choro; e “Olhar de Callado”, que remete à singeleza melódica das primeiras composições de choro, cuja marca está na obra de Antônio Callado.
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Com o maxixe “Dona Finazinha”, Silvério Pontes e Marcelo Caldi homenageiam uma senhora muito conhecida em Campos dos Goytacazes como benzedeira, que legou seu patrimônio, um sobrado antigo, para os músicos da cidade. Já as antigas bandas de música do interior são relembradas na carnavalesca “Velhos ranchos”.
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Compositores prolíficos, Silvério e Marcelo ainda estimam muita novidade pela frente. Calculam que possuem umas 30, ou mais, composições aguardando oportunidade de serem finalizadas. Mesmo realizando diversos trabalhos solo, com formações e estilos distintos, a dupla demonstra fôlego para seguir adiante o seu trabalho.
Disco ‘Inventos’ • Silvério Pontes e Marcelo Caldi • Selo Biscoito Fino • 2026
Músicas / compositores
1. O nosso choro tá na rua (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
2. Dona Finazinha (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
3. Piazzolla no choro (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
4. Seu Nazareth (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
5. K-Ximbiniana (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
6. Forró do Hey (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
7. Enrolando Orlando (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
8. Bolero de verão (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
9. Olhar de Callado (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
10. Velhos ranchos (Silvério Pontes e Marcelo Caldi)
– ficha técnica –
Faixa 1 – Marcelo Caldi – sanfona e piano; Silvério Pontes – trompete e flugelhorn; Dirceu Leite – flauta; Aquiles Moraes – trompete; Everson Moraes – trombone | Luis Barcelos – cavaquinho; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Rodrigo Jesus – pandeiro e repique; Guto Wirtti – baixo elétrico; Rafael Barata – bateria | Faixa 2 – Marcelo Caldi – sanfona e piano; Silvério Pontes – trompete; Dani Spielman – sax soprano; Priscila Rato – violino; Alexandre Caldi – sax tenor; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Márcio Marinho – cavaco; Fabiano Salek – percussões; Thadeuzinho – percussões | Faixa 3 – Marcelo Caldi – sanfona e piano; Silvério Pontes – flugelhorn; Luis Barcelos – cavaquinho; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Rodrigo Jesus – pandeiro | Faixa 4 – Marcelo Caldi – sanfona; Silvério Pontes – trompete; Antonio Guerra – piano; Luis Barcelos – bandolim; Marcos Suzano – percussão | Faixa 5 – Marcelo Caldi – sanfona e piano; Silvério Pontes – flugelhorn; Dani Spielmann – sax tenor; Luis Barcelos – bandolim; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Rodrigo Jesus – pandeiro | Faixa 6 – Marcelo Caldi – sanfona; Silvério Pontes – flugelhorn; Luis Barcelos – bandolim; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Rodrigo Jesus – pandeiro e triângulo; Guto Wirtti – baixo elétrico; Roberto Barata – bateria | Faixa 7 – Marcelo Caldi – sanfona e piano; Silvério Pontes – flugelhorn; Luis Barcelos – bandolim; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Márcio Marinho – cavaco; Marcos Suzano – pandeiro | Faixa 8 – Marcelo Caldi – sanfona; Silvério Pontes – trompete e flugelhorn; Dani Spielmann – sax soprano e sax tenor; Antônio Guerra – piano; Rodrigo Jesus – guiro e claves; Guto Wirtti – baixo acústico; Roberto Barata – bateria | Faixa 9 – Marcelo Caldi – sanfona e piano; Silvério Pontes – trompete; Carlos Malta – flauta; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Frango – cavaco; Valerinho – percussão | Faixa 10 – Marcelo Caldi – sanfona; Silvério Pontes – trompete e flugelhorn; Aquiles – trompete; Everson – bombardino e tuba; Carlos Malta – flautim; Dirceu Leite – clarineta; Luis Barcelos – cavaquinho; Rogério Caetano – violão de 7 cordas aço; Vinícius Magalhães – violão de 6 cordas; Thadeuzinho – percussão || Fotos: Cyntia C. Santos | Assessoria de imprensa: Belinha Almendra / Coringa Comunicação | Selo: Biscoito Fino | Formato: Digital / CD | Ano: 2026 | Lançamento: 22 de janeiro | ♪Ouça o álbum: clique aqui.
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Série: Discografia da Música Brasileira / Música instrumental / Choro / Álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske
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