MÚSICA

Selo Sesc | Relicário – Sá & Guarabyra traz registro de 1979 da dupla

Projeto que resgata shows históricos realizados nos palcos da instituição apresenta gravação feita no Sesc Consolação
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O projeto Relicário traz desta vez a dupla que melhor encarnou, junto de Zé Rodrix, o que ficou conhecido como Rock Rural. Relicário: Sá & Guarabyra (ao vivo no Sesc 1979) lança o registro histórico do show realizado em 1º de setembro de 1979 no Sesc Consolação, então Sesc Vila Nova. O álbum digital chegou nas principais plataformas de áudio em 20/3 e se configura como o derradeiro da dupla, cuja parceria se encerrou em 26 de abril de 2025, após mais de 50 anos de caminhada conjunta.

A dupla subiu ao palco da unidade com o repertório do disco Quatro, dois anos após o lançamento de Pirão de Peixe com Pimenta, álbum que alavancou a carreira dos músicos. Na época, Sá & Guarabyra levaram ao Sesc Consolação, ao longo das 19 canções que compõem o Relicário, não só as canções de Quatro, somando 11 faixas, mas também composições já de sucesso como Espanhola e Sobradinho.
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O álbum registra o momento em que ambos tinham expectativas diferentes com relação à música, entre o regional e o urbano, o que justamente possibilitou dar equilíbrio criativo aos músicos. Quatro surgiu, assim, como um álbum que concentra ideias novas e diversas, misturando tradição e experimentação.
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“Nós não tínhamos nenhum registro desse show do Quatro ao vivo. Nos reouvir cantando foi uma surpresa maravilhosa. Quando você é artista, é se reouve depois de tantos anos, você fica imaginando tudo aquilo que mudou em você, todas as fases que você passou e como a sua música mudou. Isso não tem preço”, conta Luiz Carlos Sá.
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Abrindo o Relicário, Pássaro é uma canção que marca o desejo pela liberdade, lançada originalmente sob outro título devido à censura. Temas como abandono e melancolia, em Esses cabides vazios, amor e deslumbramento, em Alucinante Alice e crítica social em João sem terra, são alguns dos que permeiam o repertório.

Chuva no campo e Baquiá remetem a lembranças e paisagens ligadas ao interior, enquanto Sobradinho, uma das músicas mais conhecidas de Sá & Guarabyra, aparece no show ligada ao contexto da construção da barragem no rio São Francisco e seu impacto social.
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Faixas como Chão de poeira / Cigarro de palha, Sete Marias e Pendurado no vapor reafirmam o vínculo com o interior e com a travessia como metáfora permanente. Já Vem queimando a nave louca traz humor e crítica ao impacto da mídia, enquanto Flora medicinal satiriza debates da época sobre curas naturais. Coração de maçã encerra a noite com delicadeza, retomando as raízes da dupla com uma das canções mais antigas do repertório, dos anos 1960, de momento de separação e posterior reencontro da dupla.
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“Esse projeto Relicário nos comove e nos mostra como a gente veio, de onde a gente veio, de tudo que a gente fez durante esse tempo todo”, completa Sá.

Disco ‘Relicário: Sá & Guarabyra (ao vivo no Sesc 1979)’ • Sá & Guarabyra • Selo Sesc • 2026
Canções / compositores
1. Pássaro (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
2. Esses cabides vazios (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
3. Alucinante Alice (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
4. Peixe voador (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
5. Baquiá (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
6. Falso inglês “wonder woman” (Toninho Horta e Fernando Brant)
7. Chão de poeira (Luiz Carlos Sá e Guarabyra) / Cigarro de palha (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
8. Cinamomo (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
9. Polaca mineira (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
10. Espanhola (Flavio Venturini e Guarabyra)
11. Chuva no campo (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
12. João sem terra (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
13. Xote correntino (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
14. Sete Marias (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
15. Pendurado no vapor (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
16. Vem queimando a nave louca (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
17. Sobradinho (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
18. Flora medicinal (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
19. Coração de maçã (Luiz Carlos Sá e Guarabyra)
– ficha técnica –
Beto Martins – guitarra | Constant Papineanu – clavinete, orgão hammond e piano elétrico | Gutemberg Guarabyra – voz e violão | Luiz Carlos Sá – voz e violão | Nonato Teixeira – bateria | Pedro Jaguaribe – baixo e gaita | Gravado em 1º de setembro de 1979 no teatro Teatro Pixinguinha, Sesc Vila Nova (atual Sesc Consolação) | Masterização – Ricardo “Franja” Carvalheira | Produção executiva – Verlaine de Sá | Comunicação – Bárbara Carneiro, Renan Abreu e Sofia Calábria | Projeto gráfico – Alexandre Calderero | Fotos – Nilton Fukuda (fotos atuais) e Paquito (foto do Acervo Sesc Memórias) | Vídeo – Camila Kateer e Samuel Mariani | Selo: Sesc | Série: Relicário | Distribuição digital: Tratore | Formato: Disco digital | Ano: 2026 | Lançamento: 20 de março | ♪Ouça o álbum: clique aqui.
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Mais sobre o disco:
LICHOTE, Leonardo. Liberdade na travessia do rural ao urbano, do urbano ao rural. In: Sesc SP, 19.3.2026. Disponível no link. (acessado 1.4.2026)

Sá & Garabyra – foto: George Estúdios

SOBRE SÁ & GUARABYRA
Influenciados por um lado pelo folk rock e por outro por baiões, xotes, xaxados e música caipira de raiz do interior de Minas e São Paulo, Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra – a princípio com o parceiro Zé Rodrix – juntaram essas vertentes em suas composições, eletrificando violas caipiras, sofisticando harmonias nordestinas e inserindo nas letras a renovada visão de um Brasil semioculto das grandes metrópoles. Dessa forma, unindo o melhor do mundo pop à emocionante e rica simplicidade do interior brasileiro, o trabalho de Sá, Rodrix & Guarabyra acabou inaugurando um verdadeiro movimento ao qual se deu o nome de Rock Rural.
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Após a saída de Rodrix, em 1974, Sá & Guarabyra continuaram levantando a bandeira do Rock Rural, culminando com o sucesso estrondoso de Sobradinho que, em 1977, trouxe à baila a questão ecológica na música popular brasileira, que acabaria contagiando a MPB da década seguinte. Em 2001, na terceira edição do Rock’n’Rio, a dupla chamou de volta seu parceiro Rodrix e prosseguiram em trio até seu súbito e precoce falecimento em 2009. Refazendo-se da dolorosa perda, permaneceram em dupla e retomaram o trabalho.
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Depois de 53 anos de carreira, 18 discos, outras tantas compilações, milhares de shows, livros publicados, participação em 30 trilhas de novelas, a dupla também viu sua obra ser objeto de teses de mestrado, monografias e documentários, além de 400 músicas. O número contabiliza tanto canções gravadas por eles, quanto por cantores das mais diversas gerações e tendências musicais da música brasileira, como Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Roupa Nova, Chico Cesar, Gilberto Gil, Ivan Lins, Zeca Baleiro, Almir Sater, Gabriel Sater, Ellis Regina, Zé Ramalho, Chitãozinho & Chororó, João Gordo e dezenas de outros. Lançaram em 2019 o CD “Cinamomo” – um resumo das principais músicas da carreira, com versões renovadas e rearranjadas – que acabou por ser o derradeiro da dupla, desfeita em 2025, com os dois partindo em trabalhos solo.
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Sá & Guarabyra traz um excelente exemplo da mistura brasileira única e sem preconceitos que tomou o nome de Rock Rural e que continua atual através das décadas.

SOBRE O PROJETO RELICÁRIO
Relicário é um projeto permanente que reverbera a memória do Sesc São Paulo com registros do acervo da Instituição que há mais de 70 anos tem na ação cultural o instinto de estimular a autonomia pessoal, a interação e contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.
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O projeto apresenta áudios de shows históricos realizados em unidades do Sesc em São Paulo nas décadas de 1970, 1980 e 1990, remasterizados e formatados como álbuns digitais. A série também oferece o contexto histórico de cada registro, através de textos, vídeos e fotografias. Ao longo de três anos, álbuns de João Gilberto, Zélia Duncan, João Bosco, Dona Ivone Lara, Adoniran Barbosa, Renato Teixeira, Arrigo Barnabé, Inezita Barroso e Karnak vieram a público, tendo a série recebido o Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte, na categoria Melhor Projeto Especial, no ano de 2023. Conheça os álbuns já lançados em sescsp.org.br/relicário.

SOBRE O SELO SESC
Desde 2004 o Selo Sesc traz a público obras que revelam a diversidade e a amplitude da produção artística brasileira, tanto em obras contemporâneas quanto naquelas que repercutem a memória cultural, estabelecendo diálogos entre a inovação e o histórico. Em catálogo, constam álbuns em formatos físico e digital que vão de registros folclóricos às realizações atuais da música de concerto, passando pelas vertentes da música popular e projetos especiais. Entre as obras audiovisuais em DVD, destacam-se a convergência de linguagens e a abordagem de diferentes aspectos da música, da literatura, da dança e das artes visuais. Os títulos estão disponíveis nas principais plataformas de áudio, Sesc Digital e Lojas Sesc. Saiba mais em: sescsp.org.br/selosesc

SOBRE O SESC SÃO PAULO
Com 79 anos de atuação, o Sesc – Serviço Social do Comércio conta com uma rede de 42 unidades operacionais com atendimento presencial e 4 unidades operacionais com atendimento não presencial no estado de São Paulo e desenvolve ações com o objetivo de promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, serviços, turismo e para toda a sociedade. Mantido pelos empresários do setor, o Sesc é uma entidade privada que atua nas dimensões físico-esportiva, meio ambiente, saúde, odontologia, turismo social, artes, alimentação e segurança alimentar, inclusão, diversidade e cidadania. As iniciativas da instituição partem das perspectivas cultural e educativa voltadas para todas as faixas etárias, com o objetivo de contribuir para experiências mais duradouras e significativas. São atendidas nas unidades do estado de São Paulo cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas. Mais informações em sescsp.org.br 

 

Série: Discografia Brasileira / Canção / Rock Rural / Álbum digital
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske

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