sexta-feira, julho 19, 2024

Selo Sesc lança ‘Relicário: João Bosco (ao vivo no Sesc 1978)’, álbum do projeto Relicário

Relicário é um projeto do Selo Sesc de resgate dos áudios de shows históricos realizados em unidades do Sesc em São Paulo nas décadas de 1970, 1980 e 1990, remasterizados e formatados como álbuns digitais. Depois de João Gilberto (ao vivo no Sesc 1998), lançado em abril, e Zélia Duncan (ao vivo no Sesc 1997), lançado em junho, João Bosco (ao vivo no Sesc 1978) será lançado no dia 16 de agosto com exclusividade no Sesc Digital.
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O disco é baseado em um show gravado há 45 anos no teatro do Sesc Consolação, onde por 12 noites, de quinta a domingo, João, à época com 31 anos, desfilou um repertório dividido em quatro blocos temáticos, com “músicas que denunciavam as injustiças sociais e as mazelas políticas do Brasil, mas também as que retratavam com lirismo e humor as alegrias e as desventuras dos mais diferentes tipos do subúrbio carioca. Um repertório permeado pela força percussiva e pela musicalidade barroca”, como escreve a jornalista Kamille Viola em texto de apresentação do disco para o projeto Relicário.

Ou, como explica o próprio João, “momentos que nos remetem ao universo de uma África local, que é o samba, o jongo, o afro-samba e afins. Porque essas coisas têm nomes diferentes, mas pertencem ao mesmo universo”. Bolero, choro, jazz e até uma marcha-rancho se somam a esse rol de ritmos, que frequentemente se misturam.
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O resultado presente nas 17 faixas de João Bosco (ao vivo no Sesc 1978) é, segundo o escritor Francisco Bosco, filho de João, “um afresco em que se pode ver tanto personagens das classes populares em meio à violência urbana (“De frente pro crime”, “Tiro de misericórdia” – canções fruto de sua parceria com Aldir Blanc) ao explícito estado de exceção da ditadura (“Caça à raposa”), e à pobreza econômica, “onde tantos iguais se reúnem contando mentiras pra poder suportar”, revelando uma fase bastante combativa na carreira do artista em face dos acontecimentos políticos da época, ainda sob o regime ditatorial (a lei da Anistia seria promulgada no ano seguinte).
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Além destas, traz outras parcerias com Blanc, como “Plataforma”, “Dois pra lá dois pra cá” e “O rancho da Goiabada” (sucessos também na voz de Elis Regina), “uma homenagem ao abajur lilás”, segundo o próprio João em ”Latin Lover” e o clássico samba “Kid Cavaquinho” ´(´Oi que foi só pegar no cavaquinho / Pra nego bater / Mas se eu contar o que é que pode um cavaquinho / Os home não vai crer / Quando ele fere, fere firme / E dói que nem punhal /Quando ele invoca até parece / Um pega na geral´) memorável .

“Eu estava escutando um João Bosco do qual eu já não me lembrava. Junto dele, vieram as ideias dessa época. E, de certa maneira, me deixou muito contente, porque esse João Bosco confirma o de hoje”, conta o artista, se referindo às memórias daqueles dias entre março e abril de 1978.
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Mais do que relembrar as músicas de seus quatro discos até então, João também faz referência a amigos que já se foram, como o parceiro Aldir Blanc (1946-2020) e o poeta e compositor Paulo Emílio (1941-1990), que substituiu Aldir na função de diretor do espetáculo quando o mesmo parou de andar de avião. É dos dois o texto de “Agnus Sei”, feito especialmente para a apresentação. “De uma certa maneira, ouvir esse show me trouxe também essas pessoas, que me são muito caras. E vê-las atuando comigo foi muito bonito. Essa questão da memória nos mostra o quanto é importante registrá-la”, diz.
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O espaço onde tudo aconteceu também marcou (e marca) época. Construído no segundo andar do Sesc Consolação, o Teatro foi inaugurado em setembro de 1977 para abrigar o Projeto Pixinguinha, idealizado por Hermínio Bello de Carvalho, primeira ação da Funarte de grande visibilidade nacional para promover a circulação de shows de música brasileira. Hoje palco das mais variadas linguagens artísticas, será cenário mais uma vez deste reencontro de João consigo e seu público.

Para melhor contextualizar a época e o registro deste show de 1978, acontecerá no dia 23 de agosto, quarta-feira, às 20h, um bate-papo musicado com João Bosco no Sesc Consolação mediado pela jornalista e apresentadora Adriana Couto (Metrópolis, Rádio Nova Brasil FM), quando o músico poderá compartilhar e comentar algumas músicas com a plateia. Além disso, no mesmo dia, o álbum será disponibilizado nas principais plataformas de áudio. Os ingressos serão disponibilizados gratuitamente ao público no dia 15 de agosto, a partir das 17h, pelo portal do Sesc SP e nas bilheterias das unidades da rede Sesc São Paulo no dia seguinte, 16 de agosto, a partir das 17h.

Relicário: João Bosco (ao vivo no Sesc 1978). A partir de 16 de agosto com exclusividade no Sesc Digital e no dia 23 de agosto disponível nas plataformas de streaming
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“Nesse período de ouro da canção popular
(tão rico quanto o dos anos 30/40), Bosco
e Blanc articulam tanto a herança do samba
do Estácio (e, antes dele, suas matrizes
propriamente africanas) quanto sua
modernização por João Gilberto – mas
deslocam o rumo da prosa para a crônica
lírico-social do subúrbio carioca.”
Chico Bosco

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Capa do álbum ‘Relicário: João Bosco (ao vivo no Sesc 1978)’ • João Bosco • Selo SESC SP • 2023

DISCO ‘RELICÁRIO: JOÃO BOSCO (AO VIVO NO SESC 1978)’ • João Bosco • Selo Sesc SP • 2023
Canções e compositores
1. Gênesis (João Bosco e Aldir Blanc)
2. Boi (João Bosco e Aldir Blanc)
3. Escadas da Penha (João Bosco e Aldir Blanc)
4. Latin lover (João Bosco e Aldir Blanc)
5. Vaso ruim não quebra (João Bosco e Aldir Blanc)
6. O cavaleiro e os moinhos (João Bosco e Aldir Blanc)
7. Casa de marimbondo (João Bosco e Aldir Blanc)
8. Dois pra lá, dois pra cá (João Bosco e Aldir Blanc)
9. Bijuterias (João Bosco e Aldir Blanc)
10. O rancho da goiabada (João Bosco e Aldir Blanc)
11. Agnus sei (João Bosco e Aldir Blanc)
12. Kid cavaquinho (João Bosco e Aldir Blanc)
13. De frente pro crime (João Bosco e Aldir Blanc)
14. Incompatibilidade de gênios (João Bosco e Aldir Blanc) não está Sesc digital
15. Plataforma (João Bosco e Aldir Blanc)
16. Caça à raposa (João Bosco e Aldir Blanc) não está Sesc digital
17. Tiro de misericórdia (João Bosco e Aldir Blanc)
– ficha técnica –
João Bosco (voz e violão) | Darcy de Paulo (fender rhodes e arp strings) | Nilson Matta (baixo) | Everaldo Ferreira (bateria) | Chacal (percussão) | Moura (percussão) | Produção musical e arranjos: Darcy de Paulo | Masterização: Gustavo Lenza | Textos/encarte: Francisco “Chico” Bosco e Kamille Viola | Design gráfico: Alexandre Calderero | Imagens/iconografia: Acervo Sesc Memórias | Assessoria de imprensa: Cristiane Batista | Diretor artístico do espetáculo/show: Paulo Emílio da Costa Leite (1941-1990) | Gravado em 23 de abril de 1978 no Teatro Pixinguinha do Sesc Consolação – São Paulo/SP | Formato: CD / Digital | Ano: 2023 | Lançamento: 16 de agosto/Sesc digital e 23 de agosto / plataformas de música | #* Ouça o álbum nas Plataformas de Streaming ou no Sesc Digital 
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Leia mais sobre o álbum
:: A crônica lírico-social do subúrbio carioca, por Francisco Bosco
:: Retrato do artista quando jovem, por Kamille Viola
:: Relicário: João Bosco (ao vivo no Sesc 1978)_Teaser. Vídeo por Arthur Vicente_Cinemarock. assista aqui.

 

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JOÃO BOSCO (AO VIVO NO SESC 1978). Créditos_ Acervo Sesc Memórias

Bate-papo de lançamento do álbum Relicário: João Bosco (ao vivo no Sesc 1978) 
Com Adriana Couto (Didi) e João Bosco
23 de agosto, às 20h. Teatro Anchieta
Sesc Consolação – São Paulo/ SP
Entrada gratuita
Os ingressos serão disponibilizados gratuitamente ao público no dia 15 de agosto, a partir das 17h, pelo portal do Sesc SP ou no aplicativo Credencial Sesc e nas bilheterias das unidades da rede Sesc São Paulo, 16 de agosto, a partir das 17h.
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LEIA TAMBÉM
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Relicário é um projeto permanente que reverbera a memória do Sesc São Paulo com registros do acervo da instituição que há mais de 70 anos tem na ação cultural o intuito de estimular a autonomia pessoal, a interação e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.
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A primeira etapa do projeto apresenta áudios de shows históricos realizados em unidades do Sesc em São Paulo nas décadas de 1970, 1980 e 1990, remasterizados e formatados como álbuns. A série também oferece o contexto histórico de cada registro, através de textos, vídeos e fotografias.
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SOBRE O SELO SESC
Desde 2004 o Selo Sesc traz a público obras que revelam a diversidade e a amplitude da produção artística brasileira, tanto em obras contemporâneas quanto naquelas que repercutem a memória cultural, estabelecendo diálogos entre a inovação e o histórico. Em catálogo, constam álbuns em formatos físico e digital que vão de registros folclóricos às realizações atuais da música de concerto, passando pelas vertentes da música popular e projetos especiais. Entre as obras audiovisuais em DVD, destacam-se a convergência de linguagens e a abordagem de diferentes aspectos da música, da literatura, da dança e das artes visuais. Os títulos estão disponíveis nas principais plataformas de áudio, Sesc Digital e Lojas Sesc.

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SOBRE O SESC SÃO PAULO
Com 76 anos de atuação, o Sesc – Serviço Social do Comércio conta com uma rede de 40 unidades operacionais no estado de São Paulo e desenvolve ações com o objetivo de promover bem-estar e qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, serviços, turismo e para toda a sociedade. Mantido pelos empresários do setor, o Sesc é uma entidade privada que atua nas dimensões físico-esportiva, meio ambiente, saúde, odontologia, turismo social, artes, alimentação e segurança alimentar, inclusão, diversidade e cidadania. As iniciativas da instituição partem das perspectivas cultural e educativa voltadas para todas as faixas etárias, com o objetivo de contribuir para experiências mais duradouras e significativas. São atendidas nas unidades do estado de São Paulo cerca de 30 milhões de pessoas por ano. Hoje, aproximadamente 50 organizações nacionais e internacionais do campo das artes, esportes, cultura, saúde, meio ambiente, turismo, serviço social e direitos humanos contam com representantes do Sesc São Paulo em suas instâncias consultivas e deliberativas. Mais informações, clique aqui.
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Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Bossa Nova.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


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