Estátua Orixá Oxóssi - festa de Oxóssi no terreiro CIESL (São Paulo, 2023) • Arquivo Pessoal/Rafael Mota
por Bárbara Carvalho – CNN
Anualmente, de acordo com as tradições afro-brasileiras, um determinado Orixá irradia a sua energia durante o novo ciclo. Para os adeptos, a divindade traz características e direcionamentos específicos para os acontecimentos e vibrações durante o período.
Alexandre Meireles, babalorixá, xamã e dirigente há 30 anos do terreiro de Umbanda Círculo de Irradiações Espirituais São Lázaro, na zona sul de São Paulo, contou que o ano de 2026 será regido por Oxóssi, popularmente conhecido como o senhor das matas, rei do Ketu (Nação de Candomblé), da caça e da fartura. Além de representar a busca, o conhecimento e a sobrevivência com sabedoria.
Caçador ágil e atento, ele não desperdiça: sua flecha é certeira, simbolizando foco, precisão e escolhas mais conscientes. “Será um ano de desapego e aprofundamento, de maior contato com a natureza, tanto a interna quanto a externa. Um período que favorece o desejo de ir à praia, à cachoeira, à mata, aos bosques e parques, de pisar na terra.”, explica o espiritualista.
Oxóssi no sincretismo religioso
“Okê Arô” ou “Arolé” são algumas formas de saudar o Orixá que, no sincretismo religioso — estratégia adotada pelos povos africanos escravizados para preservar o culto às suas divindades diante da imposição do cristianismo — é associado a santos católicos como São Sebastião, na maior parte do Brasil, e São Jorge, especialmente na Bahia.
Além do campo religioso, Oxóssi também ocupa um lugar central na cultura e na música brasileira, especialmente em obras que exaltam a ancestralidade e a natureza.
Artistas como Jorge Ben Jor, em “Filhos de Gandhi”, Maria Bethânia, que frequentemente reverencia os Orixás em seu repertório e performances, e Gilberto Gil, em canções que dialogam com o sagrado afro-brasileiro, ajudaram a popularizar a figura do Orixá fora dos terreiros brasileiros.
A energia de Oxóssi e seus impactos em 2026
Em 2025, o ano foi de Iansã, senhora dos ventos e tempestades. Além dela, Xangô, o rei da justiça e dos raios, também esteve presente de uma maneira mais coadjuvante.
Para o próximo ciclo, apesar das possíveis energias turbulentas, por também ser regido por Marte — planeta associado ao impulso e à combatividade —, 2026 tende a ser um ano mais próspero.
“Será fundamental cultivar objetividade e, sobretudo, desapego: deixar para trás o que já não cabe mais, o que não serve, sem postergar mudanças necessárias ou permanecer preso a enredos que perderam o sentido. No campo pessoal, é um ano revolucionário, no qual cada um de nós se torna agente da própria revolução — interna, individual e, por fim, coletiva”, complementa.
Assim, com a chegada de Oxóssi, chefe da falange dos caboclos, alguns pontos poderão ser enfrentados ao longo do ano, sendo:
Necessidade de foco e escolhas precisas
Em 2026, dispersão, excesso de caminhos e decisões adiadas tendem a cobrar um preço maior. O ciclo poderá exigir mais objetividade, clareza de metas e cortes conscientes.
Desapego do que não sustenta mais
O ano favorece rupturas com padrões, relações e projetos que já não geram crescimento. Resistir a esse desapego pode gerar sensação de estagnação ou desgaste emocional.
Conflitos e tensões impulsionadas por Marte
Por também carregar a influência de Marte, 2026 tende a apresentar um cenário mais combativo, com embates de ideias, disputas de poder e reações impulsivas. O desafio será agir com estratégia, não com confronto direto.
Busca por conhecimento e reposicionamento
Oxóssi rege a inteligência, o aprendizado e a sobrevivência estratégica. Mudanças de carreira, retorno aos estudos e busca por novos saberes tendem a se intensificar, especialmente para quem sente que “perdeu o rumo”.
Transformações silenciosas, porém profundas
Diferente de rupturas explosivas, muitas mudanças de 2026 acontecem de forma interna e gradual, exigindo maior escuta, observação e paciência para compreender os sinais antes de agir.
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