Espetáculo "Meu Remédio", com Mouhamed Harfouch - foto: Gustavo de Freitas Lara
O monólogo ‘Meu Remédio’ idealizado, escrito e estrelado por Mouhamed Harfouch, é uma mistura de comédia e drama. Dirigido por João Fonseca, o espetáculo traz uma narrativa profundamente pessoal e emotiva, onde o artista mergulha na sua história de vida, lidando com temas como identidade, pertencimento e aceitação de sua própria história.
.
Misturando elementos autobiográficos e ficcionais, a peça, que já na escolha do título faz referência a uma situação vivida com o seu nome de batismo – e que é explicada em cena -, apresenta um monólogo íntimo, costurado a algumas canções, entre hits e paródias, cantadas e tocadas ao vivo, marcando transições importantes da narrativa, onde o autor recria personagens que representam figuras significativas nas duas primeiras décadas da sua vida, mantendo, ao mesmo tempo, a privacidade de sua própria história.
Com uma abordagem sensível e profunda, a obra convida o público a refletir sobre a importância da autocompreensão e do existir de cada um. “Meu Remédio” destaca como o nome, muitas vezes imposto, carrega histórias que conectam o indivíduo ao passado e iluminam seu futuro, e convida a todos a olhar para dentro, entender melhor a própria caminhada e perceber como a arte pode ser um remédio. A peça é uma mistura de comédia e drama, resultado de um processo criativo íntimo que levou o artista a revisitar momentos de sua própria trajetória, especialmente sua relação com seu nome e sua herança cultural.
.
Com “Meu Remédio”, Mouhamed Harfouch celebra 30 anos de carreira e transforma um projeto profundamente pessoal em uma expressão artística única, tanto no palco quanto fora dele.
Em “Meu Remédio”, que ele se reinventa, assumindo diversas funções e se desafiando na autoexposição. O espetáculo traz à tona questões do universo árabe, relembra episódios importantes que fizeram parte de sua jornada e revela, de forma sincera e orgânica, o impacto de suas escolhas em sua trajetória profissional e na vida pessoal.
.
“‘Meu Remédio’ nasce da minha vontade de entender e compartilhar a relação com o meu nome, com minha história de vida, com a mistura de culturas que carrego. Sou filho de imigrantes – sírios por parte de pai e portugueses por parte de mãe. Crescer com um nome tão emblemático em um Brasil dos anos 70, em que o preconceito e a dificuldade de aceitação eram muito presentes, não foi fácil. A peça é uma comédia, mas carrega uma reflexão sobre aceitação e pertencimento, sobre entender que, muitas vezes, o maior remédio é aceitar quem somos”, explica Harfouch, que busca, com o espetáculo, tocar o coração do público ao falar sobretudo, como cada ser é único e especial em sua individualidade, origem e essência.
Embora a ideia de levar “Meu Remédio“ aos palcos tenha surgido há dois anos, uma inquietação sobre o tema já acontecia desde a novela “Órfãos da Terra”. Durante as gravações, Harfouch foi levado a olhar mais profundamente para sua própria história, sua relação com o pai e com os muitos imigrantes que o cercam. Esse desejo de explorar sua ancestralidade e as dificuldades vividas ao lidar com seu nome e identidade se intensificou ao longo das apresentações da peça “Quando Eu For Mãe Quero Amar Desse Jeito”, estrelada ao lado de Vera Fischer. A reflexão do ator durante a turnê foi o impulso que consolidou a ideia do monólogo e depois de meses de escrita, finalmente, o projeto tomou forma, desafiando-o para além da atuação solo.
.
A decisão de assumir a produção do monólogo, que é um dos maiores desafios da sua carreira, foi um passo corajoso. “Meu Remédio” não é apenas uma obra autoral, mas também o reflexo de sua visão como criador. “Já tinha produzido no começo da minha carreira, mas agora, com mais maturidade, me senti mais preparado para enfrentar esse desafio. Produzir e atuar ao mesmo tempo é uma tarefa árdua. A maior dificuldade foi lidar com as duas funções e ainda me manter fiel à ideia que queria transmitir. Mas, com o apoio de grandes amigos e parceiros como Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr, senti que tínhamos força para fazer isso acontecer”, revela ele, que viu na soma de funções um grande desafio ao ter que equilibrar seu tempo entre o papel de ator e o de produtor.
Já a parceria com o diretor João Fonseca foi outro pilar fundamental para tirar o sonho do papel. Com vasta experiência à frente de obras biográficas, a exemplo dos Musicais sobre a vida de Tim Maia, Cazuza, Cássia Eller, Elvis Presley e Tom Jobim, a condução do criativo trouxe à cena a delicadeza necessária para que o espetáculo equilibrasse o tom de comédia e a profundidade emocional da história. “João Fonseca é um amigo e um grande diretor. Ele segurou a minha barra de maneira sensível e honesta, e acreditou no meu projeto desde o início. Sem ele, não sei se teria conseguido fazer essa transição entre o autor e o ator de forma tão tranquila”, comenta ele sobre Fonseca, com quem repete a parceria afinada em “Homem de Lata“, monólogo online criado durante a pandemia.
.
“Um nome nunca é só um nome. É uma jornada, fala dos que vieram e dos que virão. Poder enxergar melhor os caminhos de fora e nossos desejos é algo que me move. ‘Meu Remédio’ foi um ponto de partida, pois aceitar quem somos é curativo e a arte salva”, finaliza.
SINOPSE
“MEU REMÉDIO” é uma comédia dramática teatral que parte de uma história real acerca de um ator e os seus conflitos com a sua origem, mostrando que a aventura do auto -conhecimento e a aceitação da nossa história, da nossa origem e de quem somos, pode ser a chave, ou melhor, pode ser o remédio para a realização dos nossos sonhos e desejos. A partir dos anos de 1920, em que datam as primeiras aparições de imigrantes sírios e libaneses em solo carioca, a cultura árabe ajudou a desenvolver e fomentar diversos setores de nossa sociedade, tais como: Economia, gastronomia, agricultura, comércio, arquitetura e artes, e influenciando os modos de viver dos cidadãos e cidadãs cariocas. Como filho de imigrante sírio, nascido e criado na cidade do Rio de Janeiro, o meu próprio nome de batismo, repleto de significados, estigmas e estereótipos, carrega também a história dos que me antecederam e que aqui chegaram, me fazendo ter a certeza da relevância e da necessidade em resgatar, através do teatro, a consciência da importância deste intercâmbio cultural no fortalecimento da diversidade, pluralismo, e construção de nossa identidade social.
FICHA TÉCNICA
Idealização, produção e texto: Mouhamed Harfouch | Elenco: Mouhamed Harfouch | Direção: João Fonseca | Figurinos: Ney Madeira e Dani Vidal | Iluminação: Dani Sanchez | Cenógrafo: Nello Marrese | Assessoria de imprensa: GPress Comunicação / Grazy Pisacane | Produtora executiva: Valéria Meirelles | Coordenação geral: Edmundo Lippi
SERVIÇO
Espetáculo: Meu Remédio
Temporada: 10 de janeiro a 16 de fevereiro
Dias/horários: Quinta a Sábado 20h | Domingo 19h
Onde: Teatro Ipanema Rubens Corrêa (@teatroipanema.rio)
Endereço: Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema, Rio de Janeiro/RJ
Duração: 75 minutos
Classificação indicativa: 10 anos
Ingressos: R$80 inteira | R$40 meia-entrada
Vendas online: Rio Cultura – Eleven Tickets
Ou Bilheteria do Teatro
.
> Siga: @mouhamedh | @meuremedioteatro
Sétimo álbum de Marinho Boffa, Oferenda celebra os 90 anos do nascimento de Luiz Eça,…
Chegou em todas as plataformas digitais “Rosa no Céu”: Maria Luiza Jobim, seu terceiro álbum…
Guinga comemora 76 anos com lançamento de 'Catonho'. EP percorre paisagens afetivas do Rio de…
Volume da coleção “Leia esta canção” reúne 41 autores em homenagem a uma das vozes…
Estreia no Youtube o novo videoclipe de Pedro Luís. A música “Vem Amar Comigo” (Pedro…
Álbum de estreia do coletivo recebe Francis Hime, Mônica Salmaso, Moreno Veloso, Moyséis Marques, Teresa…