sábado, junho 15, 2024

Memórias do Mar Aberto: Medeia conta sua história, faz temporada no Teatro Paiol Cultural

Narrativa clássica ganha contornos feministas no espetáculo Memórias do Mar Aberto: Medeia conta sua história. Texto da brasileira Consuelo de Castro é montado no Teatro Paiol Cultural com idealização de Roberta Collet e direção de Reginaldo Nascimento
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Em 1997, a dramaturga Consuelo de Castro (1946-2016) publicou sua versão de Medeia, com a ideia de desconstruir sua imagem – na mitologia grega é a mulher que mata os filhos para se vingar da traição de seu marido, Jasão. A montagem de Memórias do Mar Aberto: Medeia conta sua história, idealizada por Roberta Collet, que também está no papel principal, e dirigida Reginaldo Nascimento, estreia dia 17 de fevereiro e segue em cartaz até dia 24 de março, aos sábados, às 20h, e, aos domingos, às 19h, no Teatro Paiol Cultural (R. Amaral Gurgel, 164 – Vila Buarque).
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“Sempre quis montar Medeia e convidei o diretor Reginaldo para embarcar nessa ideia comigo. Mas ele preferia atualizar o original, para se conectar com questões do nosso tempo. Assim, durante nossa pesquisa encontramos a dramaturgia da Consuelo, que se casava perfeitamente com o que queríamos”, conta Roberta.

O texto de Consuelo mostra Medeia por outros ângulos: na trama, ela tem ideais políticos e chefia a expedição dos Argonautas no lugar de Jasão. De acordo com o mito, a missão desses navegantes era ir à Cólquida buscar o Velocino de Ouro, um presente dos deuses cujo poder era atrair prosperidade.
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Medeia lutava para garantir a paz entre os povos do Ocidente e do Oriente. Por esse motivo, foi traída não só pelo amor de Jasão a uma outra mulher, mas por uma aliança política dele com o rei Creonte.

Para abordar todas essas dimensões no espetáculo, a encenação coloca o poder feminino a partir dos atos finais de vida, mortes e renascimentos que atravessam o caminho de Medeia. Ela representa a luta de tantas outras pela paz ao longo da história.
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A traição aparece em cada desejo inescrupuloso dos homens que a cercam no desenvolvimento da tragédia. “Ela é deslegitimada pelos deuses, pelos oráculos e pelo próprio Jasão. Em sua visão, todos esses agentes matam as pessoas que a ajudam e roubam seu direito de ser rainha”, comenta o diretor Reginaldo Nascimento.

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Espetáculo ‘Memorias do Mar Aberto’ – foto ©Ronaldo Gutierrez

SOBRE A ENCENAÇÃO
Medeia conta sua história de uma maneira diferente. Por isso, de acordo com o diretor Reginaldo Nascimento, a concepção do espetáculo se pauta em uma encenação limpa. “Nosso foco está na força das palavras e na potência das interpretações. Dessa maneira, o cenário é minimalista e a trilha sonora serve apenas para ambientar o espectador”, comenta.
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Na proposta cênica, todos os personagens já estão mortos – exceto Medeia, pois ela se tornou um símbolo. “Como minha ideia é que ela esteja expurgando os pecados, a narrativa acontece em retrospecto, como um filme. Ou seja, o palácio já foi queimado e os filhos já estão mortos. Assim, quero que os atores e atrizes estejam chamuscados pela poeira do fogo e do tempo – e o figurinista Chriz Aizner vai viabilizar isso”, detalha o diretor.
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Em relação à sonoplastia, Reginaldo Nascimento pensou em utilizar apenas músicas instrumentais. Haverá também a projeção de um mar, com o barulho constante de água, raios e trovões, dando o clima de uma tragédia grega.
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Os intérpretes são Roberta Collet, Felipe Oliveira, Haroldo Bianchi, Joca Sanches e Rodrigo Ladeira. A peça foi montada com recursos próprios, sem o apoio de leis de incentivo.
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“Para nós, é uma alegria montar esse texto no Teatro Paiol Cultural, que abriu as portas em 1969, justamente com um texto de Consuelo de Castro”, afirma Nascimento.

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Espetáculo ‘Memorias do Mar Aberto’ – foto ©Ronaldo Gutierrez

SINOPSE
Versão livre do mito de Medeia, no texto da dramaturga brasileira Consuelo de Castro, a personagem-título toma o lugar de Jasão e chefia a expedição dos Argonautas, não por amor a ele, mas pelo ideal de paz entre os povos do Ocidente e do Oriente. Na peça, ela é traída não só pelo amor de Jasão a uma outra mulher, mas por uma aliança política dele com o rei Creonte.

A AUTORA
Dramaturga, roteirista e publicitária. Nasceu em Araguari, MG, em 1946 e faleceu em São Paulo (SP), em 2016. Estudou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Participou ativamente do movimento estudantil dos anos 60. Escreveu seu primeiro texto em 1968, À Prova de Fogo, proibida pela censura e premiada em 1974 pelo Serviço Nacional de Teatro. A peça estreou em 1993, com direção de Aimar Labaki. Em 1969, escreveu seu segundo texto, À Flor da Pele, o primeiro a ser montado, e que recebeu o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos Teatrais (APCT). Na década de 70 escreveu Caminho de Volta, dirigida por Fernando Peixoto, em 1974, que recebeu os prêmios Milière e APTC. Em 1975, escreveu A Cidade Impossível de Pedro Santana, ganhadora do Concurso de Dramaturgia do Serviço Nacional de Teatro e O Grande Amor de Nossas Vidas, montada por Gianni Rato, em São Paulo, em 1979 e no Rio de Janeiro, em 1980. Na década de 80 escreveu as peças Louco Circo do Desejo; Stript-Tease; Marcha à Ré; Mel de Pedra e Uma Caixa de Outras Coisas. Escreveu também as peças: Memórias do Mar Aberto, Medeia conta sua história; Making Off e Only You, entre outras.

O DIRETOR
Ator e diretor teatral, Mestre em Artes Cênicas na Unesp-SP. Criou o Teatro Kaus Cia. Experimental junto com a atriz e jornalista Amalia Pereira, em 1998. Desde 1993 se dedica especificamente a direção teatral e a pesquisa do teatro de grupo, tendo assinado a direção dos espetáculos: Havia um país aqui antes do Carnaval, de Rudinei Borges; Chuva de Anjos, de Santiago Serrano; Contrarrevolução, de Esteve Soler; Hysterica Passio e O Casal Palavrakis, ambas de Angélica Liddell; O Grande Cerimonial, de Fernando Arrabal; Infiéis, de Marco Antonio de la Parra; A Revolta, de Santiago Serrano; El Chingo, de Edílio Peña; Vereda da Salvação, de Jorge Andrade; Homens de Papel e Oração para um pé de chinelo, ambas de Plínio Marcos; entre outras. Organizou e editou três publicações sobre dramaturgia de língua hispânica: o livro Cadernos do Kaus – O Teatro na América Latina (Programa de Fomento ao Teatro/2007); a revista Hysterica Passio (Prêmio Zé Renato de Teatro/2016); e o livro Cadernos do Kaus – Teatro Kaus, Da América Latina à Espanha, 10 anos de dramaturgia hispânica (Programa de Fomento ao Teatro/2018). Em parceria com o Instituto Cervantes realizou a Mesa de Debates Um Certo Arrabal, evento que trouxe a São Paulo o dramaturgo Fernando Arrabal (agosto de 2009). Fora do Teatro Kaus dirigiu os espetáculos: A Palavra Progresso na Boca de Minha Mãe Soava Terrivelmente Falsa, de Matéi Visniec; Marat – Sade (A Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat), de Peter Weiss; Pigmaleoa, de Millôr Fernandes; Cala a Boca Já Morreu, de Luís Alberto de Abreu; e A Boa, de Aimar Labaki.

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Espetáculo ‘Memorias do Mar Aberto’ – foto ©Ronaldo Gutierrez

FICHA TÉCNICA
Autora: Consuelo de Castro | Direção: Reginaldo Nascimento | Diretora assistente: Amália Pereira | Elenco: Roberta Collet, Felipe Oliveira, Haroldo Bianchi, Joca Sanches e Rodrigo Ladeira | Desenho de espaço cênico e sonoplastia: Reginaldo Nascimento | Cenário e figurinos: Chris Aizner | Lighting design: Wagner Pinto | Costureira: Judite Gerônimo de Lima | Assessoria de imprensa: Daniele Valério / Canal Aberto | Fotógrafo: Ronaldo Gutierrez | Produção executiva: Amália Pereira | Direção de produção: Reginaldo Nascimento | Designer: Patricia Collet

SERVIÇO
Memórias do Mar Aberto: Medeia conta sua história
De 17 de fevereiro a 24 de março, aos sábados, às 20h, e, aos domingos, às 19h
Local: Teatro Paiol Cultural – R. Amaral Gurgel, 164 – Vila Buarque (estações de metrô: Santa Cecília e República. Estacionamentos conveniados: Rua Marquês de Itu, 401 e 436). Telefone: (11) 2364-5671. Bilheteria: de quinta a domingo, das 14h às 20h.
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia)
Classificação: 14 anos | Duração: 90min


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