SOCIEDADE

Há 100 anos nascia Violeta Parra, “Santa Violeta”, como lhe chamou Neruda

Violeta. Dela, para ela, escreveu Pablo Neruda:
“Que amor a mãos cheias
recolhias pelos caminhos:
arrancavas cantos das fumaças,
fogo dos velórios,
participavas na mesma terra,
eras rural como os pássaros
e às vezes atacavas com relâmpagos”

Cantora, compositora, etnógrafa, pintora, tecelã, poeta. A chilena que soube agradecer à vida nascia há 100 anos. Nasceu no dia 4 de outubro de 1917.

Filha de um professor de música e de uma camponesa e cantora popular, que lhe ensinou os primeiros cantos chilenos, Violeta Parra começou a atuar com 9 anos. Com os irmãos, cantava boleros e rancheros em bares e restaurantes e, mais tarde, em 1943, com o nome “Violeta de Maio”, percorre o país com um repertório de músicas espanholas.

Aos 35 anos, Violeta Parra desperta para as raízes e começa um longo trabalho de investigação e recolha de folclore chileno.

Violeta Parra

Percorre o país, aldeias remotas, bate porta a porta para ouvir da voz dos camponeses os cantares das terras. O que ouve, muda a forma como compõe. Inspira-se nas raízes: “Verso por el fin del mundo”, “Casamiento de negros” e “Qué pena siente el alma”.

Com a ajuda do musicólogo Gastón Soublette, as músicas que recolheu no Chile profundo passaram a partituras e, anos mais tarde, dariam origem a “Cantos Folklóricos Chilenos” – uma obra maior, testamento para o Chile.

Soublette abriu-lhe as portas da Rádio Chilena, onde era chefe de programação, e nasce “Canta Violeta Parra” – um programa de culto, que divulgava o folclore chileno.

Depois, Violeta Parra saiu para o mundo. Polónia, União Soviética, Londres e Paris, onde grava os primeiros discos e faz um profundo trabalho de divulgação da música tradicional chilena.

É no regresso ao Chile que grava o primeiro LP da série “El Folklore de Chile” – voz e guitarra apenas, com dois temas originais.

Nessa altura, começa a explorar novas formas de arte. Pintura, cerâmica, escultura, tecelagem, as célebres arpilleras – quadros bordados a lã, com um aspecto quase naif.

E também escreveu. Poesia, principalmente. “Décimas” autobiográficas, editado mais tarde, é um retrato da vida de Parra desde a infância, escrito em forma de poesia popular.

Percorre o país a cantar, a mostrar e a ensinar a música do Chile. Passa pela Argentina e em 62 fixa-se em Paris. Dois anos mais tarde, os quadros e as esculturas de Violeta Parra ganham o direito a ser apresentados no Museu de Artes Decorativas do Palácio do Louvre. Foi a primeira exposição individual de uma artista latino-americana no Louvre.

Em 1965 volta ao Chile. Violeta não foi viver para uma casa. Escolheu antes uma tenda de circo, onde inaugurou o Centro de Arte Popular Carpa de la Reina.

Foi ali que aos 49 anos Violeta Parra se suicidou. Faltava pouco para as seis da tarde daquele domingo, 5 de fevereiro de 1967.

Ouça Violeta Parra – “Volver a los Diecisiete”

Cantora, compositora, etnógrafa, pintora, tecelã, poeta. Inquieta, determinada, combativa, explosiva, solitária, genial.

Fonte: TSF/Rádio Notícias

Mais sobre Violeta Parra:
:: Violeta Parra

Revista Prosa Verso e Arte

Música - Literatura - Artes - Agenda cultural - Livros - Colunistas - Sociedade - Educação - Entrevistas

Recent Posts

Suzy Mac mistura ritmos do Brasil e dos EUA em show no Dolores Club

Cantora e compositora brasileira-americana apresenta o EP “Amor e Atitude” no dia 22 de outubro,…

11 horas ago

Rafael Cardoso e Jasmini Victoria protagonizam história de amor com final surpreendente no novo clipe da Banda MAHI

Em formato de curta-metragem, “Céu Particular” mistura música, romance e cinema em uma história cujo…

12 horas ago

Mônica Salmaso e Zélia Duncan lançam “Proposta Para Um Estado Crítico”

Composto pela pernambucana Isadora Melo, single já está disponível nos aplicativos de música, em meio…

13 horas ago

Paulo Braga apresenta “Chiaroscuro”, álbum dedicado a Arrigo Barnabé, no 10º Encontro Internacional de Piano Contemporâneo

Pianista, compositor e educador apresenta espetáculo gratuito no Teatro Feluma, no dia 23 de outubro;…

13 horas ago

Três clássicos do Cinema Mudo no mundo chegam ao Brasil com música ao vivo, humor e crítica social

Em apresentação única no Teatro B32, músicos franceses executam ao vivo a composição de Martin…

14 horas ago