Pablo Neruda - foto Eric Atlan
Soneto XV
Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
Soneto XV
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
— Pablo Neruda, no livro “Cem sonetos de amor“. tradução Carlos Nejar. L&PM, 2014. (en “20 poemas de amor y una cancion desesperada” – 100 sonetos de amor”).
Ouça o poema na voz do próprio poeta Pablo Neruda
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SOBRE O LIVRO
Este livro traz, pela primeira vez em edição bilíngue, não apenas cem dos mais emocionantes poemas de amor do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda (1904-1973), como alguns dos mais belos sonetos já escritos. Aqui, é cantada a mulher amada e também a natureza universal do amor romântico.
FICHA TÉCNICA
Título: Cem sonetos de amor
Páginas: 224
Formato: 21 x 13.8 x 1.6 cm
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 14/11/2014 (1ª edição)
ISBN: 978-8525431820
Tradução: Carlos Nejar
Selo: L&PM
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