Monólogo 'Eu, Estatística' com Maciel Silva - foto: Rafa Marques
Num palco cru, com apenas um microfone, molduras vazias, luz âmbar e trilha musical, Maciel Silva em ‘Eu. Estatística’ é mais que um monólogo, é um protesto cênico contra a LGBTQIAPN+fobia e o desligamento da saúde mental nessa comunidade. Com participação em vídeo de Nany People e direção de Fellipe Calixto, a peça estreia no Teatro Casa de Artes SP.
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Escrita e protagonizada por Maciel Silva, a peça é construída a partir de dados do Ministério da Saúde e da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) mesclando depoimentos reais de pessoas LGBTQIAPN+ com a trajetória ficcional de um jovem gay que tenta sobreviver à sobrevivência de uma sociedade adoecida. No centro do palco, um corpo, uma voz, e uma urgência: não virar mais uma estatística. A peça estreia no dia 31 de maio no Teatro Casa de Artes SP, na Rua Major Sertório, 476, Vila Buarque, e conta com a participação em vídeo de Nany People.
“Estava pesquisando saúde mental da população LGBTQIAPN+ quando fui alvo de uma agressão verbal homofóbica nas ruas de São Paulo. Aquilo me despertou. Ri na hora, mas a dor ficou. Decidi transformar a pesquisa em arte com função social, e nasceu essa peça”, explica o autor e ator Maciel Silva. “É um tema que não se esgota. A violência continua, desde questões de emprego, saúde mental, violência parental, violência dos órgãos públicos, entre outros. As estatísticas continuam. Precisamos reagir.”
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A trama gira em torno de Estatística, um ex-suicida que virou voluntariamente no CVV. Ele atende ligações de pessoas em sofrimento, até que o próprio passado bate à porta: seu pai homofóbico e doente precisa morar com ele. Essa convivência forçada dispara gatilhos e o personagem entra em colapso, lutando para não ser engolido pelos mesmos fantasmas que juraram combater.
“Este não é o primeiro texto em que atuo e escrevo, mas considero o mais importante, por causa do tema abordado e porque me vejo na personagem principal. Então, está sendo um desafio diferenciar o que sou eu autor/ator do personagem”, afirma Maciel. “Às vezes, as emoções se misturam. Mas é um desafio que encaro com muita alegria, pois estou protegido por uma equipe que me apoia e me acolhe para poder contar essa história.”
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Na direção, Fellipe Calixto optou por radicalizar a simplicidade para amplificar a força do conteúdo e valorizar a interpretação do ator em cena. “O texto do Maciel já traz muitos direcionamentos. A missão foi respeitar isso com delicadeza e impacto. O monólogo pede poucos elementos cênicos. O assunto é pesado e preciso de espaço para ressoar”, explica o diretor.
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“As molduras vazias em cena representam as vítimas da LGBTfobia. O cenário é uma caixa onde o personagem transita com suas dores. Tudo foi pensado para não distrair a plateia do essencial: o humano em cena.”
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A obra também costura diferentes linguagens — música, dança, teatro documental — e emociona sem perder a potência do grito. A presença em vídeo da atriz Nany People, referência na luta por visibilidade trans, amplia o alcance simbólico e político do espetáculo.
Sinopse
ESTATÍSTICA é voluntária no Centro de Valorização da Vida. Um dia, quando esteve à beira do suicídio, encontrou acolhimento naquele espaço — e decidiu retribuir. Desde então, dedica-se a atender ligações de pessoas em crise, oferecendo a mesma escuta que um dia o salvou. Vive hoje uma “vida normal”, lidando com os desafios cotidianos de uma pessoa LGBTQIAPN+, entre dores e conquistas silenciosas. Mas tudo muda quando seu pai — um homem rude, marcado pelo preconceito, e agora gravemente doente — precisa morar com ele. A presença paterna desperta traumas adornados, e ESTATÍSTICA entra em nova recuperada. Os fantasmas do passado voltam à tona. Agora, ele terá que enfrentá-los de frente. Entre dados, relatos e vivências de quem sobreviveu à dor do suicídio e da violência, ESTATÍSTICA mergulhadora numa jornada íntima de documentação. Acostumado a salvar vidas do outro lado da linha, ele se vê diante de uma pergunta urgente e dolorosa: Quem vai salvar sua vida?
Ficha Técnica
Texto e atuação: Maciel Silva. Direção: Fellipe Calixto. Direção artística: Felipê Aguiar. Trilha sonora ao vivo: Ivan Alves. Participação em vídeo: Nany People. Produção executiva: Mayra Messias e Lucas Lima. Assistência de produção e administração: Clau Pereira e Roberta Viana. Design de luz: Rony Vieira. Cenário: Allex Duran. Figura: Gerard Paes. Design gráfico e redes sociais: Chico Tomaz. Contrarregra: Chico Araújo.
SERVIÇO
EU, ESTATÍSTICA. Monólogo com Maciel Silva
Estreia: dia 31 de maio, sábado, 20h, no Teatro Casa de Artes SP, Rua Major Sertório, 476 – Vila Buarque.
Temporada: De 31 de maio a 29 de junho.
Horário: sextas às 21h, sábados às 20h, domingos às 18h
Capacidade: 100 lugares. Entradas sociais: R$ 20,00.
Venda de ingressos: clique aqui.
Classificação indicativa: 16 anos.
Mais informações: @macielsilvareal / @casadeartessp
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Fotos: Rafa Marques
Assessoria de imprensa: Arte Plural Comunicação / Fernanda Teixeira e Maurício Barreira
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