Espetáculo "Contos de Cativeiro', com Marcelo Marques - foto: Ney Couteiro
Os caminhos percorridos pelo povo preto brasileiro desde a diáspora africana com suas alegrias, resiliência e fé são o tema central do espetáculo “Contos de Cativeiro”. O solo circense de Marcelo Marques faz três únicas apresentações em São Paulo no Sesc Avenida Paulista.
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Com direção geral de Renata Caetano, direção de arte de Raquel Rocha e realização do Orum Aiyê Quilombo Cultural, que também mantém um espaço cultural em Goiânia, “Contos de Cativeiro” desloca a negritude das margens para o centro das discussões culturais. A montagem é uma lição de luta e afeto em prol do protagonismo negro, e por se tratar de um solo, o ator Marcelo Marques, com mais de 30 anos de atuação circense, transita entre os personagens para levar o público ao centro dessa temática.
Em “Contos de Cativeiro”, um Preto Velho muito simpático e sábio conta, entre algumas histórias, a origem do mundo pelo olhar do povo Yorubá, sobre as lutas, as resistências do período de escravização e a capacidade do povo preto de viver apesar das agressões que atravessam o tempo e a carne. Marcelo também dá vida aos personagens Olodumaré, orixá que cria o mundo, e Rei de Oyó, que é escravizado e trazido ao Brasil. Já o Malandro mostra o quão revolucionário é viver de forma inteligente, apesar do sistema que oprime.
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Para Marcelo Marques, “Contos de Cativeiro” é um espetáculo que enaltece o protagonismo negro na história do Brasil. “Por ser uma obra com uma equipe criativa de 100% de artistas negros, fortalece o imagético do orgulho de ter nascido preto, apesar da opressão”, pontua ele.
Resistência negra
“Contos de Cativeiro”, que estreou em 2022 na cidade de Goiânia e desde então tem sessões lotadas por onde se apresentou, pesquisa a mistura das linguagens corporais do circo, da dança afro e da capoeira, além de outros elementos da cultura negra brasileira. O solo é em sua essência uma ação regada ao Axé da resistência negra e tem em seu pilar a voz e protagonismo preto entremeado em sua construção e narrativa.
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“Apesar do título, o espetáculo não é uma narrativa sobre o sofrimento. O texto, de minha autoria, enaltece os conhecimentos e capacidade de resiliência do povo preto trazendo para cada cena um recorte com foco na sabedoria, nas vitórias e expertises trazidas da África para o Brasil”, explica Marcelo Marques.
O sagrado em cena
A cenógrafa e artista plástica Raquel Rocha mergulhou fundo no estudo dos elementos afrodiaspóricos que formam a direção de arte de “Contos De Cativeiro” harmonizando todos os elementos ancestrais com os equipamentos de circo.
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Pautando-se nos conhecimentos ancestrais que foram adquiridos, em sua maioria, dentro dos terreiros, que são os principais espaços de resistência, permanência e ensino das culturas ancestrais vindas da África, Raquel compôs a cenografia a partir de elementos primordiais para a cultura preta.
As folhas que se espalham, tal qual um tapete sobre o espaço cênico, são escolhidas a partir da folhagem utilizada na sassanha que é uma ritualística do candomblé no qual há um preparo de folhas específicas que serão usadas ao longo dos dias de uma cerimônia. As folhas se estendem do Aiyê (terra) até o Orum (céu) e ao elevar as folhas no fundo do cenário até o ponto mais alto do teatro, numa perspectiva de infinito que une Orum e Aiyê, a artista enfatiza o sagrado em cena.
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Duplamente representado no espetáculo, o altar religioso denominado congá, faz o elo de ligação entre a fé do ator em cena e o personagem Preto Velho, protagonista da história. Os demais elementos cênicos, como o cabideiro de galho seco, o atabaque, os vasos de plantas, as cabaças e o velho violão, compõem a cenografia que propositalmente conduz a plateia para diferentes ambientes em que hora é um terreiro, hora a casa do preto velho, uma floresta, ou até mesmo um navio negreiro.
FICHA TÉCNICA
Direção geral: Renata Caetano | Texto e atuação: Marcelo Marques | Coreografia: Juliana Jardel | Cenário e figurino: Raquel Rocha | Iluminação: Matheus Trindade | Produção: Raquel Rocha e Marcelo Marques | Assessoria de imprensa: Nossa Senhora da Pauta | Realização: Orum Aiyê Quilombo Cultural
SERVIÇO
CONTOS DE CATIVEIRO
Temporada: 21, 22 e 23 de fevereiro 2025
Dias/ horário: Sexta e Sábado, às 20h | Domingo, às 18h
Local: Sesc Avenida Paulista (13º andar)
Endereço: Av. Paulista, 119. Estação Brigadeiro do metrô. São Paulo – SP
Duração: 75 min.
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (Meia) e R$ 15 (Credencial plena). Venda de ingressos online ou nas bilheterias das unidades | Obs.: Venda limitada a dois ingressos por pessoa.
Horário de funcionamento das Unidades: Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, das 10h às 19h30. Domingos e feriados, das 10h às 18h30.
Mais informações: @sescavpaulista
Siga: @contosdecativeiro – @orumaiyecultural – @renata.artesa2020 – @marcelomarques_personalcircus
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