Entrevista com o professor e poeta Elio Ferreira, por Daniela Aragão

Elio Ferreira (Elio Ferreira de Souza) nasceu em Floriano, no Estado do Piauí, em 14 de maio de 1955 / partiu em 11 de abril de 2024. Poeta, ensaísta, professor de literatura, capoeirista, rapper, e técnico em educação. Elio Ferreira foi uma figura múltipla, doutor em Letras e pós-poutor em Estudos Literários.
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Daniela Aragão: Como apareceu a palavra em sua vida?
Elio Ferreira: Eu tinha uns oito anos de idade e uma de minhas irmãs me deu uma figurinha de chicletes em que tinha um tucano e um homem desenhados. Me recordo de que inventei uma musiquinha inspirada na imagem: Tucano Tucano tu engole um homem?/ Engulo engulo até você/Quando você quiser morrer/ Pode vir pode vir  aqui onde está eu. Esta é a recordação que trago de uma relação inicial com a palavra.
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Eu costumava ler poesia balançando na rede ao lado de minha irmã Maria Onélia. Tínhamos uma cartilha chamada “Cartilha do nordeste”. Guardo na memória um poema de Guilherme de Almeida: “Deixa-me fonte/dizia a flor a chorar/Eu fui nascida no monte não me leve para o mar/ E a fonte sonora e fria rolava rolava ao redor da flor/Adeus balanço do orvalho”.
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Daniela Aragão: As canções de ninar consistem em tradições fortes em seu legado cultural?
Elio Ferreira: Certamente, as canções de ninar que minhas tias me contavam ficaram muito guardadas em meu imaginário. Meu pai contava muitas histórias para mim, ele era ferreiro. Eram histórias de tradição e coisas que percebo hoje que ele mesmo inventava. As narrativas de trabalho entre os artesãos africanos. À noite eu me reunia com um grupo de amigos na calçada de minha casa e cada um contava uma história, as chamadas “histórias de Trancoso”, que eram histórias inventadas pelo próprio povo.
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Meus vizinhos de Floriano eram em sua maioria negros. Eles contavam algumas histórias que comprovei recentemente serem narrativas que tiveram origem na África, fazem parte da tradição angolana. Meus vizinhos traziam o mesmo conteúdo e mudavam apenas os personagens. Fábulas como “O macaco e a onça”, “A rolinha e a raposa”. Eu ficava absolutamente fascinado ouvindo a narração dessas histórias.
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Daniela Aragão:  E o primeiro poema dito em público?
Elio Ferreira: O primeiro poema que falei foi na escola, em comemoração ao dia das mães, quando cursava o primeiro ano ginasial.  Nesta ocasião eu estudava na escola São Francisco de Assis, de padres italianos. Fiz muitas mães chorarem (risos).
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Daniela Aragão: A partir dessa recepção calorosa das mães surgiram outras oportunidades para mostrar ao público seus poemas?
Elio Ferreira: Sim, logo em seguida comecei a publicar nos jornais de Floriano, minha cidade. Meus poemas passaram a ser também veiculados no “Tribuna do Sul” e em seguida no “Jornal de Floriano”. Quando saí de minha cidade já estava com um bocado de coisas escritas, que talvez não fossem de fato ainda poesia.
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Daniela Aragão: Quais foram as leituras que te influenciaram neste período inicial?
Elio Ferreira: Lia muito os poemas de cordel, alguns reunidos nos livros didáticos que utilizávamos na escola. Além de Castro Alves, Casimiro de Abreu, Guilherme de Almeida. Aos dezenove anos li a tríade machadiana  “Memórias Póstumas”, “Dom Casmurro” e “Quincas Borba”. Manuel Bandeira, Cecília Meireles, João Cabral.
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Daniela Aragão: E entre os poetas africanos?
Elio Ferreira: O primeiro poeta africano que li foi Agostinho Neto. Quando fui para a universidade tornei-me um leitor voraz e anárquico, no sentido de que alternava leituras de autores brasileiros e estrangeiros como Allen Ginsberg, Ferreira Gullar, Shakeaspeare, Guimarães Rosa, Jorge de Lima. Eu vasculhava com avidez os autores que estavam nas prateleiras das bibliotecas.

Daniela Aragão: Você viveu durante um tempo em Brasília, como foi por lá seu diálogo com a literatura e demais manifestações artísticas?
Elio Ferreira: Cinco meses antes de ir para Brasília costumava me reunir com os amigos para tocar violão e recitar poemas nos bares que se encontravam nas beiras do rio de Floriano. Em Brasília estreei pela primeira vez atuando na adaptação para teatro de “Morte e vida Severina”, que foi encenada na universidade CEUB. Eu trabalhava durante o dia no escritório de uma construtora e depois entrei para o ministério público, como concursado fui para a Fundação Educacional do Distrito Federal. Posteriormente trabalhei no Ministério da Agricultura e daí segui para Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Passei então a exercer uma atividade mais direta no teatro. Comecei a fazer teatro amador e cheguei a apresentar uma peça em São Paulo num teatro em que Gianfrancesco Guarnieri era o diretor.
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Daniela Aragão: Quando publicou seu primeiro livro de poemas?
Elio Ferreira:  Foi em 1983, chama-se “Canto sem viola”. Este é um livro de poemas que traz minhas memórias. Passei a integrar o movimento de escritores independentes do Mato Grosso do Sul. Fazíamos caminhadas poéticas, apresentávamos poemas nas ruas, participávamos de movimentos sociais.  Eu tinha uma aproximação com o pessoal das artes plásticas também.
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Daniela Aragão: Foi lançado independente?
Elio Ferreira: Todos os livros de poemas que escrevi foram financiados por mim. Livros individuais publiquei sete ao todo, mas participei de coletâneas de colegas. Entre as antologias que organizei e participei foram mais de quinze.
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Daniela Aragão: Fale sobre o diálogo que você manteve com o poeta Manoel de Barros.
Elio Ferreira: Eu costumava visitá-lo em sua casa. Conversávamos muito sobre poesia em seu escritório. Certa vez eu e mais outros poetas fizemos uma “caminhada poética” em homenagem a ele. Realizamos uma noite de poesia em Campo Grande que se tornou marcante, reunimos quase quinhentas pessoas, foi um marco. Isso se deu em 1983. Conseguimos por meio de nosso movimento dos poetas independentes alcançar a mídia, tivemos abertura na televisão e nos jornais.
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Daniela Aragão: Nesta caravana dos poetas independentes vocês abriam espaço para a música também?
Elio Ferreira: Com certeza. Convidávamos também os músicos para se apresentarem. Corriam juntos os territórios da poesia e da música. Alguns amigos compositores como Alex Fraga, Gutemberg, Joel Piccini, Altair Oliveira, Guimarães Rocha, entre outros.  Conheci Almir Sater nessa época, era muito talentoso e estava começando. Levávamos a poesia também para os bares, enfim, difundíamos a poesia por todos os lados. Era um momento efervescente em que lutávamos pelas diretas já. A poesia que apresentávamos estava sobretudo com a marca do engajamento, da luta política, as transformações sociais que ambicionávamos.
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Daniela Aragão: Você é pesquisador da área de literatura africana há cerca de vinte e cinco anos. Como se deu essa sua relação de encantamento e entrega a cultura africana?
Elio Ferreira: Quando morei em Campo Grande a questão do negro estava muito em minha cabeça pela própria vivência, mas não tinha me vinculado ainda ao Movimento Negro. Em 1984 foi que me integrei ao Movimento Negro, o MNU (movimento negro unificado) em Brasília. Discutíamos já na época a necessidade de se implantar o ensino de afrodescendência nas escolas. A questão das ações afirmativas, as cotas para negros. Reuníamos aos finais de semana para debatermos essas questões. Nesse mesmo período comecei a fazer parte da Revista Trabalho, do PT, uma revista leninista-trotskista. Um ano de intensa militância no Movimento Negro me deu uma experiência enorme, sobretudo em relação a compreensão da questão da história do negro e do preconceito racial no Brasil.
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Um dos primeiros trabalhos que fiz em torno da questão do negro foi analisando a presença de estereótipos raciais relacionados a representação da figura do negro na  poesia de Drummond. Trabalhei também Aluísio de Azevedo em “O cortiço” e Dão-Lalão, de Guimarães Rosa.
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O primeiro poeta negro o qual fiz meu primeiro estudo foi Luiz Gama. Um dos objetos de estudo principais de minha dissertação de mestrado intitulada “Identidade e solidariedade na literatura do negro brasileiro: de Padre Antônio Vieira a Luiz Gama”, defendida na Universidade Federal do Ceará em 2001.
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Daniela Aragão: Sua entrada no Movimento Negro também possibilitou a vivência de novas experiências culturais?
Elio Ferreira:  Cheguei a dirigir uma peça no Movimento Negro, o tema era  Robison, um operário negro que foi torturado até a morte pela polícia. Antes de eu entrar inteiramente e exclusivamente no universo da poesia estava vivenciando uma alternância entre ela e o teatro. Foi o Movimento Negro que me deu todo o suporte inicial. Quando voltei para Floriano levei minha experiência adquirida com a questão da crítica social e a consciência da negritude. Lá havia um movimento cultural, mas não muito conectado com questões políticas, raciais e sociais. Consegui com mais outros amigos integrantes do Movimento Cultural da cidade um espaço na rádio, que consistiu numa atuação significativa no debate das questões relacionadas a afrodescendência.
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Daniela Aragão: Foi significativa a atuação que você teve ao lado dos militantes do movimento negro na rádio de Floriano.
Elio Ferreira: A partir do programa que implantamos na rádio alteramos substancialmente o comportamento na cidade. Atuamos ecologicamente também, plantamos árvores frutíferas e não frutíferas e distribuímos centenas de mudas de plantas. Falávamos do racismo, fazíamos recitais de poesia erótica na rádio. Como estávamos num momento de abertura, levávamos para debaterem integrantes de diferentes tendências políticas. Colocávamos em pauta muitas questões que estavam ainda na periferia, como os direitos das mulheres e a homoafetividade.
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Daniela Aragão: Além de abrir espaço para a discussão de temas que geravam muita polêmica numa cidade que funcionava nos moldes mais provincianos, vocês também procuravam “incomodar” com a inserção de artistas de vanguarda não é?
Elio Ferreira: Tínhamos também o apoio da rádio para divulgarmos gente da música oriunda de outros estados. Além do pessoal que seguia a tradição de Luiz Gonzaga, colocávamos para tocar músicas de vanguarda que não tinham muito espaço como Arrigo Barnabé, Itamar Assunção, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Elis Regina, Alceu Valença, Luiz Melodia.  Por meio da força que tivemos nesse veículo conseguimos recuperar o espaço em que existiu a primeira usina elétrica de Floriano “Maria Bonita”, transformando-na num teatro. Isso foi um grande passo, visto que o único teatro que a cidade possuía era pertencente a igreja. Mantivemos nossa atuação na rádio durante três anos e sete meses, até nos despacharem.
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Daniela Aragão: Fale sobre suas performances poéticas
Elio Ferreira: A década de noventa foi um momento crucial de transformação política no Brasil, depois do governo Collor estourou uma crise em que a poesia foi solicitada. Me mudei de Floriano para Teresina nesta época.  Foi uma fase muito produtiva em que eu estava escrevendo muito. Um momento social de dificuldade, fiz umas camisas com alguns poemas escritos e saí vendendo para assegurar uma renda. Resolvi falar poesia pelo megafone e com a cara pintada, justamente em seguida surgiu o movimento dos jovens com caras pintadas no “Fora Collor”.

Daniela Aragão: Seu livro “Contra lei” é inspirado nessas vivências?
Elio Ferreira: Sim, meu livro “Contra lei” ganhou mais força com o acompanhamento de um roteiro fotográfico que marca vários pontos de Teresina. Este roteiro foi realizado pelo poeta Manoel Cirico, que fez o projeto fotográfico juntamente com o fotógrafo Nonatinho Medeiros.  Tornou-se uma espécie de assentamento dos trilhos, um espaço antes não aproveitado. Considero este meu momento de iluminação, em que me volto para as questões fundamentais da existência. Tematizo o problema da violência no poema Abracadabra, que é um rap que fala sobre um menino negro que foge do esquadrão da morte. Este poema estava ligado à problemática do extermínio das crianças. Uma extensão reflexiva sobre a chacina da Candelária, no Rio de Janeiro.
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Daniela Aragão: Como reflete a poeta Marleide Lins “O nosso maior patrimônio reside na força vital irradiada pelo sol que se constitui em pura argamassa para composição da arte e da vida”.
Elio Ferreira: Numa época de intenso calor e seca resolvemos reunir uma série de poemas em torno do tema da chuva, desejávamos fazer chover. Os tambores batiam e conduziam a base rítmica enquanto líamos os poemas. Cantamos para chover e um dia choveu. A palavra foi capaz de mover a natureza e trazer a chuva.
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Daniela Aragão: Como se deu a longa trajetória da “Roda de poesia”?
Elio Ferreira: Em 95 entrei no movimento hip hop montando com uns amigos a banda “Os contra Lei”.  Estive numa caminhada poética em São Paulo em homenagem a Luiz Gama à convite dos Cadernos Negros. Em 2000 criamos a roda de poesia e tambores que durou dez anos. Em algumas apresentações falávamos poesia durante três horas. Certa vez tivemos quarenta e três poetas. Este movimento influenciou muitos poetas jovens como Demétrios, Thiago Uê, João Batista. A “Roda de poesia” foi uma escola estimulante para os poetas e que transcendeu o universo da poesia, pois por meio dela também acionamos movimentos como o de salvação do rio Parnaíba. A roda se deslocava, ia para os bares, universidades. Além do diálogo com a tradição da cultura européia, visitávamos a tradição indígena e africana. Nossa roda de poesia foi uma abertura para o surgimento de outras que a sucederam como a do Cinéas Santos e Wellington Soares.
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Daniela Aragão: E o África Brasil?
Elio Ferreira: Antes do primeiro África Brasil realizamos dois colóquios na UESPI de literatura afro-brasileira e africana. Inauguramos o congresso África Brasil em 2009. Já no primeiro realizamos uma proposta de intercâmbio internacional com a participação de africanos como Izabel Ferreira, entre outros convidados de várias universidades brasileiras.
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O evento surgiu a partir da lei 10639, de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana e da lei 11645, de 2008, que incluiu o ensino da história e da cultura indígena e reafirmou as prerrogativas da lei 10639.   Nosso congresso não se deu somente dentro da obrigatoriedade de qualificar professores dando-lhes alicerces substanciais para se aprofundarem nas questões que envolvem a afrodescendência. Debatemos sobre a importância da consciência dos direitos dos povos afrodescendentes.
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Daniela Aragão: Como você analisa a aplicabilidade destas leis?
Elio Ferreira: Percebo que o ensino transversal não está atingindo o propósito, torna-se necessário que se criem disciplinas de literatura, história e cultura negras nas escolas. Deve-se elaborar estratégias de planejamento que contemplem verdadeiramente os valores.
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Daniela Aragão: O congresso África-Brasil tem demonstrado um crescimento significativo tanto no que se refere a riqueza de propostas e abordagens quanto no número de participantes não é?
Elio Ferreira: Com certeza. Em 2011 publicamos quarenta e sete artigos decorrentes das apresentações, palestras e comunicações apresentadas no segundo congresso África-Brasil. Em 2013 tivemos quatorze mesas redondas, três conferências, noventa e cinco comunicações resultando num total de quase cento e noventa trabalhos apresentados. Publicamos nos Anais que se encontram na página site oficial.
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Neste virá uma convidada do Estados Unidos que é Cherly Storn, além de convidados de muitas universidades brasileiras. Há pesquisadores americanos também inscritos no evento.  Mais de sessenta universidades brasileiras estarão representadas. Além de intercambiar o conhecimento, este congresso será fundamental para firmarmos alguns pontos importantes na questão das ações afirmativas compreendendo os direitos sociais dos negros.
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Daniela Aragão: O que é a literatura para a sua vida?
Elio Ferreira: Vou sintetizar num provérbio da filosofia Bambara: “O que eu sei hoje eu aprendi de alguém, o que se diz hoje sempre existiu”.

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Elio Ferreira – Poeta, ensaísta, professor de literatura

Dados biográficos
Elio Ferreira (Elio Ferreira de Souza) nasceu em Floriano, no Estado do Piauí, em 14 de maio de 1955 / partiu em 11 de abril de 2024. Poeta, ensaísta, professor de literatura, capoeirista, rapper, e técnico em educação, Elio Ferreira foi uma figura múltipla que, como ele próprio afirma, gosta de “viver de acordo com o tipo de poesia q [sic] escreve”. Durante a época de lançamento do seu livro O contra-lei (O ciclo do fogo), vestia-se com uma capa preta, pintava o rosto e saía pelas ruas carregando uma bandeira do Brasil e um megafone para realizar performances com suas poesias. Além de todas essas profissões, o poeta exerceu, dos nove aos vinte anos, o ofício de ferreiro, que aprendera com o pai. Apesar de ter deixado a profissão para estudar letras em Brasília, Elio Ferreira não deixou de usar o ferro, o martelo e o fogo como instrumentos de trabalho, convertendo-os em algumas das imagens mais recorrentes em sua poesia. A temática de seus poemas, que oscilam entre uma forte influência do concretismo e o uso de formas mais simples, é bastante vasta. Pode-se, no entanto, destacar neles a atestação do impacto da diáspora negra nas Américas, bem como a crítica política e social. E é através desses núcleos temáticos que a tarefa de escrever se define para ele:
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“[Escrever] é uma maneira de falar para o mundo, contar a história dos meus antepassados negros e a minha própria história, influindo e participando na transformação da sociedade através da denúncia contra as violências racial e social” 2
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Publicou os seguintes livros de poesia: Canto sem viola (1982), Poemartelos (o ciclo do ferro) (1986), O contra-lei (o ciclo do fogo) (1994), O contra-lei e outros poemas (1997) e América Negra (2004). Publicou também, em 2005, o livro Identidade e solidariedade na literatura do negro brasileiro: de Padre Antônio Vieira a Luiz Gama, com o qual obteve a primeira colocação no concurso de ensaios Mário Faustino, da Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC. Estudioso da cultura e literatura afro-brasileiras, concluiu, em outubro de 2006, sua tese Poesia negra das Américas: Solano Trindade e Langston Hughes, recebendo o título de Doutor em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. [Fonte: letras.ufmg.br/literafro]
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Daniela Aragão – foto: acervo pessoal

Daniela Aragão (1975) é doutora em literatura brasileira pela Puc-Rio, cantora e pesquisadora musical. Há mais de duas décadas desenvolve trabalhos sobre a história do cancioneiro brasileiro, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior. Gravou em 2005 o disco “Daniela Aragão face A Sueli Costa face A Cacaso”. Há mais de uma década realiza entrevistas com músicos de Juiz de Fora e de estatura nacional. Entre os entrevistados estão: Sergio RicardoRoberto MenescalJoyce MorenoDelia Fischer, Márcio Hallack, Estêvão Teixeira, Cristovão Bastos, Robertinho Silva, Alexandre Raine, GuingaAngela Ro RoLucinaTuríbio Santos… Seu livro recém lançado “De Conversa em Conversa” reúne uma série de crônicas publicadas em jornais e revistas (Cataguases, AcheiUSA, Suplemento Minas, O dia, Revista Revestrés, Cronópios…) ao longo de quinze anos. Os textos de Daniela Aragão são reconhecidos no meio musical devido a sua considerável marca autoral e singularidade, cuja autora analisa minuciosamente e com lirismo obras de compositores e cantores como Gilberto GilCaetano Veloso, Chico Buarque, Rita Lee. O livro possui a orelha escrita pelo poeta Geraldo Carneiro, prefácio do pesquisador musical e professor da Puc-Rio Júlio Diniz, contracapa da cantora e compositora Joyce Moreno e do pianista e arranjador Cristovão Bastos. Irá lançar em 2022 seu livro “São Mateus – num tempo de delicadezas”.  Colunista da Revista Prosa, Verso e Arte.
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> Leia outras entrevistas e crônicas de Daniela Aragão: Aqui.


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