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Nota: A crônica “Encerrando Ciclos” ou “Fechando ciclos” continua circulando na rede ora com autoria erroneamente atribuído ao poeta português Fernando Pessoa e/ou ao escritor Paulo Coelho, inclusive publicado em livros como sendo de um destes. NÃO é de Fernando Pessoa e tampouco é de Paulo Coelho. A verdadeira autora da crônica “Encerrando Ciclos” é Gloria Hurtado (Gloria H.) psicologa colombiana e colunista do El País (de Cali “Colômbia”), que publicou a mesma na sua coluna “Revolturas”/El País, em 21 de janeiro de 2003, sob o título “Cerrando círculos” (1). E Paulo Coelho (2) por sua vez traduziu e adaptou o texto sem citar a autora e publicou no ‘Jornal O Globo’, em 22 de agosto de 2004.

Ajude a combater falsas autorias na rede, respeite o autor. Boa Leitura!

Encerrando Ciclos, de Gloria Hurtado. texto adaptado e traduzido por Paulo Coelho, seguido do original da colunista colombiana:

Encerrando Ciclos, de Gloria Hurtado

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

TEXTO ORIGINAL

(1) Cerrando círculos ou ‘Cerrando ciclos’ (Fechando círculos e Fechando ciclos)

O cerrando puertas. O cerrando capítulos. Como quieras llamarlo.
Lo importante es poder cerrarlos. Lo importante es poder dejar ir momentos de la vida que se van clausurando. ¿Terminó tu trabajo? ¿Se acabó la relación? ¿Ya no vives más en esa casa? ¿La amistad se acabó? Puedes pasar mucho tiempo de tu presente “revolcándote” en los porqués, en devolver el cassette y tratar de entender por qué sucedió tal o cuál hecho.

El desgaste va a ser infinito porque en la vida, tú, tus amigos, tus hijos, tus hermanas, todos y todas estamos abocados a ir cerrando capítulos. A pasar la hoja. A terminar con etapas o con momentos de la vida y seguir para adelante. No podemos estar en el presente añorando el pasado. Ni siquiera preguntándonos por qué. Lo que sucedió, hecho está. Y hay que soltar, hay que desprenderse. No podemos ser niños eternos, ni adolescentes tardíos, ni empleados de empresas inexistentes, ni tener vínculos con quien no quiere estar vinculado a nosotros. ¡No, los hechos pasan y hay que dejarlos ir!

Por eso a veces es tan importante romper fotos, quemar cartas, destruir recuerdos, cambiar de casa. Los cambios externos pueden simbolizar procesos interiores de superación. Dejar ir, soltar, desprenderse. En la vida nadie juega con las cartas marcadas y hay que aprender a perder y a ganar.

Hay que dejar ir, hay que pasar la hoja, hay que vivir solo lo que tenemos en el presente. El pasado ya pasó. No esperes que te devuelvan, no esperes que te reconozcan, no esperes que alguna vez se den cuenta de “quien eres”. No!, suelta. Con el resentimiento, al ver “tu pelicula” personal para darte y darle al asunto, lo único que consigues es dañarte mentalmente, envenenarte, amargarte. La vida esta para adelante, nunca para atrás. Porque si andas por la vida dejando “puertas abiertas”, por si acaso, nunca podrás desprenderte ni vivir lo de hoy con satisfacción. Noviazgos o amistades que no clausuran, posibilidades de “regresar” (¿a qué?), necesidad de aclaraciones, palabras que no se dijeron, silencios que lo invadieron. ¡Si puedes enfrentarlos ya y ahora, hazlo! Si no, déjalo ir, cierra capítulos. Convéncete, que no vuelve.

Pero no por orgullo ni por soberbia sino porque tú ya no encajas allí: en ese lugar, en ese corazón, en esa habitación, en esa casa, en ese escritorio, en ese oficio, ya no eres el mismo que se fue, hace dos días, hace tres meses, hace un año, por lo tanto, no hay nada a qué volver. Es salud mental, amor por tí mismo desprende lo que ya no esta en tu vida..

Recuerda que nada ni nadie es indispensable. Ni una persona, ni un lugar, ni un trabajo, porque cuando llegaste a este mundo lo hiciste sin ese adhesivo, por lo tanto es costumbre vivir pegado a él y es un trabajo personal aprender a vivir sin él, hoy te duele dejar ir. Solo es costumbre, apego, necesidad. Pero, cierra, clausura, limpia, tira, oxigena, despréndete, sacude, suelta.

Hay tantas palabras para significar salud mental y cualquiera que sea la que escojas, te ayudará definitivamente a seguir para adelante con tranquilidad.

¡Ésa es la vida!

– Gloria Hurtado* “Cerrando Ciclos | (fechando círculos)” na sua coluna “Revolturas”. in: El Pais, de Cali,  21.1.2003. * Psicóloga e colunista colombiana no El País.

(2) PAULO COELHO E A CRÔNICA QUE NÃO É DELE
PAULO COELHO publicou no ‘Jornal O Globo’, em 22.8.2004, a crônica “Encerrando um ciclo”. Crônica que não é de sua autoria como foi provado. Ele fez a tradução e adaptou o texto de Gloria Hurtado. Veja algumas matérias que esclarecem os fatos:
PADILHA, Ivan. Alquimia literária: O mago Paulo Coelho é acusado de “transmutar” texto originalmente escrito por colombiana. in: Revista Época, 2005. Disponível no link. (acessado em 23.7.2018).
SIMÕES, Eduardo. “A fama não dá direito ao plágio”, diz colombiana. in: Folha de S. Paulo, Ilustrada, 14 de junho de 2005. Disponível no link. (acessado em 23.7.2018).
PRESSE, France. Colunista colombiana acusa Paulo Coelho de plágio. in: Folha de S. Paulo/ Ilustrada, 13.6.2005. Disponível no link. (acessado em 23.7.2018)
EFE/Bogotá. Una columnista colombiana denuncia a Paulo Coelho por plagio. in: Diario de Leon, 14.6.2005. Disponível no link. (acessado em 23.7.2018)

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