Com Pedro Luís e Pedro Morais, a cantora e compositora mineira, Elisa de Sena lança segundo álbum. Em Orgânica artista faz um chamado à ancestralidade e à natureza
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“Canto mais forte e abro o meu peito negro, nessa Angola deixada nas Minas Gerais. É viola, é batuque, é folia, é reisado e o povo desse Brasil tem mil Áfricas mais”, canta Elisa de Sena em “Cafuzo”, música que abre o seu segundo disco solo “Orgânica”. A escolha é muito feliz, porque mostra logo de cara a que veio o novo álbum, focado na ancestralidade, na música mineira e em ritmos de origem negra e indígena como o forró, o samba e o maracatu.
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Com dez canções e uma vinheta, o disco nasceu como o próprio nome do álbum revela, buscando o som da percussão e cordas como protagonistas e produzido da forma mais natural possível, trazendo timbres que remetem à sonoridade da terra, como coro, sementes e água. “Orgânica” tem produção musical de Nath Rodrigues e Felipe Pizzutiello.
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“Este disco propõe um retorno às raízes. Entender que ser parte é ser o todo e que na união das diferenças algo maior pode nascer. Eu coloco dois produtores excelentes e diferentes um do outro e que se complementam nesse trabalho. Participações diversas para que a identidade de cada um apareça e some nesse trabalho que é meu solo mas que é também coletivo” comenta Elisa.
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Entre os artistas convidados estão o carioca Pedro Luís, em “Avenca” (Elisa de Sena) que faz uma brincadeira entre o Rio de Janeiro e as Minas Gerais – “Pedro Luís é o único participante do disco que não é mineiro, ele é carioca e tem todo o suingue do Rio no seu jeito de cantar. Essa música é uma brincadeira com as palavras, falando das águas e citando o Rio e o Mar, sendo que o rio está em Minas e no Rio está o mar. Cantar junto com Pedro Luís é sutilmente brincar também com a mistura de rio e mar, de Minas e Rio”, explica a artista.

Pedro Morais aparece na versão de “Cheiro Mineiro de Flor”, de & Guarabyra, um clássico da música brasileira e porque não, mineira? A canção do duo carioca ganha triângulo marcante e dançante e vira um forró.
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“Eu ficava cantarolando essa música, pensando na beleza do cenário que ela desenha na sua letra, e no ritmo presente nela que, mesmo tendo sido composta por um carioca e um baiano, é tão mineira! Fiquei com vontade de fazer uma versão propositalmente mineira dela, por isso o convite para o Pedro Morais cantar junto comigo. Na criação do arranjo, enviei várias referências pro Felipe Pizzutiello e ele gostou demais dos ‘Tambores de Minas’ uma música do Milton Nascimento que tem um groove de tambores criado pelo Lincon Sheib especialmente pro Milton. Eu amei a ideia e o groove encaixou bonito na versão. Dá pra perceber com mais presença no final da música”, revela Elisa.
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E como um disco é de uma artista mineira que faz uma bela homenagem ao seu estado natal, não poderia faltar uma versão de “Amor de Índio” de Ronaldo Bastos e Beto Guedes, do homônimo álbum lançado em 1978, ambos artistas que faziam parte do movimento Clube da Esquina. O nome da música é a forma carinhosa que Milton Nascimento se referia ao casal Beto Guedes e Silvana.

“Esse é um clássico da música mineira, brasileira e mundial. Eu sou fã do clube da esquina, mas nunca antes pensei em gravar essa canção deles, nem coragem eu tinha! Acontece que durante o processo de pré-produção do disco, um dia ouvi a versão original dela na rádio e junto me veio um sopro de que eu deveria gravá-la. Não sabia bem o porquê, mas concordei que ela dialoga com a narrativa do disco e segui o chamado. Tudo fluiu de forma natural, a Nath Rodrigues fez um arranjo belíssimo e original, os autores (Beto Guedes e Ronaldo Bastos) aprovaram a gravação dela e quando ela ficou pronta entendi que ela seria o single (música de trabalho) do disco. A forma como ela tem tocado algumas pessoas é algo que eu não planejei… Junto dela nasceu uma capa e um vídeo que também refletem que “tudo que move é sagrado”.
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Além de Pedro Luís e Pedro Morais, o disco também conta com as participações de Nego Moura em “Água de talha”, Manu Ranilla em “As contas”, Alysson em “O que é fé” e Luísa Nascimento em “Jurema”. Entre as inspirações e influências a artista também cita grandes nomes da música: “a profundidade de Mateus Aleluia, a leveza de Rosa Passos, a força de Déa Trancoso, o minimalismo de Tom Zé, a força ancestral do presente no trabalho dos meus mestres mineiros Tizumba e Sérgio Pererê e das minhas parceiras contemporâneas do Coletivo Negras Autoras”.

Orgânica” é então mais do que um álbum, mas um chamado à ancestralidade e ao retorno às raízes naturais. Faz um contraponto com o álbum de estreia de Elisa de Sena, “Cura”, que saiu em 2019 em parceria com o selo Natura Musical. Elisa de Sena tem colaborações com artistas diversos como Luedji Luna, Aline Calixto, Maíra Baldia, Roger Deff, dentre outros, segue acreditando na potência que nasce dos encontros.

Capa do Disco ‘Orgânica’ • Elisa de Sena • Selo Independente / dist. ONErpm • 2025

Disco ‘Orgânica’ • Elisa de Sena • Selo Independente / dist. ONErpm • 2025
Canções/compositores
1. Cafuzo (Sérgio Moreira)
2. Água de talha (Allison Paulo Vieira / “Nego Moura”)
3. Cheiro mineiro de flor (Sá e Guarabyra)
4. Coração de marujo (Sergio Pererê)
5. Avenca (Elisa de Sena)
6. Acauã moço pássaro (Elisa de Sena)
7. Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos)
8. As contas (Elisa de Sena e Manu Ranilla)
9. O que é fé (Elisa de Sena e Allison Paulo Vieira)
10. Jurema do mar (Elisa de Sena e Luísa Nascimento)
– ficha técnica –
Faixa 1 – Elisa de Sena – voz e tambor; Debora Costa – percussões; Nath Rodrigues – berimbau; Felipe Pizzutiello – produção musical e baixo | Faixa 2 – Elisa de Sena – voz; Nego Moura – voz; Debora Costa – percussões; Nath Rodrigues – produção musical, violino e coros | Faixa 3 – Elisa de Sena – voz, tambor e patangome; Pedro Morais – voz; Debora Costa – percussões; Bia Nascimento – violão; Felipe Pizzutiello – produção musical e baixo | Faixa 4 – Elisa de Sena – Voz e tambor; Debora Costa – percussões; Nath Rodrigues –produção musical e violino | Faixa 5 – Elisa de Sena – Voz, tambor e patangome; Pedro Luís – voz; Debora Costa – percussões; Bia Nascimento – violão; Felipe Pizzutiello – produção musical e baixo | Faixa 6 – Elisa de Sena – voz; Bia Nascimento – violão e cavaco; Debora Costa – percussões; Felipe Pizzutiello – produção musical e baixo | Faixa 7 – Elisa de Sena – voz; Nath Rodrigues – produção musical, violino, tambor e coros | Faixa 8 – Elisa de Sena – voz; Manu Ranilla – voz; Debora Costa – percussões; Nath Rodrigues –produção musical, bandolim e violino | Faixa 9 – Elisa de Sena – voz, tambor e patangome; Alysson – voz; Debora Costa – percussões; Bia Nascimento – violão; Felipe Pizzutiello – produção musical e baixo | Faixa 10 – Elisa de Sena – voz e tambor; Luisa Nascimento – voz; Nath Rodrigues – produção musical, violino, bandolim e coros | Instrumentistas convidadas: Débora Costa e Bia Nascimento | Participações especiais: Pedro Luís e Pedro Morais | Concepção artística e direção: Elisa de Sena | Produção musical: Felipe Pizzutiello e Nath Rodrigues | Estúdios de gravação: Felipe Larrosa Frigideira (RJ), Marcelinho Guerra – Stereoutono (BH), e Thom Bonatto (SP) | Mixagem e masterização: Marcelinho Guerra / Stereoutono | Assistente: Raul Costa Netto | Gestão de projeto: Elisa de Sena | Gestão executiva e financeira: Mari Bertelli | Assistente de produção e cobertura audiovisual: Dayane Silvestre (BH), Jhessy Vilas (SP) Julia Feitosa (RJ) | Captação e edição dos vídeos: Pamela Bernardo | Fotógrafa: Mirella Persichini | Figurinista: Anderson Ferreira | Design: Alexandre de Sena | Assessoria de imprensa: Alessandra Braz / Favorite Assessoria | Selo: Independente | Distribuição digital: ONErpm | Formato: CD digital e físico | Ano: 2025 | Lançamento: 7 de novembro | ♪Ouça o álbum: clique aqui | ♩Assista o clipe: clique aqui.

Elisa de Sena – foto: Mirella Persichini

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> Siga: @elisadesena

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Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske

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