Álbum ‘Rasif’ | Amaro Freitas (Far Out Recordings/2018)

No escaldante estado de Pernambuco, no nordeste brasileiro, fica a cidade litorânea de Recife, onde Amaro Freitas é pioneiro no novo som do jazz brasileiro. Para o jovem pianista prodigioso, o espírito de sua cidade natal é profundo. Do maracatu afro-brasileiro nascido nas plantações de açúcar da escravidão aos ritmos carnavalescos de alta intensidade do frevo e do baião, a abordagem fortemente percussiva de Amaro ao jazz é tão devedora dessas tradições pernambucanas quanto de Coltrane, Parker e Monk.
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Como muitos dos grandes nomes antes dele, Amaro começou a tocar piano na igreja aos 12 anos, sob a instrução de seu pai, líder da banda da igreja. À medida que seus talentos naturais se tornaram evidentes, o jovem prodígio rapidamente superou a instrução de seu pai. Ele conquistou uma vaga no prestigiado Conservatório Pernambucano de Música, mas teve que abandonar o curso porque sua família não tinha dinheiro para a passagem de ônibus. Implacável, Amaro se apresentou em bandas em casamentos e trabalhou em um call center para financiar sua mensalidade. O momento transformador veio aos 15 anos, quando Amaro se deparou com um DVD do show do Chick Corea: “Ele me surpreendeu completamente, eu nunca tinha visto nada parecido, mas sabia que era isso que eu queria fazer com um piano”.

Apesar de não ter um piano, Amaro se dedicou aos estudos dia e noite — ele praticava em teclas imaginárias em seu quarto, até finalmente fechar um acordo com um restaurante local para praticar antes do horário de funcionamento. Aos 22 anos, Amaro era um dos músicos mais requisitados do Recife e pianista residente do lendário bar de jazz Mingus. Foi nessa época que ele conheceu e começou a colaborar com o baixista Jean Elton, e a dupla saiu em busca de um baterista. “A gente ouvia falar desse garoto maluco que tocava em 7/8 ou 6/4, sabíamos que tínhamos que conhecê-lo”. Hugo Medeiros se juntou a nós, e o Amaro Freitas Trio nasceu. “Quero mostrar a simplicidade da música, quebrar o estigma de que o piano é para uma classe social específica. Sim, é um instrumento difícil, ao qual muitas pessoas não têm acesso, mas com ele você pode expressar tudo.” Após seu álbum de estreia aclamado pela crítica, Sangue Negro, o título de seu segundo lançamento, Rasif, é uma grafia coloquial da cidade natal de Amaro. Uma carta de amor ao seu nordeste natal, Amaro explora seus ritmos tradicionais através da linguagem do jazz, empregando padrões matemáticos complexos que lembram algumas das obras mais desafiadoras de mestres brasileiros como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Moacir Santos.

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Capa do Disco ‘Rasif’ • Amaro Freitas • Selo Far Out Recordings • 2018

Disco ‘Rasif’ • Amaro Freitas • Selo Far Out Recordings • 2018
Músicas / compositor
1. Dona Eni (Amaro Freitas)
2. Bandas (Amaro Freitas)
3. Paço (Amaro Freitas)
4. Rasif (Amaro Freitas)
5. Mantra (Amaro Freitas)
6. Aurora (Amaro Freitas)
7. Vitrais (Amaro Freitas)
8. Plenilúnio (Amaro Freitas)
9. Afrocatu (Amaro Freitas)
– ficha técnica –
Amaro Freitas (piano) | Jean Elton (contrabaixo) | Hugo Medeiros (bateria) | Participação especial: Henrique Albino – sax barítono | Produção musical e arranjos: Amaro Freitas | Gravado por Bruno Giorgi, no Estúdio Carranca – Recife/PE | Mixado e masterizado por Bruno Giorgi, no Estúdio O Quarto – Rio de Janeiro/RJ | Foto: Helder Tavares | Figurino: Carol Silveira | Produção executiva: Laercio Costa / 78 Rotações Produções | Selo: Far Out Recordings (UK) | Cat.: FARO205CD / FARO205LP | Ano: 2018 | Lançamento: 19 outubro | ♪Ouça o álbum: spotify / deezer / apple music / bandcamp / youtube || Reedição 2020 – LP vinil, 180gr – C/ Pôster – Capa VG+ – Disco VG+/NM | Selo: Três Selos  | Cat.: TS-022 | Produção executiva: Laercio Costa, Rafael Cortes, João Noronha e Frederic Thiphagne | Masterização para vinil: Arthur Joly | Foto: Helder Tavares | Design e produção gráfica: Frederic Thiphagne | Identidade Três Selos: Bloco Gráfico | Rasif é licenciado pela 78 Rotações Produções

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Hugo Medeiros (bateria), Amaro Freitas e Jean Elton (contrabaixo) – foto Helder Tavares

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Série: Discografia da Música Brasileira / Memória da Música brasileira / Música Instrumental / Jazz / Álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


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