“Um dos maiores saxofonistas tenor de todos os tempos, Stan Getz tinha um dos tons mais bonitos da história do jazz. Conhecido como O Som, seu nome figura entre os grandes improvisadores por seu som e vocabulário únicos! Apesar de ser mais conhecido no Brasil por sua parceria de sucesso com João Gilberto — que levou a bossa nova para o mundo — o jazz era a sua verdadeira casa.”

Stanley Gayetsky, mais conhecido como Stan Getz, nasceu em 2 de fevereiro de 1927, na cidade da Filadélfia, Pensilvânia. Durante a Grande Depressão, sua família muda-se para o Bronx em busca de oportunidades de trabalho. Desde cedo, o jovem Getz demonstrava aptidão para a música e, aos 6 anos, tocava gaita ouvindo as canções que passavam no rádio. Aos 13 anos, ganha do pai seu primeiro saxofone e clarinete. De instrumento na mão, não demorou muito para que ingressasse na All City High School Orchestra, na cidade de Nova York. Aos 16 anos, Getz abandona a escola e junta-se à banda do trombonista Jack Teagarden e passa a dedicar-se ao jazz, tocando profissionalmente.

Os anos seguintes foram de muitas parcerias de sucesso na carreira, trabalhando com nomes como o pianista Stan Kenton e os clarinetistas Jimmy Dorsey e Benny Goodman. O saxofonista alcançou o sucesso ao tornar-se líder do grupo Woody Herman’s Second Herd, em que ficou de 1947 a 1949. Após sua saída, Getz passa alguns anos na Europa, envolvido em shows e trabalhando com outros grupos musicais. Quando retorna aos Estados Unidos, nos 1960, ele entra em contato com a Bossa Nova, que nascia no Brasil e começava a alcançar ouvintes pelo mundo. Getz envolve-se com o movimento musical, sendo um dos principais responsáveis pela popularização do estilo nos Estados Unidos, após lançar o premiado e polêmico álbum Getz/Gilberto (1964), em parceria com o músico brasileiro João Gilberto. Este álbum fez de Stan Getz o músico de jazz mais bem pago da história — o que lhe proporcionou morar em uma mansão em um bairro nobre de Nova York —, mas também lhe meteu em confusão, já que acabou tornando-se amante da esposa de João Gilberto, a cantora Astrud Gilberto. Depois da confusão, o músico decide voltar exclusivamente para o jazz, no qual trabalha ativamente até o final de sua vida.

Stan Getz sofreu, desde os 17 anos, com o vício em drogas e o alcoolismo, conseguindo se recuperar somente aos 60 anos. Desde os anos 1980 também enfrentava uma série de problemas de saúde que levaram o músico a falecer em 6 de junho de 1991, aos 64 anos.

A OBRA DE STAN GETZ

Stan Getz gravou mais de 150 álbuns ao longo de sua carreira e muitos deles são considerados clássicos do jazz (discos solo e/ou em parceria): Stan Getz Plays (1955), Focus (1961), Jazz Samba (1962) — responsável por levar a bossa nova para os ouvidos dos estadunidenses, e o celebradíssimo Getz/Gilberto (1964), ganhador de Grammy cujo single Girl from Ipanema conquistou as rádios pop e virou fenômeno mundial! Também não podem ficar de fora desta lista: Big Band Bossa Nova (1962), Sweet Rain (1967), Change of Scenes (1971), Captain Marvel (1974) e seu último álbum, People Time (1992).

Influenciado por Lester Young, a lenda do saxofone tenor, Stan Getz nunca parou de inovar com seus solos que mesclavam a dureza do jazz com um romantismo exuberante. Embora preferisse tocar baladas e melodias de ritmo médio, era igualmente talentoso quando precisava de performances mais turbulentas.

A partir dos anos 1950, ele deixou a influência de Young de lado e foi buscar sua própria identidade, ficando conhecido como um dos jazzistas mais populares de sua época. Trabalhou com grandes nomes da música, como o pianista Horace Silver, os guitarristas Jimmy Raney e Johnny Smith, o trombonista Bob Brookmeyer e o arranjador Eddie Sauter. Ao lado do guitarrista Charlie Byrd, gravou o hit Desafinado, e os dois abriram caminho para a bossa nova brasileira conquistar os corações norte-americanos. Mas sua parceria de maior êxito foi com o brasileiro João Gilberto, com quem gravou um álbum com participação de Tom Jobim! Getz/Gilberto foi seu álbum mais vendido, graças ao sucesso Girl from Ipanema.

Depois de seu sucesso estrondoso com a bossa nova, Getz volta para o jazz. Seu grupo regular nesta época era um quarteto sem piano com o vibrafonista Gary Burton. Também gravou com importantes músicos, como o organista Eddie Louiss e os pianistas Bill Evans, Chick Corea e Jimmy Rowles, provando que não tinha medo de mudar e se arriscar com experimentações. Seu último álbum, lançado apenas alguns meses antes de sua morte, é um dueto brilhante com o pianista Kenny Barron. Em 2019, foi lançado o álbum Getz at the Gate, uma gravação inédita de 1961.

PREMIAÇÕES
Grammy
Das 17 indicações, levou 5 prêmios para casa! São eles:
1961 | Música “Desafinado” | Melhor Performance Instrumental de Jazz, Individual ou Grupo
1964 | Álbum “Getz/Gilberto” | Melhor Performance Instrumental de Jazz, Individual ou Grupo
1964 | Álbum “Getz/Gilberto” | Álbum do Ano
1964 | Música “Girl from Ipanema” | Música do Ano
1991 | Música “Remember You” | Melhor Performance Instrumental de Jazz, Solo

Billboard
TOP 15 por Desafinado, em novembro de 1962.
TOP 5 por Girl from Ipanema, em julho de 1964.

Stan Getz, Banana, Jobim, Creed, João Gilberto e Astrud Gilberto, em Nova York (1964) – foto/fonte: álbum Getz/Gilberto)

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Ouça aqui “Getz/Gilberto – Stan Getz & João Gilberto”

Stan Getz and the Oscar Peterson Trio

 

*Com informações do Instituto Ling, e colaboração de André de Paula Eduardo

>> Escute Stan Getz no Spotify ou YouTube Music.

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