Solo inédito com Marcelo Olinto, ‘A Construção’ faz curta temporada na Sede da Cia. dos Atores

Com direção de Beto Brown, peça é uma adaptação feita pelo dramaturgo Pedro Emanuel da obra homônima de Franz Kafka
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Escrita por Franz Kafka (1883-1924) seis meses antes de sua morte e publicada postumamente em 1931, a novela inacabada “A Construção” ganha uma montagem teatral com o ator Marcelo Olinto. Com direção de Beto Brown, adaptação de Pedro Emanuel (vencedor do Shell de melhor dramaturgia por “Língua”) e realização de Flávia Portela, do Estúdio F, a peça faz uma curta temporada entre 7 e 16 de novembro, às 20h, dentro da programação do projeto Sede Viva, na Sede da Cia. dos Atores, na Lapa. O espetáculo estreou em outubro no Sesc Copacabana.
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Em cena, o narrador-protagonista interpretado por Marcelo Olinto é um animal mamífero, um texugo que se dedica obsessivamente à criação e manutenção de sua toca subterrânea, um refúgio seguro criado para sua proteção. Cercado por uma atmosfera claustrofóbica, o personagem oscila entre o orgulho de seu trabalho e o medo paranoico de ter a sua toca invadida por inimigos, sejam reais ou imaginários. Ao encenar a história desse animal envolvido na construção de sua moradia-fortaleza, a obra aborda metaforicamente os sentimentos que acompanham o ser humano durante toda a sua vida: a necessidade de um teto e o medo da morte.

A narrativa suscita reflexões sobre a luta pela sobrevivência em um ambiente hostil. Quando Kafka escreveu a obra, na primeira metade da década de 1920, a Europa assistia à ascensão do fascismo. Hoje, um século depois, o mundo assiste, perplexo, à repetição da história não somente no continente europeu, mas também em países da América do Sul, da Ásia e da África.
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Idealizador do projeto, Marcelo Olinto alimenta há anos a vontade levar essa obra de Kafka para o teatro. “Sempre me chamou atenção o fato de esse texto ser uma crítica à burguesia, desse lugar da pessoa nunca querer partilhar e dividir, desse lugar da loucura da pessoa autocentrada”, conta Olinto. Diretor da peça, Beto Brown volta ao universo kafkiano depois de dirigir e adaptar outra obra do autor checo, “Macaco — Relatório a uma academia”. “Esse burguês da peça é egoísta ao máximo, mas não diria que é um ser infeliz porque ele ama a propriedade dele”, diz Brown.

Criado por Olinto em parceria com o estilista Almir França, o figurino é um terno preto com textura que remete a um animal. A equipe de criação conta ainda com a direção de movimento da coreógrafa Lavínia Bizzotto, cenário de Teca Fichinski, trilha sonora original de Mario Olinto e iluminação de Adriana Ortiz, premiada este ano com o Shell de melhor iluminação por “Um Filme Argentino.
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Iniciado em março, o projeto Sede Viva reúne espetáculos, leituras e festas, com curadoria do ator e diretor Cesar Augusto. O projeto Sede Viva foi contemplado pelo edital Pró-Carioca, programa de fomento à cultura carioca, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura.

Marcelo Olinto – Com 43 anos de carreira, é ator figurinista e produtor. É membro fundador da Cia. dos Atores, grupo com o qual já realizou inúmeros espetáculos como “Rua Cordelier”, “Tempo e morte de Jean Paul Marat”, “A Bao A Qu”, “Um lance de dados”, “A morta”, “Melodrama”, “O enfermeiro”, “Cobaias de Satã”, “O rei da vela”, “Notícias Cariocas”, “Insetos”, “Ensaio.HAMLET”, “Bait Man”, “Conselho de Classe”, entre outros.
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Já trabalhou com diretores premiados como Aderbal Freire Filho, Enrique Diaz, Gerald Thomas, Gilberto Gawronski, João Saldanha, Nehle Franke, Rodrigo Portella e Rubens Corrêa. Com mais de 40 peças no currículo atuou nos sucessos “O Bem-Amado”, com Marco Nanini, e “Conselho de Classe”, que lhe rendeu o prêmio APTR de melhor ator. Encenou obras de autores brasileiros como Filipe Miguez, Jô Bilac, Nelson Rodrigues (Suzana Flag) e Oswald de Andrade.
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Como figurinista, já recebeu seis prêmios, entre eles Shell RJ, Shell SP, APCA, Mambembe RJ e Cultura Inglesa. Assinou os figurinos do show “Universo Particular”, de Marisa Monte. Suas últimas criações: “Virgínia”, de Claudia Abreu; “A Falecida”, de Nelson Rodrigues; “Julius Caesar, Vidas paralelas”, de Gustavo Gasparani; e “Os Mambembes”, de Artur Azevedo.

Beto Brown – Começou a carreira em 1983 no Marxmellow como ator e figurinista de “Os Banhos”, de Maiakovsky; “Jogos de Guerra”, de Fernando Arrabal e Bertolt Brecht; Folias do Coração”, de Geraldo Carneiro. Dirigiu os infantis: “Morangos e Lunetas”, com Patrícia Pillar, coautoria com Denise Crispun (indicado ao Prêmio Mambembe diretor-revelação, 1985); “Pedro e o Lobo” (indicado ao Prêmio Mambembe melhor diretor), com Luiz Salem e Jonas Torres, 1986; “Tem Areia no Maiô” com As Marias da Graça, desde 1992, e ainda em rodando pelo Brasil; “O Lobo sem Chapéu”, de Denise Crispun; Palhaço Dudu e O Esquecimento Global”, “O Mundo Encantado de Buarque de Hollanda”, de Anna Markun.
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No teatro adulto, Beto dirigiu “Zee”, de Fernando Pessoa, “O Grelo Falante em Conversa Privada”, com Claudia Ventura e Lucilia de Assis; “Amor Perfeito”, de Denise Crispun, com Rosane Gofman. Depois da pandemia, fez a adaptação e direção de “Macaco – Relatório a uma academia”, de Franz Kafka, com Eduardo Andrade no Rio; e sua versão uruguaia – “Mono – Informe a la academia”, em Montevidéu, com o ator Marcos Valls. Escreveu o texto de “O Prazer é Todo Nosso”, com Juliana Martins e direção de Bel Kutner.

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Marcelo Olinto no solo ‘A Construção’ – foto: Nil Caniné

Ficha Técnica
Texto: Franz Kafka | Adaptação dramatúrgica: Pedro Emanuel | Direção: Beto Brown | Atuação: Marcelo Olinto | Direção de movimento e preparação corporal: Lavinia Bizzotto | Cenário: Teca Fichinski | Figurino: Almir França e Marcelo Olinto | Iluminação: Adriana Ortiz | Composição “A Construção – Suite Sinfônica”: Mario Olinto | Ateliê de costura: Empório Almir França | Estúdio: Mega | Produção executiva: Flávia Portela (Estúdio F) | Assessoria de imprensa: Catharina Rocha e Paula Catunda | Fotografia: Nil Caniné | Mídias sociais: Rafael Teixeira | Design gráfico: Maria Cristina dos Santos | Intérprete em Libras: Davi Vasconcelos | Audiodescrição: Locução – Sérgio Nostra / Estúdio – Heleno Hauer |Filmagem e edição de vídeo: Bruna Baitelli | Produção: Beto Brown, Flávia Portela (Estúdio F), Marcelo Olinto e Sérgio Nostra | Realização: Estúdio F | Idealização: Marcelo Olinto

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Marcelo Olinto no solo ‘A Construção’ – foto: Nil Caniné

SERVIÇO
Espetáculo: “A Construção”
Temporada: de 7 a 16 de novembro de 2025
Dias e horários: sexta a domingo, às 20h
Local: Local: Sede da Cia dos Atores
(Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón, Lapa)
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira) no site da Sympla ou na bilheteria do teatro uma hora antes do início da sessão
Classificação: 14 anos.
Duração: 55 min.
Mais informações: @aconstrucao.teatro

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Marcelo Olinto no solo ‘A Construção’ – foto: Nil Caniné
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Marcelo Olinto no solo ‘A Construção’ – foto: Nil Caniné

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