Rafael Rocha e Rodrigo Campello - lançam single "Construção", canção de Chico Buarque
Luna Music apresenta releitura de Chico Buarque, novo single de Rodrigo Campello e Rafael Rocha, “Construção” chega aos aplicativos de música
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Rodrigo Campello e Rafael Rocha lançam o single “Construção”, releitura contemporânea da obra fundamental de Chico Buarque, pelo selo Luna Music. O trabalho se insere no percurso recente do selo, que vem ampliando seus espaços de criação, imaginação e diálogo com a música brasileira, após o lançamento de dois EPs.
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Em 1971 nasce “Construção”, de Chico Buarque, já como uma obra de arquitetura sonora precisa, onde cada sílaba, cada nota e cada silêncio existem por intenção: melodia, ritmo e palavra, um corpo em trabalho contínuo. Cálculo exato. A música encena o trabalho repetitivo, fazendo-o acontecer no tempo. Nesta obra, significado e significante atuam juntos.
Essa arquitetura encontra no arranjo de Rogério Duprat sua forma expandida. Cordas, sopros e massas sonoras reforçam a continuidade, criam um chão sonoro que não para. Entre tensões sutis, choques, vertigens, respirações suspensas, medo e queda. Queda que, quando acontece, nada se interrompe. Nem a música.
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Mais de cinquenta anos depois, a obra atravessa o encantamento do tempo e renasce em outro tronco, moldada por Rodrigo Campello e Rafael Rocha, que trabalham essa alquimia com escuta e respeito. No lançamento da nova versão a sonoridade muda, mas a intenção permanece.
A arquitetura é repensada a quatro mãos: Rodrigo, craque das cordas, desenha linhas, tensões e sequências. Rafael, intérprete afirmativo, sustenta a forma. Juntos, constroem uma música de frente eletrônica, mantendo corrente, impulso e repetição como força inerente ao espírito da música. A obra continua a habitar circuitos e camadas de eternidade.
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Terceiro lançamento do Luna Music, selo comandado por Jana Linhares e Rodrigo Campello, o single reafirma uma curadoria voltada a obras de sonoridade rara, trabalhos que resistem ao tempo sem abrir mão de rigor, densidade e invenção.
— Tulio Feliciano (Verão de 2026)
Single ‘Construção’ • Rodrigo Campello e Rafael Rocha • Selo Luna Music • 2026
Canção /compositor
1. Construção, de Chico Buarque
– ficha técnica –
Rafael Rocha: voz, vocal, arranjo, Electribe, Handsonic, MPC, agogôs, pandeirola, tambor | Rodrigo Campello: vocal, arranjo, cavaquinho, bateria eletrônica, sampler, sintetizador | Produção musical: Rafael Rocha & Rodrigo Campello | Gravado e mixado por Rodrigo Campello, no MiniStereo Studio (RJ) | Masterizado por Carlos Freitas, no Classic Master (EUA) | Assessoria de comunicação: SOMAR Comunicação Integrada | Selo: Luna Music | Distribuição digital: Labidad Produções | Formato: Single digital | Ano: 2026 | Lançamento: 21 de janeiro | ♪Ouça o single: clique aqui
Construção | Chico Buarque
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Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
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Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
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Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
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Deus Lhe Pague
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Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
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Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague
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Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague
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> Siga: @rodrigocampello | @janalinharesoficial | @lunamusic.selo | @labidadproducoes
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Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Single.
Publicado por ©Elfi Kürten Fenske
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