SOCIEDADE

Paraíso do Tuiuti mostra a escravidão de ontem e de hoje e brilha na Sapucaí

A escola de samba de São Cristóvão “Paraíso do Tuiuti”, do do carnavalesco Jack Vasconcelos, relembrou o histórico da escravidão no Brasil, a Lei Áurea e chegou até o momento político atual, com críticas à reforma trabalhista e reforma da Previdência, tem presidente vampiro e ala de manifestantes fantoches.

“[…] Meu Deus! Meu Deus!
Seu eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação”

A 4ª escola a cruzar a Sapucaí no primeiro dia de desfile do grupo especial no Rio de Janeiro, a Paraíso do Tuiuti investiu em um tom político, carregado de críticas sociais. Com o enredo, “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, dos compositores Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal, a escola recontou a história da escravidão no Brasil, nos 130 anos da Lei Áurea, propondo uma reflexão sobre a exploração do trabalho humano.

Ao som do refrão “Meu Deus! Meu Deus!, se eu chorar não leve a mal, pela luz do candeeiro, liberte o cativeiro social”, a escola surpreendeu já na comissão de frente, chamada “O Grito da Liberdade”. Os passistas representaram escravos negros amordaçados, com grilhões nos pulsos e corpos ensanguentados de tanto apanhar do senhor do engenho, também negro.

Também não faltou um olhar contemporâneo ao tema, que buscou mostrar a perda de direitos sociais no atual cenário político.

A comissão de frente emocionou, com encenação de escravos sendo açoitados por um capataz, e depois sendo benzidos por pretos velhos.

Outros destaque foram carros alegóricos mostrando carteiras de trabalho gigantes, e um vampiro com a faixa presidencial – o “presidente vampiro” do neoliberalismo.

Mãos manipulando “marionetes” vestindo verde e amarelo também marcaram presença. A ala com fantasias de ‘manifestantes fantoches’ ironizava manifestantes que pediram impeachment.

​”As escolas de samba têm uma função social … Elas representam as pessoas comuns”
– Leo Morais (professor de história), para agência de notícias AFP.

“Não sou escravo de nenhum senhor”: Tuiuti desfila contra retrocesso. – foto: Leo Correa (AP)
Comissão de frente da Paraíso da Tuiuti trouxe o “grito de liberdade: “Não sou escravo de nenhum senhor; Meu Paraíso é meu bastião; Meu Tuiuti o quilombo da favela; É sentinela da libertação”. – foto: Pilar Olivares (Reuters)
Com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, Paraíso da Tuiti do carnavalesco Jack Vasconcelos, trouxe uma ala com manifestantes fantoches. – foto: Mauro Pimentel (AFP)
Paraíso da Tuiti fez crítica contra a precarização do trabalho – foto Leo Correa (AP)
Carteira de trabalho teve lugar de destaque nas alas da Paraíso da Tuiuti – foto: Mauro Pimentel (AFP)
Ala de manifestantes fantoches e o famoso pato na Paraíso da Tuiuti. – foto Leo Correa (AP)

* com informações da revista Carta Capital | e AFP

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