Pablo Picasso - Maya au bateau, 5 febbraio, 1938
por Luciana Leiderfarb – Expresso/pt
A neta do pintor descobriu por acaso os desenhos com que Picasso transmitia os princípios básicos dessa arte à primogénita. São esboços inéditos que fazem parte de uma exposição no Museu Picasso de Paris, até ao fim do ano.
Filho de José Ruiz Blasco, Pablo Picasso aprendeu a desenhar com o pai. Por isso não admira que ensinasse a fazê-lo à sua própria filha, a mais velha de quatro, Maya Widmaier-Picasso, nascida da relação com Marie-Thérèse Walter, que conheceu em 1927, quando ela tinha 17 anos e ele 46. Nada disto acrescenta elementos novos a uma história conhecida. Com uma exceção: recentemente, a neta do pintor encontrou por mero acaso uma coleção inédita de desenhos que o avô fez para ensinar a filha a desenhar.
De imediato, mostrou-os à mãe, hoje com 86 anos, que os reconheceu de imediato. “Ela disse: ‘Claro, estes são os cadernos de desenho de quando eu era pequena.’ Foi um momento muito comovente, não só porque estamos a falar de um dos maiores artistas mas também porque isto torna-o muito humano”, contou Diana Widmaier-Picasso ao “Observer”. Historiadora da arte especializada na obra do avô, ela é uma das curadoras da exposição “Maya Ruiz-Picasso, Daughter of Pablo“, que até 31 de dezembro está aberta ao público no Museu Picasso de Paris. A nova coleção de desenhos faz parte da mostra, assim como os retratos que Picasso fez de Maya ao longo da infância.
Os desenhos agora revelados ilustram a relação do artista com a primogénita, que na altura teria entre cinco e sete anos. São esboços de animais, aves, palhaços, pombas, acrobatas e cavalos, que por vezes a pequena Maya coloria, ou à margem dos quais escrevia a nota “10”. Há também representações do fábula de La Fontaine sobre a raposa e as uvas. “Por vezes, ela faz um desenho e ele outro igual, a fim de lhe mostrar a maneira certa de o fazer. Outras vezes fazem desenhos diferentes, ele desenha um cão ou um chapéu, usando a página toda para focar uma coisa em particular. Ou então reproduz cenas do circo. É muito interessante”, descreve a neta.
Esta recorda igualmente as revelações da mãe sobre o facto de, à época, devido ao eclodir da II Guerra Mundial, haver falta de lápis e de cadernos. “É provavelmente por essa razão que o meu pai escreveu tanto nos meus livros de esboços e pintou com os meus lápis. Ainda tenho memórias ternurentas desses momentos em que nos reuníamos na cozinha para desenharmos juntos. Era o único sítio quente do apartamento”, disse Maya à filha Diana.
No catálogo da exposição, a neta-curadora escreve: “Quem nunca ouviu dizer, acerca de um quadro de Picasso: ‘Uma criança podia tê-lo feito!’ Muitas das revoluções artísticas do século XX foram acolhidas com escárnio, é verdade, mas no caso de Picasso há nesse juízo uma dose de verdade. Como Maya, a primeira filha, relembra, ‘o mistério da vida, e portanto da infância, sempre encheu de interesse o meu pai’.”
fonte: Expresso/pt.
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