Octavio Deluchi, por Drew Bordeaux
Violonista Octávio Deluchi, radicado em Nova Iorque, lança seu 2º álbum pela Kuarup com shows em julho e agosto nas cidades de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Disco Borogodó que traz turnê nacional do jovem músico mineiro com um tributo ao violão brasileiro interpretando clássicos da música brasileira, arranjos inéditos de Chiquinha Gonzaga tem a participação especial de Duo Aduar.
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Em seu mais novo lançamento, o álbum Borogodó, o jovem violonista Octávio Deluchi retorna às próprias raízes para prestar uma homenagem ao violão brasileiro de concerto. Borogodó, palavra que sintetiza charme, balanço, malícia rítmica e espontaneidade, dá nome ao seu segundo álbum, lançado pela produtora e gravadora Kuarup, que marca uma nova etapa em sua trajetória artística. O projeto consolida Deluchi como um músico que compreende o violão não apenas como instrumento solista, mas como um potente veículo de memória, experimentação e afirmação da identidade cultural brasileira. A escolha do repertório estabelece uma verdadeira linha do tempo da música brasileira a partir de um de seus instrumentos mais emblemáticos. Obras de Chiquinha Gonzaga, João Pernambuco, Radamés Gnattali e Marco Pereira dialogam entre si, revelando continuidades e transformações estéticas ao longo de diferentes períodos históricos. Merece destaque a presença de arranjos inéditos de Chiquinha Gonzaga, que resgatam e atualizam o legado da primeira maestra do Brasil, agora reinterpretado sob novas cores tímbricas e expressivas do violão.
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Na interpretação, Deluchi constrói uma síntese refinada entre a escola do violão clássico e uma compreensão profunda do suingue brasileiro, evocando a tradição de mestres como Sérgio e Odair Assad e Raphael Rabello. O Borogodó se manifesta de forma orgânica na articulação do fraseado, na escolha dos timbres e no tratamento rítmico, transformando o violão em um espaço vivo de tensão criativa, onde escrita e improviso implícito, erudito e popular, coexistem em equilíbrio constante. Borogodó reafirma Octávio Deluchi como uma das vozes mais consistentes e promissoras de sua geração na interpretação e reinvenção da música brasileira para o violão de concerto. Ao transitar com naturalidade por diferentes épocas, estéticas e linguagens, o álbum propõe um diálogo sofisticado entre tradição e contemporaneidade, evidenciando não apenas a excelência técnica do violonista, mas também sua maturidade artística como intérprete, arranjador e curador musical, apesar da pouca idade. Natural do interior de Minas Gerais e radicado em Nova York desde 2021, Deluchi é presença constante em programações musicais e culturais nas Américas, ampliando o alcance do violão brasileiro no cenário internacional.
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Radicado nos Estados Unidos, Octávio desenvolve uma carreira multifacetada em Nova Iorque, onde vive desde 2021. Professor no curso de graduação da Stony Brook University (NY/EUA), o violonista realizou aparições em importantes salas de concerto e séries, como o Carnegie Hall, Lincoln Center, Americas Society e Composer’s Now, este último em parceria com Tania León (Pulitzer Prize). Em 2022, realizou a estreia norte-americana do concerto para violão e cordas MadrigAfro, de João Luiz (Yale University), junto à São Paulo Chamber Soloists. Em 2025, retornou ao Carnegie Hall como convidado para celebrar o compositor Leo Brouwer e seu recebimento da medalha Ignacio Cervantes.
Faixa a faixa
Toccata em Ritmo de Samba nº 1 (Radamés Gnattali): ao intitular sua obra Toccata em Ritmo de Samba, Radamés Gnattali antecipa dois de seus pilares fundamentais: o virtuosismo técnico e a riqueza rítmica. Maestro, compositor e arranjador de formação erudita e alma popular, Radamés construiu uma linguagem capaz de integrar a escrita de concerto às matrizes da música brasileira. O título da obra dialoga diretamente com o conceito de Borogodó, ao propor a união entre o universo da música de concerto e a pulsação rítmica do samba por meio do violão. Inspirado pelo virtuosismo de Raphael Rabello e influenciado pela parceria com Sérgio e Odair Assad, Radamés explorou de forma extensiva as possibilidades expressivas do instrumento. Essa construção, que alia formação clássica, espírito de chorão e refinamento composicional, se manifesta plenamente na Toccata em Ritmo de Samba Nº 1 para violão solo. Na interpretação de Octávio Deluchi, a obra ganha uma leitura energética e precisa, marcada por uma fluência instrumental exemplar e clareza rítmica objetiva, evidenciando o caráter virtuosístico e a vitalidade da escrita de Gnattali.
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Serenata (Chiquinha Gonzaga, Arr. Octávio Deluchi): em Serenata, Chiquinha Gonzaga transforma o espírito, as inquietações e a filosofia da vida seresteira e rural em melodias de caráter melancólico e profundamente lírico. A obra integra a burleta A Sertaneja, de Viriato Correia, e foi originalmente escrita para canto e piano em 1915. Desde a introdução, o acompanhamento simula o dedilhar de um violão, enquanto a melodia se desenvolve como um lamento dirigido à lua, em tom de súplica e contemplação. A temática e a estrutura poética dialogam diretamente com Luar do Sertão, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, contemporâneos de Chiquinha. Em sua versão para violão solo, a introdução surge como um desdobramento natural da própria escrita da obra, revelando o instrumento implícito em sua concepção original. O lirismo se acomoda de forma orgânica às seis cordas, com delicadeza, sutileza e um charme que reforça o caráter intimista da composição.
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Corta-Jaca (Chiquinha Gonzaga, Arr. Octávio Deluchi): quando Chiquinha Gonzaga compôs Gaúcho, popularmente conhecida como Corta-Jaca, já era um nome consagrado na efervescente cena musical do Rio de Janeiro. Com um ritmo contagiante e melodias sinuosas, a obra conquistou grande popularidade e chegou a ser apresentada no Palácio do Catete pela então primeira-dama Nair de Teffé, gesto que causou escândalo entre setores da elite da Primeira República. O episódio entrou para a história como um símbolo de irreverência, modernidade e afirmação da música popular brasileira. Mais de um século depois, Octávio Deluchi, também responsável pelo arranjo, resgata esse episódio emblemático em uma leitura contemporânea de Corta-Jaca. O violão, instrumento central daquela polêmica histórica, reassume o protagonismo em uma interpretação vibrante, tecnicamente refinada e cheia de vitalidade. Com precisão, energia e lirismo, Deluchi faz o instrumento pulsar com o mesmo espírito provocador de Chiquinha, estabelecendo um diálogo vivo entre passado e presente.
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Bate-Coxa (Marco Pereira): rápida, vibrante, rítmica e envolvente, Bate-Coxa é uma das obras mais conhecidas do compositor e violonista Marco Pereira, um dos principais responsáveis pela projeção internacional do violão brasileiro nas últimas décadas. Sua presença em Borogodó é significativa não apenas pela qualidade musical da obra, mas por afirmar que a história do violão brasileiro continua sendo escrita no presente, por compositores vivos e em plena atividade criativa. Embora amplamente executada em salas de concerto ao redor do mundo, Bate-Coxa nem sempre tem suas raízes culturais plenamente exploradas. A obra dialoga com diversos elementos da música brasileira, estabelecendo conexões que vão de Chiquinha Gonzaga a Gilberto Gil. Ao lado da Toccata em Ritmo de Samba nº 1, a escolha de Bate-Coxa é uma homenagem ao violão brasileiro que conquistou o mundo, articulando de forma profunda as tradições populares do país com a escola clássica do instrumento. Sobre Octávio Deluchi, Marco Pereira afirma: “Além de sua técnica refinada e som excepcional, Octávio demonstra uma musicalidade rara. Sua compreensão e resolução de questões rítmicas complexas, frequentes em minhas composições, é algo pouco comum no mundo do violão clássico. Trata-se de um intérprete de talento singular”.
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Luar do Sertão (João Pernambuco / Catulo da Paixão Cearense): a música Luar do Sertão ocupa um lugar emblemático no cancioneiro brasileiro, sintetizando de forma exemplar a fusão entre lirismo poético e identidade interiorana. Composta por João Pernambuco, um dos pioneiros do violão brasileiro, sobre versos de Catulo da Paixão Cearense, a canção se tornou um símbolo da memória afetiva nacional, evocando paisagens, sentimentos e pertencimento por meio de uma melodia singela. Contemporânea de Serenata, a obra dialoga diretamente com o universo estético de Chiquinha Gonzaga e seus pares. Deluchi conta com a parceria de Thobias Jacó e Gabriel Guedez, expandindo a sonoridade das cordas do violão e da viola caipira em um arranjo inédito, assinado pelo Duo Aduar em colaboração com o próprio Deluchi. A interpretação valoriza o espaço, o silêncio e a organicidade do interior de Minas Gerais, local onde o álbum foi gravado. Borogodó se encerra com versos que ecoam o Brasil rural e, ao mesmo tempo, apontam para um violão em constante transformação, vivo, pulsante e cheio de energia, revelado aqui na união entre a viola caipira e o violão de seis cordas.
Disco ‘Borogodó’ • Octávio Deluchi • Selo Kuarup Música • 2026
Canções / compositores
1. Toccata em Ritmo de Samba nº 1 (Radamés Gnattali)
2. Serenata (Chiquinha Gonzaga) | Arranjo: Deluchi
3. Corta-Jaca (Gaúcho). (Chiquinha Gonzaga) | Arranjo: Deluchi
4. Bate-Coxa (Marco Pereira)
5. Luar do Sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense) | feat. Duo Aduar
– ficha técnica –
Octávio Deluchi, violão | Participação Duo Aduar – Gabriel Guedez, violão e voz; Thobias Jacó, viola caipira e voz | Arranjos de Chiquinha Gonzaga por Octávio Deluchi | Arranjos de Luar do Sertão por Duo Aduar & Octávio Deluchi | Engenheiro de Som: Alexandre Andrés | Mixagem e masterização: Alessandro Tavares | Produção: Ricardo Gomes | Edição: Octávio Deluchi | Fotos de Capa: Cecília Queiroz & Lucca Mezzacappa | Arte: Mario Cau | Gravado no Estúdio Macieiras em agosto de 2025 | Assessoria de imprensa: Rodolfo Zanke | Selo: Kuarup Musica | Formato: CD digital | Ano: 2026 | Lançamento: 27 de março | ♪Ouça o álbum: clique aqui
SERVIÇO | BOROGODÓ
Shows – Turnê Nacional
8/7- Curitiba (PR) – BOROGODÓ
Local: UNESPAR Campus de Curitiba II-FAP
Data: 8 de Julho – Quarta-Feira
Horário: – 17h10
Endereço; Rua dos Funcionários, 1357 – Curitiba – Paraná
Ingresso: entrada gratuita
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10/7 – Belo Horizonte (MG) – BOROGODÓ
Local: Palácio das Artes – Sala Juvenal Dias
Data: 10 de Julho – Sexta-Feira
Horário: 19h
Endereço: Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro – Belo Horizonte – Minas Gerais
Ingresso: R$ 40/R$ 20
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25/7 – São Paulo (SP) – BOROGODÓ
Local: VIBRA – Centro Suzuki Vila Mariana
Endereço: Rua Dr. José de Queirós Aranha, 390 – Vila Mariana. Sao Paulo – SP
Data: 25 de Julho – Sábado
Horário: 17h30
Ingresso: R$ 60
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30/7 – Rio de Janeiro (RJ) – Concerto
Local: Século 30 Produções – Concerto com Miguel Braga
Cidade das Artes – Sala Eletroacústica
30 de Julho – Quinta-Feira
Horário: 19h
Ingresso: R$20 à R$40
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5/8 – Rio de Janeiro (RJ) – BOROGODÓ
Local: Espaço Abu
Endereço: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 24 – Copacabana – Rio de Janeiro
Data: 5 de Agosto – Quarta-Feira
Horário: 19h
Ingresso: R$30 à R$60.
Sobre Octávio Deluchi
Natural das montanhas de Minas Gerais, Octávio Deluchi é natural de São João Del Rei e encontrou sua vida artística na cidade de Prados. Artista, músico, violonista clássico e educador, tem no violão de concerto e na música brasileira o eixo central de sua atuação. Formado pela Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), recebeu seu primeiro destaque nacional aos 19 anos como vencedor e laureado nos mais importantes concursos de violão do Brasil, como o Musicalis e o Souza Lima. Em 2019, aos 22 anos, se mudou para os Estados Unidos para realizar seu mestrado pela Radford University, evento que marcou o início de sua carreira internacional. Como intérprete, conquistou mais de 15 prêmios nacionais e internacionais. Entre concertos de destaque estão convites para o Carnegie Hall, Lincoln Center, Americas Society, Radford International Guitar Festival, e Instituto Guimarães Rosa (Santiago do Chile). Suas gravações mais recentes estão sendo lançadas pela histórica gravadora Kuarup (Brasil), e possui edições publicadas pela Les Productions d’Oz (Canadá), Guitar Chamber Music Press (Estados Unidos) e Acervo Digital do Violão Brasileiro (Brasil). Radicado nos Estados Unidos, Octávio desenvolve uma carreira multifacetada em Nova Iorque, onde vive desde 2021. Professor no curso de graduação da Stony Brook University (NY/EUA), Octávio realizou aparições em importantes salas de concerto e séries, como o Carnegie Hall, Lincoln Center, Americas Society e Composer’s Now, este último em parceria com Tania León (Pulitzer Prize). Em 2022, realizou a estreia norte-americana do concerto para violão e cordas MadrigAfro, de João Luiz (Yale University), junto à São Paulo Chamber Soloists. Em 2025, retornou ao Carnegie Hall como convidado para celebrar o compositor Leo Brouwer e seu recebimento da medalha Ignacio Cervantes.
Sobre a Kuarup
Especializada em música brasileira de alta qualidade, o seu acervo concentra a maior coleção de Villa-Lobos em catálogo no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral, com artistas como Baden Powell, Renato Teixeira, Ney Matogrosso, Wagner Tiso, Rolando Boldrin, Paulo Moura, Raphael Rabello, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Elomar, Pena Branca & Xavantinho e Arthur Moreira Lima, entre outros.
Série: Discografia da Música Brasileira / Canção / Disco
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske/Templo Cultural Delfos
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