Mu Carvalho lança álbum ‘O Mundo é o Meu Jardim’

“O Mundo é o Meu Jardim” – Mu Carvalho reafirma a faceta de cancionista em novo álbum, com nove composições inéditas – , por Antônio Carlos Miguel*
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Sem contar os discos de trilhas sonoras e, claro, a obra d’A Cor do Som, “O Mundo é o Meu Jardim” é o oitavo na carreira solo de Mu Carvalho. Neste álbum o pianista, tecladista, compositor, arranjador e produtor foca a veia de cancionista, com nove composições inéditas. Talento para combinar sons e pausas, melodia, ritmo e harmonia que, alternando diferentes letristas, tem gerado grandes canções brasileiras. Como vem mostrando desde o grupo formado no fim dos anos 1970 (até hoje mantendo a formação original) e que, agora, volta a confirmar.

No novo disco, espalhados entre as nove composições, estão dez parceiros. Os saudosos Paulinho TapajósMoraes Moreira e Tavinho Paes;  companheiros de longa data como Fausto NiloClaudio Nucci e Dudu Falcão; ou recentes, Tuca Oliveira e  Jonas Myrin; e ainda gente que estreia agora, Gabi Hartmann Celeste Caramanna.
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Para cantar essas nove faixas estão 11 vozes femininas. Por ordem de entrada no disco, elas são Gabi HartmannZizi PossiCeleste CaramannaAna ZingoniAlma ThomasMonique KessousVanessa Moreno, o trio SalDoce (formado por Brenda LuceFernanda Francis e Mariana Eis) e Lorenza Pozza. Como se percebe, mais uma mescla de gerações e também de sotaques e idiomas: português, francês, italiano e inglês.

Faixa a faixa 
Vivendo entre o Rio de Janeiro, sua cidade natal, e Paris, Mu encontrou na cantora e compositora parisiense Gabi Hartmann a pena e a voz perfeitas para a chanson de abertura, “Je T’aime Tour Simplement”. É uma doce canção, na qual a bossa nova é o elo entre os estilos musicais das duas cidades.
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Em seguida, “Promessas Mis” é uma das últimas composições de Mu com o velho amigo Moraes Moreira (1947-2020), com quem começou a trabalhar na adolescência. Por sinal, foi junto ao eterno Novo Baiano que a Cor do Som nasceu. Moraes planejava mas não teve tempo para gravar esse samba brejeiro, que remete a Ary Barroso. Para encontrar voz à altura para essa tarefa, Mu recorreu a uma das maiores intérpretes da MPB, Zizi Possi.
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Jovem cantora e compositora italiana radicada em Londres, Celeste Caramanna tem muita intimidade com a música brasileira, especialmente a bossa nova, incluindo trabalhos com Roberto Menescal. Mas, na balada romântica “Un’altra Vita”, Mu foi atrás do idioma original de Celeste, em letra que também traz a lírica mão de Dudu Falcão.

Canção mais pop, ou com a cara d’A Cor do Som, no disco, “Aconteceu em Búzios” tem letra de Tavinho Paes (1955-2024), o poeta carioca que tão bem transitou entre o rock e a MPB dos anos 1980 (e contando, até a sua recente partida). Para dar voz a um tema tão precioso Mu recorreu à companheira na vida e na arte, Ana Zingoni, também guitarrista e arranjadora.
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Em “You Have a Home”, a letra é de Jonas Myrin, compositor e produtor sueco baseado em Los Angeles. Essa canção tinha sido lançada com letra português (de Tuca Oliveira) em disco de 2021 (“Alegrias de quintal”) e agora volta em sua versão original em inglês. Já a super voz, perfeita para o idioma de Shakespeare e… Stevie Wonder, é de uma estadunidense há duas décadas radicada no Rio, Alma Thomas.
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Bem guardada por mais de uma década, “As Pessoas São Pessoas” foi escrita com um parceiro de longa data, Paulinho Tapajós (1945-2013). Esse cantor e compositor carioca também fez parte da musical família Carvalho, casado com a irmã de Mu, a saudosa Heloísa, pesquisadora MPB e produtora musical que nos deixou em 2014. Para interpretar essa música foi escalada Monique Kessous, cantora e compositora carioca que tem se destacado desde a sua estreia, no início dos anos 2000.
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Em “Coisas corriqueiras”, Mu promoveu o encontro de um parceiro dos anos 1980, Claudio Nucci (um dos co-autores do clássico “Sapato velho”), com um colaborador mais novo, Tuca Oliveira, cantor e compositor mineiro que tinha mostrado bons serviços no disco autoral “Alegrias de quintal”. A voz, límpida e de técnica admirável, é da paulista Vanessa Moreno, também compositora e instrumentista, e que, na última década, vem renovando a MPB, seja em discos solo ou ao lado de grandes nomes, como Edu Lobo e Roberto Menescal.

Mais vozes novas, ou melhor, novíssimas, do trio SalDoce, colorem a balada luminosa “Pro Amor Entender Melhor”, mais uma parceria com o “pernanbucarioca” Dudu Falcão. O grupo vocal é formado por três jovens cariocas, Brenda Luce, Fernanda Francis e Mariana Eis, que, após uma série de singles lançados a partir de 2024, prepara seu álbum de estreia.
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Fechando o disco, “Domingo Novo” é uma terna homenagem a Gal Costa, citada na abertura da letra de outro companheiro fiel desde o início da Cor do Som, Fausto Nilo. Enquanto o canto, suave e precioso, fica por conta de Lorenza Pozza. Nascida em Curitiba e radicada em São Paulo há cinco anos, em sua carreira ela passeia com identidade por jazz, chanson francesa e MPB.

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Mu Carvalho, por Drika Santos

Arranjos e instrumentistas 
Até agora, belas letras e vozes foram o tema dessa resenha, mas arranjos e instrumentação também merecem destaque. Cerca de 40 músicos, o creme de la crème da cena no Brasil (e na França) participaram das sessões de gravação realizadas em cinco estúdios. Cada faixa tem uma formação diferente, adequada ao que cada canção pede. Mu Carvalho (piano, piano elétrico, teclados, sintetizador e arranjos de base) trocou figurinhas com três outros pianistas: Rodrigo Tavares (em “Je T’aime Simplement”), Philippe Powell (em “Un’altra Vita) e Marcos Nimrichter (em “Domingo Novo”). Na cozinha, se alternaram os baixistas Alberto Continentino, Jorge Helder, Gabriel Midon, Lancaster Lopes e Adalberto Miranda; os bateristas Marcelo Costa, Jurim Moreira, Julie Saury e Renan Martins; e os guitarristas e violonistas Dadi Carvalho, Ricardo Silveira, Julio Raposo e Ricardo Rodrigues. Há ainda naipes de sopros (arranjo de Diogo Gomes), cordas (arranjo de Vittor Santos) e pontuais participações de, entre outros, Kiko Horta (acordeom), Sidinho Moreira (percussão), Hugo Pilger (violoncelo) e Robby Marshall (flauta e clarinete).
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Mu Carvalho e um time de sonhos, juntos na criação desse jardim musical.
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*Antônio Carlos Miguel – jornalista especializado em música há 40 anos, é autor de livros sobre MPB, curador de projetos musicais, membro votante do Grammy Latino e do Grammy, do Conselho do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira e da Academia Líbano-Brasileira de Letras, Artes e Ciências.

Depoimento de Mu Carvalho sobre a concepção do disco “O Mundo é o Meu Jardim” 
Depois de tantos anos mergulhado no trabalho de música dramatúrgica para Cinema e TV – foram 28 anos na TV Globo às voltas com novelas -, retomei minha caneta de songwriter, das canções com parceiros letristas, poetas incríveis com quem gosto de trabalhar. Nasceram então lindas canções; e encontrei também no baú algumas inéditas que estavam aguardando esse momento. Quando comecei a trabalhar nos arranjos, a primeira coisa que me chamou atenção foi a vontade de ouvir essas melodias nas vozes de mulheres. O Mundo é o Meu Jardim é um disco com minha caneta de melodista, dedicado às mulheres.

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Capa do disco ‘O Mundo é o Meu Jardim’ • Mu Carvalho • Selo Boogie Woogie Music/ORB • 2025

Disco ‘O Mundo é o Meu Jardim’ • Mu Carvalho • Selo Boogie Woogie Music/ORB • 2025
Canções / compositores
1. Je T’aime Tout Simplement (Gabi Hartmann e Mu Carvalho) | Feat. Gabi Hartmann
2. Promessas Mis (Mu Carvalho e Moraes Moreira) | Feat. Zizi Possi
3. Un’altra Vita (Mu Carvalho, Dudu Falcão e Celeste Caramanna) | Feat. Celeste Caramanna
4. Aconteceu em Búzios (Mu Carvalho e Tavinho Paes) | Feat. Ana Zingoni
5. You Have a Home (Mu Carvalho e Jonas Myrin) | Feat. Alma Thomas
6. As Pessoas São Pessoas (Mu Carvalho e Paulinho Tapajós) | Feat. Monique Kessous
7. Coisas Corriqueiras (Mu Carvalho, Claudio Nucci e Tuca Oliveira) | Feat. Vanessa Moreno
8. Pro Amor Entender Melhor (Mu Carvalho e Dudu Falcão) | Feat. SalDoce
9. Domingo Novo (Mu Carvalho e Fausto Nilo) | Feat. Lorenza Pozza
– ficha técnica –
Faixa 1 – Gabi Hartmann (voz); Mu Carvalho (el. piano); Rodrigo Tavares (piano); Dadi (violão); Robby Marshall (flauta e clarinete); Alberto Continentino (baixo); Marcelo Costa (bateria) / Base gravada no estúdio Nas Nuvens, RJ; Engenheiro de Gravação: Daniel Alcoforado; Assistente: Joana Guimarães; Voz, flauta e clarinete gravados no Les Studios Saint-Germain, Paris; Mixagem: Bastien Lozier | Faixa 2 – Zizi Possi (voz); Mu Carvalho (piano); Ricardo Silveira (violão); Jorge Helder (baixo); Jurim Moreira (bateria); Diogo Gomes (flugel e arr. De sopros); Jorge Continentino (flauta); Marlon Sette (trombone) / Gravado no Buzzi Studio; Engenheiro de Gravação: Alexandre Veiga; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 3 – Celeste Caramanna (voz); Mu Carvalho (el. Piano); Philippe Powell (piano); Gabriel Midon (contrabaixo); Julie Saury (bateria); Vittor Santos (arr. Orquestra); Hugo Pilger (violoncelo); Mateus Ceccato (violoncelo); Thaís Ferreira (violoncelo); Janaína Salles (violoncelo) / Gravado no Les Studios Saint-Germain, Paris; Engenheiro de Gravação: Oscar Ferran; Assistente: Quentin; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 4 – Ana Zingoni (voz); Mu Carvalho (piano, el. Piano e synth); Julio Raposo (violão e guitarras); Lancaster Lopes (baixo); Renan Martins (bateria); Marquinho Osocio (coro); Diogo Gomes (flugel); Gravado no Boogie Woogie Music; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 5 – Alma Thomas (voz); Mu Carvalho (piano e teclados); Julio Raposo (guitarras); Kiko Horta (acordeon); Lancaster Lopes (baixo); Renan Martins (bateria); Sidinho Moreira (percussão); Gravado no Boogie Woogie Music; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 6 – Monique Kessous (voz); Mu Carvalho (piano, el. Piano e pad); Dadi Carvalho (guitarra); Julio Raposo (violão); Lancaster Lopes (baixo); Jurim Moreira (bateria); Vittor Santos (arr. orquestra); Ivan Zandonade (viola); Dhyan Toffolo (viola); Daniel Albuquerque (viola); Samuel Passos (viola); Hugo Pilger (violoncelo); Mateus Ceccato (violoncelo) / Gravado no Buzzi Estúdio; Engenheiro de Gravação: Alexandre Veiga; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 7 – Vanessa Moreno (voz); Mu Carvalho (piano); Ricardo Silveira (guitarra); Lula Galvão (violão); Jorge Helder (baixo); Renan Martins (bateria e percussão) /Gravado no Buzzi Studio; Engenheiro de Gravação: Alexandre Veiga; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 8 – Brenda Luce (voz); Fernanda Francis (voz); Marianna Eis (voz); Mu Carvalho (piano); Kiko Horta (acordeon); Ricardo Rodrigues (violão); Julio Raposo (guitarra); Adalberto Miranda (baixo); Sidinho Moreira (percussão) / Gravado no Buzzi Studio; Engenheiro de Gravação: Alexandre Veiga; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Faixa 9 – Lorenza Pozza (voz); Mu Carvalho (el. piano); Marcos Nimrichter (piano); Dadi (violão); Alberto Continentino (baixo); Marcelo Costa (bateria) / Gravado no estúdio Nas Nuvens, RJ; Engenheiro de gravação: Daniel Alcoforado; Assistente: Joana Guimarães; Mixagem: Bradshaw Leigh (New York) | Direção e produção musical: Mu Carvalho | Masterização: Oscar Zambrono | Capa por Martin Ogolter, feita a partir de um quadro de Mu Carvalho | Texto de apresentação: Antônio Carlos Miguel | Fotos: Ana Zingoni | Assessoria de imprensa: Nanda Dias | Selo: Boogie Woogie Music/ORB | Formato: CD digital / LP vinil | Ano: 2025 | Lançamento: 19 de dezembro | ♪Ouça o álbum: clique aqui.

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Mu Carvalho, por Drika Santos

Sobre Mu Carvalho
Caçula de uma família muito musical, até os 15 anos, Maurício Magalhães de Carvalho pensava em fazer Artes Plásticas. Mas, acabou sequestrado pelo piano e pelos temas clássicos tocados por sua mãe. O baixista e guitarrista Dadi, cinco anos mais velho, e mais dois saudosos irmãos, a pesquisadora de MPB Heloísa Tapajós e o produtor musical Sérgio Carvalho, também reforçaram essa paixão. Aos 16, Mu criou o grupo Semente, ao lado de Cláudio Nucci, Cláudio Infante e Zé Luiz. Em seguida, junto a Dadi, acompanhou a Jorge Ben e Moraes Moreira. No primeiro álbum solo de Moraes, nasceu A Cor do Som, que estreou em 1977. O grupo, após idas e vindas, voltou com toda a força e sua formação original no século 21. Paralelamente ao grupo, Mu trabalhou com diversas estrelas da MPB e gravou seis álbuns instrumentais – “Meu Continente Encontrado” (1985), “O Pianista do Cinema Mudo” (2002), “Óleo Sobre Tela” (2005), “Ao Vivo” (2008), “Elétrico Nazareth” (2013) e “Trem das Cores” (2022) – e agora, após, “Alegrias de Quintal” (2021), lança seu segundo de canções, “O Mundo é o Meu Jardim” (2025). Ele ainda tem em seu currículo dezenas de trilhas sonoras para o cinema e para a TV, muitas delas também lançadas em disco. Nos últimos anos, o personagem de perfil renascentista também retomou pincéis, tintas e telas. Quem quiser conhecer a faceta de Mu enquanto artista plástico, que, agora, teve uma tela usada pelo designer Martin Ogolter para ilustrar a capa de “O Mundo é o Meu Quintal”, pode acessar uma exposição virtual em seu site: clique aqui.
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Discografia
:: “Meu Continente Encontrado” (1985)
:: “O Pianista do Cinema Mudo” (2002)
:: “Óleo Sobre Tela” (2005)
:: “Ao Vivo” (2008)
:: “Elétrico Nazareth” (2013)
:: “Alegrias de Quintal” (2021)
:: “Trem das Cores” (2022)
:: “O Mundo é o Meu Jardim” (2025).
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> siga: @mucarvalhooficial | @orbmusic_

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Série: Discografia da Música Brasileira / Canção / Álbum.
Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


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