sábado, junho 15, 2024

Mostra Ecofalante de Cinema chega à 12ª edição com 101 filmes de 39 países

12ª Mostra Ecofalante de Cinema _ Filmes Raros, Povos Indígenas, Racismo, James Baldwin, e muito mais. O mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado à temática socioambiental apresenta produções de 39 países. * Gratuito, evento acontece de 1 a 14/6, em 39 espaços culturais da cidade de São Paulo. Estão em pauta na programação racismo ambiental, pós-colonialismo, povos indígenas e questões econômicas presentes e futuras.
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No cardápio cinematográfico, composto por 101 filmes, estão obras premiadas em festivais como Cannes, Berlin, Cinéma du Réel, CPH:DOX e Tribeca, ao lado de produções em pré-estreia mundial ou inéditas no Brasil. Estão presentes também títulos assinados por cineastas consagrados, como Jorge Bodanzky, Gabriela Cowperthwaite, Eduardo Coutinho, Paul Leduc, Gillo Pontecorvo, Ousmane Sembène, Safi Faye, Marta Rodríguez, Jorge Sanjinés, William Klein.
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Na programação estão as tradicionais seções Panorama Internacional Contemporâneo, Competição Latino-americana e Concurso Curta Ecofalante. A Mostra Histórica é dedicada este ano ao tema “Fraturas (pós-)coloniais e as Lutas do Plantationoceno” e traz 17 títulos icônicos realizados de 1966 a 1984, que discutem a herança do colonialismo em diferentes partes do planeta. Cunhado nos anos 2010 pelas teóricas norte-americanas Donna Haraway e Anna Tsing, o termo Plantationoceno, que está no título da mostra, se contrapõe ao difundido Antropoceno ao reconhecer os fundamentos coloniais e escravagistas da globalização e do sistema socioeconômico hegemônico hoje.

Completam a programação estreias mundiais, uma sessão especial e um programa infantil, um trabalho em realidade virtual, uma série de atividades paralelas que incluem uma masterclass com o pensador martiniquês Malcolm Ferdinand, que também explora em sua obra o conceito de Plantationoceno, e uma oficina de cinema ambiental com Jorge Bodankzy, além de um ciclo de debates.
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Considerada como um dos maiores festivais do Brasil e o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais, a Mostra Ecofalante de Cinema tem suas projeções sediadas no Espaço Itaú de Cinema – Augusta, Centro Cultural São Paulo, Cine Olido e Biblioteca Roberto Santos. Completam o circuito de exibição unidades do Centro Educacional Unificado – CEU, Casas de Cultura, Fábricas de Cultura e Centros Culturais.
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Na sessão de abertura, exclusiva para convidados, em 31/05, às 20h00, no Espaço Itaú de Cinema – Augusta, é projetado o impactante longa-metragem “Nação Lakota Contra os EUA”, de Jesse Short Bull e Laura Tomaselli. A obra utiliza rico material de arquivo e entrevistas íntimas com ativistas veteranos e jovens líderes. O resultado, segundo a crítica, é lírico e provocativo. Exibido nos festivais de Tribeca, Cleveland e Denver, o filme tem entre seus produtores executivos os atores Marisa Tomei (vencedora do Oscar por “Meu Primo Vinny”, 1992) e Mark Ruffalo, três vezes indicado ao Oscar e conhecido por interpretar o personagem Hulk.
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No Panorama Internacional Contemporâneo, com 27 filmes de 26 países, destaca-se uma seleção de títulos que abordam sobretudo questões ligadas ao racismo, mas que também não deixam de falar do legado do colonialismo e suas muitas consequências socioambientais presentes até os dias de hoje. Entre eles estão “Filhos do Katrina”, longa-metragem que discute racismo ambiental a partir das consequências do furacão Katrina; “Duas Vezes Colonizada”, sobre o ativismo de uma defensora dos direitos humanos inuíte no parlamento europeu; “Uma História de Ossos”, sobre a luta de uma consultora africana para dar um fim digno aos restos mortais de mais de oito mil ‘africanos libertos’, descobertos durante a construção de um aeroporto na remota ilha de Santa Helena.
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A seção traz abordagens de fluxos migratórios em títulos como “Recursos”, elogiado no importante festival de documentários IDFA-Amsterdã; “O Último Refúgio”, filme premiado no festival dinamarquês CPH:DOX, que registra um abrigo temporário de migrantes na África; e “Xaraasi Xanne (Vozes Cruzadas)”, filme de arquivo que lança luz sobre a violência da agricultura colonial no continente africano, premiado no tradicional festival Cinéma du Réel, na Suíça.

Discussões econômicas – sempre presentes no Panorama Internacional Contemporâneo – estão no centro de títulos da seção. Filme mais recente de Gabriela Cowperthwaite, diretora de “Blackfish”, o trepidante “A Apropriação” revela os esforços secretos de governos e multinacionais para controlar comida e água no mundo. Em “Amor e Luta em Tempos de Capitalismo”, produção francesa exibida no CPH:DOX e no Festival de Documentários DMZ com direção de Basile Carré-Agostini, o casal midiático formado pelos sociólogos Monique Pinçon-Charlot e Michel Pinçon, conhecido por suas pesquisas de mais de cinco décadas sobre os ultra-ricos, é retratado no auge do movimento dos Coletes Amarelos. Sobrinha-neta de Walt Disney e herdeira da The Walt Disney Company, Abigail Disney é documentarista e ativista social. Em “O Sonho Americano e Outros Contos de Fadas”, codirigido por Kathleen Hughes, ela aborda a profunda crise de desigualdade nos Estados Unidos, usando o legado de sua família como um estudo de caso para explorar criticamente a intersecção entre racismo, poder corporativo e o sonho americano. Em “O Retorno da Inflação, de Matthias Heeder, diretor que causou forte impressão com o premiado documentário “Pre-Crime” (2017), discute-se os mecanismos que contribuíram para o retorno da inflação que atualmente atinge o mundo com força total e como pessoas de diferentes meios sociais reagem a ela. “A Máquina do Petróleo”, filme britânico de Emma Davies, toma o exemplo da óleo-dependência do Reino Unido para falar sobre como as principais economias contemporâneas – principalmente no hemisfério norte – se apoiam em boa parte sobre a indústria do petróleo. Já “Deep Rising: A Última Fronteira” revela as intrigas em torno da obtenção de recursos naturais no solo dos oceanos.
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Uma programação é dedicada às estreias mundiais em salas de cinema de três títulos brasileiros que abordam o embate entre indígenas e garimpeiros, queimadas em quatro biomas do país e deslocamento de toda uma população.
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“Cinzas da Floresta”, de André D’Elia, registra uma expedição com o ativista Mundano que percorreu mais de dez mil quilômetros por quatro grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica como o objetivo de produzir uma cartela em tons de cinza a partir do carvão e das cinzas de restos de árvores e de animais carbonizados. Com esse material foi pintado um painel a partir da famosa obra modernista do artista plástico Candido Portinari (1903-1962) “O Lavrador de Café”.
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O filme “Escute, A Terra Foi Rasgada”, de Fred Rahal Mauro (de “BR Acima de Tudo”) e Cassandra Mello, registra o acampamento Luta pela Vida, em Brasília, no qual lideranças dos povos Mebêngôkre (Kayapó), Munduruku e Yanomami se uniram para escrever uma carta-manifesto em repúdio à atividade garimpeira. Na sessão promovida pela 12ª Mostra Ecofalante de Cinema têm presença confirmada as lideranças indígenas da “Aliança em Defesa dos Territórios”: Davi Kopenawa, Beka Munduruku e Maial Kayapó.

“Parceiros da Floresta”, de Fred Rahal Mauro, percorre três continentes evidenciando casos de parcerias entre setores privado, público e comunidades locais que geram soluções para a proteção e restauração de florestas tropicais globais aliando tecnologia, negócios e conhecimento tradicional para gerar benefícios verdadeiramente compartilhados.
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Na Mostra Histórica “Fraturas (pós-)coloniais e as Lutas do Plantationoceno”, são exibidos clássicos da cinematografia militante do período das décadas de 1960 a 1980 que refletem sobre as marcas do colonialismo nos diversos territórios, sobretudo do sul global. É o caso de “A Batalha de Argel”, de Gillo Pontecorvo, que a mostra exibe em versão restaurada em 4K pela Cinemateca de Bolonha e Instituto Luce Cinecittà. A obra, que foi proibida pela censura da ditadura militar brasileira, ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, melhor diretor e melhor roteiro.

A aculturação de uma minoria mexicana inspirou o cineasta Paul Leduc a realizar o crítico e irônico “Etnocídio”. Marco do documentarismo brasileiro e referência mundial, “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho, também está incluído. Com passagens pelos festivais de Cannes e Berlim (onde foi premiado), “Emitaï” traz as marcas do cinema político de seu diretor, o senegalês Ousmane Sembène, um dos pioneiros do cinema africano. Três filmes dirigidos por mulheres e restaurados pelo Instituto Arsenal, de Berlim, também fazem parte do programa: “Eu, Sua Mãe” (Senegal/Alemanha, 1980), da recém falecida pioneira do cinema senegalês e africano Safi Faye; “Nossa Voz de Terra, Memória e Futuro” (Colômbia, 1982), de Marta Rodríguez e Jorge Silva, e “A Zerda e os Cantos do Esquecimento” (Argélia, 1982), um dos dois filmes dirigidos pela poeta e escritora argelina Assia Djebar e que era considerado perdido antes que uma cópia dele fosse redescoberta nos arquivos do Arsenal há alguns anos. A mostra também traz uma preciosidade recém restaurada pelo Harvard Film Archive, “I Heard It through the Grapevine” (1981), documentário de Dick Fontaine estrelado por James Baldwin, em que o escritor viaja pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que faz um balanço das lutas pelos direitos civis e melhora das condições de vida das comunidades negras em seu país.
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Temáticas relativas aos povos indígenas e seus territórios marcam parte das produções selecionadas este ano para a Competição Latino-americana, havendo espaço nos 33 selecionados para discussões sobre racismo, migração e trabalho. Destaca-se “A Invenção do Outro”, de Bruno Jorge, que narra uma eletrizante jornada na Amazônia para tentar encontrar e estabelecer o primeiro contato com um grupo de indígenas isolados da etnia dos Korubo, tendo merecido quatro prêmios no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, inclusive o de melhor filme. Consagrado diretor já homenageado na 4ª Mostra Ecofalante de Cinema, Jorge Bodanzky (de “Iracema – Uma Transa Amazônica”, 1975) assina “Amazônia, A Nova Minamata?”, no qual acompanha a saga do povo Munduruku para conter o impacto destrutivo do garimpo de ouro em seu território ancestral, enquanto revela como a doença de Minamata, decorrente da contaminação por mercúrio, ameaça os habitantes de toda a Amazônia hoje. No inédito “Mamá”, uma obra de cunho intimista com elaborada narrativa e técnica, o realizador de descendência maia Xun Sero relata como, sendo mexicano tzotzil, cresceu cercado pela sacralidade da Virgem de Guadalupe e da Mãe Terra – e sendo ridicularizado por não ter pai. Já o doc observacional peruano “Odisseia Amazônica”, de Terje Toomistu, Alvaro Sarmiento e Diego Sarmiento, testemunha o trabalho feito nos barcos que constituem o principal meio de transporte de mercadorias e pessoas no rio Amazonas.
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A lista completa dos títulos selecionados para a Competição Latino-americana é a seguinte:

LONGAS
* “A Ferrugem” (Colômbia) – Juan Sebastian Mesa
* “A Invenção do Outro” (Brasil) – Bruno Jorge
* “A Praia dos Enchaquirados” (Equador) – Ivan Mora Manzano
* “Amazônia, A Nova Minamata?” (Brasil) – Jorge Bodanzky
* “Aqui en la Frontera” (Brasil) – Marcela Ulhoa e Daniel Tancredi
* “Deuses do México” (México/EUA) – Helmut Dosantos
* “Mamá” (México) – Xun Sero
* “Diálogos com Ruth de Souza” (Brasil) – Juliana Vicente
* “Exu e o Universo” (Brasil) – Thiago Zanato
* “No Vazio do Ar” (Brasil) – Priscilla Brasil
* “Odisseia Amazônica” (Peru) – Terje Toomistu, Alvaro Sarmiento e Diego Sarmiento
* “Perlimps” (Brasil) – Alê Abreu
* “Vento na Fronteira” (Brasil) – Laura Faerman e Marina Weis

CURTAS:
* “A Febre da Mata” (Brasil) – Takumã Kuikuro
* “Aribada” (Colômbia/Alemanha) – Simon(e) Jaikiriuma Paetau e Natalia Escobar
* “Chão de Fábrica” (Brasil) – Nina Kopko
* “Entre a Colônia e as Estrelas” (Brasil) – Lorran Dias
* “Estrelas do Deserto” (Chile) – Katherina Harder Sacre
* “Fantasma Neon” (Brasil) – Leonardo Martinelli
* “Fantasmagoria” (Chile/França/Suíça) – Juan Francisco González
* “Fogo no Mar” (Argentina) – Sebastián Zanzottera
* “Infantaria” (Brasil-AL, 2022, 24 min) – Laís Santos Araújo
* “Levante pela Terra” (Brasil) – Marcelo Cuhexê
* “Mãri hi – A Árvore do Sonho” (Brasil) – Morzaniel Ɨramari
* “Paulo Galo: Mil Faces de um Homem Leal” (Brasil) – Felipe Larozza e Iuri Salles
* “Quem de Direito” (Brasil) – Ana Galizia
* “SOLMATALUA” (Brasil) – Rodrigo Ribeiro-Andrade
* “Tekoha” (Brasil) – Carlos Adriano
* “Terremoto” (Brasil) – Gabriel Martins
* “Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando” (Brasil) – Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami
* “Um Tempo para Mim” (Brasil) – Paola Mallmann
* “XAR – Sonho de Obsidiana” (Brasil) – Fernando Pereira dos Santos e Edgar Calel
* “Xixiá – Mestre dos Cânticos Fulni-ô” (Brasil) – Hugo Fulni-ô

Uma sessão especial exibe “Mulheres na Conservação”, dirigido pela jornalista Paulina Chamorro e pelo fotógrafo João Marcos Rosa. O documentário, desenvolvido a partir da websérie homônima, mostra na prática o trabalho realizado por sete mulheres que lutam pela conservação da biodiversidade no país e que são referência em suas áreas de atuação.
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O Concurso Curta Ecofalante promove competição entre curtas-metragens realizados em universidades e cursos audiovisuais. Em 2023, participam 18 produções, representando os estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.
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Destaca-se na programação ainda um trabalho em realidade virtual, assinado por Estêvão Ciavatta (de “Amazônia Sociedade Anônima”, exibido na 9ª Mostra Ecofalante de Cinema). Trata-se de “Amazônia Viva”, no qual a cacica Raquel Tupinambá, da comunidade de Surucuá (Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns, no Pará), guia o espectador em uma viagem pelo rio Tapajós, em um passeio virtual em 360º.
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Uma sessão infantil está incluída na programação da 12ª Mostra Ecofalante de Cinema. Nela, ganha projeção o longa “A Viagem do Príncipe”, de Jean-François Laguionie e Xavier Picard, obra exibida nos festivais de Locarno, Roterdã, BFI Londres e na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
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A Mostra Ecofalante de Cinema é viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Ela tem patrocínio da White Martins, da Valgroup, do Mercado Livre e da Spcine, empresa pública de fomento ao audiovisual vinculada à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, e apoio da Evonik e da Drogasil. Tem apoio institucional do WWF-Brasil, da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, do Institut Français e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A produção é da Doc & Outras Coisas e a coprodução é da Química Cultural. A realização é da Ecofalante e do Ministério da Cultura.
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>> Todas as informações sobre exibições e demais atividades do evento poderão ser encontradas na plataforma Ecofalante. clique aqui.

 

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‘Twice Colonized’ – Dir: Lin Alluna/ Cover photo: Angela Gzowski (2023)

SOBRE A PROGRAMAÇÃO
Panorama Internacional Contemporâneo
Com um total de 27 filmes, representando 26 países, o Panorama Internacional Contemporâneo destaca, entre os temas em discussão, questões ligadas ao colonialismo e seu legado principal: o racismo institucional, a exploração da terra e de corpos racializados. Na programação estão incluídas obras que tratam de aspectos econômicos atuais e futuros, ativismo, racismo ambiental, colonialismo, migração e saúde pública.
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Edward Buckles Jr. foi premiado como diretor revelação no prestigioso Festival de Tribeca pelo tocante “Filhos do Katrina”, longa-metragem que discute racismo ambiental a partir das consequências do furacão Katrina e expulsou de suas casas parte da população negra de New Orleans, abandonada pelo governo da época. Já a produção palestina “Forrageadores”, de Jumana Manna, revela como a discriminação racial atua nesta parte do globo: leis que proíbem a coleta de uma tradicional espécie de tomilho aliena ainda mais o povo da Palestina de suas terras. Lançado no importante Festival de Sundance, “Duas Vezes Colonizada”, de Lin Alluna, focaliza Aaju Peter, uma renomada advogada e ativista da nação inuíte da Groenlândia que defende os direitos humanos dos povos indígenas do Ártico e uma feroz protetora de suas terras ancestrais.

Discussões sobre o colonialismo estão presentes no britânico “Uma História de Ossos”, de Joseph Curran e Dominic Aubrey de Vere. A obra, também destacada no Festival de Tribeca, acompanha a jornada da consultora de patrimônio ambiental e cultural namibiense Annina em torno da descoberta, na ilha de Santa Helena, de uma antiga vala comum com os restos de mais de oito mil “africanos libertos”.
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Três títulos tematizam os fluxos migratórios contemporâneos. Inédito no Brasil, “Recursos”, de Hubert Caron-Guay e Serge-Olivier Rondeau, colheu elogios no IDFA-Amsterdã e em outros festivais internacionais ao retratar a contratação de requerentes de asilo no Canadá para trabalhar na indústria da carne no Quebec, a maior província do país. Dirigido pelo cineasta malinense Ousmane Samassekou, “O Último Refúgio” volta suas câmeras para a Casa dos Migrantes, um abrigo temporário para aqueles que cruzam a África tentando chegar à Europa cheios de esperanças e de incertezas. Já a coprodução entre a França, Alemanha e Mali “Xaraasi Xanne (Vozes Cruzadas)”, de Bouba Touré e Raphaël Grisey, foi contemplada com o Prêmio Louis Marcorelles e o prêmio do júri jovem no importante festival Cinéma du Réel, na Suíça, ao recuperar a aventura exemplar de uma cooperativa agrícola fundada por trabalhadores imigrantes retornados da França, lançando luz sobre a violência da agricultura colonial e os desafios ecológicos na África hoje.

A complexidade e as consequência de decisões econômicas no mundo contemporâneo estão em pauta na programação. Inédito no Brasil, o premiado “A Apropriação” é o mais recente trabalho de Gabriela Cowperthwaite, diretora do impactante “Blackfish: Fúria Animal” (2013), exibido na 3ª Mostra Ecofalante de Cinema e cuja repercussão nos EUA foi tanta que motivou um debate sobre a proibição do uso de orcas como entretenimento. Aqui, ela acompanha um jornalista investigativo que descobre a verdade por trás do dinheiro, da influência e da lógica que envolvem os esforços secretos para controlar os recursos mais vitais do planeta – comida e água. Inédito no Brasil e considerado como revelador pela crítica internacional, “A Felicidade Vale 4 Milhões”, de Weixi Chen e Kai Wei, também focaliza um trabalho jornalístico: uma repórter idealista em busca do perfil do maior especulador imobiliário da China. A chegada da renda básica universal a uma aldeia africana, transformando para sempre a vida de seus habitantes, é observada no longa “Free Money”, obra exibida no Festival de Toronto assinada pelo engajado cineasta queniano Sam Soko (de “Softie”, 2020, premiado no Festival de Sundance e exibido na 10ª Mostra Ecofalante de Cinema), aqui em parceria com Lauren DeFilippo.
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Discussões econômicas estão no centro de outros quatro títulos da seção. Quais mecanismos contribuíram para o retorno da inflação que atualmente atinge o mundo com força total e como pessoas de diferentes meios sociais reagem a ela – estes os temas da produção na Alemanha “O Retorno da Inflação, de Matthias Heeder, diretor que causou forte impressão com o premiado documentário premiado “Pre-Crime” (2017). O nosso envolvimento econômico – e também histórico e emocional – com o petróleo é analisado na produção britânica “A Máquina do Petróleo”, de Emma Davie. Exibido no IDFA-Amsterdã, o mais importante evento internacional dedicado ao cinema documental, o filme levanta questões que tornaram-se ainda mais urgentes com as recentes reviravoltas na segurança energética, no custo de vida e no clima do planeta. A produção norte-americana “Deep Rising: A Última Fronteira”, de Matthieu Rytz, discute questões sobre a obtenção de energia ao apresentar um retrato urgente das intrigas geopolíticas e corporativas em torno ao acesso irrestrito à última fronteira: o solo dos oceanos. Segundo o Festival de Sundance, no qual mereceu pré-estreia mundial, o filme “examina o padrão destrutivo da humanidade de extrair materiais para obter lucro e pergunta por que não escolhemos, em vez disso, desenvolver recursos abundantes para resolver nossos problemas de energia”.
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Aspectos da vida de populações específicas do globo estão em obras premiadas e inéditas no Brasil. Aldeias, bairros populares, nômades e seus rebanhos, assim como trilhas ecológicas estão sendo rasgadas para construção de rodovias na Índia, como alerta “Para Além das Estradas”, de Nitin Bathl e Klearjos Eduardo Papanicolaou, que ganha sua primeira exibição no Brasil. Lançado no Festival de Berlim e igualmente inédito nas telas brasileiras, o português “Águas de Pastaza”, de Inês T. Alves, focaliza uma comunidade isolada na floresta tropical amazônica na qual crianças vivem o seu quotidiano de forma quase autônoma e com um forte sentido de colaboração.

Produções tendo o ativismo como pauta sempre marcaram a programação da Mostra Ecofalante de Cinema – e em 2023 isso não é diferente. Inédito no Brasil, o belga “Amianto: Crônica de um Desastre Anunciado”, de Marie-Anne Mengeot e Nina Toussaint, por exemplo, denuncia, através de uma impressionante montagem de imagens de arquivos de mais de 40 anos, como a indústria do amianto sabia dos riscos que o material oferecia para a saúde, e como sua insistente ocultação dos perigos deste produto “milagroso” e muito rentável levou à doença e à morte de inúmeros trabalhadores e suas famílias. Premiado em festivais na Espanha e na Austrália, “Delikado”, do famoso jornalista Karl Malakunas, acompanha três defensores ambientais em sua luta para proteger a idílica ilha de Palawan, na Ásia, da exploração ilegal de suas florestas, rios e montanhas, em um dos países com a maior taxa de assassinato de ambientalistas. Outra obra inédita no Brasil, o canadense “Davi e Golias: O Caso de Dewayne Johnson Contra Monsanto” segue a história de um jardineiro em sua luta por justiça contra a gigante agroquímica Monsanto, fabricante de um herbicida causador de câncer. A realizadora do filme, Jennifer Baichwal, assina também o premiado “Antropoceno – A Era Humana” (2018), exibido na 8ª Mostra Ecofalante de Cinema.
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A desertificação daquele que já foi o quarto maior lago do mundo, o mar de Aral, na Ásia Central, é abordada em “Aralkum”, coprodução entre o Uzbequistão e a Alemanha assinada por Daniel Asadi Faezi e Mila Zhluktenko que venceu o prêmio de melhor curta-metragem no Visions du Réel, um dos mais importantes festivais internacionais de documentários.
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Inédito no Brasil, “Girl Gang”, de Susanne Regina Meures, causou polêmica ao ser exibido em festivais como IDFA-Amsterdã, DOC NYC, Hot Docs, CPH:DOX e DocsBarcelona: rumores diziam que algumas de suas situações teriam sido forjadas. O filme retrata uma influencer adolescente de Berlim e mostra que, apesar dos seguidores, brindes e dinheiro, as aparências enganam.
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Em primeira exibição no Brasil, “Good Life”, de Marta Dauliute e Viktorija Šiaulyte, adentra nos bastidores de uma start-up de convivência que inspira seus inquilinos a administrar toda a sua vida como uma operação comercial, tornando a comunidade em uma mercadoria.

Vencedor do Prêmio Pardo Verde WWF no respeitado Festival de Locarno, “Lixo Fora do Lugar”, de Nikolaus Geyrhalter, é um filme sobre dejetos que se espalham pelos mais remotos cantos do planeta que destaca a luta para se ter controle sobre sua vasta quantidade.
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A brasileira Heloisa Passos, diretora de premiados documentários, assina a fotografia do inédito “Nada Dura para Sempre”, obra selecionada para o Festival de Berlim que realiza uma autêntica investigação criminal sobre a atual onda de diamantes sintéticos, cuja inautenticidade é quase indetectável. O longa é dirigido por Jason Kohn, que também contou com a colaboração de Passos em “Manda Bala” (2007), pelo qual ela venceu o prêmio de melhor fotografia no Cinema Eye Honor, prestigiosa premiação realizada anualmente em Nova York voltada a reconhecer a excelência de trabalhos em não-ficção ou documentários.
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Com passagens pelos festivais de Locarno, IDFA-Amsterdã e CPH:DOX, “O Cuidado em Tempos Impiedosos”, de Susanna Helke, trata de uma crescente e preocupante situação na Finlândia: o progressivo envelhecimento da sociedade diante do sistema de saúde do país. Privatizado segundo um modelo de receita capitalista, esse sistema não consegue suportar o crescimento de idosos necessitados.

revistaprosaversoearte.com - Mostra Ecofalante de Cinema chega à 12ª edição com 101 filmes de 39 países
“A Batalha de Argel” (“La Battaglia di Algeri”, Argélia/Itália, 1966, 121 min) – Gillo Pontecorvo

Mostra Histórica: Fraturas (pós-)coloniais e as Lutas do Plantationoceno
Em 2023, a Mostra Histórica discute as fraturas e as lutas decorrentes do colonialismo a partir de uma série de filmes realizados entre 1966 e 1984. Estão reunidos, de maneira inédita, 17 títulos icônicos realizados no calor das lutas decoloniais e anti-imperialistas. Este era o momento em que meia centena de países do continente africano alcançaram a independência e em que, na América Latina, era produzido um importante cinema militante e de denúncia social. As obras trazem a assinatura de importantes nomes da cinematografia africana e latino-americana, ao lado do coletivo ativista norte-americano Newsreel.
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Banido por muitos anos na França e proibido no Brasil na época da ditadura militar, “A Batalha de Argel” se passa nos anos 1950, quando o medo e a violência aumentam à medida que o povo da capital da Argélia luta pela independência do governo francês. Título mais marcante da filmografia do diretor italiano Gillo Pontecorvo (1919-2006), foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, melhor diretor e melhor roteiro. No Festival de Veneza, venceu o prêmio de melhor filme e o prêmio da crítica internacional. A Mostra Ecofalante exibe sua versão restaurada em 4K pela Cinemateca de Bolonha e o Instituto Luce Cinecittà.
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O cineasta mexicano Paul Leduc (1942-2020) – de “Frida, Natureza Viva” (1983) – expõe em “Etnocídio” (1977) o fenômeno de aculturação da minoria Otomi de forma crítica e irônica. Segundo a crítica, o longa apresenta uma verdadeira cartilha de um assassinato cultural.
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Considerado um dos grandes clássicos do cinema brasileiro, “Cabra Marcado para Morrer” (1982) promove a busca dos personagens de um filme sobre a morte de um líder camponês que teve suas filmagens interrompidas quando do golpe militar de 1964 no Brasil. Vencedor dos prêmios FIPRESCI do Fórum no Festival de Berlim, o longa consagrou o diretor Eduardo Coutinho (1933-2014).
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Premiado no Festival de Berlim e selecionado para o Festival de Cannes, “Emitaï” (1971) mostra a revolta dos habitantes de uma comunidade no Senegal contra o governo colonial francês que, durante a Segunda Guerra Mundial, lhes impõe a entrega de sua safra de arroz para envio ao fronte de batalha. São principalmente as mulheres que farão resistência às imposições imperialistas. Nome maior do cinema senegalês e considerado um dos pioneiros do cinema africano, Ousmane Sembène (1923-2007) mostra neste filme seu cinema politicamente empenhado e de viés feminista.
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Duas obras exemplificam a atuação do coletivo Newsreel, grupo de cineastas norte-americanos radicais que criou uma rede de distribuição e criação no final da década de 1960. “Community Control” (1969) documenta uma das lutas mais importantes pela educação: em 1968, sob intensa pressão das comunidades negra e latina, o estado de Nova York escolheu três distritos escolares da cidade para fazer parte de um experimento de educação administrada. Já em “El Pueblo se Levanta” (1971), o foco são as condições para os porto-riquenhos emigrados para os Estados Unidos, que atingiam o ponto de ebulição.

Um dos dois únicos filmes dirigidos pela romancista argelina Assia Djebar (1936-2015), “A Zerda e os Cantos do Esquecimento” (1982) é um ensaio poético que reúne imagens de arquivo da cerimônia Zerda tal como filmada pelo olhar dos colonizadores a fim de ressignificá-las. Exibida em versão restaurada, a obra foi vencedora de menção honrosa do Prêmio OCIC do Fórum no Festival de Berlim.
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O brasileiro Murilo Salles (de “Nome Próprio”, 2007) foi a Moçambique no início da carreira e lá realizou “Estas São as Armas” (1978) para o então recém fundado Instituto Nacional de Cinema do país. A obra, que reúne filmagens e imagens de arquivo, relata a luta da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) contra o colonialismo de Portugal e denuncia a invasão do país, naquele momento, pelo exército da Rodésia, então ao lado dos países imperialistas.
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Premiada no Festival de Berlim por seus filmes “Carta Camponesa” (1976) e “Fad’jal” (1979), a cultuada cineasta senegalesa recém falecida Safi Faye (1943-2023) traz em “Eu, Sua Mãe” (1980) as experiências cotidianas de um estudante senegalês em Berlim Ocidental.
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“Festival Pan-africano de Argel” (1969) reúne imagens do 1º Festival Cultural Pan-Africano ocorrido capital da Argélia, com participações do ativista político Eldrige Cleaver (1935-1998) e outros integrantes do grupo revolucionário Panteras Negras, e da cantora Miriam Makeba (1932-2008). O filme, dirigido pelo fotógrafo William Klein (1926-2022), registra um momento chave de celebração do pan-africanismo, na ocasião em que muitos países da África ainda encontravam-se em plena guerra colonial.
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Uma reconstituição documental do massacre de mineiros de estanho grevistas ordenado pelo governo é abordado em “El Coraje del Pueblo” (1971), obra vencedora do Prêmio OCIC do Fórum no Festival de Berlim. Seu diretor, Jorge Sanjinés, é o mais importante cineasta da Bolívia, conhecido por sua filmografia de denúncia a serviço do povo indígena.
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Clássico do cinema político latino-americano dos anos 1970, a animação “Na Selva Há Muito por Fazer” (1974), do uruguaio Walter Tournier, é uma alegoria sobre o imperialismo, a repressão e a perseguição política em curso no Uruguai, naquele momento. Inspirado no conto homônimo de Maurício Gatti (à época, ele mesmo um preso político), este foi o último filme produzido pelo grupo Cinemateca del Tercer Mundo, que seria desfeito logo após o golpe militar uruguaio de 1974.
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“Nuestra Voz de Tierra, Memoria y Futuro” (1982) é exemplar da produção engajada do casal de diretores colombianos Marta Rodríguez e Jorge Silva (1941-1987). O filme registra a luta da comunidade indígena Coconuco pela preservação de seu território. A versão exibida pela mostra foi restaurada pelo Instituto Arsenal, de Berlim.

Exibido no Festival de Berlim deste ano, “I Heard It through the Grapevine” (1981), de Dick Fontaine, é uma verdadeira preciosidade recentemente redescoberta graças a uma restauração realizada pelo Harvard Film Archive – esta é a versão do filme que será exibida pela 12ª Mostra Ecofalante de Cinema. O documentário acompanha o aclamado escritor crítico do “sonho americano” James Baldwin (1924-1987) quando ele revista locais históricos e emblemáticos para a luta do povo negro americano e faz um balanço das lutas contra o racismo e das injustiças arbitrárias cometidas contra essa população no país.
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Vladimir Carvalho, cineasta brasileiro de importante carreira no cinema documental, focaliza no curta-metragem “Quilombo” (1975) a atividade de uma comunidade negra remanescente de um antigo quilombo no município de Luziânia, em Goiás, nos arredores de Brasília.
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Já “Terra dos Índios”, realizado em 1979 por Zelito Viana, parte de uma reunião de caciques para mostrar os problemas das comunidades indígenas em todo o Brasil. Narrado por Fernanda Montenegro, o filme reúne entrevista de Darcy Ribeiro (1922-1997) e depoimentos de Ângelo Kretã, Mário Juruna e Marçal de Souza Tupã.
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Por sua vez, “O Tigre e a Gazela” (1977) justapõe a pobreza e a dignidade de personagens que vivem em ruas e praças a textos de Frantz Fanon (1925-1961), importante escritor negro, militante político da Martinica que participou da libertação da Argélia. O curta-metragem é assinado pelo cineasta e diretor de fotografia Aloysio Raulino (1947-2013), que desenvolveu larga carreira de documentarista.

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Amazônia, a Nova Minamata? – Direção Jorge Bodanzky. 2022.

Competição Latino-americana
Povos originários, racismo, migração e trabalho estão entre os temas abordados nos filmes da Competição Latino-americana nesta edição da Mostra Ecofalante de Cinema.
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No total, foram selecionados 13 longas e 20 curtas-metragens, que concorrem aos prêmios de melhor filme em cada uma das duas categorias. Estão representados sete países da região, sendo que do Brasil participam produções de oito estados e do Distrito Federal.

Temáticas ligadas à população indígena e a seus territórios aparecem em 13 títulos. O curta “A Febre da Mata”, dirigido por Takumã Kuikuro e realizado para o longa-metragem internacional de episódios “Interactions – When Cinema Looks to Nature”, mostra o fogo invadindo a floresta e atingindo animais. O longa colombiano “A Ferrugem”, de Juan Sebastian Mesa, foi vencedor do prêmio de melhor contribuição artística no Festival de Pequim e focaliza um jovem que decidiu ficar no campo, em um ato de amor e resistência. Por sua vez, “A Invenção do Outro”, de Bruno Jorge, consagrado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro como melhor filme, tem como um de seus protagonistas o indigenista brasileiro e servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio, Bruno Pereira (1980-2022), considerado uns dos maiores especialistas em indígenas isolados ou de recente contato do país. Com direção de Hugo Fulni-ô, o curta pernambucano “Xixiá – Mestre dos Cânticos Fulni-ô” traz uma proposta ousada na atual cinematografia indígena brasileira, sendo encenado e utilizando manipulação de cor em algumas imagens para tratar de cânticos criados e cantados por um mestre considerado verdadeiro patrimônio vivo do povo indígena Fulni-ô. O longa de Laura Faerman e Marina Weis “Vento na Fronteira” acompanha a luta do povo Guarani-Kaiowá pelas suas terras, na região do Mato Grosso do Sul, que são objeto de disputa de grandes proprietários rurais.
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Em “Amazônia, A Nova Minamata?”, de Jorge Bodanzky, lideranças Munduruku, como Alessandra Korap, percebendo que há algo errado com a saúde de seu povo, convidam médicos e pesquisadores para investigar se eles estão contaminados por mercúrio. Exibido nos festivais de Morélia, Hot Docs e IDFA-Amsterdã, “Mamá” parte da vivência de seu realizador, Xun Sero, diante da adoração da Virgem de Guadalupe e do desprezo por ser filho de mãe solteira. Vencedor do prêmio de melhor curta-metragem da Mostra Brasília no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, “Levante pela Terra”, de Marcelo Cuhexê, registra o acampamento ocorrido em Brasília em 2021, quando lideranças indígenas de todas as regiões do Brasil se reuniram para lutar contra o projeto de lei que ameaça a autonomia do territórios e processos de demarcação. O cineasta Morzaniel Ɨramari venceu a competição de curtas do Festival É Tudo Verdade com “Mãri hi – A Árvore do Sonho”, no qual as palavras de um xamã conduzem uma experiência onírica envolvendo poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.
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Quatro outros curtas-metragens também são voltados ao universo dos povos indígenas. Obra do cineasta Carlos Adriano, “Tekoha” faz um ensaio visual a partir de um único plano de menos de três minutos registrado pelo povo Guarani Kaiowá quando seguranças particulares queimaram uma casa na Reserva de Dourados (MS). Segundo o crítico Carlos Alberto Mattos, “As repetições de fragmentos, interrompidos bruscamente, potencializam a sensação de terror e a agressão aos indígenas – efeito que o fluxo normal da imagem possivelmente não chegaria a provocar”. Um trio de mulheres cineastas – Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami – assina “Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando”, filme que focaliza uma mulher yanomami observando um xamã durante o preparo da Yãkoana, alimento dos espíritos. Com elogiada delicadeza, a diretora Paola Mallmann trata, em “Um Tempo para Mim”, do momento de transformação de uma jovem mbya guarani, que acontece no mesmo dia em que ocorre um eclipse da Lua. Já “XAR – Sonho de Obsidiana”, de Fernando Pereira dos Santos e Edgar Calel, acompanha este último, um jovem maya kaqchikel, em meio a um ritual artístico ocorrido no pavilhão da Bienal de São Paulo que destaca seu percurso espiritual.

Questões enfrentadas em localidades e populações específicas são observadas em três títulos da Competição Latino-americana. Uma comunidade trans que faz parte de uma vila de pescadores na costa do Equador é o centro do longa “A Praia dos Enchaquirados”, que acumulou premiações nos festivais de Lima e Guadalajara. Seu diretor, Ivan Mora Manzano, já teve obras selecionadas para os festivais de Veneza e Locarno, além da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. “Deuses do México”, de Helmut Dosantos, investiga as formas de resistência à modernização no México rural, retratando a grande diversidade dos povos originários e afrodescendentes em todo o país. Em “Aribada”, de Simon(e) Jaikiriuma Paetau e Natalia Escobar, a região cafeeira da Colômbia se transforma em uma paisagem viva, na qual um grupo de mulheres trans do povo Emberá compartilham conhecimentos e reinventam rituais. A obra foi selecionada para a Quinzena de Cineastas do Festival de Cannes e para os festivais de Nova York, BFI London e de Cartagena, entre outros. “Terremoto”, de Gabriel Martins (de “Marte Um”, 2022), se passa na periferia de Contagem, municipal da região metropolitana de Belo Horizonte, local onde três irmãos haitianos sobreviventes do terremoto de 2010 tentam se adaptar à vida escolar enquanto o Brasil passa por uma de suas maiores crises econômicas e sanitárias.
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A migração também é tema de “Aqui en la Frontera”, de Marcela Ulhoa e Daniel Tancredi, protagonizado por três personagens migrantes e refugiados da Venezuela que vivem no Brasil: uma jovem mãe, uma mulher trans e o organizador uma ocupação com mais de 300 imigrantes em Boa Vista sob ameaça de despejo. O longa tem edição de Luiz Pretti (codiretor de “Estrada para Ythaca”, 2010, e “Enquanto Estamos Aqui”, 2019).
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Questões relacionadas ao racismo são colocadas em pauta por “Exu e o Universo”, de Thiago Zanato, longa vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival do Rio e do prêmio do público para documentário brasileiro na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Na obra, discute-se a divindade africana popular Exu para entender como a mesma deixou de ser um Deus na África para se tornar o Diabo no Brasil. Já “Diálogos com Ruth de Souza”, de Juliana Vicente (a diretora de “Racionais MC’s – Das Ruas de São Paulo pro Mundo”, 2022), traça uma cinebio daquela que inaugura a existência de atrizes negras em palcos, televisão e cinema no Brasil. Segundo o filme, Ruth de Souza carrega em si a gênese de parte importante das conquistas para as mulheres negras ao longo de quase um século de vida.

Aspectos relacionados ao trabalho marcam dois dos mais aclamados títulos da recente safra de curtas-metragens brasileiros incluídos no evento. Vencedor do prêmio de melhor curta no prestigioso Festival de Locarno e estrelado pelo ator Silvero Pereira, “Fantasma Neon”, de Leonardo Martinelli, retrata de forma surpreendente o trabalho de entregadores de aplicativo. “Chão de Fábrica”, de Nina Kopko, eleito melhor curta do ano pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, destaca no elenco Carol Duarte e Helena Albergaria vivendo operárias metalúrgicas dos anos 1970 que guardam segredos. Por sua vez, o argentino “Fogo no Mar”, de Sebastián Zanzottera, evoca a relação entre a política de estado argentino – na esteira da onda de privatizações na década de 1990 – e a morte de um jovem pai, trabalhador demitido da estatal de gás. No longa “No Vazio do Ar”, a cineasta Priscilla Brasil tenta entender o que leva alguém a desejar tornar-se piloto na Amazônia, uma atividade mal remunerada, cheia de precariedade, preconceito e crime, além de ser, muitas vezes, fatal. Destacando-se com o movimento dos entregadores antifascistas e, em 2021, tendo sido preso após a ação que ateou fogo na estátua do Borba Gato, na cidade de São Paulo, Paulo ‘Galo’ Lima ganha retrato cinematográfico em “Paulo Galo: Mil Faces de um Homem Leal”, de Felipe Larozza e Iuri Salles. Vencedor do prêmio de melhor filme peruano no Festival de Lima e exibido no DOK Leipzig, o peruano “Odisseia Amazônica”, de Terje Toomistu, Alvaro Sarmiento e Diego Sarmiento, se passa na Amazônia, onde o principal meio de transporte de mercadorias e pessoas desde os tempos do boom da borracha são as balsas que navegam pelo majestoso rio Amazonas.
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As mudanças climáticas que assolam o planeta aparecem no curta-metragem chileno, “Estrelas do Deserto”, de Katherina Harder Sacre, elogiado quando de sua exibição no importante Festival de Tribeca ao mostrar um garoto que vê sua cidade no deserto do Atacama desaparecer devido às secas e ao abandono. A mesma região do Chile é cenário de “Fantasmagoria”, de Juan Francisco González, filme sobre vestígios da última indústria de nitrato encontrados no ponto mais seco da Terra que esteve selecionado para os festivais de Havana, Viña del Mar e DocLisboa.
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Produção alagoana que venceu o prêmio especial do júri de melhor curta-metragem da seção Generation 14plus no Festival de Berlim, “Infantaria”, de Laís Santos Araújo, segue uma menina que ainda brinca como uma criança, mas está ansiosa para ser uma jovem adulta.
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A organização popular pelo acesso à terra marca o território do vale do Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (RJ) e o curta “Quem de Direito”, de Ana Galizia, registra as mobilizações recentes contra um projeto de barragem, colocando a água, também, como elemento de disputa.

Consagrado pelo sucesso de “O Menino e o Mundo”, o animador Alê Abreu propõe em seu segundo longa, “Perlimps”, uma jornada de aventura e fantasia de dois agentes secretos de reinos rivais. O filme faturou o prêmio de melhor filme pelo júri infantil no Festival de Cinema Infantil de Chicago e foi exibido no Festival Annecy, meca internacional do cinema de animação.
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Apresentado como uma onírica odisseia afro-diaspórica, “Solmatalua”, de Rodrigo Ribeiro-Andrade, foi premiado no É Tudo Verdade. O curta-metragem percorre um vertiginoso itinerário por territórios ancestrais e contemporâneos, realizando uma mística viagem que resgata memórias e busca possíveis futuros.
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Por sua vez, “Entre a Colônia e as Estrelas”, de Lorran Dias, é protagonizado por uma trabalhadora de hospital psiquiátrico que abriga seu irmão e, em meio às divergências políticas e identitárias, percebe que é preciso coragem para rever suas posições conservadoras.

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SERVIÇO
12ª Mostra Ecofalante de Cinema
programação completa aqui
de 1 a 14 de junho de 2023
gratuito
* Espaço Itaú de Cinema – Augusta (Salas 3 e 4) – Rua Augusta 1475, Consolação – São Paulo
* Circuito Spcine Lima Barreto (Centro Cultural São Paulo) – Rua Vergueiro 1000, Paraíso – São Paulo
* Circuito Spcine Olido (Centro Cultural Olido) – Av. São João 473, Centro – São Paulo
* Circuito Spcine Roberto Santos – Rua Cisplatina 505, Ipiranga – São Paulo
e ainda unidades do Centro Educacional Unificado – CEU, Casas de Cultura, Fábricas de Cultura e Centros Culturais.
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evento viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura
patrocínio: White Martins, Valgroup, Mercado Livre e Spcine
apoio: Evonik e da Drogasil
apoio institucional: WWF-Brasil, Cinemateca da Embaixada da França no Brasil, Institut Français e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
produção: Doc & Outras Coisas
coprodução: Química Cultural
realização: Ecofalante e Ministério da Cultura.
>> Mostra Ecofalante na rede: Site | Facebook | Twitter | Instagram | Youtube.

Especial sobre a a Mostra Histórica: Fraturas (pós-)coloniais e as Lutas do Plantationoceno

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“A Batalha de Argel” (“La Battaglia di Algeri”, Argélia/Itália, 1966, 121 min) – Gillo Pontecorvo

* “A Batalha de Argel” (“La Battaglia di Algeri”, Argélia/Itália, 1966, 121 min) – Gillo Pontecorvo
Entre os anos de 1954 e 1957, o povo da Argélia decidiu que não seria mais explorado: assim teve início o conflito que levou o país à sua independência. No entanto, a França, através de seu numeroso exército, não estava disposta a deixar que a Argélia se tornasse independente. Começa aí uma verdadeira batalha em Argel, capital do país, travada principalmente entre os métodos convencionais da tropa francesa e as técnicas não-convencionais da FLN, a Frente de Libertação Nacional.
Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, melhor diretor e melhor roteiro; vencedor do prêmio de melhor filme e do prêmio da crítica internacional no Festival de Veneza..

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“A Zerda e os Cantos do Esquecimento” (“La Zerda et les Chants de l’Oublie”, Argélia, 1982, 57 min) – Assia Djebbar

* “A Zerda e os Cantos do Esquecimento” (“La Zerda et les Chants de l’Oublie”, Argélia, 1982, 57 min) – Assia Djebbar
Ensaio poético de arquivo poderoso, no qual Assia Djebar – em colaboração com o poeta Malek Alloula e o compositor Ahmed Essyad – desconstrói a propaganda colonial francesa dos noticiários Pathé-Gaumont de 1912 a 1942, para revelar os sinais de revolta entre a submissa população norte-africana. Através da remontagem dessas imagens de propaganda, o filme recupera a história das cerimônias Zerda, sugerindo que o poder e o misticismo dessa tradição foram obliterados e apagados pelo voyeurismo predatório do olhar colonial. Este mesmo olhar é assim subvertido e revela-se uma tradição oculta de resistência e luta, contra qualquer tentação exotizante e orientalista.
Vencedor de menção honrosa do Prêmio da OCIC do Fórum no Festival de Berlim..

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Elizabeth Teixeira – “Cabra Marcado para Morrer” (Brasil-RJ, 1982, 120 min) – Eduardo Coutinho

* “Cabra Marcado para Morrer” (Brasil-RJ, 1982, 120 min) – Eduardo Coutinho
Em 1962, João Pedro Teixeira, líder da liga camponesa de Sapé, na Paraíba, é assassinado por ordem de latifundiários. Um filme sobre sua vida começa a ser rodado em 1964, com a reconstituição ficcional da ação política que levou ao assassinato e direção de Eduardo Coutinho. As filmagens são interrompidas pelo golpe militar de 1964. Dezessete anos depois, em 1981, Eduardo Coutinho retoma o projeto e procura Elizabeth Teixeira e outros participantes do filme interrompido. Vencedor do prêmio de melhor filme no Fest Rio, prêmio do júri evangélico e prêmio da crítica internacional do Fórum no Festival de Berlim, melhor documentário no Festival de Havana e grande prêmio no Festival de Troia; exibido nos festivais de Roterdã e de Toronto..

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“Community Control” (“Community Control”, EUA, 1969, 38 min) – Newsreel Collective

* “Community Control” (“Community Control”, EUA, 1969, 38 min) – Newsreel Collective
O filme documenta uma das lutas mais importantes pela educação nos anos 1960. Em 1968, sob intensa pressão das comunidades negra e latina, o estado de Nova York escolheu três distritos escolares da cidade para fazer parte de um experimento de educação administrada. Em Ocean Hill-Brownsville, o conselho comunitário solicitou a transferência de vários professores considerados racistas. O pedido provocou a ira da Federação Unida de Professores, burocracias municipais e estaduais e, por fim, uma greve de professores em toda a cidade..

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“El Coraje del Pueblo” (“El Coraje del Pueblo”, Bolívia, 1971, 90 min) – Jorge Sanjinés

* “El Coraje del Pueblo” (“El Coraje del Pueblo”, Bolívia, 1971, 90 min) – Jorge Sanjinés
O filme narra os massacres ocorridos antes e depois da Revolução Boliviana, tendo como foco a noite de San Juan durante o governo do ditador René Barrientos Ortuño. Os protagonistas – alguns dos quais viveram os acontecimentos em primeira mão – contam suas experiências em meio a este período turbulento no país sul-americano em que as forças repressivas de Barrientos cometeram todo tipo de atrocidades sob o pretexto de reprimir o movimento subversivo inspirado na figura de Che Guevara. Vencedor do Prêmio OCIC do Fórum no Festival de Berlim..

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“El Pueblo se Levanta” (“El Pueblo se Levanta”, EUA, 1971, 42 min) – Newsreel Collective

* “El Pueblo se Levanta” (“El Pueblo se Levanta”, EUA, 1971, 42 min) – Newsreel Collective
No final dos anos 1960, as condições para os porto-riquenhos nos Estados Unidos atingiram o ponto de ebulição. Diante da discriminação racial, serviços comunitários deficientes e educação e oportunidades de trabalho precárias, as comunidades porto-riquenhas começaram a lidar com essas injustiças por meio de ações diretas. O filme se concentra na comunidade de East Harlem, em Nova York, capturando a compaixão e a militância dos Young Lords enquanto eles implementavam seus próprios programas de saúde, educação e assistência pública e lutavam contra a injustiça social.
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“Emitaï” (“Emitaï”, Senegal, 1971, 103 min) – Ousmane Sembene

* “Emitaï” (“Emitaï”, Senegal, 1971, 103 min) – Ousmane Sembene
Em 1942, em Casamance, no sul do Senegal, a administração do marechal Pétain cedeu o poder aos homens do general de Gaulle. O exército decide requisitar comida na pequena aldeia de Efock. Os aldeões se recusam a dar arroz, seu único meio de subsistência. As mulheres decidem escondê-lo. A maioria dos homens partiu para lutar na França, os anciãos esperam a intervenção do deus do Trovão, Emitaï. Começa a repressão e o massacre de inocentes. Uma denúncia contra o colonialismo, o filme é baseado em fatos reais..

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“Estas São as Armas” (“Estas São as Armas”, Moçambique, 1978, 56 min) – Murilo Salles

* “Estas São as Armas” (“Estas São as Armas”, Moçambique, 1978, 56 min) – Murilo Salles
Um relato interno sobre a luta da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) contra o colonialismo de Portugal. Aborda também os contínuos ataques a civis moçambicanos, mesmo após a independência do país..

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“Etnocídio” (“Etnocidio: Notas sobre El Mezquital”, México, 1977, 105 min) – Paul Leduc

* “Etnocídio” (“Etnocidio: Notas sobre El Mezquital”, México, 1977, 105 min) – Paul Leduc
O filme expõe o fenômeno de aculturação da minoria Otomi no Vale do Mezquital, no México. De forma crítica e irônica, são mostradas e denunciadas as formas de exploração e saque promovidas pelo capitalismo e pelas classes dominantes nessas terras, fruto de uma longa história de injustiças.
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“Eu, Sua Mãe” (“Man Sa Yay”, Senegal/Alemanha, 1980, 59 min) – Safi Faye

* “Eu, Sua Mãe” (“Man Sa Yay”, Senegal/Alemanha, 1980, 59 min) – Safi Faye
As experiências cotidianas de um estudante senegalês em Berlim Ocidental são marcadas por uma sensação de desconforto na Europa e pelas expectativas de sua família na forma de um fluxo constante de cartas.
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“Festival Pan-africano de Argel” (“Festival Panafricain d’Alger”, França/Alemanha/Argélia, 1969, 90 min) – William Klein

* “Festival Pan-africano de Argel” (“Festival Panafricain d’Alger”, França/Alemanha/Argélia, 1969, 90 min) – William Klein
O filme reúne imagens captadas por diversos cineastas no Festival Panafricano de Argel, capital da Argélia, ocorrido em 1969. A obra explora a política e a música do 1º Festival Cultural Pan-Africano. Muitos dos entrevistados falam sobre o colonialismo e o neocolonialismo e a necessidade de os países explorados se unirem. Os cineastas puderam entrevistar o ativista político Eldrige Cleaver (1935-1998) e outros integrantes do grupo revolucionário Panteras Negras, então no exílio. Entre os destaques musicais do filme está uma performance da cantora Miriam Makeba (1932-2008), seguida de uma entrevista com ela.
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“I Heard It through the Grapevine” (“I Heard It Through the Grapevine”, EUA, 1981, 82 min) – Dick Fontaine

* “I Heard It through the Grapevine” (“I Heard It Through the Grapevine”, EUA, 1981, 82 min) – Dick Fontaine
O aclamado escritor norte-americano James Baldwin (1924-1987) refaz seu tempo no sul dos Estados Unidos durante o Movimento dos Direitos Civis, refletindo com seu brilhantismo sobre a passagem de mais de duas décadas. Nesta viagem pela estrada da memória, ele se envolve em conversas com amigos, ativistas e colegas escritores, como Amiri Baraka, Oretha Castle Haley e Chinua Achebe, refletindo sobre os eventos passados que desencadearam a luta contra a segregação racial, os ataques à igrejas, a brutalidade policial racista e as injustiças arbitrárias que a população negra teve de suportar. Questionando seu próprio legado, esses luminares olham para o presente e o quão pouco foi realmente alcançado na esteira do movimento, e nós, o público, somos igualmente encorajados a refletir sobre nossa própria época. Exibido no Festival de Berlim..

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“Na Selva Há Muito por Fazer” (“En la Selva Hay Mucho por Hacer”, Uruguai, 1974, 17 min) – Walter Tournier

* “Na Selva Há Muito por Fazer” (“En la Selva Hay Mucho por Hacer”, Uruguai, 1974, 17 min) – Walter Tournier
Um pai tenta fazer sua filhinha entender o motivo de sua prisão como prisioneira política. A selva serve de alegoria para a sociedade e o caçador como seu perigo. Baseado no conto homônimo do escritor uruguaio Mauricio Gatti. Vencedor do prêmio de melhor animação no Festival de Documentários e Curtas-Metragens de Bilbao..

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“Nossa Voz de Terra, Memória e Futuro” (“Nuestra Voz de Tierra, Memoria y Futuro”, Colômbia, 1982, 105 min) – Marta Rodríguez e Jorge Silva

* “Nossa Voz de Terra, Memória e Futuro” (“Nuestra Voz de Tierra, Memoria y Futuro”, Colômbia, 1982, 105 min) – Marta Rodríguez e Jorge Silva
O filme registra a luta da comunidade indígena Coconuco pela preservação de seu território, que com o passar do tempo foi cedendo terreno ao avanço da civilização. Vencedor dos prêmios de melhor filme, melhor direção, melhor música e melhor fotografia no Festival de Cartagena..

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“O Tigre e a Gazela” (Brasil-SP, 1977, 14 min) – Aloysio Raulino

* “O Tigre e a Gazela” (Brasil-SP, 1977, 14 min) – Aloysio Raulino
O filme justapõe a pobreza e a dignidade de personagens de nossas ruas e praças a textos de Frantz Fanon (1925-1961), importante escritor negro, militante político da Martinica que participou da libertação da Argélia.
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“Quilombo” (Brasil-DF, 1975, 24 min) – Vladimir Carvalho

* “Quilombo” (Brasil-DF, 1975, 24 min) – Vladimir Carvalho
Filme sobre uma comunidade negra remanescente de um antigo quilombo no município de Luziânia, em Goiás, nos arredores de Brasília. A obra documenta a atividade de uma fazenda, onde seus moradores, dedicados a atividades tradicionais, enfrentam a invasão de corretores de imóveis como um natural processo de urbanização..

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“Terra dos Índios” (Brasil-RJ, 1979, 100 min) – Zelito Viana

* “Terra dos Índios” (Brasil-RJ, 1979, 100 min) – Zelito Viana
O filme parte de uma reunião de caciques, realizada em março de 1978, para mostrar os problemas das comunidades indígenas em todo o país. Narrado por Fernanda Montenegro, com entrevista de Darcy Ribeiro e depoimentos de Ângelo Kretã, Mário Juruna e Marçal de Souza Tupã, entre outras lideranças indígenas.
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