O escritor Amos Oz, em sua casa em Tel Aviv (Israel), outubro de 2015. EDWARD KAPROV

Autor de “Como Curar um Fanático” defendia solução de dois estados para pôr fim ao conflito entre israelenses e palestinos. Nos últimos anos denunciou o que chamou de “extremismo crescente” do premiê Benjamin Netanyahu.

“O problema não é se Jerusalém é ou não a capital da Israel. O problema é como é que a outra metade de Jerusalém pode ser a capital da Palestina no futuro”, declarou recentemente ao PÚBLICO.

O premiado escritor e pacifista israelense Amos Oz morreu nesta sexta-feira (28/12), aos 79 anos, em Tel-Aviv, após uma batalha contra o câncer.

“O meu querido pai acaba de falecer de câncer, depois de um rápido declínio”, informou a filha do escritor Fania Oz-Salzberg no Twitter.

Um dos escritores israelenses mais lidos do mundo e traduzido para 45 idiomas, Oz recebeu dezenas de prêmios ao longo da carreira, mas, apesar de considerado em várias oportunidades, nunca foi agraciado ao Prêmio Nobel de Literatura.

Oz é considerado como um dos autores mais prestigiados da história do país, além de ter sido um importante ativista em defesa da paz e defensor da solução de dois Estados para solucionar o conflito entre israelenses e palestinos.

Ele nasceu em Jerusalém em 1939, quando a cidade ainda era palestina sob o mandato do Reino Unido, e começou a publicar livros aos 22 anos. Sua família era de origem russa e polonesa. O escritor foi batizado com o nome Amós Klausner, mas escolheu como pseudônimo Oz, que significa “força” ou “coragem”.

Ainda jovem, entrou para um Kibutz e estudou Literatura e Filosofia na Universidade Hebraica de Jerusalém, tendo publicado os seus primeiros contos entre 1960 e 1963. Ele também participou como militar da Guerra dos Seis Dias e da Guerra do Yom-Kippur e fundou, na década de 1970, juntamente com outros, o movimento pacifista Paz Agora (Shalom Akhshav), do qual se tornou o principal representante.

Ao longo da carreira, além dos livros, Oz publicou coleções de ensaios e cerca de 500 artigos de opinião. Aclamado desde o início como o “Camus israelita”, o escritor, um fervoroso ativista pela paz com os palestinos, denunciou, nos últimos anos, a política do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, protestando contra o que qualificou como “um extremismo crescente” do governo.

Em uma entrevista concedida em abril deste ano para um canal alemão, Oz disse “Não sei o que o futuro reserva para Jerusalém, mas sei o que deve acontecer. Todos os países do mundo devem seguir o presidente Trump e transferir suas embaixadas em Israel para Jerusalém. Ao mesmo tempo, cada um desses países deve abrir sua própria embaixada em Jerusalém Oriental como a capital do povo palestino”.

Entre os livros mais conhecidos do escritor estão “A caixa preta”, “Uma história de amor e trevas”. “Como Curar um Fanático” e “Rimas de amor e morte”. Suas obras foram traduzidas em mais de 45 idiomas. “Uma história de amor e trevas”, onde abordou o suicídio da sua mãe, obteve grande sucesso mundial e foi adaptado ao cinema, com a atriz Natalie Portman como protagonista. Boa parte da sua obra foi traduzida para o português pela editora Companhia das Letras.

Fonte: DW (JPS/efe/lusa/ots)

Leia o artigo de Amos Oz “Por que romper o silêncio?”. AQUI!

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





COMENTÁRIOS





Revista Prosa Verso e Arte
Literatura - Artes e fotografia - Educação - Cultura e sociedade - Saúde e bem-estar