Morre Benito di Paula, um dos grandes nomes da música popular brasileira

São Paulo, outubro de 2026 – O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo, 18 de outubro de 2026, por volta das 20h, no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata. O artista lutava contra a doença havia aproximadamente um ano. O artista se sentiu mal no final da tarde de ontem e foi levado ao hospital pelo filho Rodrigo Vellozo, mas não resistiu.
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Dono de uma identidade musical singular, Benito di Paula construiu uma trajetória marcante na música popular brasileira, conquistando gerações de admiradores com sua voz inconfundível, seu piano e um repertório que atravessou décadas. Com um estilo próprio, que aproximou o samba de elementos da música romântica e popular, tornou-se um dos artistas de maior identificação com o público brasileiro.
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Ao longo da carreira, emplacou canções que se tornaram clássicos populares e consolidou uma obra reconhecida por sua personalidade artística, sua interpretação intensa e sua capacidade de estabelecer uma conexão direta com o público.
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Sua partida deixa uma lacuna na música brasileira e encerra a trajetória de um artista que marcou a história do samba e da canção popular no país.
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Benito deixa dois filhos, Rodrigo e Thiago Vellozo, e duas netas, filhas de Rodrigo.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO
O velório será realizado na terça-feira, 20 de outubro de 2026, das 9h às 15h, no Theatro Municipal de São Paulo, localizado na Praça Ramos de Azevedo, s/n, na região da República, no centro da capital paulista. A cerimônia será aberta ao público, permitindo que fãs, amigos e admiradores prestem suas últimas homenagens ao artista. O sepultamento está marcado para às 17h, no Cemitério Morumby, em São Paulo, e será fechado, restrito exclusivamente aos familiares. Para informações sobre homenagens com flores, está disponível o telefone (11) 9 1330-0359.

Benito di Paula: o pianista que reinventou o samba e conquistou o Brasil
Benito di Paula, nome artístico de Uday Veloso, nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Cantor, compositor e pianista, construiu uma das trajetórias mais singulares da música popular brasileira, tornando-se um dos grandes responsáveis por aproximar o samba de uma sonoridade romântica, marcada pelo piano, por interpretações intensas e por melodias que conquistaram milhões de brasileiros.
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Filho de uma família musical, Benito desenvolveu desde cedo sua relação com os instrumentos e com a canção popular. Ainda jovem, começou a trabalhar como crooner, apresentando-se em casas noturnas do Rio de Janeiro. Posteriormente, passou por Santos e São Paulo, onde encontrou um ambiente decisivo para o desenvolvimento de sua carreira. Foi na noite paulistana que consolidou sua identidade artística e conquistou o público com uma maneira própria de cantar e tocar samba ao piano.
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Sua projeção nacional ganhou força no início da década de 1970, quando assinou com a gravadora Copacabana e passou a lançar discos que rapidamente encontraram grande repercussão comercial. Em 1973, a canção “Retalhos de Cetim” tornou-se um dos maiores marcos de sua carreira. Com sua interpretação emotiva, o piano em primeiro plano e uma melodia de forte apelo popular, a música se transformou em um clássico da canção brasileira, atravessando gerações e recebendo gravações de outros intérpretes.
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A partir daí, Benito emplacou uma sequência de sucessos que consolidaram sua presença no imaginário popular. “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Se Não For Amor”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Ah, como eu Amei” e “Proteção às Borboletas” estão entre as canções que ajudaram a definir sua obra. Suas composições combinavam romantismo, cotidiano, humor, sentimento e observação da vida brasileira, sempre com uma assinatura musical facilmente reconhecível.

Uma identidade própria na música brasileira
Seu diferencial estava, sobretudo, na maneira de colocar o piano no centro do samba. Em uma tradição frequentemente identificada com o violão, o cavaquinho e os instrumentos de percussão, Benito desenvolveu uma estética em que o teclado harmônico conduzia a interpretação e estabelecia uma relação particular com a voz. Suas apresentações eram marcadas por gestos expressivos, forte presença cênica e uma entrega emocional que aproximava o artista de seu público.
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Benito também rompeu barreiras entre diferentes segmentos da música popular. Sua obra dialogava com o samba tradicional, a canção romântica e elementos do jazz, sem perder o vínculo com a comunicação direta e com a experiência cotidiana dos ouvintes. Essa combinação contribuiu para que alcançasse públicos diversos e se tornasse um fenômeno de popularidade nas décadas de 1970 e 1980.

Parcerias, encontros e diálogos entre gerações
Embora tenha construído grande parte de sua trajetória a partir de composições próprias, Benito manteve relações importantes com outros criadores e intérpretes da música brasileira. Entre seus parceiros de composição estavam Chico Anysio, Adoniran Barbosa e Márcio Brandão, nomes que representam diferentes experiências e tradições da canção popular e também Jota Velloso, Ney Velloso e Ana Carolina Velloso (irmãos de Benito).
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Sua obra também ultrapassou as fronteiras de seu próprio repertório. Composições de Benito foram gravadas por artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia e Alcione, demonstrando a capacidade de suas canções de encontrar novas interpretações e circular por diferentes universos musicais. “Retalhos de Cetim”, em particular, ganhou leituras de outros intérpretes brasileiros e estrangeiros, ampliando o alcance de sua criação.
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O reconhecimento de sua música por artistas de gerações distintas reafirmou a força de um repertório que não dependia apenas da presença do próprio compositor para continuar vivo. Suas canções passaram a integrar o patrimônio afetivo da música brasileira, sendo revisitadas por intérpretes do samba, do pagode e da nova geração da MPB.
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Nos últimos anos, Benito aprofundou o diálogo entre sua trajetória e a renovação da música popular por meio de seu filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo. Juntos, lançaram o projeto O Infalível Zen, em 2021, aproximando a experiência musical do pai de outras referências estéticas e de uma perspectiva contemporânea. A parceria também simbolizou a transmissão de um legado artístico entre gerações.
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A celebração de seus 80 anos, com o projeto Benito 80: Novo Samba Sempre Novo, reforçou esse movimento de reconhecimento e renovação. Ao reunir intérpretes de diferentes gerações em torno de suas canções, o projeto evidenciou a vitalidade de um repertório capaz de dialogar com novas sensibilidades sem perder sua essência.

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Benito Di Paula – foto: acervo do artista

Um artista popular que fez história
A importância de Benito di Paula para a música brasileira não se resume ao número de discos vendidos ou à popularidade de seus maiores sucessos. Sua contribuição está também na afirmação de uma estética musical própria, que desafiou convenções e demonstrou que o samba poderia incorporar novas sonoridades, arranjos e formas de interpretação sem perder sua identidade.
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Em uma indústria musical marcada por transformações profundas, Benito construiu uma carreira de mais de cinco décadas, gravou dezenas de discos e manteve uma relação duradoura com seu público. Sua figura singular, sua maneira de tocar piano e seu repertório tornaram-se elementos reconhecíveis da cultura popular brasileira.
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Sua trajetória também foi celebrada para além dos discos e dos palcos. Em 2025, a escola de samba Águia de Ouro levou sua história e sua obra ao Carnaval de São Paulo, reconhecendo a importância do artista para a cultura musical e para a cidade onde consolidou parte fundamental de sua carreira.
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Benito di Paula deixa uma obra que pertence à memória afetiva de diferentes gerações. Suas canções continuam a contar histórias de amor, saudade, alegria e cotidiano, revelando a força de uma música popular que encontra no sentimento uma de suas maiores formas de comunicação.
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Mais do que um símbolo de uma época, Benito foi um artista que criou uma linguagem própria e ampliou as possibilidades expressivas do samba. Sua contribuição permanece na obra que deixou, nos intérpretes que a mantêm viva e na capacidade de suas canções de atravessar o tempo, reafirmando seu lugar entre os nomes fundamentais da música popular brasileira.

A última aparição pública: uma celebração em família
A última aparição pública de Benito di Paula aconteceu em 31 de julho de 2026, durante o espetáculo “Benito 85”, idealizado por seu filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo. Na mesma data, foi lançado um disco relacionado ao projeto, registrando a celebração musical em homenagem aos 85 anos que Benito completaria em 28 de novembro deste ano.
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O show e o lançamento do álbum foram concebidos como uma celebração antecipada de sua trajetória, de sua contribuição para a música brasileira e da permanência de um repertório que atravessou gerações. A iniciativa de Rodrigo Vellozo ganhou um significado especial ao reunir música, memória e afeto em torno da história de seu pai.
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O projeto também simbolizou a transmissão de um legado artístico entre gerações, reafirmando a atualidade das composições de Benito e sua influência sobre novos intérpretes. Realizada poucos meses antes de seu aniversário, aquela apresentação tornou-se sua última aparição pública, enquanto o disco lançado no mesmo dia passou a integrar o registro de uma homenagem à sua vida e à sua obra.
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Assessoria de imprensa: Paulo Henrique de Moura


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