Marina Peralta e Chico César unem reggae e cumbia em ‘Não Deixe a Liberdade Morrer’

Parceria que amadureceu ao longo dos anos integra o novo disco da cantora, previsto para setembro
.
Algumas músicas parecem encontrar o próprio tempo para existir. Foi assim com “Não Deixe a Liberdade Morrer”, parceria entre Marina Peralta e Chico César que chegou às plataformas digitais em 21 de agosto, pelo selo EME Lab. Nascida de uma troca entre os artistas ainda em 2018, a canção atravessou quase oito anos até encontrar sua forma definitiva e agora surge como mais um capítulo do novo álbum de Marina, previsto para setembro.
.
A história começou quando Chico enviou para a cantora, por mensagem no Instagram, um vídeo com o refrão da música. O reggae já estava presente naquela primeira ideia e Marina, que havia conhecido o artista pessoalmente naquele mesmo ano, escreveu os versos pouco depois. O encontro, no entanto, ainda precisaria amadurecer.
.
“Foi muita alegria e honra receber essa iniciativa. Como o tempo da vida é diferente do nosso, depois de tantos anos chegamos a uma nova forma definitiva e realizei mais esse sonho. Essa tinha que estar no disco. A gente vai aprendendo que vale a pena confiar no tempo do som, que nenhum encontro é em vão. É bonita a ideia de que algumas músicas esperam o tempo certo para existir”, conta a artista.
.
Quase oito anos depois da primeira composição, Marina ressignificou a letra e modificou sua melodia. Chico aprovou a nova leitura e, já em estúdio, foi além do refrão originalmente criado por ele ao dividir também os versos com a cantora. A troca espontânea sintetiza uma das ideias que atravessam não apenas a faixa, mas o novo trabalho de Marina: a criação como exercício coletivo.
.
“Mais do que participações especiais, as parcerias desse disco representam relações construídas ao longo dos anos, baseadas em troca, confiança e generosidade artística. Não quero perder essas importâncias”, explica.

Liberdade como escolha
Se a música precisou de tempo para encontrar sua forma, sua mensagem chega em um momento em que a palavra que dá nome à faixa assume diferentes significados. Para Marina, “Não Deixe a Liberdade Morrer” parte de uma provocação de Chico César para falar sobre a necessidade de preservar a autonomia de criar, pensar e continuar em movimento.
.
“Esse chamado a não deixar a liberdade morrer, vindo de Chico César, é instigante e inspirador porque assume uma postura diante da arte e da vida: preservar a liberdade criativa, manter a curiosidade, continuar em movimento, sem permitir que as expectativas e limitações do outro determinem o tamanho da nossa”, afirma.
.
A reflexão também se expande para o coletivo. Em meio a disputas em torno de autonomia e direitos, Marina enxerga a canção como um convite para não naturalizar retrocessos e recuperar a capacidade de construir em comunidade.
.
“É um chamado à desordem, no sentido de não aceitar passivamente o que está posto, defender avanços e não retrocessos diante das lutas por emancipação. Precisamos recuperar o senso de comunidade, estar em grupo, inclusive fazendo música e exercitando essa generosidade”, completa.
.
Essa liberdade também ajuda a explicar a presença de Chico César no projeto. Marina cresceu ouvindo o compositor dentro de casa e encontrou nele, anos depois, não apenas uma referência artística, mas um exemplo de longevidade sem acomodação.
.
“É uma realização muito especial gravar com alguém que ouço desde criança, com a família. Minha admiração só aumentou quando o conheci, principalmente pela capacidade de seguir criando com uma liberdade, inquietação e um frescor que eu, uma artista bem mais nova, perco muitas vezes pela comparação e pela dinâmica cruel do mercado. É inspirador ver alguém há tantos anos fazendo música sem endurecer com o tempo e sem ficar neutro diante da história”, diz Marina.

revistaprosaversoearte.com - Marina Peralta e Chico César unem reggae e cumbia em 'Não Deixe a Liberdade Morrer'
Marina Peralta e Chico César – foto: Thamires Mulatinho

Do reggae às fronteiras latino-americanas
Produzida por Caê Rolfsen, “Não Deixe a Liberdade Morrer” encontra sua identidade musical na união entre reggae e cumbia, com referências que passam pelo maestro e arranjador brasileiro Moacir Santos pelo baixista jamaicano Robbie Shakespeare, da dupla Sly & Robbie.
.
A combinação antecipa um dos movimentos centrais do próximo álbum de Marina. Nascida em Mato Grosso do Sul, território atravessado pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia, a artista mergulha nas referências que formaram sua identidade para ampliar uma pesquisa que até então tinha no reggae seu ponto mais reconhecível.
.
No novo trabalho, reggae, dub, rap, música popular brasileira e reggaeton encontram elementos ligados à vivência fronteiriça da cantora. A proposta é aprofundar sua identidade latino-americana sem abandonar a palavra, a poesia e os posicionamentos que acompanham sua trajetória.
.
“Estou justamente nessa busca de priorizar as conexões sinceras e acreditar nas músicas que saem delas, sem que eu precise me colocar em alguma caixa específica nesse mercado. Minha arte precisava disso e eu precisava disso. E também acalma o coração dos fãs que estavam preocupados de não ter reggae no disco: vai ter mais”, brinca.
.
Depois de “Indomables”, “Não Deixe a Liberdade Morrer” representa o segundo movimento dessa narrativa e ajuda a revelar as diferentes camadas do álbum que chega em setembro. Para Marina, a nova fase mantém um princípio que acompanha sua obra: “Me mantenho alimentando uma revolução amorosa. É uma prioridade na raiz do meu trabalho e de como aprendi a lidar com a música na minha vida. Tem tudo a ver”.
.
O lançamento também ganha um registro audiovisual assinado por Thamires Mulatinho, responsável pela filmagem e edição, lançado no dia 21 de agosto. Gravado durante a sessão de vozes, o material acompanha Marina e Chico entre performances, dança e momentos espontâneos de interação no estúdio. – Assista Aqui

revistaprosaversoearte.com - Marina Peralta e Chico César unem reggae e cumbia em 'Não Deixe a Liberdade Morrer'
Capa do Single ‘Não Deixe a Liberdade Morrer’ • Marina Peralta e Chico César • Selo EME Lab • 2026

Single ‘Não Deixe a Liberdade Morrer’ • Marina Peralta e Chico César • Selo EME Lab • 2026
Canção / compositores
1. Não Deixe a Liberdade Morrer (Marina Peralta e Chico César)
– ficha técnica –
Voz: Marina Peralta | Voz: Chico César | Baixo: Tael Bass | Teclados: Tootz I | Trombone: Victor Rodrigues Fão | Backing Vocal: Regiane Cordeiro | Produção Musical: Caê Rolfsen | Filmagem e edição: Thamires Mulatinho | Foto de capa: Thamires Mulatinho | Edição e finalização capa: Willian Monteiro | Mixagem e masterização: Fernando Sanches | * Citação musical : Coisa nº3 (Moacir Santos); linha de baixo Robbie Shakespeare em “None Shall Escape the Judgement” de Jhonny Clarke || Oficina de Laboratório – Direção Executiva: Raphael Damiati; Produção Executiva: Caio Piovesan; Operacional de A&R: Lum; Marketing e Comunicação: Luísa Guimarães; Gestão de mídia: Felipe Alleoni; Design: Willian Monteiro; Jurídico: Gabriel Souza || Assessoria de Imprensa: Omim Comunicação / Fernanda Burzaca, Luanna Marin, Maria Paula Santos e Larissa Martins | Selo: EME Lab | Formato: Single digital | Ano: 2026 | Lançamento: 21 de agosto | ♪Ouça o single: clique aqui

revistaprosaversoearte.com - Marina Peralta e Chico César unem reggae e cumbia em 'Não Deixe a Liberdade Morrer'
Marina Peralta e Chico César – foto: Thamires Mulatinho

NÃO DEIXE A LIBERDADE MORRER
(Marina Peralta e Chico César)
.
Não deixe que digam, que pensem, que falem por você
Não deixe a liberdade morrer
Não deixe a liberdade morrer
Não deixe que a nóia do outro
E a falta de sonhos te façam enlouquecer
Não deixe a liberdade morrer
Não deixe a liberdade morrer
.
Tenho asas dentro
Na prece concentro, me deixa sentir
Defesas se montam, estamos a postos
Me dê um gole de coragem pra seguir
.
Algemas rompidas pra quem soube dizer não
Na casa da desordem mora a revolução
Dar passos para trás não me parece uma opção
Sou empecilho pro seu plano de dominação
Posso te ver
Sentado confortável dando ordem pra eu seguir
Larápios tomando de assalto, põe a mão pro alto
Não te querem free, só roubar sua bri
Não deixa cair, não deixa cair
.
Ali onde não morre a liberdade
Ali no coração nasce toda manhã
Toda noite, toda tarde
Um sentimento de amor
Não deixe a liberdade morrer!
.
Não deixe que digam, que pensem, que falem por você
Não deixe a liberdade morrer
Não deixe a liberdade morrer
Não deixe que a nóia do outro
E a falta de sonhos te façam enlouquecer
Não deixe a liberdade morrer
Não deixe a liberdade morrer
.
Não diga que não
Na casa da desordem mora a revolução
Não, não diga que não
Na casa da desordem mora a revolução
Não diga que não
Na casa da desordem mora a revolução
Não, não diga que não
Na casa da desordem mora a revolução
Revolução!

.

Série: Discografia da Música Brasileira / Canção / Single.
Publicado por ©Elfi Kürten Fenske / Templo Cultural Delfos


ACOMPANHE NOSSAS REDES

ARTIGOS RECENTES