Marcus Veras - foto: Possato
Nascida de um argumento para cinema, a novela “O Patuá de Oxum” de Marcus Veras, entrelaça o sagrado e o profano. Lançamento na Livraria da Travessa de Botafogo.
Depois de dois romances ambientados durante a ditadura militar, o jornalista e escritor Marcus Veras volta seu olhar para o tempo presente. A novela “O Patuá de Oxum” (Numa Editora), que nasceu como argumento para o cinema, reúne dois personagens antagônicos: o branco Jeferson e o negro Baldwin estão com o pé na estrada, rumo à Bahia, perseguidos por narcotraficantes, contando apenas com a proteção dos povos mágicos da Encantaria Brasileira. O lançamento de “O Patuá de Oxum” será no dia 28 de julho, a partir das 19 horas, na Livraria da Travessa de Botafogo, rua Voluntários da Pátria 97, Rio de Janeiro/RJ.
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“Comecei a me interessar pelo tema a partir da estranha aliança entre alguns pastores neopentecostais e traficantes que atacaram os terreiros de umbanda ou candomblé nas comunidades”, aponta Marcus Veras. Os tais “Bondes de Jesus”, segundo o autor, marcaram o surgimento de uma nova realidade onde as fronteiras entre bem e o mal se diluem completamente. “É o capitalismo exercendo suas prerrogativas no mercado da fé”, analisa.
Foi através dos livros do Professor Reginaldo Prandi que Veras ampliou seu conhecimento sobre as religiões afro-indígenas, onde alguns mitos se superpõem e criam variantes para o sagrado e o profano se entrelaçarem. “Segui o conselho de minha filha, Sofia: ‘pai, para entender o povo brasileiro, você tem que conhecer suas religiões’, relembra. “Por isso, frequentei tanto uma tenda de umbanda, como procurei a orientação do Humbono Rogério Olissa, para sentir de perto as diferentes vibrações.” De família presbiteriana, o jornalista e escritor abandonou a igreja aos 18 anos, para nunca mais voltar. “Conheço a rigidez daquele pensamento calcado no Velho Testamento”, pontua.
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Com o argumento pronto, Marcus Veras escreveu um roteiro para cinema e através de um amigo comum, o advogado Marcelo Cerqueira, enviou para Cacá Diegues. Entre outras observações, Cacá elogiou a construção dos personagens: “Por mais que mitos e religiões sejam o suporte cultural do filme, o que o público vai acompanhar é o destino de Jeferson e Baldwin. Ambos, como aliás todos os personagens do roteiro, estão muito bem construídos, são sólidos e compreendemos seus motivos, o rumo que desejam tomar”, avaliou o diretor, em 2022.
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“Não foram só elogios”, como conta Veras: “Cacá se deu ao trabalho de apontar excessos e algumas passagens desnecessárias, que me fizeram voltar ao roteiro para um novo tratamento. Nunca pude agradecer pessoalmente, por isso faço questão de dedicar esta novela a ele.” Quanto a virar um filme, quem sabe? “Vai que os santos decidem fazer a cabeça de um produtor ou diretor…
O Patuá de Oxum
Autor: Marcus Veras
Numa Editora
Projeto Gráfico – Maraca Rio Design
R$ 60,00
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