AGENDA CULTURAL

Malu Galli volta aos palcos do Rio de Janeiro com ‘Mulher em fuga’

Chega ao teatro brasileiro “Mulher em Fuga”, a primeira adaptação nacional de Lutas e Metamorfoses de uma Mulher e Monique se Liberta, obras marcantes do escritor francês Édouard Louis que, até o momento, nunca haviam sido encenadas no país. A dramaturgia inédita é assinada por Pedro Kosovski, com direção de Inez Viana, atuação de Malu Galli e Tiago Martelli, que também é o idealizador do projeto, e coordenação geral de produção de Cicero de Andrade. A estreia nacional de “Mulher em Fuga” ocorreu em janeiro de 2026, em São Paulo; no Rio de Janeiro, a temporada de estreia será no Teatro Firjan SESI Centro, de 5 de março até 5 de abril, quintas e sextas às 19h, sábados e domingos às 17h.

A narrativa da peça acompanha Monique, a mãe do autor, em diferentes momentos de sua vida: gesto literário ao mesmo tempo, íntimo e político, que expõe as engrenagens sociais que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora. Entre a luta e a libertação, o que vemos é uma mulher que insiste em recomeçar. E, nesse gesto, Monique se torna também o retrato de tantas mulheres brasileiras que, contra todas as adversidades, assumem a chefia de suas famílias e reinventam suas vidas.  Édouard Louis participa da encenação “Mulher em Fuga” por meio de voz off, na cena em que ele e sua mãe conversam ao telefone.
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“A história da minha mãe é a história de uma vida roubada e, portanto, também a história de uma juventude roubada, como foi a vida e a juventude de muitas mulheres e é por isso que me pareceu importante escrever este livro, rebelar-me contra isso.” – Édouard Louis
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As duas obras literárias, centrais na trajetória de Édouard Louis, abordam a vida de sua mãe sob diferentes perspectivas: em Lutas e Metamorfoses de uma Mulher (2021), Louis reconstrói a trajetória de sua mãe a partir do olhar do filho que testemunhou – muitas vezes à distância, outras de muito perto – um percurso marcado por pobreza, humilhações, trabalho exaustivo e um casamento abusivo. A obra narra o difícil caminho da metamorfose: o momento em que uma mulher decide romper com o ciclo de violência e buscar dignidade, liberdade e reconstrução. Louis transforma a memória íntima em gesto político, revelando como estruturas sociais moldam vidas e limitam possibilidades.

Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: Leonardo Bonato

Já Monique se Liberta (2024) amplia essa narrativa ao devolver a palavra à própria protagonista. Pela primeira vez, Monique assume a autoria de sua história, descrevendo com força e lucidez o que significa sobreviver – e resistir – dentro de um sistema que silencia mulheres da classe trabalhadora. Ao narrar seus medos, perdas, estratégias e conquistas, ela reivindica o direito de existir para além das condições que lhe foram impostas. O livro funciona como um contraponto e uma resposta ao relato do filho, completando o movimento de emancipação que começou no primeiro volume.
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A adaptação de Pedro Kosovski aproxima essas duas vozes – mãe e filho – em um gesto cênico que evidencia tanto o conflito quanto o afeto, a memória e a insurgência presentes na obra de Édouard Louis. Ao transpor essas narrativas para o teatro, o dramaturgo cria uma experiência sensorial e política que amplia o alcance dos livros, revelando suas potências dramáticas e sua urgência social.
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“A dramaturgia planifica as tramas sobrepostas de duas obras literárias de Édouard Louis, cujo protagonismo está na relação ‘impossível’ que enlaça e desenlaça mãe e filho. Busquei a ação emocional da escrita autobiográfica de Louis, uma ação que rompe decisivamente com o estado de anestesia que muitas vezes marca existências em nossa sociedade. Entre dívidas e reivindicações, algo do impossível desse encontro entre mãe e filho pronuncia imperativamente um chamado emocional: é urgente que se façam sentir as existências neste mundo, apesar desse mundo.” – Pedro Kosovski

Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: Leonardo Bonato

A direção sensível e precisa de Inez Viana potencializa essa dimensão íntima e política, construindo um espaço onde literatura e performance se encontram para iluminar temas urgentes do contemporâneo. Segundo a diretora, ao conduzir sua mãe para o centro da narrativa, Louis propõe um grito contra o sistema patriarcal que oprime e faz com que haja a naturalização da violência, que encontramos eco aqui e agora.
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“Através de sua ajuda para a terceira fuga de sua mãe, o filho tenta não só recuperar sua relação interrompida com ela, mas entende, e nós também entendemos, que a liberdade e o caminho não percorridos sempre poderão ser retomados, independentemente do tempo.” – Inez Viana
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A montagem marca um encontro importante entre literatura contemporânea e cena teatral brasileira, propondo reflexões sobre violência de gênero, apagamento das histórias da classe trabalhadora e o poder das narrativas pessoais na construção da memória coletiva. Ao dar corpo, voz e movimento às palavras de Louis e de sua mãe, Kosovski transforma um relato íntimo em uma intervenção artística de grande impacto. Com Malu Galli e Tiago Martelli conduzindo a narrativa, a direção de Inez Viana oferece ao público uma experiência potente, que transforma a história pessoal de Monique em reflexão universal sobre emancipação, violência estrutural e a importância de reivindicar a própria voz.
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“Monique é uma mulher comum: dona de casa, mãe de cinco filhos. E, como toda mulher comum, Monique é uma mulher extraordinária. Uma mulher com uma força gigantesca, um amor pela vida e uma coragem de leoa. Basta dar a ela a oportunidade de ser quem é para que todos possam comprovar isso. E, quando falamos de oportunidade, falamos de autonomia. E, quando falamos de autonomia, o dinheiro está sempre no centro.” – Malu Galli
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Idealizador do projeto, Tiago Martelli integra a criação artística desde sua origem, reforçando o caráter coletivo e visceral da proposta.
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“Na obra de Édouard Louis, encontrei uma narrativa que nos confronta com a coragem, a vulnerabilidade e a reinvenção de uma mulher que se recusa a desaparecer. Esta adaptação é um gesto de cuidado, um ato político e uma homenagem a todas as mulheres que lutam para reconquistar suas próprias vozes.” – Tiago Martelli
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A estreia de “Mulher em Fuga” marca um capítulo inédito na circulação da obra de Édouard Louis no Brasil, revelando a força teatral de textos que combinam precisão política, ferocidade afetiva e profunda humanidade.

Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: Leonardo Bonato

Ficha técnica
Autor: Édouard Louis | Dramaturgia: Pedro Kosovski | Direção artística: Inez Viana | Elenco: Malu Galli e Tiago Martelli | Assistência de direção: Lux Nègre | Cenografia: Dina Salem Levy | Cenógrafa assistente: Alice Cruz | Desenho de luz: Aline Santini | Trilha sonora: Felipe Storino | Figurino: Ticiana Passos | Orientação de movimento: Denise Stutz | Assessoria de imprensa: Ney Motta | Fotografia: João Pacca | Designer: Opacca e Fernando Vilarim | Operador de luz: Paulo Maeda | Operador de som: Cauê Andreassa | Direção de produção: Gabriela Morato | Associação Sol.te | Coordenação geral de produção: Cícero de Andrade / Mosaico Produções | Produção: Dani Simonassi, Tiago Martelli, Matheus Ribeiro, Thais Cairo | Idealização: Tiago Martelli

Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: Leonardo Bonato

SERVIÇO
Espetáculo ‘Mulher em fuga’
Temporada: 5 de março até 5 de abril 2026.
Quintas e sextas, às 19h, sábados e domingos às 17h.
Local: Teatro Firjan SESI Centro – Av. Graça Aranha, 1 – Centro, Rio de Janeiro (Próximo ao Metrô Cinelândia)
Ingressos: R$ 40,00 (inteira)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos
INGRESSOS ONLINE

Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: Leonardo Bonato
Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: João Pacca
Espetáculo ‘Mulher em fuga’ – foto: Leonardo Bonato

 

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