Marcando uma nova fase, mais conceitual e autoral, com o objetivo de contar sua história, seu som e sua alma em forma de música, Ju Santtos, lança nas plataformas digitais, o seu primeiro trabalho autoral, o EP ‘Sobre o Amor’. O trabalho tem produção musical de Deangelo Silva e direção artística de Rogério Botasso e Helton Altman, lançado pelo selo Novo Tempo.
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Ju Santtos, cantora e compositora potiguar nascida em Natal (RN), cuja trajetória artística é marcada pela autenticidade, resistência e paixão profunda pela música, enfrentou os pais evangélicos para ser ela mesma: ‘Não sabem como foi difícil chegar aqui’.

Ju Santtos, a nova cantora trans do Brasil, mostra seu vozeirão e versatilidade a serviço da MPB em seu primeiro EP
– por Rodrigo Faour*
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A potiguar Ju Santtos passou poucas e boas até o momento de conseguir ir para o estúdio registrar “Sobre o amor”, seu primeiro EP, que chega agora finalmente às plataformas digitais pelo selo Novo Tempo, distribuído pela Tratore. Filha de pastor evangélico, se por um lado teve as primeiras lições de música dadas por um exigente maestro do coro da igreja que frequentava, por outro, sua maneira de ser e os gêneros que gostaria de cantar, definitivamente, não se afinavam com aquele ambiente. Sendo assim, saiu cedo de casa e foi à luta. Cantou em tudo que foi bar das principais cidades do Rio Grande do Norte, como Natal e o balneário chique de Pipa, e já causando uma enorme empatia do público.
Nesse meio tempo, Ju Santtos transicionou-se e foi chamando cada vez mais atenção pela musicalidade e também por sua figura bela – alta (1,84m, chegando a quase dois metros com salto agulha), com um generoso cabelo afro – e carismática, daquelas que fazem amizade em qualquer lugar, sem esforço. E, sim, passando por cima das muitas barras pesadas enfrentadas por ser quem era em cidades pequenas, nem tão cosmopolitas. Mas sua energia sempre foi tão fulgurante que a sorte lhe sorriu.
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Seu Estado ficou pequeno para tanto talento. Graças a uma amiga, teve a oportunidade de descer no mapa do Brasil, chegando a Salvador. Ali, se encontrou na cidade mais negra do país – velhos temas de Axé Music que adorava não saíram mais de seu repertório, o candomblé abraçou definitivamente a sua alma e a sensualidade baiana lhe pareceu muito familiar. Não tardou a ser convidada a cantar em casas de jazz, MPB e até em trios elétricos de lá, caindo nas graças de músicos locais, como o violonista e professor costarriquenho Mário Ulhôa, que, espantado com seu talento, indicou a um amigo paulista que adorava música. Este amigo era Rogério Botasso, que tratou de pegar um avião para conferir de perto sua descoberta num show que ela faria. No camarim, Ju cantou alguns versos do sucesso de Nana Caymmi, “Resposta ao tempo” (Cristovão Bastos/Aldir Blanc). Foi o suficiente. Ele a levou para São Paulo e virou logo seu “fado padrinho”.
Na capital paulista, Ju Santtos enturmou-se rapidamente com outros músicos da pesada, como Nailor Proveta, líder da Banda Mantiqueira, da qual ela já era fã, e com quem se apresentou assim que chegou da Bahia, cantando “Eu e a brisa” (Johnny Alf) e “Incompatibilidade de gênios” (João Bosco/Aldir Blanc). Causou comoção imediata. Logo outros também se encantaram por ela, como o violonista Alexandre Penezzi, o baixista Arismar do Espírito Santo e o arranjador Deangelo Silva, todos reunidos neste seu primeiro EP, “Sobre o amor”, que tem direção artística do mesmo Rogério Botasso e do aclamado produtor Helton Altman.
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Mas, afinal, o que Ju Santtos tem de tão especial, musicalmente falando? Não é pouca coisa. A voz portentosa, a afinação, a divisão rítmica e um ecletismo a serviço de canções com belas melodias e harmonias, algo que muita gente anda sentindo falta atualmente. Ju não é uma artista fabricada, é um talento raro, o que se pode perceber nas 3 faixas de seu EP. Seja nas duas inéditas: o samba-Jazz “Sobre o amor” de sua autoria, e na comovente toada “Curuminha” do paulista Salvelino – esta com as participações mais que especiais de Mestrinho (acordeom) e de Nailor Proveta (clarinete). Ou na recriação de “Verde” (Eduardo Gudin/Costa Netto), samba/bossa que revelou Leila Pinheiro no Festival dos Festivais, da TV Globo exatos quarenta anos atrás.
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Agora, basta de palavras. Dê logo o play nas plataformas de streaming e confira você mesmo (a) a beleza do canto e o suingue dessa nova e necessária artista, Ju Santtos. Eu dou fé.
*Rodrigo Faour (Jornalista, escritor, produtor musical e historiador de música brasileira e cultura lgbti+)

EP ‘Sobre o Amor’ • Ju Santtos • selo Novo Tempo/dist. Tratore • 2025
Canções / compositores
1. Sobre o amor (Ju Santtos)
2. Curuminha (Salvelino Dias)
3. Verde (Eduardo Gudin e Costa Netto)
– ficha técnica –
Faixa 1: Ju Santtos (voz); Alexandre Penezzi (violão 7 cordas); Fábio Perón (bandolim); Morgana Moreno (flauta); Léo Rodrigues (percussão) | Faixa 2: Ju Santtos (voz); Mestrinho (sanfona); Nailor “Proveta” Azevedo (clarinete) | Faixa 3: Ju Santtos (voz); Deangelo Silva (teclados); Danilo Silva (violão); Arismar do Espírito Santo (baixo); Ivan Castro (bateria); Léo Rodrigues (percussão) | Produtor fonográfico: Novo Tempo | Direção artística: Rogério Botasso e Helton Altman | Produção musical e arranjos: Deangelo Silva | Mixagem e masterização: Vicente Dias Jacomini | Estúdio de gravação: GugaStro Estúdio | Produção administrativa: LuLopes | Produção de conteúdo: Ivan Altman | Identidade visual: Estúdio Thema | Fotos: Lucas Seixas | Texto de apresentação: Rodrigo Faour | Selo: Novo Tempo | Distribuição digital: Tratore | Ano: 2025 | Lançamento: 27 de agosto | ♪Ouça o EP: clique aqui.

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> Siga: @jusanttos.cantora
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Série: Discografia da Música Brasileira / Canção / EP digital.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


