Alberto Dines no programa Observatório da Imprensa em dezembro de 2009 - foto: Ana Paula Oliveira Migliari/TV Brasil|EBC

Jornalista desde 1952, Dines estava internado em São Paulo

O jornalista Alberto Dines morreu nesta terça-feira (22) aos 86 anos. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Segundo a esposa Norma Couri, o jornalista foi levado ao hospital há dez dias, em decorrência de uma gripe que evoluiu para pneumonia, e faleceu devido a problemas respiratórios.

Jornalista desde 1952, Alberto Dines dirigiu a Redação do Jornal do Brasil em um de seus períodos mais inovadores e criativos, de 1962 a 1973.

Em 1975, quando foi dirigir a sucursal da Folha no Rio de Janeiro, lançou a coluna “Jornal dos Jornais”, considerada precursora na crítica sistemática dos meios de comunicação no país.

Foi, de certa forma, um pioneiro na função de ombudsman, atuando como crítico da mídia brasileira. Em 1996, lançou o Observatório da Imprensa, um dos frutos do Projor —Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo—, também criado por Dines com o apoio da Unicamp.

Nas últimas duas décadas, Dines dedicou-se a fomentar o jornalismo com as atividades no Observatório e no Projor, onde coordenou projetos de capacitação, treinamento e promoção de boas práticas da profissão.

Com sua atuação no Projor, proporcionou capacitação em técnicas de redação, de acesso ao mercado publicitário, em gestão financeira e administrativa e em tecnologia a veículos de menor porte. ​​

Além do site do Observatório, Dines apresentou um programa semanal do veículo nas emissoras públicas TV Cultura, TVE e na TV Brasil, que a sucedeu, de 1996 a 2015.

Como jornalista, trabalhou nas revistas Manchete, Cena Muda —​nesta, como crítico de cinema—, Visão, e Fatos e Fotos, bem como​ nos jornais Última Hora, Tribuna da Imprensa, Diário da Noite, Jornal do Brasil e Folha, além do semanário O Pasquim. Trabalhou ainda no Grupo Abril, como secretário editorial. Na Folha, além da passagem na Sucursal do Rio na década de 1970, atuou também como colunista nos anos 90.

Como docente, deu aula de jornalismo na PUC-RJ e foi professor visitante na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Lançou 15 livros, entre ficção, reportagem e técnicas jornalísticas. Ganhou o prêmio Jabuti em 1993, por “Vínculos de Fogo”, na categoria Estudos Literários (Ensaios).

Suas demais obras são “Vinte Histórias Curtas”, “Os Idos de Março e a Queda de Abril”, “O Mundo Depois de Kennedy”, “Jornalismo Sensacionalista”, “Comunicação e Jornalismo”, “Posso?”, “O Papel do Jornal”, “E Por Que Não Eu?”, “A Imprensa em Debate”, “Morte no Paraíso – A Tragédia de Stefan Zweig”, “O Baú de Abravanel”, “20 Textos que Fizeram História”, “As Transformações da Revolução Global e o Brasil” e “Diários Completos do Capitão Dreyfuss”. ​

Dines chegou a ser preso em 1968 após o AI-5, por ter feito um discurso como paraninfo de uma turma da PUC-RJ, criticando a censura.

Ele deixa quatro filhos, de seu primeiro casamento, com Ester Rosali, sobrinha do empresário de mídia​​ Adolfo Bloch —fundador da revista e da rede de televisão Manchete, ambas extintas. Casou-se uma segunda vez, com a jornalista Norma Couri.

*Com informações da Folha de S. Paulo

“Há um delírio verbal no ar. As palavras, teoricamente destinadas a elevar e promover aproximações, converteram-se em instrumento da baixaria, armas de destruição. O conhecimento, ao invés de estimular a tolerância, está sendo usado apenas para acirrar as intransigências”
– Alberto Dines (1932-2018)

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