Ilana Volcov celebra 15 anos do álbum ‘Bangüê’ com apresentações exclusivas no Algarve, Portugal

A República 14, em Olhão (Portugal), recebe no próximo sábado (11 de abril) a cantora Ilana Volcov para uma celebração que atravessa o Atlântico: os 15 anos de seu álbum de estreia, Bangüê. O espetáculo acontece em duas sessões (19h e 21h30), revisitando um trabalho lançado em 2010 como um marco de curadoria e rigor técnico. O disco mergulha na identidade brasileira através de seus “perfumes” e tradições, contemplando autores e gêneros musicais de diferentes regiões, unindo as heranças africanas, ameríndias e portuguesas que moldaram o Brasil colonial e que hoje ecoam na vivência da artista em Portugal.
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A gênese do projeto foi o encontro de Ilana com a palavra Bangüê no choro Recife, Cidade Lendária, de Capiba, ilustre compositor pernambucano.
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“Conheci o termo nos versos de Capiba: ‘Recife, cidade lendária, das pretas de engenho cheirando à bangüê’. Aquele cheiro adocicado seria capaz de revelar tanto sobre aquelas mulheres: eram escravas, eram africanas, trabalhavam na monocultura da cana-de-açúcar”, recorda a cantora. “Passei a procurar outros ‘perfumes’ que contassem histórias brasileiras, coisas que carregamos — mesmo sem perceber — e revelam tanto sobre a nossa identidade.”
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No palco, acompanhada por Raquel Rodrigues (piano) e Fernando Baggio (bateria), a intérprete traz a voz límpida que marcou o trabalho de Eduardo Gudin, ícone do samba paulista, interpretando temas como Estatuinha (Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri), Leilão (Hekel Tavares/Joracy Camargo) e o fado O namorico da Rita (António Mestre/Artur Ribeiro), numa versão caboverdiana. Quinze anos depois, vivendo em Portugal, o repertório ganha um novo peso, revelando-se quase premonitório.
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“O lançamento aconteceu em 2010, quando viver no exterior era algo completamente impensável para mim! Hoje, contemplando as canções de Bangüê, vejo que a minha mudança para Portugal estava ali, como um tipo de semente”, reflete Ilana. A cantora cita versos de Paulo César Pinheiro (“Mãe, sua bênção que eu vou embarcar / Vou-me embora no primeiro cargueiro”) e de Karina Buhr (“peguei uma janela do trem… pra me despedir, ai meu Deus, de mim”) como presságios de sua própria travessia. “Essas e outras histórias vou contar e cantar no próximo sábado, no Algarve.”
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O concerto em Olhão promove esse reencontro: a herança colonial do Brasil – evocada no disco -, confrontada com a vivência atual de quem atravessou o Atlântico. É a música servindo de ponte entre o passado histórico e a jornada pessoal da artista.

SERVIÇO
Concerto: Ilana Volcov – 15 anos do álbum ‘Bangüê’
Ilana Volcov (voz) | Raquel Rodrigues (piano) | Fernando Baggio (bateria)
Data: 11 de abril 2026 (Sábado)
Duas sessões – horários: 19h00 e 21h30
Local: República 14 (Av. da República 14, Olhão, Algarve, Portugal)
Bilhetes/ingressos: disponíveis em BOL.pt
> Siga: @ilanavolcov
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Ilana Volcov – foto: Indre Biancale

SOBRE O ÁLBUM | BANGUÊ Ilana Volcov
O álbum de estreia da cantora paulistana Ilana Volcov, “Bangüê”, é resultado de um projeto contemplado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo).
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Lançado em 2010, de forma independente e com distribuição da Tratore, foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Canção, pela gravação da inédita “Procissão da Padroeira”, de Guinga e Paulo César Pinheiro.
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O projeto previa o registro de um material inédito ou pouco difundido de autores consagrados e jovens compositores; e a criação de arranjos originais alinhavando canções de diferentes épocas, regiões e gêneros musicais brasileiros.
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O repertório teve, como ponto de partida, o verso de um choro de Capiba: “Recife, cidade lendária, das pretas de engenho cheirando à bangüê”. Ilana desconhecia o termo de origem africana para “engenho da cana-de-açúcar”, e, ao descobrir seu significado, ficou admirada com a potência da palavra escolhida pelo compositor pernambucano. Mais do que o perfume adocicado da cana-de-açúcar, o cheiro do bangüê, revelava que aquelas pretas eram escravas, eram africanas, e trabalhavam em terra de monocultura.
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Pouco depois de ouvir “Recife, cidade lendária”, em 2006, Ilana se apresentou na Europa, pela primeira vez, num festival alemão que homenageou a música do Brasil. E, mesmo sendo neta de europeus, com nome e aparência europeias, jamais se sentiu tão brasileira. E concluiu que também carregava algum “perfume” brasileiro, que a fazia tão diferente das pessoas que cruzou no velho continente.
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Decidiu, então, pesquisar, através das canções, outros “perfumes” capazes de contar nossas histórias ou revelar algo sobre a nossa identidade.
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Então, configurou uma pequena coleção de “crônicas brasileiras”, contendo:
– Músicas pouco regravadas  dos geniais Caetano Veloso (Onde eu nasci passa um rio) e Paulinho da Viola (Encontro)
– Inéditas do jovem Breno Ruiz (Contradança) e do já aclamado Guinga (Procissão da Padroeira), ambas letradas por Paulo César Pinheiro
– Canções lançadas de novos autores como Karina Buhr (O trem) e Chico Saraiva (Na virada da costeira) – também com letra de Paulo César Pinheiro
. Temas antigos de autores do passado como Capiba (Recife, cidade lendária), Heckel Tavares e Joraçy Camargo (Leilão)
. Obras históricas do disco Clube da Esquina II (Paixão e Fé), de Tavinho Moura e Fernando Brant, e do espetáculo Arena Canta Zumbi (Estatuinha), de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri

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Disco ‘Bangüê’ • Ilana Volcov • Selo Independente / Tratore • 2010

Disco ‘Bangüê’ • Ilana Volcov • Selo Independente / Tratore • 2010
Canções / compositores
1. Estatuinha (Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri)
2. O namorico da Rita (Antônio Mestre/Artur Ribeiro)
3. Onde eu nasci passa um rio (Caetano Veloso)
4. Encontro (Paulinho da Viola)
5. Recife, cidade lendária (Capiba)
6. Leilão (Scenas coloniales) (Hekel Tavares/Joracy Camargo)
7. O trem (Karina Buhr)
8. Paixão e fé (Tavinho Moura/Fernando Brant)
9. Morada (Domínio público)
10. Procissão da padroeira (Guinga/Paulo César Pinheiro)
11. Contradança (Breno Ruiz/Paulo César Pinheiro)
12. Quando o samba acabou (Noel Rosa)
13. Na virada da costeira (Chico Saraiva/Paulo César Pinheiro)
– ficha técnica –
Ilana Volcov voz e vocais | Alexandre Ribeiro clarinete e clarone | Rodrigo Y Castro flauta e flautim | Michi Ruzitschka violões, guitarra e vocais | Daniel Amorin baixo acústico | Pedro Ito bateria e percussão || Cristovão Bastos piano em “Quando samba acabou”  Guilherme Ribeiro acordeão em “Encontro” | Helô Ribeiro, Mariana Elizabetsky vocais em “Estatuinha” | Caê Rolfsen vocais em “Estatuinha” e “Onde eu nasci passa um rio” | Dante Ozzetti arranjo de sopros em “Leilão” | Paulo Aragão arranjo de “Procissão da Padroeira” | Rodrigo Bragança arranjo de “Paixão e Fé” || Idealizado por Ilana Volcov | Produção musical Ricardo Mosca, Michi Ruzitschka e Ilana Volcov | Concepção musical de Estatuinha, O Namorico da Rita, Onde eu nasci passa um rio, Recife, cidade lendária, Leilão, Contradança e Na virada da costeira Michi Ruzitschka e Ilana Volcov | Arranjos Michi Ruzitschka | Gravado por Ricardo Mosca e Maurício Gargel no Estúdio NaCena | Assistentes de gravação Rodrigo Costa, Wagner Costa e Ygor Ferreira | “Quando o samba acabou”, gravada por Célio Barros e Ricardo Mosca no Estúdio da PMC – Produção de Música Contemporânea | Mixado por Ricardo Mosca no Estúdio do Mosca | Masterizado por Carlos Freitas na Classic Master | Produção executiva Ilana Volcov | Design gráfico Ruth Klotzel – Estúdio Infinito | Revisão de textos Marcos Luiz Fernandes | Foto Alisson Louback | Maquiagem Vanessa Rozan – Liceu de Maquiagem | Videoclipe O TREM | Intérprete: Ilana Volcov | Autora: Karina Buhr | Criação: Ilana Volcov, Luisa Beçak, Mariana Leme, Nina Meirelles | Pós-produção: Ana Roman | Encarte: clique aqui | Ouça o álbum Álbum BANGÜÊ: youtube / spotify / deezer

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Ilana Volcov – foto: Indre Biancale

ILANA VOLCOV | BIO
Ilana Volcov, cantora e professora de canto, iniciou a carreira no Barbatuques, grupo de percussão corporal. Sempre atuou com compositores, entre eles, Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, Guinga e Breno Ruiz. Ao lado de Eduardo Gudin, com quem trabalhou por 14 anos, cantou com Arrigo Barnabé, Elton Medeiros, Márcia, Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola, Paulo Vanzolini, Toquinho, e gravou o CD “Um jeito de fazer samba” (2006), o DVD “Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil – 3 Tempos” (2011) e o CD “Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil 4” (2015) – indicado ao 17º Grammy Latino. Contemplada pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, gravou Bangüê (2010), disco indicado ao 22º Prémio da Música Brasileira e premiada pela Funarte, realizou, em 2024, a turnê “Pelo Teletipo” em cindo capitais brasileiras. Em 2025, lançou “Acariciando” (Biscoito Fino), um dueto com o ilustre pianista Cristovão Bastos e recebeu o prêmio de Melhor Intérprete no Festival de Música da Rádio Nacional (Brasil) pela interpretação da canção que abre o álbum.
__________ DISCOGRAFIA
* Bangüê (2010)
* Um jeito de fazer samba (2006) com Eduardo Gudin
* Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil – 3 Tempos (2011) com Eduardo Gudin
* Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil 4 (2015) com Eduardo Gudin – indicado ao Grammy Latino
* Acariciando (2025) com Cristovão Bastos
__________ ESTUDOS
Formada em Arquitetura e Urbanismo (1996), é pós-graduada em “Processos Criativos em Música: Composição, Arranjo e Improvisação” pela Faculdade de Música Souza Lima, São Paulo (2016). Dedica-se aos estudos da técnica vocal desde 1994. Suas principais professoras de canto foram Leilah Farah, Regina De Boer, Regina Machado, Joana Mariz e Paula Molinari. Fez inúmeros cursos livres de canto, improvisação vocal e performance, tendo estudado com Linda Wise, Margaret Pikes e Pascale Ben (Centre Artistique Roy Hart), Thomas Adam (Antroposofia / Escola do Desvendar da Voz), Maria João Grancha, Meredith Monk, Fernando Barba, Stênio Mendes, Luciana Souza, Bob Stoloff, Santiago Vázquez e o grupo de Bobby McFerrin (Circlesongs). Completou o Level 1 do curso de formação “Somatic VoiceworkTM The LoVetri Method” com Jeannette LoVetri. Estudou percepção musical, harmonia, arranjo, improvisação e composição com renomados professores como Ricardo Breim e Claudio Leal Ferreira. Seus instrumentos complementares são piano e violão. Estudou Técnica Alexander com Regina Vieira, Reinaldo Renzo, e as cantoras Gabriela Geluda e Izabel Padovani. Possui diversas formações na área de consciência corporal. É professora de meditação e respiração da organização internacional The Art of Living (2013) e professora de ioga pela Sri Sri School of Yoga (2018) com certificado internacional QCI – Governo AYUSH, Índia.
__________ ATIVIDADES RECENTES
– Lançamento digital do segundo álbum “Acariciando” em março de 2025
– Apresentações solo em Lisboa, Paris e Rotterdam (2025), e com Guinga em Estocolmo (2024) e Londres (2025)
– Apresentações no projeto “We Call It Jazz” Lisboa, em 2025
– Workshops de técnica vocal, improvisação (circlesongs) e yoga para a saúde vocal em Lisboa e Porto, 2025 e 2026
– Lançamento do álbum “Acariciando” no Festival de Choro de Paris com Cristovão Bastos, em março de 2026
– Lançamento do show “Bangüê – 15 anos” com Raquel Rodrigues e Fernando Baggio, músicos brasileiros residentes em Lisboa, no Algarve, Portugal, em abril de 2026
– Turnê europeia com o pianista Cristovão Bastos, em setembro de 2026

 

Série: Discografia da Música Brasileira / MPB / Canção / Álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


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