AGENDA CULTURAL

Gregorio Duvivier faz duas apresentações de ‘O Céu da Língua’ em São Paulo, no Teatro Unimed

Escrito por Luciana Paes e Gregorio Duvivier e dirigido por Luciana Paes, montagem já levou 150 mil espectadores ao teatro desde fevereiro de 2025 em turnê que passou por dezenas de cidades do Brasil e em Portugal. O Céu da Língua faz sessão dia 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2026, no Espaço Unimed
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Espetáculo é uma comédia sobre a presença quase invisível da poesia no cotidiano
Quem tem medo de poesia? Gregorio Duvivier não faz parte deste grupo e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto – até mesmo criar um espetáculo sobre o assunto. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e o assunto é prazeroso e divertido.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.
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A direção é da atriz Luciana Paes, parceira de Gregório nos improvisos do espetáculo Portátil. No palco, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora:
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“Acredito que o Gregorio tem ideias para jogar no mundo e, com essa crença, a coisa me move independentemente de qualquer rótulo”, diz Luciana, uma das fundadoras da celebrada Cia. Hiato, que estreia na função de diretora teatral.

Gregorio Duvivier no espetáculo ‘O Céu da Língua’ – foto: Priscila Prade

O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declamará Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define.
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“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, aposta a diretora. “Ele, graças aos seus recursos de ator, pega o público distraído e ninguém resiste quando é surpreendido por alguém apaixonado.”

Toda linguagem é um acordo e, se você entende, tudo bem. Gregorio, desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa. Assim o protagonista, por exemplo, brinca com códigos, como aqueles que, em sua maioria, só são decifrados por pais e filhos ou casais enamorados.
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As reformas ortográficas que tiram letras de circulação e derrubam acentos capazes de alterar o sentido das palavras inspiram o artista em tiradas bem-humoradas. O mesmo acontece quando ele comenta a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram ressignificadas ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de afta, íngua, seborreia, ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregorio extrai humor.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. É só pensar nas metáforas usadas no cotidiano – “batata da perna”, “céu da boca”, “pisando em ovos”. Nesta hora, usamos a poesia e nem percebemos.
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Nesta cumplicidade com a plateia, Gregorio mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética e, claro, homenageia Portugal, o país que emprestou ao Brasil a sua língua para que todos se comunicassem. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregório e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.

Gregorio Duvivier no espetáculo ‘O Céu da Língua’ – foto: Priscila Prade

O CÉU DA LÍNGUA – FICHA TÉCNICA
Texto: Gregorio Duvivier e Luciana Paes | Interpretação: Gregorio Duvivier | Direção: Luciana Paes | Direção musical e execução da trilha: Pedro Aune | Assistente de direção e projeções: Theodora Duvivier | Iluminação: Ana Luzia de Simoni | Cenografia: Dina Salem Levy | Assistente de cenografia: Alice Cruz | Figurinos: Elisa Faulhaber e Brunella Provvidente | Visagismo: Vanessa Andrea | Designer gráfico publicação: Estúdio M-CAU – Maria Cau Levy e Ana David | Identidade visual divulgação: Laercio Lopo | Comunicação: Raquel Murano | Marketing digital: Renato Passos | Assessoria de imprensa RJ: Pedro Neves | Assessoria de imprensa SP: Pombo Correio | Fotos: Demian Jacob, Priscila Prade, Joana Calejo Pires e Raquel Pelicano | Diretor técnico: Lelê Siqueira | Diretor de palco: Reynaldo Thomaz | Técnico de som: Dugg Mont | Assistente de palco: Daniela Mattos | Gerente de Projetos: Andréia Porto | Assistente de produção: João Byington de Faria | Produção executiva: Lucas Lentini | Direção de produção: Clarissa Rockenbach e Fernando Padilha | Produção: Pad Rok

Gregorio Duvivier no espetáculo ‘O Céu da Língua’ – foto: Priscila Prade

SERVIÇO
O CÉU DA LÍNGUA
ESPAÇO UNIMED – Rua Tagipuru, 795 – Barra Funda – São Paulo
Apresentações: dias 31 de janeiro, sábado às 21h30 e 01 de fevereiro, domingo, às 21h30
Abertura da casa: 1h30 antes de cada sessão
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 80 minutos
Valores:
Camarote A: 180,00
Camarote B: 160,00
Setor Platinum: R$ 220,00
Setor Azul Premium: R$ 180,00
Setor Azul: R$ 160,00
Setores ABCD: R$ 140,00
Setores EFGH: R$ 120,00
Setores IJK: R$ 100,00

Gregorio Duvivier no espetáculo ‘O Céu da Língua’ – foto: Priscila Prade
Gregorio Duvivier no espetáculo ‘O Céu da Língua’ – foto: Priscila Prade
Revista Prosa Verso e Arte

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