AGENDA CULTURAL

{FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas, que celebra o circo negro estreia no Sesc Pompeia

O trabalho torna o picadeiro em um altar de resistência e beleza, onde o corpo negro é eternamente fonte de criação. Transformando o circo negro em território de memória e invenção, o Coletivo Prot{agô}nistas estreia {FÉ}STA no dia 16 de janeiro de 2026, no Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, SP), abrindo a programação 2026 do teatro. A temporada, que segue até 8 de fevereiro, tem sessões às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h. Nas sextas-feiras dos dias 23 e 30 de janeiro e 6 de fevereiro, há sessões extras às 16h.
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Depois de sete anos de trajetória e do impacto de primeira obra da companhia, Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro, o coletivo aprofunda sua pesquisa entre circo, dança e música em {FÉ}STA e marca a presença do circo contemporâneo negro ocupando um dos palcos mais importantes da cidade.

Com concepção e direção geral de Ricardo Rodrigues, a partir do argumento em parceria com Renato Ribeiro, Ricardo Rodrigues e Washington Gabriel, o espetáculo enaltece a música, a dança e as artes circenses com estética afro-diaspórica, permeada por poesia, humor e o risco inerente do circo que se entrelaça à força ancestral de quem celebra seus ritos.
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O trabalho está amparado nos quatro eixos que atravessam a existência humana: morte, união, vida e fé. Tudo é abordado de maneira metafórica, imagética e sensorial. Nesse sentido, {FÉ}STA nasce como um convite para celebrar a vida em toda a sua totalidade.
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Entre acrobacias, música ao vivo e dança, a cena evoca a espiritualidade, a coletividade e o renascimento constante que marcam o caminhar da população negra. Cada gesto é atravessado por histórias coletivas que ecoam nas rodas, nos terreiros e nas ruas.
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“Em linhas gerais, a morte é representada pela travessia. Estamos homenageando quem cruzou o Atlântico e chegou em Pindorama. A união está simbolizada pelo encontro em uma nova terra. A vida está expressa em números aéreos para mostrar a beleza do corpo. Aqui fé não tem rótulos: ela parte de uma roda de samba e caminha para o encanto sublime”, diz Rodrigues.

{FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas – foto: Sergio Fernandes

Sobre a encenação
Ao contrário do espetáculo anterior, PROT{AGÔ}NISTAS – O Movimento Negro no Picadeiro, que deu foco à produção autoral dos integrantes, {FÉ}STA, desenvolve cenas coletivas. “Trabalhamos juntos para encontrar um repertório comum, pensando nessa força conjunta. Todos fazem acrobacias, dançam e cantam”, comenta Ricardo.
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São nove intérpretes no palco: Zanza Santos, Wilson Guilherme, Tatilene Santos, Robert Gomez, Ricardo Rodrigues, Keithy Alves, Jéssica Turbiani, Helder Vilela e Guilherme Awazu. Todos interagem com um andaime.
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“Essa estrutura é nosso aparelho circense, que recebe as apresentações de dança e as acrobacias. Ele começa deitado, até que passa a desafiar à física ao ficar em várias outras posições, como em losango, em diagonal e em pé, além de girar”, conta o diretor.

A trilha sonora é executada ao vivo em cena pelos artistas Guilherme AwazuJaque da Silva, Mariana Per, Melvin Santhana, Pitee Batelares e Vinícius Ramos. A direção musical é assinada por Melvin Santhana. O Figurino de Karine Lopes traz referências do afrofuturismo para ressaltar a elegância e realeza do elenco, apostando em tons claros que recebem o complemento do dramaturgismo na iluminação de Danielle Meireles, que ressalta cores e recria os ambientes da narrativa.
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{FÉ}STA olha para o ciclo da vida não apenas como passagem, mas como permanência. Trata-se de um gesto político e poético que faz do circo um altar de resistência e beleza, onde o riso é fé, o encontro é renascimento, e o corpo negro, em sua travessia, é eternamente fonte de criação.

{FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas – foto: Sergio Fernandes

Oficinas
O Coletivo Prot{agô}nistas realiza uma série de oficinas formativas que atravessam circo, dança e música como linguagens integradas à cena contemporânea, tendo o corpo, o ritmo e o som como territórios de criação, memória e comunicação. As atividades propõem vivências práticas e reflexivas que articulam técnica, experimentação e expressividade, partindo de referências afrodiaspóricas e das pesquisas artísticas do coletivo. Destinadas a artistas, estudantes, pesquisadores, educadores e pessoas interessadas nas artes da cena, as oficinas convidam os participantes a explorar o corpo em movimento, a dança como celebração e a música como potência narrativa e política.
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Na oficina Acrobacias e Corpo em Movimento, os artistas circenses Wilson Guilherme e Tatilene Santos conduzem exercícios e jogos corporais que investigam apoios, rolamentos, tônus muscular e precisão do gesto, integrando preparação física e criação cênica. Já Corpo em Festa: Dança e Ritmo, conduzida por Keithy Alves e Washington Gabriel, propõe uma imersão em ritmos da música preta — como samba rock, funk, step e gumboot dance — enfatizando musicalidade, ancestralidade e presença cênica. Encerrando o ciclo, Som e Circo: o processo de criação musical e dramaturgia sonora para a cena mergulha nas relações entre música, corpo e dramaturgia, com Melvin Santhana e Mariana Per, destacando o som como linguagem fundamental das artes cênicas e espaço de resistência, memória e criação coletiva.

Sobre o Coletivo Prot{agô}nistas
Com estreia em 2019, no Festival Internacional de Circo de São Paulo FIC-SP, Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro, realizou a abertura do Projeto “Novos Modernistas” no Theatro Municipal de São Paulo, na noite de 8 de maio de 2019 com ingressos esgotados. A partir daí participou das principais programações do Mês da Consciência Negra: Sesc Pompéia, 1º Fórum de Performance Negra de São Paulo, SescTV, Centro de Memória do Circo, Teatros Paulo Autran, Anchieta, Antunes Filho, CCSP, entre outros.
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Recebeu o troféu do Prêmio Arcanjo de Cultura em 2019 na categoria teatro como “Espetáculo Teatral que une as Artes Circenses a outras formas de Expressão Artística com Protagonismo Negro”. Em 2020, foi contemplado pela 1ª Edição do Fomento à Cultura Negra, e produziu o documentário “Estar Vivo é Nossa Maior Resistência”. Integrou os festivais como: FIC-SP 2020, SESC CIRCOS 2021, Mostra Bagaceira, Mostra Saruê, FIT-BH, Festival de Curitiba, Festival Folia de Circo, Festival Omodé e Festival Culturas Negras do SESCSP.
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Em 2022, com patrocínio master da Unilever Brasil, realizou a Circulação Prot{agô}nistas em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife e São Paulo via Lei de Incentivo à Cultura.
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Em 2023, recebe o Prêmio Leda Maria Martins de Teatro Negro, na categoria Projetos Cênicos – Ancestralidade. Em 2024 comemorou 5 anos de existência com lançamento do Baile Black e atualmente, em 2025 realiza a circulação pelo projeto Viagem Teatral do SESI-SP, por cidades do interior paulista.

{FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas – foto: Sergio Fernandes

SINOPSE
{FÉ}STA transforma o picadeiro em um ritual traçado por quatro pontos inerentes à condição humana: morte, nascimento, união e fé. Entre acrobacias, dança e música, o Coletivo Protagonistas celebra o ciclo da vida e a força que transita entre mundos.

FICHA TÉCNICA
Criação: Coletivo Prot{agô}nistas | Argumento: Ricardo Rodrigues, Renato Ribeiro e Washington Gabriel | Direção geral: Ricardo Rodrigues | Assistência de Direção: Washington Gabriel | Direção Musical: Melvin Santhana | Desenho e operação de luz: Danielle Meireles | Técnica de Som: Bia Santos | Figurino: Ocorre entre linhas / Karine Lopes | Cenografia: Ricardo Rodrigues | Serralheiros: Gilson Toquearte e Jovani Almeida | Visagismo: Fagner Saraiva | Preparação Circense: Erickson Almeida | Artistas criadores – Circo: Guilherme Awazu, Helder Vilela, Jéssica Turbiani, Keithy Alves, Ricardo Rodrigues, Robert Gomez, Tatilene Santos, Wilson Guilherme e Zanza Santos | Música: Guilherme Awazu, Jaque da Silva, Mariana Per, Melvin Santhana, Pitee
Batelares e Vinícius Ramos | Composições: Ayo Kuntima, Jaque da Silva, Mariana Per, Melvin Santhana, Ricardo Rodrigues e Vinicius Ramos | Coreografias: Keithy Alves, Washington Gabriel, Wilson Guilherme e Zanza Santos | Social Mídia: Rafael Americo | Designer Gráfico: Lais Oliveira | Fotografia: Sergio Fernandes | Assessoria de Imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Daniele Valério e Marina Franco | Produção Geral e Executiva: Jéssica Turbiani e Ricardo Rodrigues | Realização: Exuberante Arte

{FÉ}STA, do Coletivo Prot{agô}nistas – foto: Sergio Fernandes

SERVIÇO
{FÉ}STA
Data: 16/01 a 08/02, às sextas e aos sábados às 20h; e, aos domingos às 18h. Nas sextas, dias 23 e 30/1 e 6/2, também às 16h (sessão dupla)
*ATENÇÃO: 23/01, 30/1 e 6/2 sessões com intérprete de Libras às 20h
Local:
 Sesc Pompeia – R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo, SP
Ingresso: R$ 40| R$20| R$ 12
Formativas/Oficinas: As oficinas terão a taxa de inscrição de R$ 10 | R$ 5 | R$ 3. Com inscrições via app e portal Sesc.
Duração: 1h15m
Classificação: Livre

OFICINAS DO COLETIVO PROT{AGÔ}NISTAS
Oficina 1 – Circo
Acrobacias e Corpo em Movimento
Ministrantes: Wilson Guilherme e Tatilene Santos
Vagas: 20 | Público: A partir de 16 anos
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Oficina 2 – Dança
Corpo em Festa: Dança e Ritmo
Ministrantes: Keithy Alves e Washington Gabriel
Vagas: 30 | Público: A partir de 16 anos
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Oficina 3 – Música
Som e Circo: o processo de criação musical e dramaturgia sonora para a cena
Ministrantes: Melvin Santhana e Mariana Per
Vagas: 30 | Público: A partir de 16 anos

Revista Prosa Verso e Arte

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