Extraordinário (Wonder, 2017)
‘Extraordinário’, a adaptação do livro homônimo do escritor R. J. Palacio, promete emocionar as audiências de todo o mundo com a comovente história de Auggie Pullman.
“Quando eu estava na barriga da minha mãe, ninguém tinha nem ideia de que eu iria nascer com esta cara”, conta o protagonista de Extraordinário (Wonder, no título original em inglês), um menino de 10 anos, já nas primeiras linhas do romance de R. J. Palacio que inspirou o filme homônimo. A frase, e a expressão “esta cara”, poderiam servir de paradigmas para o tom – desmistificador, desopilante, quase sarcástico – de um desses filmes equilibristas, dificílimos de resolver, sobre temas e ambientes complicados. Porque “esta cara” é a de um menino nascido com a síndrome de Treacher-Collins, uma má formação craniofacial congênita, que foi operado 27 vezes e, após anos sendo educado em casa pela mãe e saindo à rua escondido por capacete de astronauta, narra sua primeira experiência num colégio, com outras crianças da sua idade.
Extraordinário se aproxima do drama a partir da grandeza do amor de uma família e das inevitáveis rasteiras de uma sociedade que não parece preparada para encarar determinados aspectos da vida – do físico ao moral. Ajudado por atuações formidáveis, com Julia Roberts e um magnífico elenco infantil encabeçado por Jacob Tremblay, o garoto de O Quarto de Jack, Stephen Chbosky, diretor do longa, conduz o relato com a mão firme de quem não teme nem o drama nem a comédia e, sobretudo, de quem sabe que cair no sentimentalismo e no lacrimogêneo seria um golpe baixo contra a essência da sua história.
Recentemente, o diretor Stephen Chbosky falou sobre os desafios em traduzir essa simbólica história para o cinema, de maneira que respeite o material original e impacte o público. Segundo ele, construir o protagonista em Jacob Tremblay foi um deles:
“De cara, o maior desafio que enfrentamos foi transformar Jacob Tremblay em Auggie Pullman. O nosso designer de maquiagem, Arjen Tuiten, é realmente brilhante e nos deu a confiança e a tranquilidade de que essa mudança poderia ser feita. Além disso, outra adversidade foi encontrar o retrato certo. Todos conhecem o clássico clichê de que uma imagem vale mais do que mil palavras e eu fui buscar isso. E não me refiro literalmente a um retrato apenas, mas de modo geral, de ter o elenco certo para construir isso. Eu não tinha cinco capítulos para explicar e caracterizar Summer, então chamei Millie Davis para assumir essa responsabilidade. Também não tinha todo o tempo do mundo para fazer a audiência entender o quão forte, amorosa e incrível uma mãe pode ser, então implorei para que Julia Roberts fizesse isso e ainda bem que ela disse sim.”
Filme ideal para toda a família, Extraordinário se amplifica com aspectos colaterais, porém essenciais: o poderoso tratamento da personagem da irmã mais velha, a presença de um casal inter-racial – não há tantos no cinema – e o fato de que desta vez cabe ao pai o papel de personagem fanfarrão da história. Assim, um diálogo maiúsculo entre o garoto e um amigo poderia resumir um filme admirável:
– E você não pode fazer uma cirurgia estética?
– Olha, esta cara que eu tenho é graças à cirurgia estética.
Verifique nos cinemas de sua cidade!
*Com informações do El País Brasil
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