Exílio, por Rubem Alves

Por que se gosta de um autor? Gosta-se de um autor quando, ao lê-lo, tem-se a experiência de comunhão. Arte é isso: comunicar aos outros nossa identidade íntima com eles. Ao lê-lo eu me leio, melhor me entendo. Somos do mesmo sangue, companheiros no mesmo mundo. Não importa que o autor já tenha morrido há séculos… Inversamente, quando não gosto de um autor, é porque não há comunhão. É como se ele fosse uma comida estranha que causa repulsa. Essa é a razão por que gosto tanto de Nietzsche. Foi amor à primeira vista. O que ele diz ilumina o meu ser. E há nele um sentimento doloroso: o sentimento de exílio. “Em cada chegada eu sou uma partida”, ele disse. É comum entre os escritores esse sentimento de estranheza no mundo. Drummond via isso na Cecília e dizia que esse era um dos seus traços marcantes. Sinto o mesmo. Se os que creem na reencarnação estão certos, então está tudo explicado. Nasci neste tempo, mas minha alma ficou num lugar do passado que eu muito amei.

Rubem Alves, no livro “Ostra feliz não faz pérola“. Paidós, 2021

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SOBRE O LIVRO revistaprosaversoearte.com - Exílio, por Rubem Alves
A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: “Preciso envolver esta areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas…”. Ostras felizes não fazem pérolas. Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. O ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor. Não é preciso que seja uma dor doída. Por vezes, a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Este livro é repleto de areias pontudas que machucam, mas que fazem da dor uma razão para sempre continuar. Qualquer página deste livro é um começo e um fim.
“Rubem fazia a filosofia descer do salto, fazia a psicanálise falar fácil, fazia a educação aprender com quem supostamente estava na ignorância, e fazia a poesia emoldurar tudo com o seu manto mais libertário.”
– ALEXANDRE COIMBRA AMARAL, PSICÓLOGO E ESCRITOR
“É um libertário amável, um educador atento, um pensador inquieto e um revolucionário doce.”
– PEDRO SALOMÃO, POETA E ESCRITOR
“Rubem Alves sabe contar histórias como poucos. As frutas que ele generosamente nos oferece têm um efeito poderoso e paradoxal: elas alimentam ainda mais a nossa fome.”
– CLÁUDIO THEBAS, EDUCADOR, PALHAÇO E ESCRITOR
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FICHA TÉCNICA
Título: Ostra feliz não faz pérola
Páginas: 288
Formato: 16 x 1.7 x 23 cm
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 1/9/2021 (3ª edição)
ISBN: 978-6555354591
Selo: Paidós
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