Inspirado no best seller ‘Sapiens’, de Yuval Noah Harari, o premiado espetáculo já foi visto por mais de 150 mil espectadores em temporadas no Brasil e em Portugal
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Desde sua estreia em 2022, Ficções não para de acumular números superlativos. Com 22 indicações e vencedor em algumas das maiores premiações brasileiras – incluindo o Shell e APTR de melhor atriz para Vera Holtz e o APTR de melhor música para Federico Puppi, com quem Vera divide o palco –, o espetáculo vem lotando teatros de norte a sul do país em sucessivas turnês e ainda em Portugal, onde foi ovacionado em cidades como Lisboa, Porto e Figueira da Foz. Ao longo de três anos, a peça idealizada pelo produtor Felipe Heráclito Lima e escrita e dirigida por Rodrigo Portella já superou a marca de 150 mil espectadores em mais de 350 apresentações e atualmente está em sua terceira temporada paulistana, no Teatro FAAP até 21 de dezembro de 2025.
O espetáculo parte da ideia central do best-seller Sapiens – uma breve história da humanidade, do professor e filósofo israelense Yuval Noah Harari, que vê na capacidade humana de inventar e crer coletivamente em tudo o que não é tangível a chave para a evolução sem precedentes em relação às outras espécies. Por que, então, o ser humano ainda não é mais feliz que seus antepassados? Que novas ficções o homem precisa criar e acreditar? É neste jogo teatral que o público é instigado a se confrontar com suas próprias ficções.
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“É um livro que permite uma centena de reflexões a partir do momento em que nos pensamos como espécie e que, obviamente, dialoga com todo mundo. Acho que esse é o principal mérito da obra dele.”, analisa Felipe H. Lima, que comprou os direitos para adaptar o livro para o teatro em 2019.
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Instigado pelas questões trazidas pelo livro e pela inevitável analogia com as artes cênicas – por sua capacidade de criar mundos e narrativas – o encenador Rodrigo Portella criou um jogo teatral em que a todo momento o espectador é lembrado sobre a ficção ali encenada: “Um dos principais objetivos é explorar o sentido de ficção em diversas direções, conectando as realidades criadas pela humanidade com o próprio acontecimento teatral”, resume.
Quando foi chamado para escrever e dirigir, Rodrigo imaginou que iria pegar pedaços do livro para transformar em um espetáculo: “Ao começar a ler, entendi que não era isso. Era preciso construir uma dramaturgia original a partir das premissas do Harari que seriam interessantes para o espetáculo. Em nenhum momento, no entanto, a gente quer dar conta do livro na peça. Na verdade, é um diálogo que a gente está estabelecendo com a obra”, enfatiza. A estrutura narrativa foi outro ponto determinante no propósito do espetáculo: “Eu queria fazer uma peça que fosse espatifada, não é aquela montagem que é uma história, que pega na mão do espectador e o leva no caminho da fábula. Quis ir por um caminho onde o espectador é convidado, provocado a construir essa peça com a gente. É uma espécie de jam session. É uma performance em construção, Vera e Federico brincam com tudo, com os cenários, tem uma coisa meio in progress”, descreve.
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Para a empreitada, Rodrigo contou com a interlocução dramatúrgica de Bianca Ramoneda, Milla Fernandez e Miwa Yanagizawa: “Mesmo sem colaborar diretamente no texto, elas foram acompanhando, balizando a minha criação, foram conversas que me ajudaram a alinhar a direção, o caminho que daria para o espetáculo”, conta.
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Vera Holtz se desdobra em personagens da obra literária e em outras criadas por Rodrigo, canta, improvisa, “conversa” com Harari, brinca, instiga a plateia e estabelece um duólogo entre palavra e música ao interagir no palco com o músico Federico Puppi – autor e performer da trilha sonora original. Em outros momentos, encarna a narradora, às vezes é a própria atriz falando. “Eu gosto muito desse recorte que o Rodrigo fez, de poder criar e descriar, de trabalhar com o imaginário da plateia”, destaca Vera. “O desafio é essa ciranda de personagens, que vai provocando, atiçando o espectador. Não se pode cristalizar, tem que estar o tempo todo oxigenada”, completa. Rodrigo concorda: “É um espetáculo íntimo, quem for lá vai se conectar com a Vera, ela está muito próxima, tem uma relação muito direta com o espectador”.

SINOPSE
A partir do best-seller “Sapiens”, do escritor israelense Yuval Harari, Ficções fala da capacidade humana de criar e acreditar em ficções: deuses, dinheiro, nações… O que foi ou não inventado? Mas, apesar dessa habilidade inédita e revolucionária que alçou nossa espécie à condição de “donos” do planeta, seguimos inseguros e sem saber para onde ir. Você está satisfeito?

VERA HOLTZ em FICÇÕES | FICHA TÉCNICA
Inspirada a partir do livro | Sapiens – Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari | Idealizada por Felipe Heráclito Lima | Escrita e encenada por Rodrigo Portella | Performance e Trilha Sonora Original: Federico Puppi | Interlocução dramatúrgica: Bianca Ramoneda, Milla Fernandez e Miwa Yanagizawa | Assistente de direção: Cláudia Barbot | Cenário: Bia Junqueira | Figurino: João Pimenta | Iluminação: Paulo Medeiros | Preparação corporal: Tony Rodrigues | Preparação vocal: Jorge Maya | Programação Visual: Cadão | Fotos: Ale Catan | Direção de produção: Alessandra Reis | Gestão de projetos e leis de incentivo: Natália Simonete | Produção executiva: Wesley Cardozo | Administração: Cristina Leite | Produtores associados: Alessandra Reis, Felipe Heráclito Lima e Natália Simonete | Assessoria de imprensa: Leila Grimming

SERVIÇO
Espetáculo ‘Ficções’, com Vera Holtz
Temporada | até 21 de dezembro de 2025
Horário | sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 17h
Local | Teatro FAAP
Endereço | Rua Alagoas, 903 – Higienópolis
Tel | 11 3662-7233 / 97185-9332 (whatsapp)
Capacidade | 510 lugares
Ingressos | de R$25 a R$160
Classificação indicativa |12 anos
Duração | 80min
Vendas online | Teatro FAAP

BIOS
Felipe Heráclito Lima
Especializado na idealização de projeto culturais, diretor da Sevenx Produções Artísticas e da F&F Film Productions, Felipe Heráclito Lima é ator formado pela CAL e publicitário pela PUC-RJ. Felipe também é especializado em captação de recursos e em gestão de recursos incentivados para grandes empresas. Esteve à frente de projetos como “R&J” de Shakespeare (2011), de Joe Calarco, Prêmio APTR “Melhor Produção”; Fonchito&aLua (2014), de Mario Vargas Llosa; Mas Porquê??! A História de Elvis (2015), de Peter Shossow – Prêmio APCA de “Melhor Musical Infantil 2015; Memórias de Adriano (2016), de Marguerite Yourcenar; Lá Dentro Tem Coisa (2016), de Adriana Falcão; Dogville (2018), de Lars Von Trier, e Fim de Caso (2019), de Graham Greene, entre outros.
Rodrigo Portella
Artista cênico nascido no interior do Brasil, diretor teatral, iluminador e dramaturgo com 45 anos de idade e 30 anos de carreira. Escreveu 12 peças teatrais e dirigiu outras 40 obras em teatro e vídeo. Ganhou os mais importantes prêmios de teatro brasileiro da última década como diretor com as peças As Crianças (de Lucy Kirkwood) em 2020 e Tom na Fazenda (de Michel Marc Bouchard) em 2018. Este último ganhou o Prêmio da Crítica de Melhor espetáculo estrangeiro em Montreal (Canadá), no biênio 2018/2019, e os prêmios APCA (São Paulo – 2019) e APTR (Rio de Janeiro – 2018) entre muitos outros. Rodrigo é graduado e mestre em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com doutorado em andamento. Mestre em cinema pela Nouprodigi/Barcelona, suas obras ocuparam os principais espaços culturais de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e entraram na programação dos maiores festivais de teatro do país, circulando em mais de 90 cidades no Brasil, Argentina, Equador, Chile, França, Alemanha e Canadá. Atualmente vive em Barcelona, é professor do curso superior do Instituto Cal de Arte e Cultura e trabalha na produção da turnê França – Bélgica – Suíça do seu espetáculo Tom na Fazenda, que será inaugurada no Théâtre Paris-Villette na capital francesa.
Vera Holtz
Vera Holtz nasceu em Tatuí, interior de São Paulo, onde iniciou seus estudos nas artes através da música e artes plásticas. Na década de 70, após um breve período na EAD-USP, foi para o Rio de Janeiro, onde seguiu seus estudos e estreou em 1979 com a peça Rasga coração, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de José Renato – a primeira peça liberada pela censura, durante o regime militar. Vera possui um vasto currículo composto por trabalhos em TV, teatro e cinema. Vinte e oito vezes indicada, em 1985 ganhou o Prêmio Mambembe de Melhor Atriz pela peça infantil Astrofolia. Em 1989, ganhou o Prêmio Shell de Melhor Atriz pela peça Um certo Hamlet. Com a peça Pérola, de Mauro Rasi, que ficou cinco anos em cartaz e foi vista por cerca de 200 mil pessoas, Vera conquistou quatro importantes prêmios nacionais na categoria de melhor atriz: Mambembe, Shell, Sharp e APETESP. Em 2007, ganhou o Prêmio Mambembe de Melhor Atriz Coadjuvante por sua atuação na novela Paraíso Tropical, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Estreou como diretora teatral em 2010, com Guilherme Leme, na peça O Estrangeiro, de Albert Camus, monólogo adaptado pelo dramaturgo dinamarquês Morten Kirkskov.
Federico Puppi
Compositor, produtor musical e instrumentista italiano, formou-se em violoncelo pelo Conservatório de Aosta (Itália). Em 2006, ganhou bolsa para a Berklee College of Music. É coprodutor de Guelã (Maria Gadú), indicado ao Grammy Latino em 2016. Lançou os álbuns autorais O Canto da Madeira (Prêmio Catavento 2016), Marinheiro de Terra Firme (2018), com participação de Milton Nascimento, e Crisálide (2022). Fez trilhas para mais de 18 peças, entre elas (Um) Ensaio Sobre a Cegueira (Grupo Galpão), As Crianças (dir. Rodrigo Portella) Enquanto Você Voava, Eu Criava Raízes (Cie. Dos à Deux). Ganhou dois APTR de Melhor Trilha Sonora Original, o Prêmio Cenym, além do Leão de Ouro de Cannes (2023). Em 2024, conquistou o Latin Grammy como instrumentista no álbum Mariana e Mestrinho, de Melhor Álbum de Música Brasileira de Raiz. No cinema, compôs as trilhas de Delicadeza é Azul e Iaiá de Ioiô e colaborou na trilha de O Auto da Compadecida 2. Na TV, atuou como violoncelista em trilhas da TV Globo, incluindo Guerreiros do Sol, Nos Tempos do Imperador, Pantanal, Mar do Sertão e Garota do Momento.
Yuval Noah Harari
Nascido em Israel, em 1976, Harari é historiador, filósofo, PhD em História pela Universidade de Oxford e autor best-seller de Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, 21 Lições para o Século 21 e Sapiens: Uma História Gráfica. Seus livros venderam mais de 40 milhões de cópias em 65 idiomas, e ele é considerado um dos mais influentes intelectuais públicos do mundo hoje. Atualmente é professor do Departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ele escreve artigos para publicações como The Guardian, The Financial Times, The New York Times, TIME e The Economist. Em 2021, Harari foi agraciado com o Prêmio Honorário da Associação de Correspondentes de Imprensa Estrangeira dos EUA. Em 2020, recebeu o título de Doctor Honoris pela VUB (Universidade Livre de Bruxelas) e recebeu o prêmio CITIC Author of the Year, na China, por Sapiens: Edição em quadrinhos. Em 2019, Sapiens ganhou o “Academic Book of the Year”, no Academic Book Trade Awards, do Reino Unido. Em 2017, Homo Deus recebeu o German Economic Book Award da Handelsblatt como “O livro de economia mais ponderado e influente do ano” e, em 2015, Sapiens foi vencedor do Wenjin Book Award da China.


