Pixabay
A utilização da IA na educação tem sido um assunto acaloradamente debatido na comunidade acadêmica. De fato, há motivos para preocupação. Se por um lado, não faltam exemplos de mau uso da ferramenta, também é inegável que os chatbots de IA generativa podem contribuir enormemente para a educação, quando bem utilizados. O problema está em seu uso indiscriminado e, frequentemente, antiético.
Estudos acadêmicos recentes, como o publicado pelo MIT Media Lab, apontam para o que chamam de “dívida cognitiva”. A dívida cognitiva é definida por uma queda da atividade cerebral resultante do uso passivo das IAs generativas. Ou seja, quando o usuário a utiliza para criar textos para si, deixa de exercitar o próprio intelecto.
Pior ainda, se o estudante não tiver ferramentas cognitivas e conhecimento para avaliar a produção de uma IA, corre o risco de entregar trabalhos francamente péssimos. Como nenhuma ferramenta de IA foi programada para responder “não sei”, os chatbots inventam citações (os chamados “delírios de IA), utilizam fontes de forma incorreta e ignoram completamente os formalismos acadêmicos.
Quando as primeiras máquinas à vapor foram inventadas, dando origem a Revolução Industrial inglesa, no século XIX, houve um grupo de trabalhadores que se voltou contra as máquinas. Liderados por Ned Ludd, os trabalhadores “luditas” destruíam todo o maquinário industrial que pudessem encontrar, responsabilizando as máquinas pelo desemprego e miséria crescentes. A revolta partia, principalmente, de tecelões qualificados, que de fato, foram substituídos em grande medida, por máquinas de tear.
As máquinas seguiram e nos dias atuais, o termo “ludita” foi ressignificado para descrever pessoas avessas à novas tecnologias, como a inteligência artificial. Os impactos negativos da IA no mercado de trabalho ainda são amplamente debatidos (sendo mais uma questão de classe e poder econômico do que de tecnologia, propriamente), mas os benefícios para a educação são inegáveis, observadas suas estratégicas específicas de utilização.
Confira abaixo como usar ferramentas de IA na educação de forma ética, segura e eficiente.
Uma das formas mais seguras e eficientes para se usar uma IA é pedi-la para realizar uma revisão ortográfica e gramatical no texto. Mesmo os agentes de IA mais simples são capazes de analisar um texto e encontrar incorreções com altíssima precisão. É uma boa estratégia para textos longos, onde o próprio autor já não enxerga mais pequenos erros de digitação, acentuação, pontuação, ou mesmo de concordância. As melhores ferramentas do gênero também ajudam a remover redundâncias da argumentação, tornando o texto mais fluido e agradável.
Pedir para um chatbot pesquisar um conceito por conta própria pode ser perigoso, devido aos frequentes delírios. No entanto, a precisão da ferramenta aumenta consideravelmente se o usuário oferecer um corpus definido para pesquisa. É possível utilizar essas ferramentas para explicar conceitos complexos, fazendo uploads de artigos selecionados sobre o tema.
Aqui, o usuário pode fazer inúmeras perguntas e pedir para a ferramenta explicar e organizar a informação de diferentes formas. Ao solicitar as respostas, é aconselhável incluir no prompt que todas as informações devem vir com referência de página da obra utilizada, para facilitar a conferência do conteúdo.
Em vez de pedir para a inteligência artificial sugerir ideias, o usuário pode submeter as próprias ideias à ferramenta, pedindo para avaliá-las e dar feedbacks sobre seus pontos fortes e fracos, além de sugerir contra-argumentos. É o chamado “brainstorming reverso“. Dessa forma, o estudante não estará terceirizando seu pensamento crítico, mas sim afiando-o. Através deste diálogo, o estudante pode testar os próprios argumentos em um ambiente seguro e obter insights importantes sobre o tema estudado.
O agentes de IA também podem ser extremamente úteis na organização dos argumentos de um texto produzido pelo usuário. Eles ajudam a estruturar eixos-chave como introdução, desenvolvimento e conclusão de forma clara e coesa. Ao submeter um texto à ferramenta, o estudante pode encontrar descontinuidades e pontos cegos na própria argumentação, remover contradições e tornar o texto mais claro.
Para um usuário mais afoito, a interação com um chatbot na hora de fazer um trabalho pode, simplesmente, terminar na primeira resposta. No entanto, é na continuação da conversa que mora o segredo. Quando o usuário pede para a ferramenta justificar sua resposta, explica-la mais detalhadamente e exige que a fonte da informação seja fornecida, o usuário pode tanto se aprofundar sobre o tema, quanto verificar a veracidade da informação prestada. Quanto mais inteligentes forem as perguntas, melhores serão as respostas.
Quando se fala de agentes de IA, nomes como ChatGPT, Claude, Gemini e DeepSeek, rapidamente vêm à mente. No entanto, para estudantes e pesquisadores, há ferramentas mais especializadas. Confira abaixo algumas das principais ferramentas utilizadas no meio acadêmico.
Já está claro que nenhuma ferramenta de IA é capaz de gerar um texto acadêmico sólido e relevante por si só. Nem mesmo aqueles agentes criados especificamente para a pesquisa acadêmica (como os listados acima) podem trabalhar sem supervisão. Afinal, a responsabilidade do texto final é inteiramente do autor. Acima de tudo, a inteligência artificial generativa não deve ser utilizada para “fazer trabalhos pelo aluno”, uso este que além de ineficaz, é antiético.
Ainda assim, tomadas as devidas precauções, o potencial de contribuição desta tecnologia para a educação e pesquisa é inegável. Com ela, os estudantes podem extrair muito mais informações de suas fontes, compreender um assunto de modo mais abrangente e principalmente, exercitar o próprio raciocínio e pensamento crítico.
Ironicamente, a inteligência artificial parece ter pouca serventia para quem é incapaz de pensar sem ela.
A terceira edição da Festa de Arromba, realizada no Cerimonial Rainha Leonor (Pupileira), em Salvador,…
Desenvolvimento Local mostra como redes colaborativas podem transformar economias, gerar empregos e fortalecer regiões brasileiras.…
“O Rio não podia ficar de fora nos últimos shows da turnê de Phonica. É…
O quinto concerto da Temporada 2026 da Orquestra Furiosa Portátil é inteiramente dedicado a um…
O encontro entre a sofisticação interpretativa de Cris Delanno e a obra genial de João…
Espetáculo conta com a participação especial de Dante Ozzetti e revela musicalidade inédita composta a…