Celso Frateschi e Zécarlos Machado estreiam ‘Dois Papas’ no TUCA

Sucesso de público e crítica, Dois Papas volta à capital paulista nos palcos do TUCA. Com direção original de Munir Kanaan, a peça leva aos palcos o encontro entre dois líderes da Igreja Católica com visões de mundo opostas: o conservador Papa Bento XVI, interpretado por Zécarlos Machado, e o progressista argentino Cardeal Jorge Bergoglio – futuro Papa Francisco – vivido por Celso Frateschi. A temporada vai de 31 de julho até 27 de setembro de 2026 com sessões sempre sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h.
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O espetáculo foi vencedor do Prêmio Arcanjo de Cultura como Melhor Drama 2025, e os protagonistas foram indicados ao Prêmio APCA 2025, na categoria Melhor Ator. A peça marca a primeira montagem internacional do texto de Anthony McCarten, autor também do livro homônimo e do roteiro do filme da Netflix dirigido por Fernando Meirelles, indicado a quatro Globos de Ouro, cinco BAFTAs e três Oscars – incluindo o de Melhor Roteiro.
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A história parte do momento em que Bergoglio viaja à Roma decidido a pedir sua aposentadoria. Para sua surpresa, é convocado a uma conversa pessoal com Bento XVI, que considera renunciar ao cargo diante das pressões enfrentadas pela Igreja. O que se segue é um diálogo carregado de tensão, respeito e humor, no qual visões antagônicas encontram espaço para escuta, conflito e transformação.
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“Em cena, é como se estivessem quatro papas. Temos em segundo plano o Papa Bento XVI e o futuro Papa Francisco, que são os papas públicos, conhecidos pelos grandes eventos e cerimônias, vistos pela TV e pela internet. E temos o mais interessante, o que busquei iluminar, a intimidade desses dois homens, aquilo que não vemos. A possibilidade do diálogo é o que move essa história, são duas visões de mundo completamente diferentes. Apesar de Bento XVI ser mais conservador, é ele quem chama Bergoglio para a conversa, que apesar de ser um homem mais aberto, chega hesitante para ter esse papo reto. São as complexidades desse encontro que conduzem o diálogo sobre a necessidade de mudanças”, enfatiza o diretor Munir Kanaan.
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Além de Celso Frateschi e Zécarlos Machado, o espetáculo conta com a voz feminina que fica a cargo das atrizes Carol Godoy e Eliana Guttman, intérpretes de fortes personagens próximas aos protagonistas: Irmã Sofia, freira idealista transformada pela ditadura argentina e pelos ensinamentos de Bergoglio, e Irmã Brigitta, uma mulher rígida, editora de livros religiosos e amiga confidente de Bento XVI.
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A encenação aposta em elementos visuais para potencializar a narrativa. O cenário branco, concebido como instalação cênica, se transforma a partir de figurinos, objetos e projeções, construindo desde ambientes sacros até os momentos mais íntimos dos personagens. O videomapping insere conteúdos documentais e amplia o impacto estético do espetáculo, enquanto a trilha sonora ambienta e guia as transições com sutileza.

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Cena do espetáculo “Dois Papas” – foto: Ale Catan

OS PAPAS
“A cidade treme com vozes discordantes – marxistas, liberais, conservadores, ateus, agnósticos, místicos – e em cada peito o grito universal: “Eu falo a verdade!”. Essa é uma das falas do Papa Bento XVI que mais impressiona Zécarlos Machado em seu papel. Para o ator, a ideia do texto dialoga em cheio com a contemporaneidade. Bento XVI, ou Joseph Ratzinger, é um homem que tem atribuições enormes, pois a Igreja tem bilhões de fiéis, um líder com responsabilidades maiores que certos presidentes de alguns países.
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“Ele é um homem com suas virtudes e contradições dentro do mundo religioso. Está em um momento de fragilidade física diante desse cargo que exige tanto. Apesar de ser um intelectual, ele tem muito humor, características que vão humanizando essa figura. Estamos em uma época em que cada um tem sua verdade. As discordâncias se acirram e se tornam, inclusive, violentas. Se tornam perversas, desrespeitosas, doentias, trazendo uma noção de desumanidade em altíssimo grau. As vozes são discordantes de Bento XVI e de Francisco, mas quando se reconhece o lado humano e se tem uma boa vontade, é possível encontrar um caminho em que a humanidade, de fato, se estabeleça. É uma peça que nos leva a um processo de avaliação desse mundo caótico atual.”
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Celso Frateschi encarna o cardeal argentino Jorge Bergoglio e volta a trabalhar com temas que permeiam a Igreja Católica, como ocorreu nas peças O Grande Inquisidor (adaptação de um trecho do romance Os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski) e Processo de Giordano Bruno (texto do italiano Mário Moretti). O ator reforça que Dois Papas é bem construído dramaticamente e abre questões filosóficas que não ficam restritas somente ao mundo religioso. “São visões de mundo completamente diferentes, por mais que ambos sejam da mesma religião. Essa dramaturgia acaba falando de nós nesse exato momento em meio às discussões envolvendo polarização.”
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Para construir o seu personagem, Frateschi relembra de sua criação católica que dialoga bem com as diretrizes do futuro Papa Francisco na peça. “Ele é um homem que retomou os rumos da Igreja, não tem nenhum limite em avaliar a si mesmo com transparência, possui uma capacidade de mudança e transformação, características que vão continuar durante o seu papado.”
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A montagem marca um reencontro de Celso Frateschi e Zécarlos Machado nos palcos. A dupla esteve junta em Santa Joana, de Bernard Shaw, direção de José Possi Neto na década de 80. Os dois atuaram juntos na TV em alguns episódios da série Sessão de Terapia, exibida originalmente pela GNT.

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Espetáculo “Dois Papas” – foto: Ale Catan

ESTREIA INTERNACIONAL E TRAJETÓRIA
Com estreia mundial em junho de 2019 no Royal & Derngate Theatre, na Inglaterra, a peça chegou ao Brasil com produção da Gengibre Multimídia. A montagem conta com uma equipe artística de excelência e recursos técnicos que valorizam a experiência do público.
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O espetáculo teve sua estreia nacional no SESC-SP, com sucesso de público e crítica, e foi convidado para inaugurar a Sala Nobre do Teatro Cultura Artística. Ainda na capital paulista, a peça chegou aos palcos do Itaú Cultural e BTG Pactual Hall, e também passou por outras cidades de São Paulo (Taubaté, Jundiaí, Araraquara, São José do Rio Preto, Jales, Bauru, Birigui e Sertãozinho), e outros estados como Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR).

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Espetáculo “Dois Papas” – foto: Ale Catan

FICHA TÉCNICA
Elenco Celso Frateschi (Cardeal Bergoglio), Zécarlos Machado (Papa Bento XVI), Carol Godoy (Irmã Sofia) e Eliana Guttman (Irmã Brigitta). Participação em vídeo: Rafa Steinhauser. Direção e Equipe Criativa – Direção: Munir Kanaan. Dramaturgia: Anthony McCarten. Tradução: Rui Xavier. Diretor Assistente: Gustavo Trestini. Trilha Sonora: Dan Maia. Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud. Cenário: Eric Lenate. Figurino: Carol Roz. Iluminação: Beto Bruel. Idealização: Munir Kanaan e Rafa Steinhauser. Produção: Gengibre Multimídia. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Patrocínio: La Serenissima e 2S Inovações.

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Dois papas – direção: Fernando Meirelles (2019)

SERVIÇO
DOIS PAPAS
LOCAL: TUCA
Endereço: Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, São Paulo – São Paulo.
Duração: 100 minutos.
Classificação: Livre. Indicação: 14+
Datas das apresentações: de 31 de julho até 27 de setembro de 2026.
Horário de Início do Espetáculo: Sextas e sábados, às 20h. Domingos, às 18h.
Preço: R$ 180 (Inteira) e R$ 90 (Meia-Entrada)
Vendas online

 


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