Dead Poet's Society - John Keating (Robin Williams)
“Carpe diem! Aproveitem o dia, garotos. Façam suas vidas serem extraordinárias.”
– John Keating (professor), no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, 1989.

Sociedade dos poetas mortos (Dead Poets Society – Peter Weir, 1989) é daqueles filmes que lhe dão explicitamente ensinamentos pra se levar na vida e um belo exemplo é o famoso Carpe Diem, que ao pé da letra significa curta o momento, aproveite o dia. No filme, o professor John Keating (Robin Williams) tenta quebrar os paradigmas autoritários de uma escola, da qual é ex-aluno, fazendo com que seus discentes desenvolvam um pensamento independente.

A poesia na “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989)*

(poemas apresentados aqui na integra e em edição bilíngue, no filme nem sempre o poema é citado inteiro)

‘Sociedade dos Poetas Mortos’ é atemporal e inspirador, repleta de citações de grandes nomes da literatura de língua inglesa, como os escritores: Robert Herrick – Walt WhitmanLord ByronAlfred, Lord TennysonWilliam ShakespeareRobert Frost – Henry David Thoreau, entre outros, além de belas imagens metafóricas.

A ideia de ‘Carpe Diem’ utilizada no filme foi iluminada e extraída do poema ‘Ode 1.11‘ do filósofo e poeta romano Horácio. “Carpe diem” tornou-se um aforismo epicurista e um tema poético a que inúmeros poetas do mundo todo recorreram. Apresentado no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, tem importante relação com os ideais transcendentais, cujo sentido é: aproveite, goze a vida, ela dura pouco, é muito breve.

Aqui está o verso do poeta Horácio, o poema não está citado literalmente no filme, mas dele foi extraído a ideia de “Carpie diem” | “Aproveite o dia”!

Ode 1.11
Não procures, Leucónoe — ímpio será sabê-lo —,
que fim a nós os dois os deuses destinaram;
não consultes sequer os números babilónicos:
melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê inda muitos Invernos,
quer seja o derradeiro este que ora desfaz
nos rochedos hostis ondas do mar Tirreno,
vive com sensatez destilando o teu vinho
e, como a vida é breve, encurta a longa esp’rança.
De inveja o tempo voa enquanto nós falamos:
trata pois de colher o dia, o dia de hoje,
que nunca o de amanhã merece confiança.

.

1.11 
Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi
finem di dederint. Leuconoe, nec Babylonios
temptaris numeros, ut melius, quidquid erit, pati,
seu pluris hiemes seu tribuit luppiter ultimam,
quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi
spem longam reseces, dum loquimur, fugerit ínvida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.
– Horácio (Quintus Horatius Flaccus, 65 a.C.- 8 a.C.) “Ode 1.11 | Ode a Leucónoe”. [tradução David Mourão-ferreira]. in: Vozes da Poesia Europeia I, Revista Colóquio Letras, nº 163, 2003.

O filme “Sociedade dos poetas mortos” conta a história de um professor de poesia nada ortodoxo, de nome John Keating (Robin Williams) e se passa na Academia Welton, em 1959, considerada na época uma das melhores escolas secundárias dos EUA, na qual predominavam valores tradicionais e conservadores. Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares: tradição, honra, disciplina e excelência. Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias.

Inspirados pelos ideais do professor, os estudantes Neil Perry, Todd A Anderson, Steven K C Meeks Jr., Charlie Dalton, Knox T Overstreet, Richard S. Cameron e Gerard J Pitts decidem ressuscitar a Sociedade dos Poetas Mortos, fundada por Keating e seus amigos em sua época de colégio. O grupo se reúne durante a noite em uma caverna onde declamam poesias e desenvolvem uma amizade ainda maior.

Vamos à poesia e os excertos citados no filme:

E aqui está o poema sobre ‘carpe diem’ | ‘aproveitem o dia’ (‘seize the day’) – que aparece no filme Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poet’s Society, 1989). Confira a cena e leia o poema em seguida:

208. Ás virgens, para que aproveitem o tempo 
Colha rosas enquanto pode!
A idade não tarda.
Esta rosa que agora eclode,
A morte a aguarda.

O sol, régio lume divino,
Pro auge se encaminha.
Mas logo o curso chegue ao fim, o
Sol então definha.

A melhor idade é a primeira,
Repleta de viço.
Na que se segue o que nos beira
É apenas suplício.

Então não se acanhe. Usufrua
Sua mocidade.
Perdida, não será mais sua
Se ela só se evade.
.

208. To the Virgins, to Make Much of Time
Gather ye rosebuds while ye may,
Old Time is still a-flying;
And this same flower that smiles today
Tomorrow will be dying.

The glorious lamp of heaven, the sun,
The higher he’s a-getting,
The sooner will his race be run,
And nearer he’s to setting.

That age is best which is the first,
When youth and blood are warmer;
But being spent, the worse, and worst
Times still succeed the former.

Then be not coy, but use your time,
And while ye may, go marry;
For having lost but once your prime,
You may forever tarry.
– Robert Herrick. [tradução Matheus ‘Mavericco’ – Matheus de Souza Almeida].

Keating sugere que os alunos o chamem assim, como o título do poema de Walt Whitman: “O Captain! My Captain!”. É um poema metafórico, escrito em 1865, relativo à morte do Presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln. Leiam abaixo:

“Oh, Captain my Captain”, poema de Walt Whitman, citado por Sr. Keating e que é parte da famosa cena acima.

Oh capitão! Meu capitão!
Oh capitão! Meu capitão! nossa viagem medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas,
……[o prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço os sinos,
o povo todo exulta,
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme,
……[o barco raivoso e audaz:

Mas oh coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho,
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.

Oh capitão! Meu capitão! erga-se e ouça os sinos;
Levante-se – por você a bandeira dança – por
……[você tocam os clarins;
Por você buquês e fitas em grinaldas –
……[por você a multidão na praia;
Por você eles clamam, a reverente multidão
……[de faces ansiosas:

Aqui capitão! pai querido!
Este braço sob sua cabeça;
É algum sonho que no tombadilho
Você esteja caído, frio e morto

Meu capitão não responde, seus lábios
……[estão pálidos e silenciosos
Meu pai não sente meu braço, ele não
……[tem pulsação ou vontade;
O barco está ancorado com segurança
……[e inteiro, sua viagem finda, acabada;
De uma horrível travessia o vitorioso barco
……[retorna com o almejado prêmio:

Exulta, oh praia, e toquem, oh sinos!
Mas eu com passos desolados,
Ando pelo tombadilho onde jaz meu capitão,
……[caído, frio, morto.

.

O CAPTAIN! my Captain!
O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weather’d every rack,
the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear,
the people all exulting,
While follow eyes the steady keel,
the vessel grim and daring:
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

……………………….. 2
O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up — for you the flag is flung — for you
the bugle trills;
For you bouquets and ribbon’d wreaths — for you
the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass,
their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.

……………………….. 3
My Captain does not answer,
his lips are pale and still;
My father does not feel my arm,
he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound,
its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship,
comes in with object won;
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.
Walt Whitman, em “Folhas de Relva”. [seleção e tradução Geir Campos; ilustrações Darcy Penteado]. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1964.

Cena do filme: Qual será o seu verso?

Oh eu, oh vida!
Oh eu! Oh vida! das questões desses evocando,
Dos infinitos séquitos dos infiéis, das cidades repletas de frívolos,
De mim mesmo sempre me repreendendo (pois quem mais frívolo que eu, e quem mais infiel?)
De olhos que em vão suplicam por luz, de objetos vis, da contenda sempre renovada, dos péssimos resultados de tudo, das multidões no rijantes e sólidas que vejo ao meu redor,
Dos anos vazios e inuteis dos demais, com os demais eu entrelaçado,
A questão, oh eu? tão triste, evocando – que bem há nisso, Oh eu, Oh vida!

…………………….Resposta –
Que estás aqui – que existe a vida e identidade,
Que a potente peça prossegue, e tu podes contribuir com um verso.

.

Oh me! Oh life!
Oh me! Oh life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill’d with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the struggle ever renew’d,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life?

……………………….Answer.
That you are here—that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.
– Walt Whitman, em “Folhas de relva. (em sua versão definitiva, a “do leito de morte”)”.. [tradução Gentil Saraiva Jr.]. Edição do tradutor, 2017. {Poema do livro “Á Beira da Estrada”, que integra “Folhas de Relva”}. Ouça AQUI o poema recitado por Gentil Saraiva Jr.!

***

Outros poemas e excertos citados no filme: 
(Publicados aqui na íntegra em edição bilíngue, sendo que no filme são citados apenas partes da obra ou poema. Lembrando ainda que temos outras citações não incluídas nesta matéria)

 

De LORD BYRON 

Ela caminha em formosura
Ela caminha em formosura, como uma noite
Em que o céu está sem nuvens e com estrelas palpitantes,
E o que há de bom em treva ou resplendor
Se encontra em seu olhar e em seu semblante:
Ela amadureceu à luz tão branda
Que o Céu denega ao dia em seu fulgor.
.
Uma sombra de mais, em raio que faltasse,
Teriam diminuído a graça indefinível
Que em suas tranças cor de corvo ondeia
Ou meigamente lhe ilumina a face:
E nesse rosto mostra, qualquer doce idéia,
Como é puro seu lar, como é aprazível.
.
Nessas feições tão cheias de serenidade,
Nesses traços tão calmos e eloquentes,
O sorriso que vence e a tez que se enrubesce
Dizem apenas de um passado de bondade:
De uma alma cuja paz com todos transparece,
De um coração de amores inocentes.

.

She Walks in Beauty
She walks in beauty, like the night
Of cloudless climes and starry skies;
And all that’s best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes;
Thus mellowed to that tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One shade the more, one ray the less,
Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress,
Or softly lightens o’er her face;
Where thoughts serenely sweet express,
How pure, how dear their dwelling-place.

And on that cheek, and o’er that brow,
So soft, so calm, yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow,
But tell of days in goodness spent,
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent!
– Lord Byron (tradução Fernando Guimarães). em “Poesia romântica inglesa – Byron, Shelley, Keats”. [tradução, introdução e notas Fernando Guimarães]. Porto: Editorial Inova, 1977; Lisboa: Relógio d’Água, 1992.

§

De ALFRED, LORD TENNYSON 

Ulysses
De nada serve a um rei ficar inerte,
No lar quieto, em meio à rocha infértil,
Unido a esposa idosa, eu doo e imponho
Iníquas leis a um bando de selvagens
Que soma, e dorme, e engorda, e não me vê.

Estou inquieto: Sorverei da vida
A última gota: Sempre gozei muito,
Sofri muito, com todos que me amaram,
E só; em terra firme, ou arrastado
Por negras correntezas irritadas
Pelas Híades: Transformei-me em nome;
Errante sempre, com ardente impulso
Muito vi e conheci; cidades de homens
E costumes, conselhos, climas, regras,
E a mim mesmo, por todos sempre honrado.
Traguei da pugna o gozo junto aos meus,
Longe na Troia dos ventantes plainos.
Sou parte, enfim, de tudo que encontrei;
A experiência é um arco pelo qual
Vislumbro um mundo inexplorado, cuja
Margem se afasta sempre ao meu mover.
Que tolice o parar, o dar um fim,
Enferrujar assim, sem uso e brilho!
Como se respirar fosse viver.
Quão pouco, vidas sobre vidas! Desta,
Pouco resta: mas cada hora é salva
Do que é silêncio eterno, um algo além,
Arauto do que é novo; vil seria
Guardar-me, agrisalhando por três sóis,
A alma cinzenta ardendo por seguir
O saber como um astro que se afoga,
Além do limiar do pensamento.

Este é o meu filho, meu fiel Telêmaco,
Para quem eu relego o cetro e a ilha –
Meu bem-amado, hábil a cumprir
Esse labor, prudente domador
De um povo rude, e mansamente, aos poucos,
Vai sujeitá-los ao que é bom e útil.
Irreprochável, centra-se na esfera
Dos deveres comuns, decente para
Sutis ofícios, prestará tributos
De justa adoração aos nossos deuses
Quando eu me for. Ele obra o dele, eu o meu.

Lá jaz o porto; O barco estufa as velas:
Ensombram grandes mares. Meus marujos,
Almas que lutam, sofrem junto a mim –
Que, jubilosas, acolheram sempre
Trovão e sol ardente, opondo frente
E fronte livres – nós estamos velhos;
Na velhice, persiste a honra e a luta;
A morte é o fim: mas antes, algum feito
Notório e nobre está por se fazer,
Sem impróprios conflitos com os Deuses.
Luzes estão a cintilar nas rochas:
O dia míngua: a lua ascende: o abismo
Gemendo em muitas vozes. Venham, homens,
Não tarda a busca por um novo mundo.
Partam, em ordem todos, e fulminem
As sonoras esteiras; Meu intento
É navegar além-poente, e sob
Estrelas do ocidente, até morrer.
Talvez vorazes golfos nos devorem,
Ou então, nas Afortunadas Ilhas,
Vejamos grande Aquiles, caro a nós;
Mesmo perdendo muito, há muito à frente,
Ainda que como antes não movamos
A Terra e o Céu; O que nós somos, somos;
O mesmo heroico peito temperado,
Fraco por tempo e fado, mas forte a
Lutar, buscar, achar, e não ceder.
.

Ulysses
It little profits that an idle king,
By this still hearth, among these barren crags,
Match’d with an aged wife, I mete and dole
Unequal laws unto a savage race,
That hoard, and sleep, and feed, and know not me.
I cannot rest from travel: I will drink
Life to the lees: All times I have enjoy’d
Greatly, have suffer’d greatly, both with those
That loved me, and alone, on shore, and when
Thro’ scudding drifts the rainy Hyades
Vext the dim sea: I am become a name;
For always roaming with a hungry heart
Much have I seen and known; cities of men
And manners, climates, councils, governments,
Myself not least, but honour’d of them all;
And drunk delight of battle with my peers,
Far on the ringing plains of windy Troy.
I am a part of all that I have met;
Yet all experience is an arch wherethro’
Gleams that untravell’d world whose margin fades
For ever and forever when I move.
How dull it is to pause, to make an end,
To rust unburnish’d, not to shine in use!
As tho’ to breathe were life! Life piled on life
Were all too little, and of one to me
Little remains: but every hour is saved
From that eternal silence, something more,
A bringer of new things; and vile it were
For some three suns to store and hoard myself,
And this gray spirit yearning in desire
To follow knowledge like a sinking star,
Beyond the utmost bound of human thought.

This is my son, mine own Telemachus,
To whom I leave the sceptre and the isle,—
Well-loved of me, discerning to fulfil
This labour, by slow prudence to make mild
A rugged people, and thro’ soft degrees
Subdue them to the useful and the good.
Most blameless is he, centred in the sphere
Of common duties, decent not to fail
In offices of tenderness, and pay
Meet adoration to my household gods,
When I am gone. He works his work, I mine.

There lies the port; the vessel puffs her sail:
There gloom the dark, broad seas. My mariners,
Souls that have toil’d, and wrought, and thought with me—
That ever with a frolic welcome took
The thunder and the sunshine, and opposed
Free hearts, free foreheads—you and I are old;
Old age hath yet his honour and his toil;
Death closes all: but something ere the end,
Some work of noble note, may yet be done,
Not unbecoming men that strove with Gods.
The lights begin to twinkle from the rocks:
The long day wanes: the slow moon climbs: the deep
Moans round with many voices. Come, my friends,
‘T is not too late to seek a newer world.
Push off, and sitting well in order smite
The sounding furrows; for my purpose holds
To sail beyond the sunset, and the baths
Of all the western stars, until I die.
It may be that the gulfs will wash us down:
It may be we shall touch the Happy Isles,
And see the great Achilles, whom we knew.
Tho’ much is taken, much abides; and tho’
We are not now that strength which in old days
Moved earth and heaven, that which we are, we are;
One equal temper of heroic hearts,
Made weak by time and fate, but strong in will
To strive, to seek, to find, and not to yield.
– Alfred, Lord Tennyson [tradução Rubens Canarim]. in: Escamandro: poesia tradução crítica, 13.2.2014.

De WILLIAM SHAKESPEARE 

Se nós sombras, vos ofendemos
Pensai nos seguintes termos
O que vos sucedeu foi adormecer
E essas visões que parecíeis ver
Compuseram nosso tema tolo e à toa
Não censureis esse nosso tema
Perdoai-nos e haverá emenda
No caso de sorte imerecida
Escapando nós de vaias viperinas
Como sou um Puck honesto, das retificações eu me
encarrego
Não sou Puck mentiroso e dou boa noite a todos
Palmas, se quiseres bater, em troca, vamos a peça
refazer.

.
If we shadows have offended,
Think but this, — and all is mended, —
That you have but slumber’d here
While these visions did appear.
And this weak and idle theme,
No more yielding but a dream,
Gentles, do not reprehend;
If you pardon, we will mend.
And, as I am an honest Puck,
If we have unearnèd luck
Now to ‘scape the serpent’s tongue,
We will make amends ere long;
Else the Puck a liar call:
So, good night unto you all.
Give me your hands, if we be friends,
And Robin shall restore amends
– William Shakespeare, (‘Puck’ no Ato V, Cena II, final). em ‘Sonho de Uma Noite de Verão’ | ‘A Midsummer Night’s Dream’. [tradução de Beatriz Viégas-Faria]. Porto Alegre: Coleção L&PM Pocket, 2002.

§

Soneto XVIII
Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão, finda antes que possamos começá-lo:

Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;

Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,

Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.

.

Sonnet XVIII
ll I compare thee to a summer’s day?
Thou art more lovely and more temperate;
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer’s lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm’d;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature’s changing course untrimm’d;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow’st;
Nor shall Death brag thou wander’st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow’st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.
– William Shakespeare, em “154 sonetos”. [tradução Thereza Christina Rocque da Motta]. Rio de Janeiro: Ibis Libris editora, 2009.

§

De ROBERT FROST

O caminho que não tomei
Dois caminhos, um para cada lado:
Ah, ir por ambos na mesma viagem!
Olhei para o primeiro, ali parado,
Nesse bosque de tom amarelado,
Até perder-se longe entre a folhagem.

Mas o outro também me atraía,
Por uma razão diferente, afinal:
Desbastar erva que densa crescia.
Quem por eles passara, todavia,
Os fora desgastando por igual.

E cada um nessa manhã jazia
Com a mesma cor, a mesma frescura
Reservei o primeiro pra outro dia!
Como um caminho a outro levaria,
Duvidei lá voltar noutra altura.

Daqui a mil anos, o que aconteceu,
Suspirando, estarei contando a ti:
Dois caminhos bifurcavam, e eu-
O menos pisado tomei como meu,
E a diferença está toda aí.

.

The road not taken
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
– Robert Frost {tradução Antônio Simões}., em “Antologia de Poesia Anglo-Americana, De Chaucer a Dylan Thomas”. [Selecção, tradução, prefácio e notas de António Simões]. Porto: Campo das Letras Editores, 2002, p 394.

§

De HENRY DAVID THOREAU 

“Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários, e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e se fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de explicar tudo isso na próxima digressão. Porque me parece que muitos homens estão terrivelmente incertos, sem saber se a vida é obra de Deus ou do demônio, e têm concluído com certa sofreguidão que a finalidade principal do homem aqui na terra é “dar glória a Deus e gozá-lo por toda a eternidade.”

.

I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived. I did not wish to live what was not life, living is so dear, nor did I wish to practice resignation, unless it was quite necessary. I wanted to live deep and suck all the marrow of life, to live so sturdily and Spartan-like as to put to rout all that was not life, to cut a broad swath and shave close, to drive life into a corner, and reduce it to its lowest terms, and if it proved to be mean, why then to get the whole and genuine meanness of it, and publish its meanness to the world; or if it were sublime, to know it by experience, and be able to give a true account of it in my next excursion. For most men, it appears to me, are in a strange uncertainty about it, whether it is of the devil or of God, and have somewhat hastily concluded that it is the chief end of man here to “glorify God and enjoy him forever.”
– Henry David Thoreau, de “Walden, ou, A vida nos bosques”. excerto extraído do livro “Walden, ou, A vida nos bosques; e, A desobediência civil”. Henry D. Thoreau. [tradução Astrid Cabral]. 7ª ed., São Paulo: Ground, 2007.

Algumas lições de Mr. Keating (Robin Williams):

“Sociedade dos Poetas Mortos” é um filme imperdível para quem ama a educação, para quem alimenta ideais de reformular, para quem tem um profundo respeito e preocupação com essa juventude com que trabalhamos. Discutir esses temas todos, reformular as nossas práticas, alimentar nossos sonhos, rever posturas e condutas e, principalmente, olhar para nós mesmos e para nossos alunos em busca daquilo que nos faça sentir orgulho do que fizemos em nossas vidas. Carpe Diem!

“Não importa o que dizem a você, palavras e ideias podem mudar o mundo”
– John Keating (professor), no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, 1989.

“Existe um tempo para ousadia e um tempo para cautela, e o homem sábio sabe o momento de cada um deles”
– John Keating (professor), no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, 1989.

“Garotos, vocês devem se esforçar para encontrar suas próprias vozes. Porque quanto mais vocês esperarem para começar, menos provável que vocês possam encontrá-la. Thoreau disse: “A maioria dos homens leva uma vida de desespero silencioso”. Não se rebaixem a isso. Saiam!”
– John Keating (professor), no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, 1989.

“Quando você pensa que conhece alguma coisa, você tem que olhar de outra forma. Mesmo que pareça bobo ou errado, você deve tentar!”
– John Keating (professor), no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, 1989.

O filme

Título: Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, EUA – 1989)
Sinopse: Em 1959, John Keating (Robin Williams) volta ao tradicionalíssimo internato Welton Academy, onde foi um aluno brilhante, para ser o novo professor de Inglês. No ambiente soturno da respeitada escola, Keating torna-se uma figura polêmica e mal vista, pois acende nos alunos a paixão pela poesia e pela arte e a rebeldia contra as convenções sociais. Os estudantes, empolgados, ressuscitam a Sociedade dos Poetas Mortos, fundada por Keating em seu tempo de colegial e dedicada ao culto da poesia, do mistério e da amizade. A tensão entre disciplina e liberdade vai aumentando, os pais dos alunos são contra os novos ideais que seus filhos descobriram, e o conflito leva à tragédia.
Ficha técnica
Direção: Peter Weir
Roteiro: Tom Schulman
Duração: 128 min.
Gênero: Drama
Elenco: Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles, Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterson, Norman Lloyd, Kurtwood Smith, Carla Belver, Leon Pownall, George Martin, Joe Aufiery e Matt Carey.
Prêmios: O longa-metragem ganhou vários prêmios, entre eles, o ‘Oscar’ de ‘Melhor Roteiro Original” em 1990.

(*) Pesquisa, compilação e edição de Elfi Kürten Fenske – Revista Prosa, Verso e Arte. Citar em caso de reprodução. 

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