De veterinária a sanfoneira, artista mineira construiu uma trajetória marcada pelo protagonismo feminino, pelo forró pé de serra e pela preservação da cultura brasileira; novo single chega ainda este ano
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Há histórias que começam muito antes de uma carreira profissional. A de Bella do Acordeon começou aos seis anos de idade, diante de um piano, quando a menina aprendeu a tocar observando outros músicos — sem partituras, sem teoria musical e sem imaginar que, décadas depois, faria do instrumento uma profissão e encontraria no acordeon a sua própria voz.
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Em 2026, Bella celebra 10 anos de carreira como a Bella do Acordeon, nome que adotou quando decidiu se lançar como artista solo, tocando e cantando. Mas sua relação profissional com a música começou alguns anos antes, quando criou aquela que considera sua primeira grande experiência na estrada: uma banda de forró formada exclusivamente por mulheres.
A trajetória, no entanto, não seguiu uma linha previsível. Formada em Medicina Veterinária, Bella chegou a exercer a profissão por um período. Com a maternidade, precisou interromper a atuação na área e encontrou na música uma possibilidade de conciliar trabalho, autonomia e vida familiar.
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“A música antes de 2011 era como um hobby. Eu fazia pequenas apresentações sem cobrar. Mas aí formei a banda de forró só de meninas e passei a ser mais profissional”, conta.
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A escolha pelo acordeon, por sua vez, aconteceu quase por acaso — e mudou completamente sua história. Antes de chegar ao acordeon, Bella estudava piano erudito no Conservatório Lorenzo Fernandes de Montes Claros, em Minas Gerais. Ela havia deixado São Paulo em 2010 e, no ano seguinte, passou a frequentar o conservatório para aprofundar os conhecimentos musicais que, até então, desenvolvia principalmente de forma intuitiva.
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Foi durante uma aula de piano que um som interrompeu sua concentração. “Um dia, eu estava em sala de aula estudando piano erudito, quando um som começou a me incomodar durante o estudo. Fui atrás para ver o que era e era um outro aluno estudando sanfona. Foi quando o professor, com toda a paciência do mundo, colocou a sanfona no meu colo e aí eu nunca mais parei.”
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A descoberta também carregava uma dimensão afetiva. A avó de Bella tocava sanfona e foi professora de música em São Paulo, além de advogada. A mãe é pianista e professora de conservatório. A música, portanto, já fazia parte da história familiar — mas o acordeon abriu para Bella um caminho próprio.
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Durante o primeiro ano de apresentações, ela tocava com um acordeon emprestado pelo conservatório. Depois, ganhou seu primeiro instrumento. E o que começou como uma descoberta transformou-se em identidade.
Uma mulher diante de um instrumento ainda marcado pelo masculino
Ao longo desses dez anos, Bella também precisou ocupar um espaço que, historicamente, ainda é muito associado aos homens. Para ela, justamente aí está parte da potência de sua escolha. “O acordeon ainda é um instrumento desafiador para as mulheres. Eu vejo como uma oportunidade de tocar um dos instrumentos mais difíceis do mundo e vou vencendo os preconceitos de que é um instrumento em que é mais fácil ver homens tocando.”
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A escolha não foi apesar do desafio. Foi também por causa dele. “A escolha do instrumento foi justamente por ser desafiador.” Essa perspectiva atravessa a carreira de Bella. Sua presença no palco não é apenas a de uma instrumentista que domina um instrumento complexo, mas a de uma mulher que reivindica seu lugar em uma tradição musical e ajuda a ampliar a imagem de quem pode tocar, criar e protagonizar a música popular brasileira.
Um acordeon que conta histórias
Radicada em Montes Claros, a chamada “Princesinha do Norte”, Bella incorporou ao repertório elementos da identidade musical da região. O forró pé de serra, os ritmos regionais e as referências aos mestres da música brasileira aparecem como parte de uma pesquisa afetiva que transforma o acordeon em instrumento de memória.“Eu penso que estou contando uma história através do acordeon, uma história cheia de mestres.”
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Essa história, para Bella, não precisa escolher entre passado e presente. Ao contrário: é justamente no encontro entre os dois que a tradição permanece viva.
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“Eu acredito que a modernidade e a tradição podem andar juntas para preservar a cultura brasileira. E eu, como mulher, defendo isso.” É essa combinação que orienta seu trabalho: respeitar a tradição sem transformá-la em peça de museu, levando os sons e as histórias do Brasil para novos públicos e novas gerações.
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Ao completar dez anos de carreira, Bella olha para o caminho percorrido sem perder de vista o que ainda pode ser construído. Até o final do ano, a artista prepara o lançamento de um novo single, que dará continuidade a esse movimento.
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E se há uma ideia que resume a trajetória de Bella do Acordeon, é a de que a música popular não pertence a um único território, geração ou perfil de artista. “O forró não tem idade, é feito para o povo do Brasil todo.” É nesse Brasil amplo que Bella encontra seu lugar, entre o piano e a sanfona, entre São Paulo e Minas Gerais, entre a maternidade e o palco, entre a tradição familiar e a criação de uma identidade própria. É a voz de uma mulher, de uma região e de uma cultura que continua se reinventando.
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Instagram: @belladoacordeon
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Assessoria de imprensa: Débora Venturini
