O vírus do amor ao livro é incurável, e eu procuro inocular esse vírus no maior número possível de pessoas.

– José Mindlin

Brasiliana Digital disponibiliza para livre acesso 3.802 títulos  (1560 – livros; 6 – manuscritos; 21 – mapas; 1388 – periódicos) pertencentes a Biblioteca Brasiliana Guita Mindlin/USP.  São diferentes títulos do acervo particular de Mindlin*, obras do século 16 ao 20 quem reúnem parte da história artística, literária, científica e cultural do país. Entre os títulos estão raridades como um exemplar da primeira edição de O Guarany (então com Y), de José de Alencar, além das primeiras descrições do Brasil feitas, no século 16, por viajantes estrangeiros como Hans Staden, André Thevet e Jean de Léry. O pesquisador e leitor pode consultar o material no próprio site ou fazer o download das obras.

A gente passa e os livros ficam. Então, é preciso que esse conjunto seja mantido e aumentado com o tempo. Sentirei saudades dos livros…

José Mindlin

A biblioteca de José Mindlin antes da mudança para a USP – foto: Lúcia Mindlin Loeb

Mindlin decidiu doar à USP parte de sua Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, considerado o mais valioso acervo bibliográfico de caráter privado no Brasil. A coleção, inicialmente guardada em sua residência, no bairro do Brooklin, ocupava o espaço de duas casas. São cerca de 17.000 títulos ou 40.000 volumes. Parte do acervo doado para USP pertencia ao bibliófilo Rubens Borba de Moraes, cuja biblioteca foi guardada por Guita e José Mindlin desde a sua morte.

Saiba mais sobre a História da Biblioteca Mindlin na USP acessando AQUI.

José Mindlin colecionava não só pelo fetiche. Tinha uma relação de amor com cada obra e queria dividi-la com todos. Dentre as preciosidades, estão quase todas as primeiras edições dos livros de Machado de Assis e manuscritos de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que Mindlin admirava com orgulho. A arte de escrever fascinava o bibliófilo. Orgulhava-se também da primeira edição de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, e da primeira de O Guarany, de José de Alencar. O acervo de 40 mil volumes conta com o primeiro livro em que o Brasil foi citado em uma coletânea de viagens de 1507 que noticia a viagem de Pedro Álvares Cabral.

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

A vasta coleção começou em 1927, quando o adolescente Mindlin garimpou num sebo Discurso sobre a História Universal, escrito em 1740 pelo bispo francês Jacob Bossuet. Para o escritor Affonso Romano de Sant’Anna, ex-presidente da Biblioteca Nacional, José Mindlin foi “um exemplo de colecionador atento e competente”:

– Uma pessoa que levou ao público o amor aos livros, alguém que pôs sua fortuna a serviço da cultura e sabia cultivar os amigos.

Sant’Anna reforça que colecionadores da estirpe do Mindlin, como Plinio Doyle, Waldemar Torres e Cláudio Giordano, merecem todo o apoio da sociedade. Segundo o escritor:

 Eles fazem um trabalho semelhante ao dos ecologistas, salvando espécies em extinção.

Para ter acesso a relação completa de autores e obras disponíveis na Biblioteca acesse o AQUI. As pesquisas podem ser realizadas através dos nomes dos autores e autoras ou por assunto/tema, neste último caso acesse AQUI.

As obras estão disponíveis em ordem alfabética pelo sobrenome do autor, exemplo: (ASSIS, Machado) ou por assunto. No caso do autor, basta clicar no nome do autor e a relação de obras abrirá, do autor e temas relacionados, de modo semelhante ocorrerá quando a procura é pelo tema/assunto.

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP . foto: Nelson Kon

“Chego a pensar que embora a leitura seja uma fonte inesgotável de prazer, a garimpagem provoca um prazer diferente, às vezes superior ao outro. Quando se encontra uma obra procurada durante décadas, o coração bate mais forte (felizmente o livreiro antiquário não percebe esse batimento cardíaco…), ao passo que depois de adquirido o livro, já acomodado na estante, seu manuseio e leitura proporcionam prazer, mas a emoção propriamente dita deixa de existir ou não é a mesma.”
– José Mindlin, no “Discurso de posse da ABL“.

Tela Brasil – A Biblioteca Indisciplinada de José Mindlin

JOSÉ E GUITA MINDLIN 

*José Mindlin (1914-2010)
Nascido na cidade de São Paulo em 8 de setembro de 1914, José Ephim Mindlin trabalhou como jornalista na redação do Jornal O Estado de S. Paulo desde os 15 anos de idade até se formar em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, da USP, em 1936. Advogou por 20 anos. Em 1950 foi um dos fundadores da empresa Metal Leve, que se tornou uma das maiores empresas no setor de peças automotivas do Brasil. Como industrial, estimulou o desenvolvimento tecnológico e as exportações de manufaturados brasileiros. Foi doutor honoris causa por diversas universidades, inclusive pela USP. José Mindlin foi membro do Conselho Superior da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) de 1973 a 1974; de 1975 a 1976, diretor do Conselho de Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e Secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, quando estruturou a carreira de pesquisador. Foi também membro de diversos conselhos de entidades culturais, como IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), EDUSP (Editora da Universidade de São Paulo), Conselho Internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York e Conselho Diretor da John Carter Brown Library, de Providence, em Rhode Island. Foi membro da Academia Paulista de Letras e, em 2006, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

José Mindlin e Guita Mindlin

*Guita Mindlin (1916-2006)
Nascida em São Paulo, em 1916, Guita Kauffmann tinha 20 anos quando ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Conheceu o estudante José Mindlin e, dois anos depois, casaram-se. Formou-se em Direito em 1940, mas não exerceu a profissão. Interessada em história e literatura, fez cursos de extensão nos anos 1960 e 1970. Grande leitora, sempre zelou pelos livros da biblioteca que formou junto com José Mindlin e com o tempo foi estudando como conservá-los. Visitou bibliotecas, fez cursos no Brasil, na França, na Espanha e na Alemanha e montou um laboratório dentro de casa com a finalidade de cuidar melhor dos livros da biblioteca do casal. Em 1988, juntamente com Thereza Brandão Teixeira, criou a Associação Brasileira de Encadernação e Restauro (ABER), com o objetivo de reunir profissionais ligados à conservação e ao restauro de livros, documentos impressos e manuscritos e à encadernação artesanal, estimulando o interesse pela documentação gráfica.

“Confio a guarda dessa floresta à USP. Além de todos os trabalhos que envolvem a reitoria dessa universidade, estou lhe trazendo mais um: o de guarda florestal”, brincou Mindlin, durante à cerimônia do termo de doação no auditório do Conselho Universitário, na capital paulista (2006).

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin – foto

O edifício que abriga a Biblioteca Brasiliana
Um edifício de 20.000 m² localizado no coração da USP. A Biblioteca Guita e José Mindlin foi construída especialmente para abrigar a coleção do bibliófilo José Mindlin e, posteriormente, outras obras raras do acervo da USP. Pela grandiosidade do edifício podemos ter a dimensão do valor das obras ali guardadas mesmo sem ter acesso direto a estas (o acesso é restrito a pesquisadores).

No edifício, além da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, estão presentes a livraria da EDUSP, um anfiteatro, locais para exposições, as instalações do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), a sede do Departamento Técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP – SIBi-USP e laboratórios de digitalização e restauro de livros.

Todos deveriam ter acesso a tudo que se faz em toda parte.

– José Mindlin

Saiba mais sobre a Brasiliana Digital

Ele foi sobretudo um leitor dotado de discernimento crítico, uma espécie de autor de sua biblioteca.

– Antônio Candido

 

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin na Rede:

Site: BBMUSP
Instagram: BBMUSP
Facebook: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP

Fonte: Brasiliana digital | Puc-Rio digital | Fapesp

 

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