Alexandre Rodrigues exalta o jazz afro-indígena em novo álbum de estúdio, Kaeté. O lançamento acontece via selo Maracanã, braço instrumental do selo Cantores del Mundo. Uma caminhada dentro da mata, com o pífano de guia e um único destino: celebrar sua ancestralidade afro-indígena. Em seu novo álbum de jazz, “Kaeté”, o multi-instrumentista, compositor, educador e luthier de pífanos Alexandre Rodrigues celebra suas próprias raízes por meio da música, elaborando uma estética autêntica a qual ele intitula de “jazz afro-indígena”.
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“Kaeté” é o segundo álbum de estúdio de Alexandre Rodrigues, porém o primeiro gravado em formato trio, com ele no pífano, Tom Cykman na guitarra e Felipe Gianei no contrabaixo acústico. A produção musical é de Alexandre Rodrigues e as participações especiais são: Shabaka Hutchings, Renato Braz e Grupo Sabuká Kariri-Xocó.
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Neste trabalho, Alexandre reforça sua pesquisa do pife posicionando-o como instrumento protagonista de um “jazz afro-indígena”. Isso porque o jazz criado pelo multi-instrumentista pernambucano aglutina estéticas sonoras coletadas por ele durante anos, por meio da cultura popular. Em manifestações tais como o maracatu de baque solto, o baião, o caboclinho e o frevo, Alexandre encontrou seu principal espaço de identificação estética – sobretudo com o pife.

“Comecei a tocar clarinete e saxofone ainda criança, no carnaval de Olinda, aos 11 anos. Conheci o pífano aos 15, com Egildo Vieira (Quinteto Armorial), que aparecia nos sábados para dar canjas. Me impressionei a ponto de comprar o instrumento”, revela Alexandre, que teve seus primeiros estudos de pífano sob a tutela de Cacá Malaquias
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Anos depois, os encontros de Alexandre com os mestres João do Pife, Biu do Pife, Edmilson do Pife e Zabé da Loca o fizeram mergulhar ainda mais no universo do pife. “Não havia livros ou métodos, só a oralidade, e isso me levou a pesquisar, confeccionar, experimentar e até escrever um livro sobre pífanos”, completa Alexandre. “Hoje o pife faz parte do meu corpo, não só nessa relação de tocá-lo, mas de uma forma espiritual de tê-lo ali comigo todos os dias, horas e horas buscando aperfeiçoamento”.
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Alexandre cita entre suas principais referências as trajetórias de Sebastião Biano, João do Pife e Chau do Pife. “Acredito que a música precisa preservar o tradicional para criar o novo. O tradicional é uma fonte de continuidade e é aí que a cultura popular vai ser cada vez mais valorizada, quando se traz a inovação para o instrumento, a juventude começa a se interessar e trocar com os mestres”, reflete o artista.

Alexandre Rodrigues, por José de Holanda

O disco
“Kaeté” possui nove faixas, todas compostas por Alexandre Rodrigues. A primeira faixa, que dá nome ao disco, conta com a participação do Grupo Sabuká Kariri-Xocó, de Alagoas. Divulgada como single, a música parte de uma ideia central de Alexandre na concepção deste álbum como um todo: celebrar e ao mesmo tempo buscar sua própria ancestralidade – o músico nasceu e cresceu em Itapissuma (PE), originalmente território dos caetés.
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“Esse desejo nasceu das reflexões sobre minha ancestralidade, esse disco foi uma forma de homenagear todos que vieram antes de nós, que lutaram pela terra e pela preservação da natureza”, relata Alexandre sobre a motivação motriz por trás de Kaeté.

“O nome Kaeté significa ‘mata virgem, mata verdadeira’ e é esse caminho que busco no pífano: descobrir o novo a partir dele, explorar sua versatilidade, mergulhando esse instrumento afro-indígena na música universal improvisada, no jazz. E quando falo jazz, não é sobre o americano, mas sobre a liberdade de expressão e improvisação da música – levando o pífano para um lugar ainda não experimentado”, ele arremata.
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As composições de “Kaeté” surgiram de um processo criativo que Alexandre explica de modo detalhado agora: “O álbum veio da busca pela liberdade de expressão, mas sempre ancorado nos ritmos da minha tradição e do meu terreiro. Estão presentes o caboclinho, o toré que abre e dá título ao disco, o frevo que carrego desde a infância, o maracatu do Estrela Brilhante de Igarassu, a ciranda de Lia, a música afro, o forró, o xote. Esses sons fizeram parte da minha vida desde criança, nas festas da igreja e do terreiro, e quando peguei o instrumento já trazia toda essa tradição enraizada em mim”.
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Além disso, “as músicas foram surgindo para essa formação em trio: baixo acústico, pífano e guitarra. O Filipe Gianei, no baixo, traz a força grave e o conhecimento profundo dos ritmos brasileiros. O Tom Cykman, na guitarra, soma delicadeza, harmonia e improvisação com a marca da música brasileira. E o pífano assume o protagonismo nas melodias e improvisos, em diálogo com esses dois instrumentos. Optei por não incluir percussão no disco para abrir mais espaço às nuances rítmicas. Nossa sonoridade é como um cardume, em que um segue o outro, sempre com flexibilidade e transformação ao longo das faixas”, detalha Alexandre.
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As outras participações especiais do álbum encontram-se na faixa quatro, “Coração Braseiro”, com voz do paulista Renato Braz e a música, “Forró Pro Shabaka”, outro single de Kaeté, que foi gravada por Alexandre Rodrigues com a participação do multi-instrumentista britânico Shabaka Hutchings.

Capa do disco ‘Kaeté’ • Alexandre Rodrigues  • Selo Maracanã / Cantores del Mundo • 2025

Disco ‘Kaeté’ • Alexandre Rodrigues  • Selo Maracanã / Cantores del Mundo • 2025
Músicas / compositor
1. Kaeté (Alexandre Rodrigues) | Feat. Grupo Sabuká Kariri-Xocó
2. Cabocla moderna (Alexandre Rodrigues)
3. Zé Lino no passo (Alexandre Rodrigues)
4. Coração braseiro (Alexandre Rodrigues e Guilherme Neves) | Feat. Renato Braz
5. Forró pro Shabaka (Alexandre Rodrigues) | Feat. Shabaka Hutchings
6. Sereia da Ilha (Alexandre Rodrigues)
7. Moacirzando nº 1 (Alexandre Rodrigues)
8. Saudações (Alexandre Rodrigues)
9. De Alagoas a Pernambuco (Alexandre Rodrigues)
10. Forró pro Shabaka (Alexandre Rodrigues)
– ficha técnica –
Alexandre Rodrigues Trio “kaeté” – Alexandre Rodrigues – pífanos | Tom Cykman (guitarra) | Felipe Gianei (contrabaixo acústico) | Participações especiais: Renato Braz (vocalise e voz – fx. 4) | Grupo indígena Sabuká Kariri-Xocó de Alagoas: Kawer Tinga – Antônio Tinga – Islene Tinga – Bruno Nunes – Kayra Tinga (maracas, apitos, vozes – fx. 1) | Shabaka Hutchings (flauta – fx. 5) || Direção musical: Alexandre Rodrigues e William Souza  | Estúdios/técnicos: Carranca Recife-PE, técnico Vinícius Aquino; Arsis São Paulo-SP, técnico Adonias Jr.; Jua São Paulo-SP, técnico Maurício Takao | Mixagem e masterização: Clement Zular | Mixagem adicional: Maurício Takao em ‘Forró pro Shabaka’ | Produção: Rafael Moura | Projeto gráfico e arte: Isabela Pina / Pina Colada | Fotos: José de Holanda | Selo: Maracanã / Cantores del Mundo | Formato: CD digital | Ano: 2025 | Lançamento: 5 de setembro | ♪Ouça o álbum: clique aqui

Alexandre Rodrigues , por José de Holanda

Sobre Alexandre Rodrigues
Alexandre Rodrigues é multi-instrumentista, compositor, educador e luthier de pífanos. Ele desenvolve um trabalho autoral que dá protagonismo ao pife, aplicando ao instrumento um experimentalismo inédito, fundindo-o ao jazz e à música popular, valorizando o que de mais bonito a cultura popular traz consigo: a pluralidade de sons e possibilidades melódicas.
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Alexandre Rodrigues já se apresentou ao lado de grandes nomes da música brasileira como Wilson das Neves, Mariene Castro, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e Fabiana Cozza. Formado em licenciatura de Música pelo IFPE (campus de Belo Jardim), no agreste pernambucano, Alexandre viveu e viu naquela região a resistência e renovação das bandas de pife.
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Foi a partir da aproximação com os mestres de pífano durante a faculdade que o músico relembrou o primeiro contato com o instrumento. Foi ali que a vontade de fazer um trabalho de base voltado para a música em sua cidade natal ganhou fôlego e Alexandre decidiu se tornar luthier e músico-educador.
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A paixão pela tradição do pífano e as suas referências musicais modernas convergem quando o artista passa a compor conectando as sonoridades da música regional pernambucana como o frevo, o maracatu rural, o caboclinho e o baião à melodias jazzísticas. Nas apresentações ao vivo Alexandre Rodrigues cria um ambiente de experimentação, onde suas composições conversam com a musicalidade urbana, mas sempre preservando o conhecimento tradicional.
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Atualmente ele se divide em dois projetos musicais distintos: Alexandre Rodrigues Trio, com o qual lançará Kaeté e Alexandre Rodrigues e o Pife Urbano, que se volta a um trabalho de reconfiguração do pife, partindo de um contexto rural, mas em direção ao urbano, sempre preservando a tradição.
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> Siga: @alexandrerodriguespife / @cantoresdelmundo

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Série: Discografia da Música Brasileira / Música instrumental / Álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske

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