Disco celebra os 85 anos de Benito Di Paula e reafirma a atualidade de um dos repertórios mais originais da música brasileira
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São Paulo, julho de 2026 – Poucos artistas conseguiram construir uma obra tão popular e, ao mesmo tempo, tão singular quanto Benito Di Paula. Entre o samba, a canção romântica, a influência jazzística do piano e uma escrita profundamente brasileira, Benito criou um universo musical próprio que atravessa gerações há mais de sete décadas. Agora, ao completar 85 anos de vida e 55 anos de carreira, sua obra ganha uma nova leitura através de Benito Di Paula – Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça, álbum homônimo idealizado por seu filho, o cantor, compositor e pianista Rodrigo Vellozo que será lançado no dia 31 de julho pela ADA/Companhia de Discos do Brasil, em um show na Casa Natura Musical no mesmo dia, às 21h.
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Benito Di Paula – Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça nasce como um encontro entre gerações. Ao lado de Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça — artistas fundamentais da cena contemporânea brasileira — Rodrigo Vellozo revisita canções marcantes do repertório de Benito sem recorrer à nostalgia. O álbum propõe um diálogo entre tradição e invenção, revelando a força e a modernidade de composições que continuam profundamente conectadas ao presente.
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“Esse disco nasce da convivência. Eu cresci ouvindo essas músicas dentro de casa, acompanhando meu pai nos palcos e aprendendo com a forma muito particular que ele enxergava a música. Revisitá-las agora é descobrir novas possibilidades dentro de canções que continuam absolutamente vivas”, afirma Rodrigo Vellozo.
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As gravações preservam a essência melódica e emocional da obra de Benito enquanto abrem espaço para a improvisação, para a linguagem da música instrumental contemporânea e para novas abordagens rítmicas. O resultado é um trabalho que reafirma a permanência de um dos maiores compositores da música popular brasileira.
As cinco primeiras faixas de Benito Di Paula – Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça, funcionam como um verdadeiro primeiro ato do álbum e estabelecem uma conexão direta com um momento histórico da trajetória de Benito Di Paula. “Maria Baiana Maria”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Tudo Está Mudado” e “Meu Maior Afeto” reproduzem a sequência de abertura do disco lançado por Benito em 1976 pela Copacabana, obra que completa 50 anos em 2026. Ao revisitar esse repertório na mesma ordem concebida originalmente, Rodrigo Vellozo e seus parceiros prestam homenagem não apenas às canções, mas também à arquitetura artística de um dos discos mais importantes da carreira do compositor. A escolha reforça o diálogo entre passado e presente que norteia todo o projeto, revelando a permanência e a atualidade de uma obra que segue emocionando e inspirando novas gerações.
Se o lado A dialoga diretamente com o disco de 1976, o lado B foi concebido por Rodrigo Vellozo como uma resposta afetiva e simbólica àquele repertório. Inspirado pelo caráter mais mítico das faixas que ocupavam a segunda metade do álbum original, Rodrigo optou por construir um percurso que refletisse não apenas a obra de Benito Di Paula, mas também sua dimensão humana e familiar. Enquanto, em canções como “Homem da Montanha”, Benito começava a consolidar sua própria narrativa mítica — a do artista que sai de uma origem humilde para se tornar um dos grandes nomes da música brasileira —, Rodrigo escolhe deslocar esse olhar para a figura paterna. As faixas do lado B funcionam, assim, como uma reflexão sobre Benito enquanto pai, referência artística e personagem fundamental de sua formação. O resultado é um conjunto de canções que dialoga com a sonoridade e os temas do álbum de 1976, mas sob a perspectiva singular de um filho que revisita o legado do pai e, ao mesmo tempo, compreende seu próprio lugar dentro dessa história.
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“Benito sempre foi um artista difícil de enquadrar. Sua música conversa com o samba, com a canção, com a música negra americana e com muitas outras referências. Revisitar esse repertório hoje é revelar o quanto ele continua livre e atual”, comenta Rodrigo Campos.
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“Existe uma riqueza harmônica e melódica impressionante nessas composições. O disco busca justamente mostrar como elas continuam abertas para novas leituras”, acrescenta Thiago França.
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“São músicas que carregam emoção, balanço e personalidade. Nosso trabalho foi criar um ambiente onde elas pudessem respirar de uma maneira diferente, sem perder sua identidade”, completa Fumaça.
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Para Benito Di Paula, o projeto representa uma celebração da continuidade artística de sua obra. “É emocionante perceber que essas canções seguem encontrando novos caminhos. A música só faz sentido quando continua tocando as pessoas, e ver meu filho e esses músicos maravilhosos dando novos significados para esse repertório me deixa muito feliz”, afirma o compositor.

Disco ‘Benito Di Paula – Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça’ • Selo ADA/Companhia de Discos do Brasil • 2026
Canções / compositores
1. Maria Baiana Maria (Benito Di Paula)
2. Tudo está no seu lugar (Benito Di Paula)
3. Do Jeito Que A Vida Quer (Benito Di Paula)
4. Tudo Está Mudado (Benito Di Paula)
5. Meu maior afeto (Benito Di Paula)
6. Último Andar (Benito Di Paula)
7. Samba do Profeta (Benito Di Paula)
8. Violão Não se Empresta a Ninguém (Benito Di Paula)
9. Bandeira do Samba (Benito Di Paula)
10. Oração de São Francisco (autoria anônima) | Participação especial Aurora Vellozo
– ficha técnica –
Faixa 1 – Voz e piano Rhodes: Rodrigo Vellozo / Guitarra: Rodrigo Campos / Sax: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 2 – Voz: Rodrigo Vellozo / Cavaquinho: Rodrigo Campos / Sax: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 3 – Voz e piano: Rodrigo Vellozo / Guitarra: Rodrigo Campos / Sax: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 4 – Voz e piano: Rodrigo Vellozo / Guitarra: Rodrigo Campos / Sax e flauta: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 5 – Voz: Rodrigo Vellozo / Guitarra e Violão: Rodrigo Campos / Flauta: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 6 – Voz e piano Rhodes: Rodrigo Vellozo / Violão: Rodrigo Campos / Sax: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 7 – Voz: Rodrigo Vellozo / Cavaquinho: Rodrigo Campos / Sax e flauta: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 8 – Voz, piano, piano Rhodes: Rodrigo Vellozo / Cavaquinho: Rodrigo Campos / Sax: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 9 – Voz: Rodrigo Vellozo / Sax, Flautas, Arranjo: Thiago França / Percussões: Fumaça | Faixa 10 – Voz, piano, piano Rhodes: Rodrigo Vellozo / Voz: Aurora Vellozo / Cavaquinho: Rodrigo Campos / Sax: Thiago França / Percussão: Fumaça || Direção artística – Rodrigo Vellozo e Rodrigo Campos | Produzido por – Rodrigo Vellozo e Rodrigo Campos | Direção musical e arranjos coletivos – Rodrigo Vellozo, Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça | Arranjo de “Bandeira do Samba” – Thiago França | Gravado por Frederico Pacheco e Joy Espíndola no O&O | Piano acústico e Aurora Vellozo gravados por Alexandre Fontanetti no estúdio Space Blues | Mixado e masterizado por Frederico Pacheco no estúdio O&O | Fotos: Luan Cardoso | Assistente de fotografia: Bruna Bento | Projeto gráfico: Leandro Arraes | Direção artística Companhia de Discos do Brasil: Paulo Henrique de Moura | Rodrigo Vellozo veste Fernanda Yamamoto | Assessoria de imprensa: Paulo Henrique de Moura | Selo: ADA / Companhia de Discos do Brasil | Formato: CD digital /físico | Ano: 2026 | Lançamento: 31 de julho | ♪Ouça o álbum: clique aqui.

Serviço
Show BENITO 85 – Com Rodrigo Vellozo, Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça
CASA NATURA MUSICAL (R. Artur de Azevedo, 2134 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05404-005)
sexta-feira, 31/7/2026 | 21h
Ingressos online: Sympla

Faixa a faixa do disco
Maria Baiana Maria
“Maria Baiana Maria” abre o álbum de Benito Di Paula lançado em 1976. Para Rodrigo Vellozo, a canção faz parte de uma série de sambas em que seu pai aborda a figura feminina, especialmente a mulher brasileira, personagem recorrente em sua obra. Nesta composição, a mulher surge de maneira quase mítica. A baiana é apresentada não apenas como uma personagem, mas como uma entidade simbólica, carregada de força, beleza e ancestralidade. Rodrigo destaca que Benito sempre teve uma relação profunda com a Bahia, especialmente com Salvador, uma das primeiras cidades a abraçar sua música e seus discos. Por isso, referências ao estado aparecem frequentemente em sua obra. Ao revisitar a canção, Rodrigo procurou sintetizar a estética musical do pai a partir de uma perspectiva contemporânea e minimalista. Embora os discos de Benito fossem frequentemente revestidos por arranjos orquestrais, a essência de seu som estava em uma base instrumental bastante específica. O novo arranjo não reproduz exatamente essa formação, mas dialoga com ela. Na gravação, elementos ligados ao samba de roda e ao samba baiano aparecem principalmente na guitarra de Rodrigo Campos, que conduz a música com uma sonoridade que remete às tradições musicais da Bahia. O resultado é uma releitura que preserva o espírito festivo e luminoso do samba original, ao mesmo tempo em que o apresenta sob uma nova ótica.
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Tudo Está no Seu Lugar
Um dos maiores sucessos da carreira de Benito Di Paula, “Tudo Está no Seu Lugar” é também uma de suas canções mais frequentemente mal compreendidas. Rodrigo Vellozo relembra que, ao longo dos anos, a música foi associada de forma equivocada a posicionamentos políticos e até utilizada por grupos ideológicos que nada tinham a ver com sua origem. Segundo ele, a composição nasceu de uma experiência profundamente pessoal. Ainda jovem, Benito deixou Nova Friburgo em busca de trabalho. Enquanto tentava construir sua vida em outras cidades, sua mãe enfrentava dificuldades para sustentar os filhos após o abandono do marido. A situação da família tornou-se ainda mais delicada quando a casa onde viviam começou a apresentar riscos estruturais. Ao tomar conhecimento do que acontecia, Benito trabalhou intensamente para comprar uma nova casa para a mãe e os irmãos. Foi desse gesto de responsabilidade e amor familiar que surgiu a canção. O título e os versos expressam justamente o alívio de ver a família finalmente protegida e reunida em segurança. Para Rodrigo, a letra deixa isso evidente. O sorriso estampado no rosto das pessoas, a movimentação da casa e a sensação de tranquilidade descritas na música refletem uma conquista íntima, distante de qualquer leitura política. É o relato de alguém que conseguiu transformar uma situação de vulnerabilidade em dignidade. Essa história confere ainda mais força a um samba que se tornou emblemático na trajetória de Benito Di Paula e permanece vivo no imaginário popular brasileiro.
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Do Jeito Que a Vida Quer
“Do Jeito que a Vida Quer” ocupa um lugar especial na trajetória de Rodrigo Vellozo. Antes desta gravação, ele já havia interpretado a canção ao lado do pai e também em parceria com a cantora Cida Moreira. Nesta nova versão, porém, a música ganha uma abordagem inédita a partir da formação instrumental escolhida para o projeto. É também o momento em que o piano aparece com maior protagonismo no disco. Até então, Rodrigo havia privilegiado outros timbres, mas aqui o instrumento surge de forma decisiva, ajudando a construir uma atmosfera mais introspectiva. Tradicionalmente associada a celebrações e momentos festivos, a canção revela nesta leitura uma dimensão mais melancólica e contemplativa. Rodrigo buscou destacar nuances emocionais que muitas vezes passam despercebidas diante da popularidade do samba. Composta por Benito em homenagem a Ataulfo Alves, a música carrega reflexões sobre o destino, a aceitação e os caminhos da vida. Para Rodrigo, o significado da letra influenciou diretamente as escolhas de arranjo e interpretação, resultando em uma gravação mais interiorizada, sem perder a força emocional que transformou a canção em um dos maiores sucessos do compositor.
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Tudo Está Mudado
Embora seja considerada uma faixa menos conhecida do grande público, “Tudo Está Mudado” ocupa um lugar de destaque entre os admiradores da obra de Benito Di Paula. A canção integra a tradição das músicas que abordam as dores amorosas e os desencontros afetivos, temas recorrentes tanto no cancioneiro popular brasileiro quanto na produção do compositor. Rodrigo destaca a densidade emocional da obra. Trata-se de um retrato melancólico do cotidiano, construído a partir de uma narrativa íntima e dolorosa. Na gravação original, os vocais de apoio desempenham papel importante. Na releitura atual, porém, esses elementos foram incorporados de maneira mais sutil e minimalista. Em vez de reproduzir integralmente os coros, Rodrigo optou por sugeri-los através de intervenções vocais que surgem quase como ecos da versão original. Em determinado momento, um improviso conduz a interpretação para uma sonoridade modal que remete às influências ciganas presentes na história familiar de Benito. Segundo ele, essa herança aparece de diferentes maneiras na obra do artista — no piano, no violão e em determinadas escolhas melódicas. Nesta gravação, ela surge de forma espontânea na voz, fundindo memória afetiva, improvisação e tradição musical em uma mesma interpretação.
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Meu Maior Afeto
Apesar de não figurar entre os maiores sucessos comerciais de Benito Di Paula, “Meu Maior Afeto” é considerada uma das canções mais representativas de seu repertório. Originalmente marcada por um refrão expansivo e grande participação dos coros, a música ganha aqui uma leitura construída a partir de contrastes e sutilezas. Rodrigo optou por desenvolver a interpretação em forma de crescente. A canção começa de maneira contida, valorizando a letra e a narrativa, para então alcançar uma intensidade maior nos momentos finais. Do ponto de vista musical, ele identifica aproximações entre a estrutura harmônica da faixa e clássicos como “Retalhos de Cetim”. Embora não se trate de uma continuação direta, ambas compartilham características que se tornariam marcas registradas do estilo de Benito: melodias memoráveis, refrões fortes e uma combinação singular entre lirismo e apelo popular. Ao mesmo tempo, Rodrigo enxerga na canção uma espécie de crônica afetiva urbana. Assim como outras faixas do álbum de 1976, “Meu Maior Afeto” transforma experiências cotidianas em narrativas universais, capazes de atravessar gerações e permanecerem atuais.
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Último Andar
“Último Andar” é uma das raridades do repertório de Benito Di Paula. A canção não foi lançada originalmente em um álbum do artista, tendo sido composta especialmente para a trilha sonora da novela O Espigão, da TV Globo, exibida no início da década de 1970. Para Rodrigo, a música impressiona pela atualidade de seus temas. A letra reflete sobre o avanço da urbanização, a modernização acelerada das cidades e as transformações provocadas pela tecnologia, questões que permanecem extremamente relevantes nos dias de hoje. Versos que mencionam um mundo cada vez mais artificial e distante das tradições ganham novos significados à luz do presente. Rodrigo observa que a música parece antecipar discussões contemporâneas sobre automação, virtualização das relações e perda de referências culturais. Ao mesmo tempo em que dialoga com a modernidade, a canção reafirma a ligação de Benito com a tradição do samba. Essa tensão entre passado e futuro, característica de grande parte de sua obra, faz de “Último Andar” uma das faixas mais surpreendentes do repertório.
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Samba do Profeta
Entre todas as faixas do projeto, “Samba do Profeta” talvez seja uma das que mais revelam a dimensão espiritual da obra de Benito Di Paula. Embora faça referência ao universo cristão, a canção apresenta uma visão ampla e humanista da fé, distante de qualquer leitura dogmática. Na nova gravação, Rodrigo acelerou o andamento e aproximou a música de uma sonoridade que ele define como um encontro entre samba e soul music. A influência aparece tanto nos arranjos quanto na interpretação vocal, que se afasta dos coros da versão original para privilegiar uma abordagem mais direta e emocional. A figura do profeta surge como símbolo de esperança, solidariedade e transformação. Para Rodrigo, trata-se também de uma homenagem indireta ao próprio pai, responsável por lhe apresentar valores espirituais que permanecem presentes em sua trajetória. Há muitos anos a música integra seus shows e costuma provocar forte identificação do público. Não por acaso, era uma das gravações que Benito mais desejava vê-lo realizar. Nesta nova leitura, a canção preserva sua essência, mas encontra novos caminhos sonoros, reafirmando sua força emocional e sua atualidade.
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Violão Não Se Empresta a Ninguém
Rodrigo escolheu incluir “Violão Não Se Empresta a Ninguém” por se tratar de uma das canções fundamentais na trajetória de Benito Di Paula. Para muitos ouvintes, foi através dela que o público conheceu o compositor e intérprete que mais tarde se tornaria um dos grandes nomes da música popular brasileira. A nova versão começa de forma intimista e nostálgica antes de mergulhar definitivamente no samba. O arranjo valoriza elementos característicos do piano de Benito, cuja linguagem musical influenciou profundamente Rodrigo ao longo da vida. Segundo ele, embora suas vozes sejam bastante diferentes, existe uma continuidade evidente na maneira como ambos se relacionam com o instrumento. Em muitos momentos, essa herança musical se torna perceptível na interpretação. Além de celebrar a trajetória artística de Benito, a canção também funciona como uma declaração de amor ao próprio ofício do músico e à relação afetiva construída com o violão ao longo dos anos.
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Bandeira do Samba
“Bandeira do Samba” ocupa um lugar central na narrativa construída por Rodrigo ao longo do disco. A canção dialoga diretamente com episódios da juventude de Benito e com a trajetória de luta que marcou sua carreira. Se “Tudo Está no Seu Lugar” retrata uma conquista familiar, “Bandeira do Samba” fala dos obstáculos enfrentados ao longo do caminho. A letra aborda o sentimento de exclusão, os desencontros e as dificuldades encontradas por quem insiste em seguir sua vocação artística. Para Rodrigo, muitos desses desafios continuam atuais. Como filho de Benito e também artista, ele reconhece ecos dessa experiência em sua própria trajetória. Musicalmente, a faixa foi construída com a atmosfera de uma marchinha melancólica de fim de carnaval. A escolha reforça a sensação de resistência e nostalgia presente na letra, criando um contraste entre celebração e sofrimento. É uma música que sintetiza a persistência necessária para seguir carregando a bandeira do samba, apesar de todas as dificuldades.
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Oração de São Francisco
“Oração de São Francisco” encerra o percurso espiritual do álbum. Para Rodrigo, a canção transcende fronteiras religiosas e dialoga com ideias de ancestralidade, continuidade e transmissão de valores entre gerações. Embora o título remeta diretamente ao imaginário cristão, ele identifica na composição elementos que se aproximam das tradições afro-brasileiras e do sincretismo religioso tão presente na cultura brasileira. Nesse sentido, a música ultrapassa leituras convencionais e se abre para uma compreensão mais ampla da espiritualidade. A participação de Aurora Vellozo surge de maneira delicada e simbólica, reforçando justamente essa ideia de continuidade familiar. Assim como Benito transmitiu sua música para Rodrigo, a presença da filha sugere a permanência desse legado através das gerações. Foi com essa canção que ele entrou em estúdio pela primeira vez, aos quatro anos de idade, para participar de uma gravação ao lado de Benito Di Paula para a Campanha da Fraternidade. Rodrigo lembra ainda que a versão gravada por Benito gerou controvérsias em seu lançamento por apresentar uma abordagem musical distante dos modelos litúrgicos tradicionais. Hoje, essa ousadia pode ser compreendida como parte da originalidade artística que sempre caracterizou sua obra. No contexto do álbum, “Oração de São Francisco” funciona como uma síntese dos temas que atravessam todo o projeto: memória, ancestralidade, fé, afeto e permanência.

Dos artistas
Sobre Rodrigo Vellozo
Rodrigo Vellozo nasceu em São Paulo, em 1982, e cresceu imerso no universo musical ao lado de seu pai, Benito di Paula. Aos 14 anos iniciou seus estudos de piano e teoria musical, construindo uma trajetória marcada pela fusão entre samba, MPB, jazz e música contemporânea. Em 2009, lançou o álbum de estreia *Samba de Câmara*, trabalho que revelou sua assinatura artística sofisticada e original. Desde então, consolidou-se como um intérprete e compositor de forte intensidade emocional e personalidade singular na música brasileira. Ao longo da carreira, Rodrigo colaborou com artistas como Criolo, Juçara Marçal, Péricles, Xande de Pilares e o próprio Benito di Paula. Além de cantor e pianista, atua como diretor musical e produtor, ampliando sua presença criativa na cena contemporânea. Em 2024, lançou o projeto *Com o coração na boca*, ao lado de Cida Moreira, reafirmando sua busca constante por experimentação e novos diálogos artísticos.
Sobre Rodrigo Campos
Rodrigo Campos é compositor, cantor e instrumentista, tem 14 discos lançados, entre trabalhos solos e discos em parceria. Colaborou como compositor, músico, arranjador e produtor com artistas como Elza Soares, Jards Macalé, Juçara Marçal, Eliana Pittman, Benito di Paula, Alaíde Costa, Tom Zé, Emicida e Criolo, entre outros.
Sobre Thiago França
Multi-instrumentista, compositor e produtor musical, Thiago França é um dos nomes mais inquietos e inventivos da cena contemporânea brasileira. Reconhecido principalmente por seu trabalho à frente do coletivo Metá Metá e por suas criações que transitam entre jazz, música afro-brasileira, experimentalismo e improvisação, o artista construiu uma trajetória marcada pela liberdade estética e pelo compromisso com a potência política da música. Saxofonista e flautista de linguagem singular, Thiago também se destaca por suas colaborações com importantes nomes da música brasileira e por projetos que aproximam arte, território e transformação social. Com uma carreira consolidada nos palcos do Brasil e do exterior, Thiago França desenvolve trabalhos que atravessam diferentes linguagens e experiências sonoras, sempre buscando expandir os limites da canção e da música instrumental. Sua atuação artística une pesquisa, ancestralidade e contemporaneidade, criando performances intensas e profundamente conectadas às questões culturais e urbanas do país.
Sobre Fumaça
Wilson de Paula, conhecido artisticamente como Fumaça, nasceu e cresceu no tradicional bairro do Bexiga, em São Paulo, berço de importantes nomes da música brasileira. Apaixonado pela música desde os 10 anos, iniciou sua trajetória profissional aos 17, construindo uma carreira sólida no samba, pagode e MPB. Fundador do grupo Sampa & Sensação nos anos 1980, tornou-se referência na percussão brasileira, atuando ao lado de grandes artistas como Belo, Exaltasamba, Arlindo Cruz, Pixote, Reinaldo, Soweto e Art Popular, grupo no qual foi vocalista e instrumentista por quatro anos. Com mais de três décadas de carreira, Fumaça também dividiu o palco com nomes como Caetano Veloso, João Bosco, Dominguinhos e Gal Costa, além de integrar projetos com Mariana Aydar, Clube do Balanço e Belo. Sua musicalidade o levou a se apresentar em mais de dez países, incluindo Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Rússia, China e Argentina. Reconhecido internacionalmente, teve seu trabalho elogiado pelo crítico musical John Pareles, do The New York Times, consolidando seu nome entre os grandes músicos da música popular brasileira.
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Série: Discografia da Música Brasileira / Canção / MPB / Álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske / Templo Cultural Delfos
