Disco de cantigas e causos traz as participações de Renato Teixeira, Chico Lobo, Jackson Antunes, Wandi Doratiotto e Paulinho Del Ribeiro homenageando o guardião da cultura brasileira
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A viola chora, a história conta e a memória resiste. É com esse espírito que a dupla Élcio Dias & Amorim lança pela Kuarup o álbum Élcio Dias & Amorim Celebram 90 Anos de Rolando Boldrin – Cantigas e Causos. Mais que um lançamento, o disco é uma carta de amor e resistência. Uma homenagem aos 90 anos de Rolando Boldrin, que em 22 de outubro completaria nove décadas. Boldrin nos deixou em novembro de 2022, mas manteve viva a missão de guardar e divulgar a música brasileira “de raiz”. Ator, cantor, compositor, violeiro e apresentador, Boldrin foi o responsável por levar o cateretê, a moda de viola e o causo para a TV aberta por mais de 40 anos. De programas como o Som Brasil na TV Globo ao Sr. Brasil na TV Cultura, ele virou o professor do Brasil. “Sou fundamentalmente um ator que canta, declama poesias e conta histórias”, dizia ele. E foi exatamente isso que Élcio Dias & Amorim decidiram celebrar: as cantigas e os causos.
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Gravado pela Kuarup, gravadora independente com mais de 40 anos de história na difusão da música brasileira autêntica, o álbum reúne composições autorais e releituras que marcaram a trajetória de Boldrin, sempre com a viola como centro, trazendo muitos convidados, um encontro de gerações. O disco vem cercado de participações à altura da homenagem: o cantor Renato Teixeira em Viola Quebrada, o violeiro Chico Lobo em Eu, a Viola e Deus, o cantor e ator Jackson Antunes em Vide, Vida Marvada, tema de abertura do programa Sr. Brasil, o apresentador Paulinho Del Ribeiro declamando um poema autoral e o músico e apresentador Wandi Doratiotto em Vaca Estrela e Boi Fubá. Com forte militância cultural em defesa das raízes brasileiras, a dupla possui três álbuns lançados pela histórica gravadora Kuarup. O primeiro, Élcio Dias & Amorim Cantam Pena Branca & Xavantinho (2021), trabalho que celebra uma das duplas de raiz mais autênticas do Brasil, que por coincidência teve como incentivador e empresário, o apresentador Rolando Boldrin. O segundo e mais autoral trabalho, Cantiga de Sonhos (2023), marca a virada autoral da dupla. Com 12 faixas, o disco traz no título a síntese do projeto: memórias de infância, fé, estrada e reencontro com causos, orações e rodas de ciranda.
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Entre as canções estão a faixa-título Cantigas de Sonhos, Trajetória e Adoração à Santa Cruz de Embu das Artes, hino que reafirma o amor pela cidade. O reconhecimento nacional não tardou no terceiro disco, Memórias do Sertão em Embu das Artes Ao Vivo (2024), que reúne 21 clássicos que atravessam mais de um século da música brasileira: de Luar do Sertão (1910) a Romaria (1977) e Vide, Vida Marvada, de Rolando Boldrin (1981). São artistas que, assim como Boldrin, escolheram não deixar a cultura do interior se apagar. “Cada país tem a sua música”, alertava Boldrin. E este álbum responde: a nossa está viva. O subtítulo Cantigas e Causos faz referência direta à pausa do contador de histórias. É a respiração entre um causo e outro. É Élcio e Amorim. É passado e presente se encontrando. Nascido em São Joaquim da Barra em 1936, Boldrin começou na viola aos sete anos e gravou mais de 15 discos. Mas seu maior disco foi a TV. Foi lá que ele ensinou o Brasil a tirar “o Brasil da gaveta”. Com Élcio Dias & Amorim Celebram 90 Anos de Rolando Boldrin: Cantigas e Causos, a dupla não faz só um tributo, faz uma continuidade. Prova que enquanto houver viola, verso e respeito, o legado de Rolando Boldrin segue sendo cantado. O álbum tem estreia marcada em todas as plataformas digitais no dia 23 de outubro, pela gravadora e produtora Kuarup.
Faixa a faixa
1 – Introdução: o álbum se abre com as palavras de Patricia Boldrin, esposa de Rolando. É ela quem escreve a saudação. E são Élcio & Amorim quem dão voz ao texto.
2 – Viola Quebrada: poema de Mário de Andrade eternizado por Rolando Boldrin e que nesta homenagem tem a participação de Renato Teixeira. O encontro de dois guardiões da canção brasileira.
3 – Vide, Vida Marvada: tema de abertura do programa Sr. Brasil por 17 anos. “Vide, vida marvada / que teima em ser bonita”. Hino do programa e do próprio Boldrin.
4 – Eu, a Viola e Deus: trilogia sagrada do violeiro: fé, instrumento e solitude. O cantor e compositor mineiro Chico Lobo divide a viola com Élcio Dias & Amorim.
5 – Novo Amanhecer: o momento mais solene do disco. Élcio Dias assume sozinho a declamação do texto. E quando a música entra, os dois cantam juntos. É Boldrin na luta: defensor do povo e da terra.
6 – Memória de Carreiro: se Boldrin foi o divulgador, Carreiro foi o mestre da viola. O cantor e compositor Juraildes da Cruz escreve um cântico à memória de José de Camargo. Élcio & Amorim transformam a toada em ponte entre gerações: do mestre Carreiro, passando por Boldrin, até eles.
7 – Crônica do Tempo: a voz solo de Élcio Dias declamando texto autoral de Boldrin. É o causo em forma de verso. Literatura oral pura.
8 – Violeiro Triste: clássico de Alvarenga e Ranchinho gravado por Boldrin com Ranchinho em 1982. O lamento do violeiro que não tem com quem cantar.
9 – Amor de Violeiro: o amor pela viola, pela estrada, pela vida simples. A veia compositiva de Boldrin para além dos hinos.
10 – Vida Marvada: o retrato crítico e bem-humorado do caipira declamado por Élcio Dias na poesia de Vieira Pena Branca: “vida marvada” que mesmo difícil, se recusa a ser triste.
11 – Vaca Estrela e Boi Fubá: poesia de Patativa do Assaré musicada por Edigar de Alencar. A ponte que Boldrin sempre fez: Caipira e Sertão.
12 – Pausa do Pensamento: o coração do disco. Pausa do Pensamento, poesia declamada pelo próprio autor, Paulinho Del Ribeiro, poeta, escritor e apresentador do Canto & Sabor do Brasil na TV Brasil e TV Aparecida. Parceiro que teve o privilégio de trabalhar diretamente com Rolando Boldrin.
13 – Tema Para Juliana: raridade e joia. Composta por Boldrin em 1974 para a novela Os Inocentes da TV Tupi, Tema para Juliana é a prova do violeiro compositor. Gravada originalmente no álbum Som Da Terra (1994), a música começa cantada e vira solo de viola. A letra é um manifesto de entrega: “O amor é meu, o coração é meu / De mão beijada entrego a quem quiser”. Mesmo com “as pedras do caminho e a felicidade”, a resposta é sempre: “Aqui estou pro que der e vier”. É Boldrin longe dos hinos e dos causos. É Boldrin intimista, deixando a viola contar uma história de amor sem pressa, com a técnica que só um estudioso do instrumento tinha
14 – A morte não é nada: poesia declamada por Élcio Dias & Amorim. Poema: Santo Agostinho, de domínio público. Encerramento. Depois de cantigas e causos, o consolo. “A morte não é nada”. A obra fica, a memória fica.
Disco ‘Élcio Dias & Amorim celebram 90 Anos de Rolando Boldrin – Cantigas e Causos’ • Élcio Dias e Amorim • Selo Kuarup Musica • 2026
Canções / compositores
1. Introdução (Patrícia Boldrin) | Participação Patrícia Boldrin
2. Viola Quebrada (Mário de Andrade) | Participação Renato Teixeira
3. Vide, Vida Marvada (Rolando Boldrin)
4. Eu, a Viola e Deus (Rolando Boldrin) | Participação Chico Lobo
5. Novo Amanhecer (Manezinho Araújo)
6. Memória de Carreiro (Juraíldes da Cruz)
7. Crônica do Tempo (Rolando Boldrin)
8. Violeiro Triste (Alvarenga e Ranchinho)
9. Amor de Violeiro (Rolando Boldrin)
10. Vida Marvada (Rolando Boldrin)
11. Vaca Estrela e Boi Fubá (Edigar de Alencar e Patativa do Assaré)
12. Pausa do Pensamento (Paulinho Del Ribeiro) | Participação Paulinho Del Ribeiro
13. Tema Para Juliana (Rolando Boldrin)
14. A morte não é nada (Santo Agostinho – domínio público)
– ficha técnica –
Élcio Dias: Voz e Violão de Nylon | Amorim: Voz e Viola Caipira | Dino Barioni: Viola, Violão 12 cordas, Violão Nylon e Violão 7 cordas | Ricardo Gomes: Violão e Baixo | Ronaldo Martins: Violão de Nylon | Jeferson Luz: Flauta | Produtora e Gravadora: Kuarup | Produção Musical: Élcio Dias | Direção Musical: Élcio Dias, Dino Barioni, Chico Lobo, Ricardo Gomes e Ronaldo Martins | Arranjo: Dino Barioni, Chico Lobo, Ricardo Gomes e Ronaldo Martins | Roteiro: Élcio Dias & Amorim | Fotografia: Karla | Projeto Gráfico: Jorge Souza | Estúdios: L&N Produções Artísticas LTDA e Estúdio RG em BH | Edição, Mixagem e Masterização: Ronaldo Martins | Assessoria de imprensa: Rodolfo Zanke | Selo: Kuarup Musica | Formato: CD digital | Ano: 2026 | Lançamento: 23 de outubro | ♪Ouça o álbum: clique aqui
Sobre Élcio Dias & Amorim
A dupla Élcio Dias & Amorim, formada em 2019 na cidade de Embu das Artes, região metropolitana da capital paulista, berço de ambos, reúne trajetórias que se cruzam entre a sala de aula e o palco. De um lado, Élcio Dias Souza Mendanha, violonista e cantor paulista nascido em 25 de agosto de 1984, começou a cantar aos nove anos, é formado em educação artística com habilitação em música e em letras, e divide a vida entre os palcos e à docência como professor de Artes e língua portuguesa na rede pública estadual. Do outro, Gildécio José de Amorim, o Amorim, violeiro e cantor baiano de Aracatu, no sertão da Bahia, criado na roça ao som do rádio de pilha e da Folia de Reis, onde começou aos 10 anos, e migrou para Embu das Artes aos 15. É formado em matemática e pedagogia, e hoje é diretor escolar. Autodidata na viola, afinada nos cebolões em ré e em mi, e eterno aprendiz do instrumento, Amorim tem como mestres Chico Lobo e Almir Sater. A dupla possui três álbuns lançados pela histórica gravadora Kuarup. O primeiro, Élcio Dias & Amorim cantam Pena Branca & Xavantinho (2021), concebido remotamente durante a pandemia e gravado em julho de 2020, trouxe Élcio no violão e Amorim na viola, com participações especiais de Elisa Dias, irmã de Élcio, em Viola Quebrada e do grupo Folia de Reis do Lajedão em Reisado. O segundo e mais autoral trabalho, Cantiga de Sonhos (2023), lançado em 11 de agosto de 2023, marca a virada autoral da dupla. Com 12 faixas, o disco traz no título a síntese do projeto: memórias de infância, fé, estrada e reencontro. Entre as canções estão a faixa-título Cantigas de Sonhos, Trajetória e Adoração à Santa Cruz de Embu das Artes, hino que reafirma o amor pela cidade. É um álbum de dentro para fora, onde o violão nylon e a viola caipira dão o tom de causos, orações e rodas de ciranda. O reconhecimento nacional não tardou. O terceiro disco, Memórias do Sertão em Embu das Artes Ao Vivo (2024), lançado em 6 de dezembro de 2024 e gravado no Largo 21 de Abril, no Centro Cultural Mestre Assis do Embu, reúne 21 clássicos que atravessam mais de um século da música brasileira — de Luar do Sertão (1910) a Romaria (1977) e Vide, Vida Marvada, de Rolando Boldrin (1981), com participação de Elisa Dias em Trem do Pantanal. A trajetória ganhou os microfones e as câmeras do país: foram destaque em TVs e rádios para o lançamento do primeiro álbum, onde foram apresentados como cantadores de Embu das Artes, que preservam a congada, a Folia de Reis e o pagode de viola. Com distribuição nacional da Kuarup, resenhas no G1 e em veículos especializados como a Web Rádio NelSons, e amizades e parcerias construídas com nomes como a cantora Elisa Dias, o grupo Folia de Reis do Lajedão e referências como Rolando Boldrin e Renato Teixeira, Élcio Dias & Amorim se consolidam hoje como um dos mais autênticos guardiões da música caipira no Brasil.
Sobre a Kuarup
Especializada em música brasileira de alta qualidade, o seu acervo concentra a maior coleção de Villa-Lobos em catálogo no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral, com artistas como Baden Powell, Renato Teixeira, Ney Matogrosso, Wagner Tiso, Rolando Boldrin, Paulo Moura, Raphael Rabello, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Elomar, Pena Branca & Xavantinho e Arthur Moreira Lima, entre outros.
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Série: Discografia Brasileira / Canção / Álbum
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske / Templo Cultural Delfos
