Certas Coisas: O Encontro de três Gerações do Violão no Palco da Casa do Choro

O espetáculo que chega à Casa do Choro é muito mais do que o lançamento de um álbum; é a celebração de um legado que une técnica, afeto e a história viva da música brasileira. Centrado no álbum gravado em 2023 por Augusto Martins e o agora imortal Hélio Delmiro, o show ganha um novo contorno com a presença de Marcel Powell. O projeto representa o registro derradeiro de Helinho, que antes de partir em junho de 2025, deixou sua bênção para que Marcel assumisse as cordas ao lado de Augusto, garantindo que o som lapidado em estúdio ganhasse o fôlego dos palcos. Sob a produção cuidadosa de Moacyr Luz, a obra revela uma profundidade camerística que se ajusta perfeitamente à acústica e ao rigor estético deste templo da música no Rio de Janeiro.

A Continuidade de uma Linhagem Musical
A apresentação estabelece um diálogo entre três pilares do violão brasileiro. A referência fundamental de Baden Powell, que foi mestre e admirador de Hélio Delmiro, encontra eco nas mãos de seu filho, Marcel Powell. Marcel, que iniciou sua trajetória profissional ainda criança ao lado do pai, traz para este show o virtuosismo necessário para honrar as harmonias complexas de Helinho, músico que deixou sua marca definitiva em discos seminais como Elis & Tom. No palco, a união entre o cantor Augusto Martins e Marcel Powell resgata uma parceria consolidada em trabalhos anteriores, como o aclamado tributo a Zé Kéti, reafirmando uma cumplicidade musical que transcende o tempo.
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Um Repertório de Contrastes e Homenagens
O roteiro musical percorre as doze faixas do álbum, destacando-se a canção-título “Certas Coisas“, que aqui abandona contornos pop para mergulhar em uma densa interpretação mpbística. O público terá a oportunidade de ouvir clássicos como “Fotografia”, de Tom Jobim, em uma leitura que reverencia as digitais deixadas por Hélio Delmiro na gravação original de 1974. O espetáculo reserva ainda momentos de pura entrega instrumental, onde Marcel Powell executa solos que marcaram a carreira de Helinho, como a icônica “Samambaia” e o clássico do jazz “Round About Midnight”. Para encerrar o ciclo de influências, o duo resgata as raízes do samba com obras de Zé Kéti, costurando o passado e o presente da nossa música.
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A Força de um Registro Histórico
Augusto Martins, com doze álbuns na bagagem e parcerias com nomes como João Donato e Ivan Lins, conduz a narrativa vocal com a maturidade de quem entende o peso histórico deste projeto. A escolha da Casa do Choro como palco para “Certas Coisas” reforça o compromisso dos artistas com a excelência instrumental e a preservação do patrimônio cultural brasileiro. É uma oportunidade única para o público testemunhar a transmissão de um saber musical que passou de Baden para Helinho e agora se manifesta através de Marcel, mantendo acesa a chama de um violão que é, ao mesmo tempo, técnico, emotivo e profundamente brasileiro.

SERVIÇO
Show | Certas Coisas  – Augusto Martins e Marcel Powell 
Data: 13 de maio /2026
Horário: 19h00
Local: Casa do Choro – Auditório Radamés Gnattali
Endereço: Rua da Carioca, 38, Rio de Janeiro/RJ | Tel.: (21) 2242-9947
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: Acesso para portadores de necessidades especiais
Ingressos: R$ 40 (meia-entrada) e R$ 80 (inteira)
Compras, symplaclique aqui.
Ou Bilheteria aberta 1h antes dos espetáculos
Casa do Choro:  Site / @casadochoro

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Casa do Choro – auditório Radamés Gnattali – foto: Alfredo Britto

Sobre a Casa do Choro
O choro é a alma musical do povo brasileiro”, já dizia Villa Lobos. O choro é carioca! E o Rio de Janeiro, finalmente, ganhou um espaço a altura da importância do gênero, a Casa do Choro, que reúne, na Rua da Carioca número 38, oito salas de aula, estúdio, centro de pesquisa e auditório para shows e palestras. Construção erguida no início do século XX, com características semelhantes às dos templos mouros (daí o apelido “mourisquinho”), o prédio histórico que abriga a Casa do Choro é tombado pelo INEPAC e foi cedido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para o Instituto Casa do Choro. O imóvel, que segundo pesquisas foi construído por volta de 1902, estava em ruínas e foi totalmente restaurado com apoio financeiro do BNDES, patrocínio da Petrobras e incentivo da Lei Rouanet. Além de Luciana Rabello e Maurício Carrilho, presidente e vice-presidente, respectivamente, na diretoria do Instituto Casa do Choro encontram-se ainda os nomes do bandolinista, regente e produtor musical Pedro Aragão, dos músicos Jayme Vignoli e Paulo Aragão e do produtor Cesar Carrilho. A instituição é responsável pela Escola Portátil de Música (EPM) que, desde o ano 2000, já ofereceu conhecimento musical através da linguagem do choro para mais de 10 mil estudantes e atualmente mantém cerca de 1.100 alunos matriculados nas oficinas que acontecem na UNIRIO. A Casa do Choro é o sonho de muitas gerações de músicos, ideal abraçado por personalidades reunidas no conselho do instituto. Déo Rian, Dori Caymmi, Hermínio Bello de Carvalho, Katia de Almeida Braga, Luiz Otávio Braga, Maria Bethânia, Paulo Cesar Feital, Paulo César Pinheiro, Roberto Almeida, Roberto Gnatalli, Sergio Prata e Sergio Cabral são os integrantes.


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