Antes de comentar alguns destaques do disco novo, uma riqueza de repertório, joia rara da verdadeira música brasileira, percebe-se a paisagem carioca nos versos desses dez sambas que vamos ouvir.
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Mosquito recorre ao subúrbio de Aldir Blanc e Noel Rosa para vestir a tradição de citações. Visgo da jaca, São Cosme e Damião, anel de namoro, calçado novo no pé da cama, referências que unem o passado ao presente de nossos enredos.
Mosquito, me perdoe a intimidade, voa alto. Intérprete de primeira, a caneta de ouro dessa nova geração que chegou respeitando número baixo, mas cheio de malemolência, requisito básico de um sambista brasileiro.
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Mosquito é partideiro. Aprendeu com Xangô da Mangueira, com o Nei Lopes, com o seu ídolo Zeca Pagodinho. Rima com categoria, coisa de gente grande. Um gigante, Camunguelo, Renatinho e Xande.
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Pra fechar, essa introdução de mil parágrafos, vale lembrar que Mosquito é da Ilha do Governador. Mais da gema, impossível.
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Na minha vitrola imaginável, o disco já está tocando. De cara, agogôs imperianos abrem o leque de sonoridades criados pelo genial artista Pretinho da Serrinha, o arranjador oficial de toda a música brasileira. Inspirado, Pretinho entendeu o sotaque apurado do Mosquito, forjado no pigarro do baralho manjado, da moeda que esconde o ponto da purrinha, da gira, do samba de roda, levada de MÃINHA TINHA RAZÃO a música que abre o trabalho, parceria com Gilson Bernini. Segue a deliciosa DESISTIU DE MIM assinatura forte: César Mendes, Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carminho. Refrão na palma da mão.
Em tempo: parceiros importantes ajudam na construção do repertório que materializa 20 anos de carreira, desde Mart’nália, Tereza Cristina passando aos próximos da geração, Leandro Fregonezzi e Inácio Rios que também participa como intérprete na faixa BANHO-MARIA.
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Tem gafieira? É só ouvir VIDA DE MOLEQUE, autoria de Thiago da Serrinha, inspirado na zona norte e suas particularidades. E é nesse caminho que as músicas costuram a bandeira do samba.
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Peço ao Mosquito que me empreste as palavras pra esses textos da matriz, que batuque na cozinha, no verniz da sala, que engorde um caranguejo no fundo de quintal. Enfim, posso afirmar que na galeria do samba você já pôs o seu retrato.
— Moacyr Luz (Cantor e Compositor) —

Disco ‘Quinhão’ • Mosquito • Selo Uns e Outros • 2025
1. Mãinha tinha razão (Gilson Bernini e Mosquito)
2. Desistiu de mim (Cezar Mendes, Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carminho)
3. Quinhão (Elvis Marlon e Mosquito)
4. Caranguejeiro (Leandro Fregonesi e Mosquito)
5. Pega-pega (Claudemir e Mosquito)
6. Rabo de arraia (Mosquito)
7. 17 de Janeiro (Mosquito, Mart’nália e Teresa Cristina)
8. Vegetariando (Mosquito)
9. Banho-maria (Inácio Rios e Galvão Filho) | Feat. Inácio Rios
10. Vida de moleque (Thiago da Serrinha)
– ficha técnica –
Faixa 1 – Voz: Mosquito; Arranjo, cavaco, pandeiro, tamborim, surdo, repique de mão e caixa: Pretinho da Serrinha; Tantan: Nene Brown; Violão: Marcelo Minios; Violão de 7 cordas: Carlinhos 7 Cordas; Baixo: Charles Bonfim; Bandola, banjo: Inácio Rios; Coro: Beatriz Coimbra, Kesia, Raphael Lagoas, Eduardo Silveira, Inácio Rios, Mosquito | Faixa 2 – Voz: Mosquito; Arranjo, pandeiro, caixa, tamborim, agogô, surdo: Pretinho da Serrinha; Tantan, repique de mão, rep de anel: Nene Brown; Violão: Marcelo Minios; Cavaquinho: Bruno Campos; Banjo: Inácio Rios; Baixo: Charles Bonfim; Coro: Beatriz Coimbra, Kesia, Raphael Lagoas, Eduardo Silveira, Inácio Rios, Mosquito | Faixa 3 – Voz: Mosquito; Caxeta, pandeiro, tamborim, surdo, ganzá: Pretinho da Serrinha; Repique de Mão: Nene Brown; Arranjo e Violão: Marcelo Minios; Baixo: Charles Bonfim; Tantan: Beloba; Banjo: Inácio Rios; Cavaquinho: Bruno Campos; Coro: Beatriz Coimbra, Kesia, Raphael Lagoas, Eduardo Silveira, Inácio Rios, Mosquito | Faixa 4 – Voz: Mosquito; Arranjo, pandeiro, tamborim, triângulo, surdo, reco-reco: Pretinho da Serrinha; Tantan: Nene Brown; Sanfona: Bebê Kramer; Violão: Marcelo Minios; Baixo: Charles Bonfim; Cavaquinho: Bruno Campos; Coro: Beatriz Coimbra, Kesia, Raphael Lagoas, Eduardo Silveira, Inácio Rios, Mosquito | Faixa 5 – Voz: Mosquito; Pandeiros, tamborim, repique de anel, ganzá, atabaque, surdo, palmas e caixa: Pretinho da Serrinha; Violão: Marcelo Minios; Baixo: Charles Bonfim; Violão 7 cordas: Carlinhos 7 Cordas; Tantan, repique de mão, atabaque: Nene Brown; Cavaco: Bruno Campos; Palmas: Rachell Luz; Coro: Kesia, Beatriz Coimbra, Inácio Rios, Raphael Lagoas, Dudu Silveira | Faixa 6 – Voz: Mosquito; Arranjo, tamborim, cuíca, pandeiro, surdo: Pretinho da Serrinha; Tantan e repique de mão: Nene Brown; Violão 7 cordas: Carlinhos 7 Cordas; Violão: Marcelo Minios; Cavaquinho e banjo: Inácio Rios; Coro: Beatriz Coimbra, Kesia, Raphael Lagoas, Eduardo Silveira, Inácio Rios, Mosquito | Faixa 7 – Voz: Mosquito; Arranjo, agogô, tamborim, repique de mão, cuica, tantan, surdo, pandeiro, caxixi e atabaque: Pretinho da Serrinha; Violão: Marcelo Minios; Baixo: Charles Bonfim; Cavaquinho: Bruno Campos | Faixa 8 – Voz: Mosquito; Arranjo, pandeiro, reco-reco, tamborim, surdo: Pretinho da Serrinha; Violão: Marcelo Minios; Violão 7 cordas: Carlinhos 7 Cordas; Clarinete: Dirceu Leite; Baixo: Charles Bonfim; Cavaquinho: Bruno Campos | Faixa 9 – Voz: Mosquito; Voz e bandola: Inácio Rios; Gaita: Rildo Hora; Arranjo, cavaco, pandeiro, tamborim, ganzá: Pretinho da Serrinha; Tantan: Beloba; Violão: Marcelo Minios | Faixa 10 – Mosquito – Voz; Arranjo, pandeiro, surdo, tamborim, caixa, repique de anel, ganzá: Pretinho da Serrinha; Tantan: Nene Brown; Violão: Marcelo Minios; Baixo: Charles Bonfim; Cavaquinho: Bruno Campos; Trombone e arranjo de metais: Antonio Neves; Trompete: Eduardo Santana; Sax tenor: Oswaldo Lessa; Coro: Beatriz Coimbra, Kesia, Raphael Lagoas, Eduardo Silveira, Inácio Rios, Mosquito || Uma realização Uns e Outros Produções | Produzido por Paula Lavigne | Produção musical: Pretinho da Serrinha | Gravação, edição, mixagem e protools: Igor Ferreira | Assistente de gravação: Antônio Nunes | Gravado nos Estúdios Lavigne (RJ) | Mixado no estúdio Casa do Igor (RJ) | Masterização: Alexandre Rabaço | Masterizado no Estúdio Aura (RJ) | Produção executiva: Renata Mader e Brisa Torres | Assistente de produção: Anabella Esteves | Direção criativa e projeto gráfico: Toni Vanzolini | Desenho capa: Márcia Falcão | Fotos: Fernando Young | Comunicação: Gabriel Baiano | Estratégia de marketing digital e conteúdo: Bella Garcia | Designer: Fabrício Oliveira | Texto de apresentação: Moacyr Luz | Assessoria de imprensa: JB Assessoria de Comunicação e Marketing / Jane Barboza e Jaqueline Cunha | Assessoria jurídica: Caio Mariano Advogados e Uns | Assessoria financeira: Ricardo Rodrigues || Visualizers – Direção criativa visualizers e conteúdo digital: Bella Garcia e Lorenço Moura | Direção de fotografia: Lorenço Moura | Edição: Lorenço Moura | Fotos still: Joaquim Lima | Assistente de direção: Francisco Teicher | Assistente styling e arte: Mariana Rodrigues | Roteiro faixa a faixa: Flávia Kamenetz || Selo: Uns e Outros | Distribuição digital: Altafonte | Formato: | Ano: 2025 | Lançamento: 17 de julho | ♪Ouça o álbum: clique aqui | ♩Assista os vídeos: clique aqui.

Sobre Mosquito
Pedro Assad, de 38 anos, mais conhecido como Mosquito, é uma das maiores revelações do samba carioca. Nascido na Ilha do Governador, o cantor e compositor tem se destacado entre os nomes do samba da nova geração e conquistado o respeito de grandes sambistas. Seu interesse por esse gênero musical se deu quando ele começou a frequentar as rodas de samba com amigos de infância, na Ilha do Governador. Em pouco tempo, já estava tocando em bares da cidade e fazendo amizades com nomes conhecidos na área. Desde então, nunca mais parou e está em plena atividade há quase vinte anos.
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Ele tem como referências musicais Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Adoniran, Martinho da Vila, entre outros. Além disso, ele que já tocou ao lado de grandes nomes como Jorge Aragão, Moacyr Luz, Arlindo Cruz, Arlindo Neto,Dudu Nobre, Diogo Nogueira, Pretinho da Serrinha e Caetano Veloso, é conhecido por suas canções irreverentes e que retratam o cotidiano do povo brasileiro de forma inusitada. Sua identificação é com o samba raiz, do partido alto, mas também aprecia e conhece bem outras variações do samba. Conhecido como um dos principais versadores da nova geração do samba de partido alto, hoje seu nome figura, merecidamente, no Hall dos Versadores do Cacique de Ramos
Também impressiona nas rodas de samba, e em suas composições, pelos versos afiados, rápidos e certeiros, e pela sua versatilidade musical. É inegável que Mosquito seja um artista completo, embora ele se reconheça somente como sambista.
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Este novo disco é um projeto em que o artista busca apresentar sua versatilidade, dando início a uma nova fase com muitas referências que transitam entre o clássico e o novo, o sofisticado e o simples, o samba de breque e o partido alto, marcas registradas de Mosquito.
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“Conheci Mosquito pela canção ‘Só Por Hoje’. Fiquei maravilhado com o autor e o cantor. A expressão “só por hoje”, que vem precedida de um ‘lê-lê-lê’ que abre caminho no nosso coração, é muito conhecida de grupos de AA e NA – o que faz o canto de amor passar a ser lido como um desabafo sobre dependência. Isso sem perder a mão no desenvolvimento do samba fluente e emocionado. Fiquei tão apaixonado que cheguei a tentar gravá-lo. Mas percebi que fica bonito mesmo é com Mosquito cantando com sua voz pura e límpida, muito jovem, mas dominada até o âmago pelo sotaque do samba carioca de raiz”. (Caetano Veloso)
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> Siga: @mosquitomqt


Série: Discografia Brasileira / Canção / Samba / álbum.
* Publicado por ©Elfi Kürten Fenske


